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feminismo

0 em Comportamento/ Deu o Que Falar/ feminismo no dia 06.04.2018

Obrigada por ter postado, apagado e postado de novo

Hoje estava dando uma olhada nas notícias do dia, e em meio a incertezas políticas, violência e manifestações, resolvi dar uma olhada em notícias mais leves, fofocas em geral, para ver se fazia meu dia começar um pouco menos desanimador.

Não melhorou. Porque acabei me deparando com uma matéria falando sobre um post que a atriz Lara Rodrigues fez no instagram mês passado, mas por algum motivo só foi falado agora.

lara-rodrigues-assedio

instagram @rodrigues_lara

“Postei. Apaguei. E posto de novo. 
Escrevo, amo escrever e de uns tempos pra cá, tenho criado coragem de dividir meus textos com o mundo. E essa foto, foi postada hoje junto com um texto meu que fala sobre as delícias e a leveza das manhãs e desse milagre sútil que é a vida. Postei. 
Menos de 5 minutos depois, um homem que trabalhou comigo algumas vezes no mercado audiovisual se sentiu no direito de mandar uma mensagem privada dizendo ” você adora uma pimentinha né? Danada”.
Ao ler, meu primeiro impulso foi apagar a foto e bloquear a pessoa em questão. Ficar quietinha e deixar pra lá. Toda a reação que fomos treinadas a vida toda pra ter. Mas não. 
Hoje, sou mulher, dona do meu nariz, das minhas pernas, das minhas poesias e principalmente do meu grito. 
Apaguei e posto de novo. 
E posto minhas pernas, meu rosto, meu peito, meus braços, meu todo e isso não dá a ninguém o direito de me mandar esse tipo de mensagem machista. 
Apaguei e posto de novo. 
E posto meus textos, meus protestos, meu desabafos ou qualquer outra representação da minha voz. Sou ser pensante, capaz e com direito a livre expressão. E isso, não é uma afronta à ninguém. 
Apaguei e posto de novo. 
Pois o caminho ainda é longo e a luta continua. 
Não passarão.”

Infelizmente muitas mulheres vão se identificar porque esse tipo de comportamento é muito mais comum do que imaginam. Infelizmente muitas ainda irão passar por isso. Algumas vão ficar com raiva, outras com medo, muitas vão se calar. Muitas vão fazer que nem a Lara, apagar e postar de novo até saber como colocar as palavras no lugar.

E tenho certeza que algumas (e espero que seja minoria) deve achar que ela está falando sobre isso só para chamar atenção. “Agora tudo é assédio”, tenho ouvido de algumas pessoas que ainda não entenderam que o assédio sempre aconteceu, a diferença é que antigamente ninguém falava sobre isso porque as consequências eram – e ainda são em muitas profissões – duras.

Mas se tem algo de bom que podemos tirar disso que aconteceu com a Lara é que, não importa quantas vezes a gente apague e poste novamente, que a gente tenha a coragem de se abrir e dividir.

6 em Comportamento/ Destaque/ feminismo no dia 26.03.2018

Pode ser que você não conheça a Fabi Grossi, mas você conhece sua história

Fabi Grossi. Se você nunca ouviu esse nome e vive na internet, provavelmente vai ouvir em algum momento próximo (que não por mim, claro rs). Se você já ouviu mas não procurou saber mais, talvez se interesse. Só acho que todo mundo deveria bater um papinho com ela em algum momento.

Para entrar em contato é fácil, você entra na página dela, manda uma mensagem e começa a conversar. Pelo o que eu fiquei sabendo, as vezes ela responde imediatamente, comigo ela demorou uns 15 minutos para responder.

fabi-1

Depois daquela conversinha inicial, descobri que Fabi foi vítima de pornografia de vingança e teve um vídeo íntimo jogado na internet pelo seu ex-namorado. Ela pede conselhos, manda áudios, prints de ameaças do ex, fotos. E dependendo de como a conversa desenrolar, você acompanha o que está acontecendo com ela e a ajuda a passar por isso.

A experiência de todo mundo vai ter pontos em comum porque Fabi não existe, mesmo você tendo certeza em alguns momentos que está conversando com uma pessoa de carne e osso do outro lado da tela. Ela é uma personagem de uma história de ficção criada pela Unicef em parceria com o Facebook para conscientizar jovens sobre pornografia de vingança. Ficção em partes, né, porque Fabi Grossi pode ser um monte de algoritmos misturados para responderem de forma hiper realista de acordo com a interação de cada usuário, mas sua história é real e, infelizmente, vivida por muitas mulheres mundo afora.

 

Quando comecei a falar com a Fabi, já sabendo disso tudo que eu falei acima, eu realmente quis entrar na história, não quis ficar testando o que aconteceria se eu falasse as coisas mais absurdas ou nada a ver a com o tema. Se a ideia era ter uma imersão, eu queria entrar de cabeça e abracei a Fabi como se ela fosse uma amiga. A medida que eu comecei a ver as ameaças do ex, ele espalhando seu número e ela recebendo mensagens de desconhecidos, o print que ela mandou quando seu vídeo foi parar em um site de pornografia, o desespero dela e a sensação de culpa, a garganta deu um nó. Mesmo com algumas mensagens que fazem a gente lembrar que ela é um bot que segue um roteiro, a experiência como um todo é tão real que dá para sentir na pele o quanto a vida de uma mulher pode virar do avesso quando algo desse tipo acontece. E as vezes a sensação de impotência é grande. Não aconselho essa conversa para quem já viveu algo parecido, por isso deixo aqui um alerta de gatilho gigante.

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Em diversos momentos o desespero que bateu em mim aconteceu porque eu reparei que, mesmo sendo feminista e sabendo bastante sobre o assunto, nem sempre eu sabia como aconselhar melhor. Por exemplo, em um dado momento que ela estava desesperada, eu insisti para que ela contasse para os seus pais, já que na minha cabeça era melhor tê-los ao lado antes do problema aumentar de proporção do que se eles ficassem sabendo por outra pessoa.

Só que eu dei esse conselho pensando na minha experiência com pais que são compreensivos e que provavelmente me dariam uma bronca no início, mas ficariam do meu lado se o mundo começasse a cair. Depois disso, eu parei para pensar: e se os pais dela são super conservadores e a expulsarem de casa? E se eles jogarem a culpa toda nela? E se a afundarem mais do que ajudarem?

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Não me lembrei de muitas medidas mais práticas para ajudá-la, o que me deixou meio frustrada. E me senti impotente toda vez que ela dava a entender que estava muito difícil continuar.

Não quero dar spoilers do que eu falei e do que ela falou para mim, para não estragar a experiência de quem queira conversar com ela, mas acho válido avisar que eu não tentei dar conselhos errados para ela (do tipo, dizer que ela tem culpa por ter feito o vídeo) para ver o que acontecia. Eu não sei o que acontece com quem interage da forma incorreta.

O que eu posso tirar dessa experiência é que pais de adolescentes e os próprios adolescentes – para quem o projeto é voltado de fato – podem e devem conhecer a Fabi. Achei uma ótima oportunidade para se discutir o assunto em casa e um jeito de descobrir como ajudar alguém que esteja realmente passando por isso.

Alguém aqui testou? O que achou?

1 em #paposobremulheres/ Comportamento/ feminismo no dia 25.03.2018

Papo Sobre Mulheres: Pelo meu direito de não ser a guerreira que todos esperam

Semana passada tivemos o dia Internacional da Mulher e pela primeira vez não quis responder às inúmeras mensagens recebidas. Não por falta de educação mas por puro cansaço! Foram tantas as falas de “guerreira” que me deu exaustão de tanto lutar.

Perdoem-me se pareço contrária a todo esse movimento revolucionário feminino, mas quero ter o direito (e a consciência tranquila) para não guerrear tanto. Vou dar meus motivos e proponho uma reflexão junto com uma viagem ao tempo…passado.

Primeiramente quero deixar bem explícito que sou super a favor de todos os movimentos que venham trazer poderes às mulheres. Acontece que estou na luta há bastante tempo e às vezes, sem querer ser pessimista, sinto bem no fundo do meu coração que estamos lutando tanto e os resultados não aparecem!

Vou explicar….

Se visitarmos o tempo passado, o temido “antigamente”, das nossas mães e avós e até de mim mesma, que tenho 52 anos de idade, conseguimos observar mudanças marcantes e importantes, que dizem respeito à liberdade das nossas escolhas, dos nossos corpos, das nossas profissões e por aí vai. Dizem que as grandes mudanças só acontecem após grandes batalhas e é exatamente nesse gancho que entro!

leila-gravano

Sou de uma geração do silêncio, de regras, controle, observação. Sou da época que não podia sequer repetir um pedaço de bolo sem antes a autorização de um responsável. E lutei muito pra mudar conquistar essas “pequenas grandes” mudanças . Lutei por depilar minhas pernas e sobrancelhas antes dos 15 anos (acreditem, é real). Lutei pra brincar carnaval junto com outros adultos. Lutei pra que meu primeiro relacionamento amoroso com um rapaz 7 anos mais velho do que eu fosse aceito pelos meus pais. Depois lutei para poder chegar em casa depois das 23 horas. Lutei para conseguir assinatura dos meus pais para casar antes dos 21. E lutei para me adaptar à’po0 vida de casada cheia de afazeres e responsabilidades longe da minha cidade e sem qualquer contato tecnológico. Lutei no desemprego do meu companheiro para que ele não se sentisse inferiorizado. Lutei pra superar o fim de um relacionamento após 23 anos. Lutei pra segurar a barra emocional da transição de um filha criança para a adolescência.

Todas nós temos nossas lutas!
Todas nós enfrentamos batalhas externas e internas.

Por isso, agora, quero me dar o direito de largar um pouco a lança. Deixar a armadura guardada e me permitir ser cuidada. Paparicada. Respeitada.

Vivemos novos tempos e novas batalhas. Mas dispenso o título de GUERREIRA (que me deu arrepios). Hoje esse título não me cabe mais. A menos que seja pra atuar num filme da Marvel.