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5 em Comportamento/ entretenimento/ maternidade/ séries no dia 14.04.2017

Não diria todo mundo, mas quem tem filhos deveria assistir 13 Reasons Why

Não, esse não é um post onde eu digo empolgada que todo mundo precisa ver a série do momento, 13 Reasons Why (ou 13 Porquês). Aliás, por causa de todo auê em torno, quando eu dei play no primeiro episódio eu jurava que estaria aqui escrevendo algo do tipo, mas a medida que eu fui chegando mais perto do final, vi que não dava para fazer uma indicação tão leviana sobre a série.

Ela não é pra todo mundo. MESMO. Diria que quem tem um histórico de depressão e traumas de abuso sexual, bullying e slut shaming deveria passar longe. Não é pra ver só porque está na modinha, mas eu diria que muita gente precisa assistir, conversar, debater ou simplesmente parar pra pensar.

De semana passada pra cá eu li muitos textos e opiniões sobre a série. Ouvi críticos de tv dizerem que ela é péssima (não concordei), ouvi psicólogos chamando os idealizadores de 13 Reasons de irresponsáveis (concordei), li muita gente comentando que se sentiu mal (eu fui uma delas) e mais gente ainda alertando sobre os gatilhos – que são avisados antes dos episódios, mas não atenuam o desconforto na hora que as cenas acontecem.

Independente de tudo isso que está sendo dito, a única coisa que ficou na minha cabeça enquanto eu assistia os episódios foi: quem tem filho adolescente ou que passará pela adolescência precisa assistir.

Atenção, spoilers à frente.

Para quem, assim como eu, tem filho pequeno, provavelmente várias fichas vão cair enquanto você acompanha o fim da vida de Hannah Baker. Pelo menos comigo caíram várias muito difíceis. Eu me toquei que em algum momento o Arthur vai sofrer e não vai querer a minha ajuda. Ele vai esconder coisas de mim, talvez até mentir, não sei. Provavelmente ele vai cruzar com colegas que vão tentar convencê-lo a tomar atitudes que não são as ensinadas em casa – e ele precisará ter uma personalidade muito forte para não cair nessas armadilhas ou aceitar esse tipo de amizade. Que ele poderá magoar alguém e ser um porquê na vida de uma pessoa.

Doeu pra caramba assimilar isso tudo, deu até um certo medo do futuro, de não conseguir educá-lo do jeito que eu imagino. Tanto que o que mais mexeu comigo na série toda foi ver a relação dos adolescentes com os pais. Fiquei tentando analisar os erros e acertos de cada família, tentando aprender e pegar dicas do que fazer e do que não fazer também. Doido isso, né?

– o que aconteceu? / – já disse bicicleta, galho, pele / – só isso? / – Mãe, eu falo tudo sobre a minha vida porque é tão fascinante, eu prometo

Em algum momento, confesso que fiquei um pouco obcecada com o Clay. Eu fiquei impressionada com o seu jeito pouco influenciável, confiante e determinado. Depois fiquei feliz por ver que ele também era respeitador quando ele soube dar espaço à Hannah. Sei que ele fez o mínimo que uma pessoa decente deveria fazer, mas é tanto relato de homem que não sabe o significado da palavra NÃO e a série mostra tantos ângulos dessa falta de respeito, que acabei me contentando com esse pouco. Talvez só tenha ficado um pouco frustrada com a falta de iniciativa dele enquanto via a Hannah sofrendo na mão dos outros, iniciativa essa que ele só foi ter depois que começou a ouvir as fitas, mas acho que não dá para exigir tudo isso de um adolescente.

Se eu pudesse me espelhar em alguém da série, seria a mãe do Clay, personagem que mereceu minha atenção especial. Só sei que mesmo sendo uma pessoa legal, lá estava ele, tão cheio de segredos e mistérios, por mais que seus pais tentassem tirar alguma coisa dele e estivessem prestando atenção às suas mudanças de comportamento.

Outra familia que me abalou foi a da Hannah com seus pais, um casal amoroso e dedicado à filha, mas que estavam passando por problemas profissionais, o que deixou a relação familiar em segundo plano. Para mim, uma das cenas mais comoventes foi quando Olivia Baker disse que não entendia porquê a filha tinha feito aquilo, afinal, a imagem que ela tinha da menina não era essa.

E se vocês querem saber por quê, eu sugiro perguntarem para seus próprios filhos

Aquilo me fez cair a ficha como a relação com adolescentes precisa ser construída incansavelmente através do diálogo, apesar de nem sempre ser fácil, pois os pais também precisam respeitar o espaço dos seus filhos. E também fez com que eu valorizasse ainda mais meus pais. Mesmo eu não tendo sido uma adolescente cheia de questões e que raramente fazia algo errado ou escondido, não deve ter sido fácil para eles passar por essa fase em que eu passava horas trancada no meu quarto, entrando na internet para ver coisas que eles não tinham acesso e até mesmo sofrendo por boys que eles não tinham noção que existiam.

E por fim, também prestei muita atenção na família do Bryce, ou melhor na ausência dos seus pais e em como ela foi parcialmente responsável pelas atitudes do personagem ao longo da série. Porque ele não é apenas machista e mau caráter, ele tem a arrogância e a prepotência de uma pessoa extremamente privilegiada criada sem nenhum limite. Que acha que por ser popular, tem direito a tudo – e todas. Será que ele seria repugnante desse jeito se tivesse pais presentes e não pais que dão tudo de mão beijada para compensar a ausência? Eu acredito que não (e eu espero que esteja certa),

Não indico 13 Reasons Why para qualquer pessoa, mas se você é mãe (ou pai) de adolescentes ou futuros adolescentes, que tal usar a série para começar (ou aprofundar) a troca de ideias?

11 em entretenimento/ séries no dia 05.12.2016

Netflix: Rever para repensar

Semana passada eu resolvi recomeçar Mad Men. Falei da Joan por aqui outro dia e me deu muita vontade de rever os personagens de uma série que curti tanto. E como estou tentando fazer meu marido curtir séries comigo, achei que essa seria uma ótima porta de entrada.

Imaginem minha surpresa quando vi uma Joan cujo sonho era arrumar um marido rico, uma Peggy completamente submissa e várias passagens extremamente machistas de personagens que eu terminei me afeiçoando com o passar dos anos?

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Eu não consigo acreditar nisso. Você é tão decepcionante.

Apesar da série ter começado em 2007, eu só comecei a ver apenas em 2011. Nem faz tanto tempo assim, como eu pude esquecer essas cenas?

Aí me toquei que a questão é mais grave ainda. O problema não foi eu ter esquecido, foi eu não ter me importado. A Carla de 2011 era tão alheia à esse tipo de assunto que só conseguia me chocar com o Peter Campbell, que era o pior de todos ali, o jovem privilegiado sem limites que queria se dar bem em cima de todos – e principalmente, de todas. Mas as cantadas inapropriadas,  a falta de voz das mulheres, até mesmo a forma que educavam os filhos. Tudo isso passou completamente despercebido há quase 6 anos e outro detalhes machistas tão comuns anos atrás (e tão bem retratados na série) foram ignorados por mim. Que bom que os personagens não foram os únicos que evoluíram, né?

E se eu demorei para engrenar Mad Men lá atrás, dessa vez que eu to devorando, vendo tudo com outros olhos. E posso falar? To amando enxergar tudo atráves de óculos problematizadores – e essa série tem muitas coisas para questionar. Depois dessa, confesso que fiquei com vontade de fazer isso com outras, principalmente aquelas que eu não via problemas.

Então tá com um tempinho livre? Reveja séries que você amava. Séries de anos atrás, aquelas que você não perdia um capítulo e achava tudo perfeito. Veja os defeitos, assista com olhar crítico, não tenha medo de se desapaixonar pelos seus personagens preferidos do passado. Acho que é um ótimo exercício de desconstrução, um jeito eficiente de ver o que acontecia ao seu redor, de repensar quem você era há alguns anos e uma ótima forma de consumir entretenimento com consciência e realidade.

Vocês já fizeram isso??

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4 em entretenimento/ séries no dia 29.11.2016

Personagens que influenciam

Eu vejo muitas séries. Hoje em dia bem menos do que gostaria, mas continuo acompanhando muitas religiosamente e agradeço todos os dias aos inventores do Netflix por me darem a possibilidade de rever séries antigas (tá faltando Dawson’s Creek, #fikdik) e me atualizar com as novas.

Aí outro dia, minha amiga Thais postou um texto dizendo como queria ser a Lorelai Gilmore (aliás, taí uma série que nunca vi e comecei essa semana! hahaha Mais uma vez, culpa do Netflix) e eu parei para pensar sobre isso. Quais personagens me marcaram, influenciaram ou até mesmo inspiraram?

Jen Lindley

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Eu tinha mais ou menos uns 15 anos quando comecei acompanhar Dawson’s Creek religiosamente. Por muito tempo eu me identifiquei com a Joey, personagem certinha, careta, tímida e eterna romântica apaixonada pelo Dawson. Mas Joey nunca me acrescentou nada por um simples motivo: eu era muito parecida com ela.

Já Jen era meu oposto. Livre, sem medo de falar o que pensa, rebelde mas com um coração enorme. Uma das personagens que mais amadureceram ao longo da série. Eu demorei para entender que Jen me inspirava, mas a verdade é que ela foi uma das poucas personagens da série que me fazia enxergar tudo por outro ângulo, então é merecido que ela encabece essa lista (mesmo não tendo ordem de preferência).

Piper Halliwell

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Você é uma das pessoas mais fortes e capazes que eu já vi. E não esqueça que eu estou por aí há bastante tempo.

Ainda nas séries antigas, assim como Dawson’s Creek, em Charmed eu sempre me identifiquei com a Piper. Sim, gente, eu sempre fui atraída pelas personagens mais certinhas, caretas e apaixonadas que vivem grandes amores.

Quando revi ano passado ela me inspirou novamente pois passei a enxergar a Piper como irmã preocupada, mãe zelosa, esposa dedicada mas que ainda conseguia arrumar tempo para ser dona da boate mais famosa de São Francisco. Mesmo sendo a mais quieta das 3 irmãs, ela foi a única que me deu esperanças que dá para dar conta de tudo, mesmo que as coisas saiam da ordem de vez em quando.

Joan Holloway

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As vezes quando as pessoas conseguem o que querem, elas percebem como seus objetivos eram limitados

Eu tinha esquecido dela até a Sil lembrar e eu recordar como Joan é uma personagem incrível, forte e ambiciosa. Nunca foi de levar desaforo pra casa e soube se impor no meio predominantemente masculino da publicidade nos anos 60 – que infelizmente nem é tão diferente do meio de hoje em dia. Aliás, raros foram os momentos que ela permitiu ser anulada por alguém, seja no trabalho ou no ambiente familiar, total dona do próprio nariz e poderosíssima por ter tanta consciência disso

Acho que toda mulher deveria levar Joan como inspiração, só vejo benefícios. Inclusive fiquei morrendo de vontade de rever Mad Men só para analisar melhor as cenas dela!

Callie Torres

Quando comecei a ver Grey’s Anatomy ela era apenas mais uma personagem. Mas Callie tem carisma, opinião, é bem resolvida e tem um coração gigante, me ganhou. Ela me inspira sempre a achar liberdade nas pequenas coisas e saber confiar no próprio taco.

A cena dela botando a Sofia para dormir e pegando o fone de ouvido para dançar é uma das mais inspiradoras da minha vida de seriadista (ficou mais significativa ainda pós Arthur haha)

Abby Whelan

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Eu AMO como essa personagem cresceu até o momento e tenho medo do que ela pode vir a se tornar, mas vamos conversar sobre Abby até agora.

No início da série ela era apenas uma mulher que vivia às sombras de Olivia Pope, que não sabia fazer nada sem o aval da amiga e parceira. E de repente ela deu uma reviravolta e virou outra mulher, passou a ser dona do próprio nariz e das próprias decisões. Mas a mudança não aconteceu do nada, ela não se empoderou de um dia para outro e de repente virou assessora do presidente. Ela foi indo aos poucos, com medo em alguns momentos, duvidando de si mesma em certas horas, mas foi aceitando os desafios e vendo no que ia dar até perceber que ela podia ir além.

Acho que recentemente Abby foi a personagem que mais me inspirou, mas veremos se ela vai se corromper muito nessa própria temporada (aliás, quem não se corrompe em Scandal, né?).

E vocês? Têm personagens inspiradoras? Quais são?

Beijos!

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