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Experiência

2 em Comportamento/ Experiência/ Futi em NYC no dia 04.05.2017

Minha Nova York desromantizada

Sabe quando você chega em uma cidade e se imagina morando ali? Eu sempre gostei de conhecer um lugar novo enxergando pela ótica de um morador. Será que essas ruas tão gostosas de passear são legais no dia a dia? Será que esse restaurante que todos os turistas indicam também é queridinho de locais? Será que aquele cenário de filme continua inspirando quem passa por ele toda semana há não sei quantos anos?

Se tem uma cidade do mundo que eu romantizava, sempre foi Nova York. Todo filme ou série que eu via e era ambientalizada aqui, eu suspirava. Imagina morar nesse apartamento super aconchegante (isso quando eu tinha uns 15 anos e não tinha a mínima noção que os apês de NY são famosos por serem caixas de sapato)?? Imagina morar nesse prédio com escada na frente, tipo o da Carrie? Imagina passar o Natal com aquele clima de Milagre na Rua 34 com Escrito nas Estrelas? Imagina ter a 5a. av do lado da sua casa? E todas as lojas mais maravilhosas? E os museus? E as exposições que chegam todas? E o baile do MET? E cruzar com artistas de Hollywood na rua? Imagina, imagina, imagina??

Acho que essa empolgação toda explica o motivo da gente ter aceitado embarcar nessa aventura rumo à cidade número 1 dos meus sonhos, né? E foi já nos preparativos que a minha desromantização começou a acontecer.

Foto pela minha amiga Aninha <3

Pra começar, prédio da Carrie? Esquece. Com criança as escadas não ajudam – e não é comum ter elevador nesses prédios. E ai a dica de ouro de uma amiga: pega prédio com estrutura, que tenha academia para você ir de fato e brinquedoteca pra entreter a criança no inverno. Mas aí, Carla, é melhor esquecer Manhattan. Esse tipo de prédio costuma ser caríssimo mesmo os apartamentos pequenos. Fomos pesquisar e não deu outra, e lá se foi o sonho de morar na ilha e ter na esquina de casa todas as cenas dos filmes novaiorquinos que mais amei.

Que bom que esse era o tipo de sonho adaptável e totalmente negociável, e foi assim que acabamos descobrindo Williamsburg, bairro que está crescendo a olhos vistos, cheios de restaurantes legais, lojas bacanas, parques deliciosos e Smorgasburg. Não to na ilha mas estou em um bairro muito bom de se morar, cheio de crianças e cachorros e ainda tenho um dos skylines mais famosos do mundo da minha janela. E o melhor? A uma distância de Manhattan de 2 minutos e meio por metrô (e mais ou menos 15 indo de barca). Hoje não sei se gostaria de morar do outro lado do East River, acho barulhento e caótico e apesar de amar passear por lá, passei a enxergar pela ótica de uma mãe que ficaria genuinamente desesperada se ambulâncias e carros de polícia ou bombeiros resolvessem passar gritando pela minha janela na hora que o Arthur estivesse dormindo. #desesperos

Outra desromantização que tive: “primeiro mundo tudo funciona e as pessoas são civilizadas”. De fato é verdade em vários casos. O consumidor é extremamente respeitado, o delivery é muito eficiente e não nego que é uma liberdade maravilhosa você poder andar na rua com o celular sem medo de ser roubada, ou abrir seu laptop em uma mesa na rua ou no parque e trabalhar em um ambiente mais agradável (meu sonho a ser realizado assim que o Arthur começar a escolinha rs).

Mas metrô quebra, atrasa, grávidas, pessoas com bebês de colo, idosos e deficientes não têm preferencial, uber cancela corrida e se você passar mal durante a noite, tem que esperar até de manhã para ir em um Urgent Care, porque emergência de hospital o plano não cobre. E não é porque não botarão uma arma na sua cabeça que você está imune de furtos. E atentados terroristas? Eu, que nunca pensei em ter medo disso quando morava no Brasil, hoje tenho pavor. Aliás, devo culpar os filmes por isso, afinal toda cena de fim do mundo a primeira cidade a ser atacada é justamente Nova York.

Já cruzei com gente solícita e simpática, mas já cruzei com gente que olhou para a cara do meu filho como se fosse proibido crianças no local (não era). Já vi uma mulher passar de short mega curto em frente a uma obra, todos os peões olharem e ninguém proferiu uma gracinha ou “fiufiu” sequer, mas já fui abordada por uma pessoa esquisita que botou o dedo na minha cara e gritou palavras incompreensíveis. Já pedi ajuda porque a roda do carrinho do Arthur caiu no trilho do metrô e, por estar atordoada e não saber dizer a localização exata de onde a rodinha caiu, recebi de volta gritos nervosos exigindo que eu soubesse o lugar que a roda caiu – e se não fosse um policial pra me ajudar, provavelmente teria voltado pra casa chorando e com um carrinho com 3 rodas. Já fui ajudada quando o Arthur jogou um brinquedo pra fora do carrinho, assim como já fui xingada por ter parado no meio da rua por causa da mesma situação. Tem de tudo.

Fico com desejo de várias comidas brasileiras (alô pão de queijo, queijo coalho, açaí, pastel) e ainda não me acostumei com o jeito de fazer unhas aqui, quase sempre caro e mal feito. Inclusive estou tentando aprender a fazer a unha em casa, mas ainda sai um desastre. Tem dias que eu não ligo e fico com unhas mal pintadas, outros dias morro de raiva porque não consigo fazer direito. A depilação vence diversas vezes depois do verão porque falta coragem de tirar os pelos em uma temperatura próxima a 0 e sem perspectiva de biquini. Tem sido um verdadeiro exercício para a minha autoestima lidar com isso tudo, inclusive.

E aquela sensação de chegar em casa depois de um dia cansativo e encontrar tudo limpo e arrumado? Esquece. Serviço doméstico é caro e pesa demais no orçamento, então ou você mete a mão na massa ou você deixa a casa bagunçada. Acho que esse é o tipo de incômodo que afeta mais diretamente os brasileiros, já que sempre fomos acostumados à diaristas e domésticas. Olhando pelo lado bom, você se torna uma pessoa menos dependente, mais prática e organizada também.

E as saudades? Não é fácil ver sua família fazendo aniversário, comemorando dia das mães, dos pais, Natal e outras datas importantes e você não poder estar junto fisicamente. Você entra no whatsapp e vê seu grupo de pós combinando encontros e você só fica com vontade, vê suas amigas comemorando conquistas que você terá que brindar à distância, filhos de um casal que você ama nascendo, reuniões e eventos do blog acontecendo que eu fico sabendo pela Joana. Enfim…é uma eterna vontade de querer se teletransportar ou de virar duas. Até da comida tenho saudades.

Morar em Nova York é incrível mas tá longe de ser o cenário chic e glamouroso que tanta gente imagina quando eu falo onde moro. Inclusive, parando pra pensar, se tem uma cena que descreve a vida em NY é a entrada de Sex and The City, quando a Carrie está passeando pela cidade toda sonhadora e leva um banho do ônibus. rs

Lembro que assim que eu me mudei, eu olhei para a cidade e prometi a mim mesma manter a inquietação e a curiosidade que eu sempre tive quando vinha como turista. Não é sempre que eu estou conseguindo manter essa promessa porque acabei aprendendo na marra que morar e ter uma rotina na cidade é bem diferente de passar alguns dias de férias. Eu tive que aprender a desromantizar tudo que estava na minha cabeça. Mas a verdade é que eu estou amando cada segundo que estou passando aqui, inclusive aqueles que eu estou com o coração doendo de saudades ou chorando porque estou aprendendo na marra e na experiência a amadurecer como mãe e também como mulher em uma cidade que não é a que eu cresci ou a que eu aprendi a viver, tampouco as pessoas falam minha língua natal (por mais que não seja difícil cruzar com brasileiros).

Como minha mãe fala, é aprender a lidar que cada escolha que fazemos, fazemos também uma renúncia, ou muitas. E aceitar a lidar com elas para aproveitar a vida nova, no novo lugar. E estou aprendendo cada dia mais um pouquinho. :)

Outro post nesse estilo muito bom foi o que a Laura Peruchi fez sobre coisas que ela escuta quando diz que mora aqui, tem parte 1 e parte 2.

7 em Autoconhecimento/ Convidadas/ Experiência no dia 26.04.2017

E quando você sempre foi workaholic e resolve largar tudo para morar em outro país?

A Mari Martines é muito amiga da nossa amiga Mayara Oksman (que já publicou uns textos ótimos aqui no Futi), e como amiga da amiga também é amiga, acabamos super interessadas pela história dela, que largou tudo para morar no Colorado. Morar em outro país nem sempre é fácil. Por mais que a gente saiba falar a língua, acabamos nos deparando com inúmeras dificuldades e questões que não pensaríamos se não saíssemos da nossa zona de conforto. E a Mari chegou para contar sobre isso! Vem ver o que ela tem para contar! :)

Eu sempre me orgulhei das minhas decisões. Mais ainda, eu sempre me orgulhei por ser uma pessoa  decidida.

Sempre soube que queria ser advogada. Sem nenhuma história romântica por trás, sem nenhum insight na adolescência ou uma família de advogados. Nada. Só a certeza de que queria ser um instrumento da justiça.

Na faculdade, sempre soube com o que queria trabalhar. Foram quatro estágios, todos voltados para a área que eu já havia me apaixonado desde meu primeiro contato: Direito Médico.

Depois de formada, a certeza de onde eu queria trabalhar e o que queria me tornar. Na pós graduaçao, a mesma coisa, a mesma certeza.

Relacionamentos, idem. Podia até não agir de acordo (afinal, quase nunca agimos), mas sabia exatamente onde estava, o que ia acontecer, e como ia acabar.

Quando conheci meu marido não foi diferente. Não queria namorar, não queria me envolver, mas depois daquele primeiro beijo eu tinha certeza que nós dois íamos além….muito além.

No segundo ano de namoro, logo após uma viagem e um pedido de casamento de conto de fadas (literalmente) o, na época noivo, foi chamado para um projeto nos EUA.

Aquariana que sou e maior defensora da liberdade, não pestanejei um segundo e fui a maior apoiadora dele. Mas eu não poderia ir. Eu, advogada, havia acabado de ser promovida, cuidava de uma equipe que me dava muito orgulho e, acima de tudo, JAMAIS jogaria tudo para o alto.

Um ano se passou e o noivo não se contentava mais em me ver a cada dois meses. Eu também não e algumas coisas pararam de fazer sentido. Então, em abril de 2016, decidimos que era hora de um passo a mais.

Entao imaginem minha surpresa quando exatos 3 anos após aquele primeiro beijo, a “senhora decidida”, a “advogada plena”, a “planejadora”, resolveu dizer sim para a maior loucura da sua vida: jogar absolutamente TUDO para o ar e ir morar nos Estados Unidos. Não foi fácil, não está sendo fácil, e sinceramente não sei se vai ser fácil algum dia.

Não se enganem: amo morar aqui, amo viver essa experiência e amo ter mudado tanto à ponto de amar essa incerteza…. mas não é facil.

Nunca achei que seria capaz de viver longe dos meus amigos, da minha família, do meu cachorro e, acima de tudo, da minha carreira.

Nunca achei que seria capaz de não exercer minha profissão, de ser uma dona de casa temporariamente, de pensar em novos meios de me manter financeiramente independente.

Nunca pensei que morar nos EUA seria tão difícil em alguns pontos, mas tão fácil em outros. Nunca imaginei que minha conexão com Deus e com as coisas que amo seria amplificada da maneira que tem sido, nem que sentiria tanto a falta de uma rotina de vida.

E acho que é por isso que quero comecar a compartilhar com vocês essa experiência. Porque eu ainda preciso muito de ajuda, mas também preciso gritar para o mundo que podemos fazer o que quisermos fazer, enfrentar o que quisermos enfrentar, ignnorar quem não consegue nos entender e começar do zero quantas vezes forem necessárias…. Porque no fim das contas, nós somos absolutamente livres e devemos satisfação apenas para nosso coração.

0 em Autoestima/ Comportamento/ Experiência/ Futi em NYC no dia 12.04.2017

Clima e autoestima

Antes de eu me mudar, algumas amigas que moram (ou já moraram) em lugares cujo inverno é bem demarcado e intenso me alertaram: aproveita bem o verão porque quando esfria a coisa complica. E eu segui bem o conselho, bati muita perna, fui à piscina, à praia, curti parque e por do sol, aproveitei lugares ao ar livre e ficamos até tarde na rua.

Quando o termômetro foi caindo, eu fui encarando o frio com curiosidade. Já viajei para muitos lugares frios, inclusive para NY, mas estava empolgada com a experiência de morar em uma cidade com inverno de verdade, com neve e temperaturas abaixo de 0 grau, com comemoração de Natal com ugly sweaters e cujas músicas que falam “baby, it’s cold outside” ou “winter wonderland” fazem todo sentido para essa época do ano. E Nova York em Dezembro é especialmente mágica – mesmo escurecendo as 4:30 da tarde – o clima natalino por toda cidade realmente contagia e te faz sentir em filmes, uma sensação maravilhosa que eu nunca vou esquecer.

Só que aí chegou janeiro. E fevereiro (que eu passei no Brasil, e acho que nunca dei tanto valor ao nosso clima quanto agora). E março. E eu descobri que não estava tão bem assim. A curiosidade e empolgação de novembro deu espaço para um grande desânimo, para uma apatia fora do normal e até mesmo uma autoestima minada.

Em janeiro, com o casaco que me acompanhou o inverno inteiro (tadinho, merece um descanso)

Eu, que sempre me empolguei em fazer looks de frio, me vi de saco cheio do meu armário. Não aguentava mais olhar para os mesmos casacos, ter que botar várias camadas de roupas para ir na esquina e só ter uma parte do guarda roupas que realmente dava para usar no dia a dia. Fotografar look? Pra quê se eu só tava usando as mesmas coisas sempre? Fui perdendo a vontade até mesmo de alimentar o instagram, estava sem saco, sem olhar, sem inspiração.

A minha vaidade foi para o beleléu. Deixei de pintar as unhas do pé e a depilação começou a ser lembrada apenas quando a situação estava crítica. A única coisa que ganhou atenção foi a pele, especialmente das mãos, porque elas ficaram extra secas do aquecedor e gritavam por hidratação. E a bola de neve dentro de mim foi crescendo cada vez mais, porque eu fui perdendo a vontade de sair de casa. Deixei passar dias lindos só porque eles estavam congelantes. Poderia ter ido a museus, feito programas em lugares fechados, batido perna mas não, quando vi estava estagnada dentro de casa, totalmente entediada e usando o Arthur como desculpa para eu não sair. Em algum dado momento eu me senti incapaz.

Mas vocês sabem o que foi mais assustador?

Ter percebido o efeito devastador do inverno em mim só agora, na semana que fez mais de 20 graus e o sol brilhou e esquentou a minha pele de verdade. Quando senti o calor a minha energia voltou, a minha vontade de explorar a cidade também, de sair todo dia só para fazer os mais diferentes looks – e fotografar todos e tudo! Voltei a sentir vontade de depilar e deixar os pés bem cuidados, por fim me senti renovada, renascida e bonita novamente! E só aí eu percebi como eu operei o inverno todo com, sei lá, uns 40 % da minha capacidade.

Cor, leveza, iluminação e um sorriso maior no rosto. Ah, a primavera!

O engraçado é que eu também percebi que eu não fui a única, isso acontece até com quem já encarou inúmeros invernos. Nesse fim de semana que a temperatura chegou a 23 graus em um domingo ensolarado as ruas estavam lotadas, as pessoas nas ruas andavam sem casacos, sentadas nas varandas dos restaurantes, a felicidade no ar realmente era palpável e a vontade de recarregar a vitamina D também.

 

Antes eu acreditava naquela frase que as pessoas ficam mais bonitas e bem arrumadas no inverno, mas hoje eu tenho certeza que nada se compara à beleza e à leveza dos dias quentes e ensolarados!