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11 em entretenimento/ séries no dia 05.12.2016

Netflix: Rever para repensar

Semana passada eu resolvi recomeçar Mad Men. Falei da Joan por aqui outro dia e me deu muita vontade de rever os personagens de uma série que curti tanto. E como estou tentando fazer meu marido curtir séries comigo, achei que essa seria uma ótima porta de entrada.

Imaginem minha surpresa quando vi uma Joan cujo sonho era arrumar um marido rico, uma Peggy completamente submissa e várias passagens extremamente machistas de personagens que eu terminei me afeiçoando com o passar dos anos?

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Eu não consigo acreditar nisso. Você é tão decepcionante.

Apesar da série ter começado em 2007, eu só comecei a ver apenas em 2011. Nem faz tanto tempo assim, como eu pude esquecer essas cenas?

Aí me toquei que a questão é mais grave ainda. O problema não foi eu ter esquecido, foi eu não ter me importado. A Carla de 2011 era tão alheia à esse tipo de assunto que só conseguia me chocar com o Peter Campbell, que era o pior de todos ali, o jovem privilegiado sem limites que queria se dar bem em cima de todos – e principalmente, de todas. Mas as cantadas inapropriadas,  a falta de voz das mulheres, até mesmo a forma que educavam os filhos. Tudo isso passou completamente despercebido há quase 6 anos e outro detalhes machistas tão comuns anos atrás (e tão bem retratados na série) foram ignorados por mim. Que bom que os personagens não foram os únicos que evoluíram, né?

E se eu demorei para engrenar Mad Men lá atrás, dessa vez que eu to devorando, vendo tudo com outros olhos. E posso falar? To amando enxergar tudo atráves de óculos problematizadores – e essa série tem muitas coisas para questionar. Depois dessa, confesso que fiquei com vontade de fazer isso com outras, principalmente aquelas que eu não via problemas.

Então tá com um tempinho livre? Reveja séries que você amava. Séries de anos atrás, aquelas que você não perdia um capítulo e achava tudo perfeito. Veja os defeitos, assista com olhar crítico, não tenha medo de se desapaixonar pelos seus personagens preferidos do passado. Acho que é um ótimo exercício de desconstrução, um jeito eficiente de ver o que acontecia ao seu redor, de repensar quem você era há alguns anos e uma ótima forma de consumir entretenimento com consciência e realidade.

Vocês já fizeram isso??

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4 em entretenimento/ séries no dia 29.11.2016

Personagens que influenciam

Eu vejo muitas séries. Hoje em dia bem menos do que gostaria, mas continuo acompanhando muitas religiosamente e agradeço todos os dias aos inventores do Netflix por me darem a possibilidade de rever séries antigas (tá faltando Dawson’s Creek, #fikdik) e me atualizar com as novas.

Aí outro dia, minha amiga Thais postou um texto dizendo como queria ser a Lorelai Gilmore (aliás, taí uma série que nunca vi e comecei essa semana! hahaha Mais uma vez, culpa do Netflix) e eu parei para pensar sobre isso. Quais personagens me marcaram, influenciaram ou até mesmo inspiraram?

Jen Lindley

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Eu tinha mais ou menos uns 15 anos quando comecei acompanhar Dawson’s Creek religiosamente. Por muito tempo eu me identifiquei com a Joey, personagem certinha, careta, tímida e eterna romântica apaixonada pelo Dawson. Mas Joey nunca me acrescentou nada por um simples motivo: eu era muito parecida com ela.

Já Jen era meu oposto. Livre, sem medo de falar o que pensa, rebelde mas com um coração enorme. Uma das personagens que mais amadureceram ao longo da série. Eu demorei para entender que Jen me inspirava, mas a verdade é que ela foi uma das poucas personagens da série que me fazia enxergar tudo por outro ângulo, então é merecido que ela encabece essa lista (mesmo não tendo ordem de preferência).

Piper Halliwell

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Você é uma das pessoas mais fortes e capazes que eu já vi. E não esqueça que eu estou por aí há bastante tempo.

Ainda nas séries antigas, assim como Dawson’s Creek, em Charmed eu sempre me identifiquei com a Piper. Sim, gente, eu sempre fui atraída pelas personagens mais certinhas, caretas e apaixonadas que vivem grandes amores.

Quando revi ano passado ela me inspirou novamente pois passei a enxergar a Piper como irmã preocupada, mãe zelosa, esposa dedicada mas que ainda conseguia arrumar tempo para ser dona da boate mais famosa de São Francisco. Mesmo sendo a mais quieta das 3 irmãs, ela foi a única que me deu esperanças que dá para dar conta de tudo, mesmo que as coisas saiam da ordem de vez em quando.

Joan Holloway

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As vezes quando as pessoas conseguem o que querem, elas percebem como seus objetivos eram limitados

Eu tinha esquecido dela até a Sil lembrar e eu recordar como Joan é uma personagem incrível, forte e ambiciosa. Nunca foi de levar desaforo pra casa e soube se impor no meio predominantemente masculino da publicidade nos anos 60 – que infelizmente nem é tão diferente do meio de hoje em dia. Aliás, raros foram os momentos que ela permitiu ser anulada por alguém, seja no trabalho ou no ambiente familiar, total dona do próprio nariz e poderosíssima por ter tanta consciência disso

Acho que toda mulher deveria levar Joan como inspiração, só vejo benefícios. Inclusive fiquei morrendo de vontade de rever Mad Men só para analisar melhor as cenas dela!

Callie Torres

Quando comecei a ver Grey’s Anatomy ela era apenas mais uma personagem. Mas Callie tem carisma, opinião, é bem resolvida e tem um coração gigante, me ganhou. Ela me inspira sempre a achar liberdade nas pequenas coisas e saber confiar no próprio taco.

A cena dela botando a Sofia para dormir e pegando o fone de ouvido para dançar é uma das mais inspiradoras da minha vida de seriadista (ficou mais significativa ainda pós Arthur haha)

Abby Whelan

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Eu AMO como essa personagem cresceu até o momento e tenho medo do que ela pode vir a se tornar, mas vamos conversar sobre Abby até agora.

No início da série ela era apenas uma mulher que vivia às sombras de Olivia Pope, que não sabia fazer nada sem o aval da amiga e parceira. E de repente ela deu uma reviravolta e virou outra mulher, passou a ser dona do próprio nariz e das próprias decisões. Mas a mudança não aconteceu do nada, ela não se empoderou de um dia para outro e de repente virou assessora do presidente. Ela foi indo aos poucos, com medo em alguns momentos, duvidando de si mesma em certas horas, mas foi aceitando os desafios e vendo no que ia dar até perceber que ela podia ir além.

Acho que recentemente Abby foi a personagem que mais me inspirou, mas veremos se ela vai se corromper muito nessa própria temporada (aliás, quem não se corrompe em Scandal, né?).

E vocês? Têm personagens inspiradoras? Quais são?

Beijos!

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1 em entretenimento no dia 10.11.2016

Gleason, um tapa na cara e um soco no estômago

Tô mal, gente. Aliás, tô mal desde quinta passada quando, depois de ler o post de uma amiga indicando, eu resolvi assistir o documentário Gleason (acredito que só tenha na Apple TV americana, não sei). E desde então eu não paro de pensar sobre ele, até quando eu acho que ele saiu da minha cabeça, eu me lembro de alguma coisa relacionada.

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Ela já tinha avisado que o filme era forte. E triste. E reflexivo. Mas eu não esperava chorar copiosamente enquanto os créditos subiam pela tela porque eu simplesmente não conseguia reunir forças para pegar o controle remoto.

Se você acha que não conhece esse nome e não tem ideia de quem seja Steve Gleason, te digo que com certeza você conhece alguma coisa sobre o jogador de futebol americano. Lembram do Ice Bucket Challenge, aquela brincadeira que as pessoas jogavam um balde de gelo na cabeça, postavam o vídeo e desafiavam mais pessoas a brincarem? Um monte de gente resolveu fazer sem nem saber do que se tratava, mas a corrente era para chamar atenção à ELA, ou esclerose lateral amiotrófica, a doença degenerativa que o jogador tem e que vai acabando com as células do sistema nervoso central até o ponto que a pessoa não consegue mais falar, comer ou respirar.

O filme começa em 2011 com Gleason recebendo o diagnóstico na mesma época que ele descobriu que sua mulher estava grávida do primeiro filho do casal. Como ele não sabia se estaria vivo quando o filho crescesse, Steve resolveu fazer diários para o filho. E esses vídeo-diários combinados com depoimentos, histórias, derrotas, vitórias, superações e cenas do dia a dia da família durante esses 5 anos se transformaram no documentário Gleason, lançado esse ano.

É óbvio que é pesado, a doença é cruel demais para não ficar comovida (e/ou não agradecer muito por ser uma pessoa saudável), mas o que mais mexeu comigo foram as relações familiares, retratadas nuas e cruas, completamente sem filtro.

Não sei vocês, mas eu sempre me incomodo com depoimentos de pessoas que se doam completamente e tentam não mostrar as dificuldades por trás dessa doação. Não pude deixar de ficar admirada com Michel, sua mulher. Ao mesmo tempo que ela é forte, companheira e incansável nos cuidados do marido e do filho, também podemos ver sua fragilidade e seus momentos de exaustão.

Outro viés importante de se refletir é sobre a relação pais e filhos. Em vários momentos Steve Gleason resolve confrontar o pai sobre questões pouco resolvidas e o pai se vê obrigado a enfrentar seus medos e fantasmas.

Tudo isso ficou me fazendo refletir por dias, pensando em como eu quero fazer o melhor para o Arthur, agradecendo por ser tão sortuda e abençoada por ter uma saúde boa, uma família carinhosa e que sempre me apoiou, enfim. Irônico que fui ver esse documentário em um dia que foi exaustivo, cheguei na cama reclamando, exausta, de saco cheio, nervosa e sem paciência, mas terminei o dia muito grata e feliz, apesar de ter me debulhado de tanto chorar (incoerente, eu sei, mas foi assim mesmo).

Quem está afim de levar uma baita lição de vida – e não se incomoda de derrubar algumas (ou muitas) lágrimas, pode procurar para ver, prometo que vale a pena!

Beijos

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