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feminismo

1 em Comportamento/ Destaque/ feminismo no dia 02.07.2018

Será que os rapazes do episódio “bucet* rosa” eram mesmo tão idiotas ou imbecis?

Já passou um pouco da tensão da “buceta rosa” e em meio a muitos posts que foram feitos, eu ainda fiquei com algumas coisas pra dizer, algumas epifanias de uma leiga que sentiu um nó na garganta que foi difícil de engolir. Muita coisa já foi dita, mas algumas coisas foram pouco exploradas e é nesses detalhes que moram os risco. Nesse tempo de muita informação viajando por aí, chamar os caras de imbecis ou idiotas é fácil, pensar que muitos amigos que amamos poderiam ter feito exatamente a mesma coisa é que me dói. Afinal, nós sabemos que o problema não eram eles, o problema são as crenças enraizadas e inconscientes que estão aí, transitando como verdade pra toda uma galera da minha geração.

Que fique claro já no começo desse post que eu não acho que o comportamento objetificador daqueles caras reflete ou representa a postura de todo homem branco e hetero desse país, mas a objetificação de mulheres, que são resumidas à vaginas, bundas ou peitos está aí pra todos. Que me ataque uma pedra o primeiro cara que não recebeu um meme machista de um amigo objetificando uma mulher na última semana!

Vocês acham mesmo que simplificar a questão chamando eles de machistas imbecis e idiotas soluciona a questão? Nossa, pra mim é tão mais grave. Precisamos sentar com nossos amigos, pedir pra que eles nos escutem e precisamos praticamente desenhar como é estar no nosso lugar. Eles não fazem ideia de como é estar sozinha em uma rua escura, perceber que tem alguém atrás de você e se aliviar ao ver que é uma mulher. Eles não fazem ideia do quão desconfortável é pegar o metrô e ser  surpreendida por um pau duro encoxado em você. Tão pouco o que é um velho parado no carro batendo punheta olhando pras meninas que conversam na rua. Eles não sabem como é passar por uma obra e ouvir que eles seriam todos chupados. Poucos deles conhecem o risco eminente da cultura do estupro. Parece que o mundo tá ficando chato porque eles precisam selecionar suas brincadeiras, mas isso só acontece porque estamos agora falando sobre abusos que antes eram socialmente estimulados.

simples

Eu não vou dizer que eles são idiotas e encerrar esse assunto. Não vou mesmo. Poderia ser meu namorado, meu irmão, o marido de uma amiga, e por esses caras que eu amo, eu não vou deixar o assunto morrer assim. Porque eu preciso que de alguma forma eles entendam que não é sobre aquele amigo babaca que faz dessas coisas, é sobre uma sociedade que faz dessas coisas. Não quero que eles se sintam atacados na sua individualidade e tampouco que se sintam perdendo direitos, porque eles na verdade, eles só estão perdendo o direito de serem bobos e infantis. Eu pessoalmente quero união, troca e soma, porque separação e segregação deu nisso, dá nisso.

O que aconteceu na Rússia não é exceção. Gente, o que aconteceu na Rússia é o comum, é o que rola na conversa do amigo do seu namorado, do meu também. É o que acontece em todo lugar, principalmente nos grupos de Whatsapp. O que aconteceu na Rússia é o que faz muito cara que a gente adora rir, nem que seja pra não se sentir deslocado pelo amigo. E é com essas pessoas que nós amamos que precisamos conversar sobre o tamanho do absurdo cotidiano que é o episódio da “buceta rosa”.

Lacrar na crítica do facebook nós já estamos fazendo, mas estamos conseguindo voz e silêncio para escutar os caras legais que estão ao nosso lado? Estamos conseguindo falar num tom que gere reflexão? Estamos sendo escutadas por quem foi criado pra fazer isso? Não sei.

Claro que não to invalidando toda crítica que aconteceu em cima do episódio, de forma alguma. Acho inclusive que esse ataque todo acaba sendo fundamental para que os homens entendam que existe a hora de sentar e ouvir. Em lugar de privilégio, é fácil achar que o mundo tá chato, afinal, não é você que tem medo, que foi oprimido ou que é silenciado. Conviver ou respeitar não significa não ter preconceito. Vivemos numa sociedade onde o preconceito é muito mais velado e enraizado do que imaginamos. De alguma forma ele está socialmente presente em nós, por isso a tomada de consciência é tão importante, por mais incômoda que ela seja.

Quanto mais a gente escolher o caminho do autoconhecimento, da empatia e do respeito ao sentimento do outro, mais vamos descobrir que não somos tão bons e tão perfeitos quanto achávamos, e está tudo bem. Esse risco de aparecer em um vídeo fazendo uma brincadeira sobre buceta rosa era inerente a muitos caras, e por mais ultrajante que seja, precisamos considerar que no micro universo isso acontece todo dia e precisamos gerar uma consciência maior de tudo isso, até mesmo para exigirmos o respeito que merecemos. Mas esse respeito não deve vir por essa fraternidade deles, deve vir porque somos humanos e nossas vidas valem o mesmo peso.

Nesse episódio, uma das coisas que mais me incomodou foi a justificativa de um dos caras depois do vídeo ter sofrido represálias. “Estão acabando com nossas vidas, eu sou pai de família, tenho mulher”. Bem, se você precisa explicar que não tem preconceito porque você até convive ou respeita com alguém parecido, você pode já estar vendo esse outro como inferior sem nem notar. Fingir que não temos um problema não está funcionando e reconhecer essa questão pode ser um começo pra de fato abrirmos mão de enxergar o diferente como menos. Ele só não é igual a mim ou a você, sem juízo de valor, nem melhor, nem pior. A hora que tirarmos o juízo de valor do gênero estaremos falando que nossas vidas valerão a mesma coisa.

Para mim o problema não é os caras serem idiotas ou imbecis. Acho que o buraco é bem mais embaixo, vem lá da criação de homens da geração do “engole o choro que isso não é coisa de homem”. Ao meu ver, esse tipo de homem precisa de ajuda pra sair da bolha. Pelo o que conversei com homens ao meu redor, vejo que muitos, no alto de seu lugar confortável, não conseguem ver os absurdos que nos sujeitam. Pensando nisso, sempre lembro de  “Eu não sou um homem frágil”, filme francês que está na Netflix e é um exemplo perfeito do incômodo que é pensar de forma invertida – ainda que eu ache que o estereótipo da mulher com muita energia do masculino não ajude no processo. Eles precisam nos ouvir, seja o dia do abuso que eles não souberam, seja daquele cara que forçou ou tirou a camisinha no meio, seja do garoto que beijou a gente à força, eles precisam se permitir sentir a impotência que a gente sente, pra isso a gente precisa poder conversar.

Eles precisam baixar a guarda e escutar e o maior desafio aqui é conseguirmos encontrar o tom de voz que promova um real diálogo. Nunca irei julgar a mulher com o discurso mais inflamado, acho que feministas radicais são essenciais para trazer assuntos urgentes à tona, mas sigo vendo mais resultado em falas mais calmas e amorosas, acolhedoras e empáticas, menos julgadoras e mais elucidativas.

dois pesos, duas medidas | @veganaeasuamae

dois pesos, duas medidas | @veganaeasuamae

Eles não são uns meros imbecis. Eles foram criados pelo machismo enraizado que incentivava essas brincadeiras que sexualizam a mulher e as colocam como um pedaço de carne que não tem sentimentos. Eu não quero isso mais, isso me enoja, mas eu respiro fundo e tento conversar com todo cara que não é limitado e consegue REFLETIR, ESCUTAR e RESPONDER as questões em pauta, não apenas falas hipotéticas decoradas. Nem todos vão escutar ou mudar, alguns vão atacar e silenciar, outros vão nos tirar do sério, mas eu não vou desistir de tentar.

Se estão achando que é tempestade em copo d'água eles não entenderam nada. | @empodereduasmulheres

Se estão achando que é tempestade em copo d’água eles não entenderam nada. | @empodereduasmulheres

Na minha geração sempre se passou pra frente a sensação de que uma mulher é uma espécie de domínio público pra objetificação. Esse conceito precisa ser revisto. Eu acredito que tudo é possível. Sempre tive um gênio indomável, mas os conceitos machistas do meu pai foram perdendo a força depois dos meus 18 anos. Vejo claramente seu processo de desconstrução e, no alto dos seus 66 anos, posso dizer que tenho um pai feminista. O cara que antes não queria me deixar ir fazer um mochilão na Europa aos 21 porque eu iria só com mulheres sozinhas, hoje tem pensamentos mais modernos e feministas que minha mãe, que nutre algumas doses estranhas de conservadorismos aleatórios. E não, não é só meu pai. O meu namorado atual me impressiona na sua desconstrução diariamente. Nessas horas entendo por quê programas como Pânico na TV deixaram de ter o mesmo espaço e saíram do ar. Aos poucos as coisas estão acontecendo e todo barulho feito está plantando sementes, mas nós podemos ajudar a regar e acelerar essa colheita.

Eu acredito num Brasil onde os caras mais bacanas vão explicar pros amigos os equívocos e riscos dos memes do mesmo jeito que eu uso o meu lugar privilegiado de mulher branca pra falar da seriedade dos problemas do racismo. Eles precisam nos escutar genuinamente, nos dar lugar de fala, mas também precisam nos ajudar se não quiserem ser os próximos reduzidos a imbecis ou idiotas, porque se o mundo não mudar… Isso vai acontecer de novo e alguém que amamos pode ser o próximo imbecil ou idiota.

0 em Destaque/ feminismo/ maternidade no dia 21.06.2018

Pelo direito dos meninos

Depois que virei mãe de menino, uma coisa que passa diariamente pela minha cabeça é como eu e meu marido podemos fazer nossa parte para que ele se transforme em um homem que respeite não só às mulheres, mas também à si mesmo. Como criar uma criança que tenha personalidade e discernimento para saber quando faz sentido pular fora de situações.

Dizem que toda mulher que se torna mãe acaba descobrindo o feminismo, e apesar desse movimento ser uma pauta que já era do meu interesse anos antes de ter um filho, diria que agora é algo imprescindível no meu dia a dia.

Sei lá se existe resposta certa para criar um ser humano (acho que não), sei lá o quanto teremos que nos desgastar e o quanto morderemos nossa língua lá na frente, mas sei que esse é um assunto que eu quero mais é trocar, aprender e tentar entender como fazer a minha parte.

mae-de-menino

Cruzei com esse post de Silvia Amélia de Araújo que foi loucamente compartilhado na minha timeline e achei que tem tudo a ver com o que eu acredito que quero criar meu filho. Quis botar ele aqui, justamente para eu nunca mais perder, e também para compartilhar com quem não tem Facebook:

“Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!)

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!)

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina.

Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina.

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também.

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa.

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas.

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minisaia.

Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos.

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria.

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido.

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível! Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz..

O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda.

Meu ativismo político é a favor da alegria. Só isso.”

8 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Beleza/ Destaque/ feminismo no dia 07.06.2018

Nós esquecemos como são os peitos naturais…

Hoje escolhi trazer um assunto que nem consigo considerar polêmico: a necessidade de lembrarmos que existem peitos naturais e eles não são iguais aos que têm silicone. Parece óbvio não é mesmo? Mas como a Carla contou num post antigo, não é. Durante o carnaval Bruna Marquezine saiu numa fantasia linda e ousada durante o Bloco da Favorita. O assunto? Foi um só: seus peitos. Mais uma mulher resumida ao corpo, mais um corpo atacado por não ser suficientemente perfeito. O agravante? Ela ser uma mulher famosa, bonita e rica. Afinal, aos olhos de muitas, pareceu inadmissível uma mulher como ela não ter o “melhor peito”, leia-se o de silicone na opinião de muitas.

Nem vou perder meus dedos digitando sobre a importância de não comentarmos o corpo ou peso dos outros, tampouco vou explicar que isso pode ser um gatilho para anorexia, bulimia e outros transtornos alimentares que não são visíveis a olho nu. Também não vou perder o meu tempo explicando o machismo que é resumir mulheres de múltiplos talentos a sua aparência. Nem vou focar minha energia no quanto estamos equivocadas ao cobrar de uma celebridade a perfeição que odiamos que cobrem de nós.

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Quero perguntar outra coisa: Quando foi que esquecemos a referência de como são peitos naturais? 

Não estou aqui para falar do “body shamming” sofrido pela Bruna Marquezine, isso a Carla já fez muito bem. Estou aqui para falar sobre as nossas referências estarem se perdendo ao vermos apenas peitos com silicone na televisão, nas revistas, no instagram das celebridades, das influenciadoras e até mesmo com as nossas amigas. Nenhuma delas está errada de colocar silicone, nem isso quer dizer automaticamente que elas não se amam ou não tem autoestima. Não estou aqui pra julgar outras mulheres, estou só para lembrar a importância de reavaliarmos se temos hoje referências de peitos naturais a nossa volta.

Bruna ainda não casou, nunca teve filhos ou amamentou, olhando a foto está claro que seus peitos são naturais, não caídos. Só que isso me fez  parar pra pensar: os peitos de Bruna não são caídos, mas os meus são? Por que eu acredito nisso? Talvez meus peitos sejam naturais e não caídos, mas eu, com as referências que tenho, sempre achei que eles eram. Será? Já não sei.

Depois de questionar a falta de referências de peitos naturais comecei a pensar que tudo que me disseram sobre peitos pode não ser verdade. Será que todos os peitos que amamentaram de fato baixaram? Será que todos eles são caídos? Será que por “caídos” quer dizer feios? Aliás, será que deveria existir tamanho juízo de valor sobre peitos? Será que estamos todas loucas, educadas a buscar uma perfeição a qualquer custo? Será que todas nós teremos que botar silicone se um dia amamentarmos? Será que essa cultura de um tipo de peito idealizado representa todas as mulheres e corpos desse país? Será que isso define a beleza de alguém? Não sei, mas creio que não.

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Só sei que quando fui em defesa de não atacarmos Bruna por ter peitos naturais me dei conta de que estava defendendo ela, mas havia uma dose de “hipocrisia consciente” na minha fala. Sempre acreditei que eles eram caídos devido ao efeito sanfona, à genética ou seja lá qual for a razão deles não serem tão em pé quanto o das outras pessoas. De alguma forma eu estava me depreciando ao alimentar a crença de que meus peitos não eram suficientes, que eles precisavam ser mais perfeitos. Fazendo um juízo de valor negativo para algo que poderia ser natural. A falta de referência não me permitiu ver o óbvio.

Será que acreditei a vida inteira que eu tinha peitos inadequados e na verdade eles são comuns? Na dúvida, resolvi mudar o olhar. Me dei conta que eu não poderia mais me comparar com as outras mulheres idealizadas. Eu precisava criar um olhar pra mim, individual.

A verdade é que eu posso fazer o que quiser com esses peitos: posso mudar eles no momento em que eu decidir ou posso ficar com eles assim. A plástica pós amamentação em caso de filhos não é uma obrigação, é uma opção. Será que eu preciso? Será que eu quero? Vai resolver algum sofrimento? Hoje, definitivamente não. Amanhã, talvez sim. Não estou aqui pra julgar mulheres que optaram pela plástica por não gostarem de seus peitos, tampouco demonizo a cirurgia plástica, estou só dizendo que podemos repensar toda essa obrigatoriedade de peitos perfeitos.

Não precisamos ser perfeitas em nada. Pode haver beleza onde sequer imaginamos, precisamos aprender a tirar o filtro da rigidez e perder o vício de procurar defeitos em nós mesmas. Precisamos de representatividade de vários tipos de corpos para que nos projetemos menos em um único tipo de padrão, num único símbolo a ser copiado. 

Descobri que sei muito pouco sobre peitos e que, mesmo nunca tendo feito nada para isso, eu era refém da ditadura do peito em pé.

No mundo tudo é cíclico: um dia o que é estranho se torna comum, no outro o que é comum se torna estranho. Esse processo acontece cada vez mais rápido e, por isso, precisamos tomar consciência do que estamos absorvendo como verdade absoluta sem sequer perceber, pra mim isso acontece todo dia com relação a peitos ou qualquer outro padrão. Porque independente do juízo de valor de melhor ou pior, devemos preservar o senso crítico antes de julgarmos o outro ou de sermos tão rígidas conosco. Autocrítica é uma boa qualidade, mas se usarmos isso para sermos exageradamente cruéis conosco isso se transformará em defeito, o mesmo vale para quando somos exageradamente críticas com o outro. Isso diz mais sobre nós mesmas do que qualquer outra coisa.

No meu caso, ao me olhar com mais amor eu me dei conta de que não precisava odiar meus peitos só porque eles não são iguais aos das outras pessoas, eles são só naturais. Tenho consciência que pra mim talvez seja fácil falar, nunca sofri como muitas amigas minhas por não ter peitos ou por ter peitos demais. Meu incomodo se dava por eles não serem perfeitos, por serem caídos e por suas auréolas serem muito grandes. Nunca gostei, mas nada disso me limitou, nunca usei dois sutiãs ou deixei de tirar o sutiã na frente de alguém. Acredito que a plástica pode ser uma opção libertadora para quem viveu anos insatisfeita com o que olhava no espelho, no meu caso ela seria só mais uma opção automática, que não fiz até hoje justamente por não achar que era uma questão que me aprisionava. Nos momentos de maior insegurança quis operar, nos momentos mais tranquilos quis deixar para depois de ter filhos, hoje eu escolhi deixar pra lá até eu mudar de opinião.

Se a Joana do futuro se incomodar e quiser mudar seus peitos, tudo bem. Só quero que ela saiba que está tudo bem ter peitos naturais também, ela não precisa mudar. Eles existem, são macios e também tem beleza. Espero que minha versão que virá jamais mude para agradar alguém que não ela mesma, seja um amor ou a audiência, afinal a cobrança por perfeição pode vir de todo lado.

A Joana de hoje vai dormir tranquila, ela não precisou mudar nada nos seus seios, só precisou ajustar o olhar. Com um olhar amoroso e uma dose de referências se sentiu acolhida, re-descobriu que os peitos naturais existem e tirou mais um velho rótulo sem sentido do seu corpo. 

foto: Adriana Carolina