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1 em crônicas/ Destaque/ Relacionamento no dia 01.03.2017

Eu, o crush e a ex namorada

Morar em uma cidade relativamente pequena tem peculiaridades que hoje me fazem lembrar com doses de risada e nostalgia. Esses dias me peguei contando para uma amiga algo que aconteceu quando eu morava no interior. Bem antes de São Paulo ser o endereço fixo que preencho na lacuna de residência. Uma história que na época me deixou super mal e hoje me faz arrancar boas risadas numa mesa de bar. Talvez seja a minha história mais estranha e divertida, aquela que quebra qualquer gelo e todo mundo na família tira sarro.

Vamos começar do começo? Lá pelos meus 14 anos eu morava no interior do estado e sempre cruzava meu caminho com um garoto que eu achava uma graça. Toda festa da cidade, da igreja ou carnaval lá estava ele, sempre um gatinho, também sempre acompanhado, então mais do que natural a gente nunca ter tido a oportunidade de conversar.

O universo fez com anos se passassem sem que nossos caminhos se cruzarem, até que um dia, lá pelos meus 22 anos de idade eu estava curtindo um sol na piscina do clube e ele estava lá. Nesse dia não tinha menina por perto, ele não parou de olhar pra mim e trocamos vários sorrisos. Nessa hora você acha o que? Que é destino, que dessa vez vai.

Cidade pequena tem dessas coisas, soube que ele estava solteiro. O que fazer? Adicionar no facebook, afinal tecnologia é para essas coisas, não? De cara ele aceitou, puxou papo e conversamos por dias. Conversamos muito, trocamos dezenas de inbox. Nada mais natural de que quando eu voltasse para a cidade ele me chamasse para sair, não é mesmo? Assim ele fez. Certamente havia um misto de ansiedade nos dois, semanas conversando, era inevitável.

Nesse misto de ansiedade e animação ele me perguntou onde eu queria ir, na hora nem pensei duas vezes e falei do bar mais badaladinho da cidade, desses que todo mundo vai. Como cidade pequena tem dessas coisas, chegamos no bar e demos de cara com o pai dele. Primeiro encontro e já conversamos horas com o possível futuro sogro, devia ser um sinal, né? Agimos com naturalidade e conversamos com ele por um bom tempo. Um tempo depois ele sugeriu que mudássemos de mesa e eu abri um sorriso.

Sentamos no cantinho só nós dois e começamos a conversar muito, sorrisos pra lá, risadas para cá e quando eu menos esperava alguém chegou perto da mesa. Como se não bastasse puxou uma cadeira e sentou conosco. Quando eu vi era a menina, a mesma menina de sempre, a menina dos 14 anos.

A primeira frase dela: “Que bonito, hein Ricardo? O que você está fazendo ai com essa menina?”

Hoje eu olho pra cena e acho digno de uma música de Maiara e Maraisa, mas na hora eu gelei a espinha. O que eu estava fazendo de errado? Será que entendi mal e ele não estava solteiro? Será que eu era “a outra” ali?

Não satisfeita em nos abordar dessa forma, ela pediu um copo, se serviu da nossa cerveja, olhou pra mim e começou o questionário: “Quem é você? Quantos anos você tem? O que você faz da vida?”

Enquanto eu estava sem respostas, completamente atônita, senti uma movimentação ao meu lado que acreditava ser do cara prestes a me tirar daquela situação desconfortável, mas vocês imaginam o que ele fez? Foi ao banheiro! Isso mesmo, ele me deixou sozinha no interrogatório da ex – e também no encontro mais estranho do mundo.

Durante a ausência dele descobri que eles estavam separados mas foi um término ainda cheio de sentimentos, pelo menos da parte dela (já que a parte dele estava lá no banheiro, se livrando da saia justa): “Você vai me desculpar, mas a gente namorou 7 anos. Você já namorou assim? Um dia você vai entender a minha situação”

Quando ela me fez essa pergunta, um milhão de pensamentos passaram na minha cabeça em menos de um segundo. Não, nunca namorei tanto tempo, mas fiquei aliviada por isso. Se fosse para terminar um namoro longo e ficar assim, interrogando os casos do ex, preferia continuar com meus namoricos passageiros. Eu jamais vou entender ela ter sentado na nossa mesa e começar a me interrogar. Eu entenderia ela chamar ele pra conversar, entenderia ele encerrar o date. Eu entenderia muita coisa, menos aquela conversa maluca. O “errado” nos olhos dela era eu, não ele. Será que ela queria comprovar que era melhor que eu? Será que era ciúmes? Só sei que naquele momento eu tive certeza que se ele voltasse do banheiro não haveria um segundo encontro. Aliás, minha vontade era ir atrás dele no banheiro só para botar sua cabeça dentro da privada e dar descarga.

Quando finalmente eu reuni forças – e coragem – para sair dali, o indivíduo saiu do banheiro e…foi atrás dela! Imaginem como eu me senti, né? A última bolacha do pacote. E não, nada a ver com gostosa, e sim aquela última bolacha toda quebrada, esfarelada e esmigalhada. Fui embora me sentindo péssima.

Eu cheguei em casa e tremia igual vara verde, eu não conseguia acreditar naquele que foi o primeiro – e último – encontro mais estranho do mundo.

Eu fiquei tão tensa que não consegui rir da história num primeiro momento, depois meus pais transformaram isso em piada e hoje eu acho a maior graça. Vocês imaginam ir num encontro com um crush de longa data e passar por isso? Nem eu, se a história não fosse minha acharia ela meio fantasiosa.

O mais curioso de tudo é que muitos anos depois encontrei com o casal. Ok, eu contei que eles voltaram? Eles voltaram. Provavelmente naquela noite. Encontrei com os dois num show do aniversário da cidade e mais uma vez o inesperado aconteceu. Na verdade, quando ele veio falar comigo eu não sabia que estava acompanhado. Ele chegou sozinho, me dando um abraço apertado, um beijo na bochecha demorado e começou a puxar papo. Conversei por educação e sem dar muita brecha, afinal, depois do “encontro mais estranho do mundo”, eu tinha desencantado. Até que em algum momento da conversa eu olhei pra frente e me deparei com a menina novamente me olhando. Quando achei que essa história era um passado enterrado, lá estava eu sendo encarada com o mesmo olhar daquele dia na mesa do bar.

Dessa vez eu não fiquei mal nem sem reação, na verdade fiquei até com pena da menina. Imaginem namorar tanto tempo com alguém que não te inspira confiança? Imaginem estar numa relação em que você sinta a necessidade de estar sempre alerta? Eu hein, prefiro não entender mesmo esse tipo de relacionamento.

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Carla Paredes

Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.
5 em Comportamento/ crônicas/ Destaque no dia 07.02.2017

O telefonema, o recolhimento e o tal medo de se envolver

Esses dias o telefone tocou de madrugada e eu atendi no instinto, não olhei para o visor, não sabia quem estava ligando. Na mesma hora eu ouvi a voz chorosa no outro lado da linha e aquela parte de mim que estava chateada de acordar no meio da noite deu espaço para um lado mais acolhedor, que mentiu e disse estar acordada. Em um segundo eu já sabia quem era, o que tinha acontecido e eu só precisava dar um abraço quentinho mesmo que com palavras.

Ela precisava falar, mesmo sabendo que eu já imaginava o que tinha acontecido. Aquela menina tão doce precisava colocar pra fora toda amargura que lhe apertava o peito. É engraçado que quando tomamos uma decisão difícil muitas vezes repetimos em voz alta para outras pessoas tentando nos convencer de que agimos certo. Eu chancelei, afinal, ela tinha tido coragem, dito a verdade e agido certo, mas eu sabia que doía do mesmo jeito. Ela fez o que precisava ser feito, mas não mudava a intensidade da dor.

Eu havia dito a ela que tudo isso ia acontecer há uma semana atrás, mas ela quis fazer tudo com calma e eu a admiro por isso. Muitas vezes quando a gente gosta de alguém fechamos os olhos para o que não tá mais tão legal e não consegue perceber direito quando chegou a hora que não vale mais insistir. Ela esperou uma semana, deu a ela mesma inúmeros testes e reprovou em todos. Não dava pra esperar mais, a ordem dos fatores não alterou o resultado. Nosso pior medo aconteceu e ela se sentia quebrada, precisando de conserto. 

Os minutos foram passando e eu disse a ela o que meu pai me diria: não sofra por antecedência. Agora é preciso esperar e ver no que vai dar. Não gaste suas lágrimas antes de ter certeza, as cartas estão abertas na mesa, ainda não se sabe se haverá vencedores ou um game over. Claro que a menina com o coração despedaçado nas mãos não conseguia absorver esse conselho com clareza. Por isso eu deixei ela falar e se repetir.

O que essa minha amiga não sabia é que a ligação dela me colocou sentada numa montanha russa interna onde fecharam o cinto e ligaram o brinquedo. Parece que eu tive uma epifania, uma revelação, sobre mim mesma. Chegar tão perto da dor dela me fez questionar minha postura nos últimos meses. Nunca me senti tão enferrujada antes, logo eu, a mulher da vida amorosa mais agitada estava escondidinha na toca, usando das desculpas mais tolas para justificar esse tempo pra si.

Comecei a pensar de trás para frente nos motivos que me trouxeram ao tamanho recolhimento que eu fiz. O telefonema acabou, ela desligou e aí fui eu quem não conseguia dormir. Será que eu me transformei naquelas pessoas traumatizadas e cheias de medo que se fecham para sentir de verdade? Eu, que detesto esse tipo de superficialidade?

Durante esses quase dois anos eu nunca fiquei sozinha de verdade, fosse a fase dos vários caras ao mesmo tempo ou nos dias que passei investindo em uma só pessoa, fosse nos rolos ou em um namoro. Essa foi a primeira vez que eu me recolhi de forma tão radical, foi a primeira vez que me senti insegura nesse quesito. Foram os primeiros 3 meses sozinha de verdade. Eu nem posso por tudo na conta da minha história, já que na verdade eu sinto alivio de saber que tudo foi encerrado antes que eu tivesse mais problemas, antes que meu coração leviano me colocasse em uma área de risco ainda mais complicada.

No entanto, ouvindo o choro dela eu entendi meu recolhimento. Eu não estou sofrendo e tampouco queria voltar no tempo. Eu não mudaria nada. Aprendi tanta coisa, mas tanta coisa, que acho que parte desse tempo eu levei para catalogar os aprendizados e guardá-los nas estantes certas dentro de mim.

O que me chocou um pouco foi que nessa ligação eu me vi com medo. A entusiasta da queda livre, das relações dos mais variados formatos, das experiências diferentes, do ganhar parâmetros… estava ali, quietinha com medo. Medo de se entregar, medo de abrir aquela cicatriz, medo de doer de novo. Me entregar de verdade me custou uma cicatriz pública e notória no meio do peito, estampando meu discurso por onde quer que eu ande. Eu nunca quis que fosse assim. Me sinto um paradoxo ambulante ao me ver com medo e para quem vive como eu, o medo de se envolver é uma armadilha traiçoeira que eu não quero no meu caminho.

Esse texto podia ser sobre a minha amiga que está com o coração em pedaços no meio das mãos, mas ele é sobre mim. Autorreferente como de costume, eu acabei vindo aqui tentar me convencer de que eu preciso voltar a ser aquela versão aventureira, divertida, sem medo e que se jogou de tantos precipícios nos últimos dois anos. Ser aquela versão foi tão incrível, jovem e fluído. Por que as coisas não podem apenas voltar a ter leveza? Por que agora parece que tudo ficou mais complicado? Por que eu me sinto tão cansada de só ver gente pela metade?

A dor da minha amiga pegou num ponto frágil meu. A verdade é que se apaixonar e se entregar de verdade tem um preço, quem tem coragem paga por ele. Eu sempre tive coragem. No entanto começo a entender pela primeira vez quem de fato tem medo, esse tanto de gente que cria limites imaginários para se impedir de sentir. 

Eu lutei muito no caminho do autoconhecimento para aprender a SENTIR mais e PENSAR menos. Não quero retroceder. O problema dessa técnica de blindagem é que quando a gente blinda uma parte, acaba blindando tudo. Eu vim me fechando aos poucos, dando desculpas profissionais e físicas para afastar todo mundo que chegasse perto. Como se numa alternativa de dificultar a aproximação fosse ficar mais fácil estar só.

Não posso mentir, amei esse tempo sozinha, mas não quero transformar essa experiência maravilhosa em uma causa a ser vivida. Não preciso – acho que nem quero agora – encontrar o homem da minha vida, mas quero estar aberta para o infinito de possibilidades.

Então, se preciso for, eu vou com medo mesmo. Tudo mudou, tudo vai mudar mais ainda, mas eu não vou poder deixar de sentir pra sempre.

Espero que da próxima vez que o telefone tocar eu já não tenha medo. 

———————————– Esse texto pertence a tag de crônicas do blog ———————————–

Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.
8 em Comportamento/ crônicas/ Relacionamento no dia 07.12.2016

18 meses depois…

ela

Há 18 meses ela descobriu que era boa em uma coisa que nunca pensou: terminar relações (das mais variadas naturezas). Descobriu à duras penas, afinal foi abrindo mão de uma bonita história de 6 anos que se viu mergulhando num processo interno de auto descoberta. No total foram 4 finais e uma conclusão.

Quem era a pessoa que estava ali de frente pro espelho? Uma menina que voltou de uma viagem se achando tão poderosa que o mundo havia parecido ter ficado pequeno pra ela. Ela não conseguia mais voltar para os sonhos de antes. A ideia de casar e ter filhos com o grande amor de juventude já não fazia sentido e por mais duro que fosse, precisava abrir mão dele, abrir mão dos planos juntos e mergulhar nas profundezas de si mesma.

Ela é foda. Não foda de boa, foda de complexa. Ela não pode fazer caminhos simples e objetivos, aprender de primeira ou mesmo aceitar as coisas como elas são. Quando ela entendeu que o problema não estava no seu namoro, muito menos nos seus sonhos, mas sim na sua relação consigo mesma… Aí ferrou! Nessa hora ela quis tentar tudo que podia pra provar de forma empírica que com sua autoestima no lugar, nada seria impossível. Ela provou.

Qual foi a primeira coisa que aconteceu? Depois de um tempo de “luto” ela conheceu um cara muito bacana. O que ela fez? Na falta de familiaridade com a fase da paquera… Sufocou o cara. Que obviamente não era pra ser, mas foi estranho ela entender que mesmo tudo sendo tão legal, ele não estava assim tão afim. No entanto, isso pouco importa porque em alguns encontros ele a ajudou a enxergar muita coisa em si mesma de novo, sem falar que foi importante quebrar uns paradigmas bobos que ela carregava consigo.

Depois disso foram alguns meses viajando o mundo, se divertindo e tendo dates de todos os tipos, línguas e países. Quando tudo estava mesmo uma grande farra, o possível inesperado aconteceu. O cara que preenchia todos os pré requisitos da lista apareceu. Interessante, brilhante e lindo. Racionalmente valia a tentativa, emocionalmente tinha algo bom, mas sua intuição dizia que ele não conseguia se entregar de verdade. Eles se falavam todo dia, as férias podiam ser um plano conjunto, mas não era algo fofo como deveria ser. Parece que mais uma vez a intuição estava certa. Foi preciso saber a hora de recuar e mesmo que os primeiros meses tenham muito sido gostosos, as coisas não fluíram da forma natural que ela gostaria.

Aí nessa hora aconteceu o clichê, por que né? Não podia existir clichê maior do que o cara muito bacana, o primeiro do texto, cruzar com ela na rua. Esse foi o único nesse tempo que desistiu dela, e não o contrário. Isso nunca foi um problema, mas era engraçado porque ela não sabia lidar.A velha arte do desencontro só serviu para ela descobrir que tinha um problema no seu relacionamento sem rótulo, que nessa altura já durava 5 meses.

Ela precisou entender que precisava seguir em frente, mesmo gostando dele. Não podia mais ficar presa numa relação sem entrega. Gostar tinha virado um fardo no qual ela insistia.  O tempo voou e foi preciso abrir mão dele. Nessa hora lá foi ela colocar o coração na costureira.  Ela gostou dele, muito mesmo, mas não podia se contentar com pouco. Foi melhor deixar doer e contar aqui a beleza da curta história deles dois. Tipo de texto que arrancou lágrimas da autora. É meio engraçado porque até hoje uma de suas grandes amigas acha que eles só erraram no momento. Já ela não se permite apegar nesse tipo de ideia.

Nessa hora provavelmente você pensou: finalmente essa menina vai sossegar o facho e se colocar como prioridade! Tirar a paquera da conta, parar de flertar e cuidar de si mesma.  Não, não foi dessa vez que ela separou um tempo pra ficar com ela mesma. Enquanto suas fichas caiam, até mesmo com relação a sua autoestima, ela conheceu um cara que se vendia como um perfeito príncipe encantado! Ela queria ficar sozinha, mas ele parecia tanto trazer a cura, que ela ignorou seus instintos e deixou ele se aproximar. Bonzinho, até demais ele foi ganhando espaço. Enganou quase todas as suas amigas, menos uma. Uma delas sempre soube que tinha algo errado, ele dizia tudo que era possível pra vender uma perfeição que não existe. Mais uma vez a persona não sustentou a entrega e mais uma vez a relação ficou superficial.

Confiar na sua intuição? que nada, ela racionalizou o amor, ou seja, deu errado.

No fim dessa história que durou um tempinho. Ou você fica por ficar e apenas se diverte, ou você faz direito, fluindo, evoluindo com naturalidade e sentimento, como toda relação a dois deveria ser. Pra ele, ela não tinha tempo, e ele perdeu a oportunidade de pularem juntos em queda livre.

Quando ela encerrou tudo e achou que seu tempo finalmente havia chegado, ela viveu a maior paixão da sua vida. Que enredo louco, eu sei. No final dos seus 29 anos, o tempo parou. Com essa história ela aprendeu que conseguiria dizer eu te amo primeiro, que o que tem que ser flui, acontece naturalmente sem discussões filosóficas ou medo de se entregar, que se contentar com pouco era mesmo uma furada e que ela esperaria mil vidas para viver novamente um amor como esse. Ela finalmente retomou seus parâmetros e viu que uma paixão só é gostosa se vivida a dois, sem medo.

Mas como essa história não acaba antes antes de um tempo só pra ela, podemos dizer que a alegria durou pouco. Esse relacionamento foi divido entre dois tempos: no primeiro ela ganhou, no segundo os dois perderam. Perder alguém que você gosta é difícil por si só, perder para uma circustância impensável é mesmo uma paulada. Desistir dele foi uma das tarefas mais complexas que ela já precisou fazer, foi um pseudo conto de fadas sem final feliz. Pelo menos dessa vez não se arrastou, 3 meses depois a história já tinha começo, meio e fim.

Arrependimentos? Seria hipócrita dizer que ela não tem um ou outro, mas de tudo isso que ela viveu alguns aprendizados mudaram sua vida. No meio de tantas histórias e confusões, ela ganhou novos parâmetros. Pena que precisou de alguns meses e professores diferentes para matérias distintas. rs

Agora ela cansou de procurar e de tentar. Se tem que fazer força para fluir já não é o que ela sonhou pra si. Agora não tem aplicativo, não tem paquera e nem tem ninguém. E o melhor? Tá tudo bem.

Finalmente o coração cicatrizou e o tempo é todo dela, do seu trabalho, sua saúde e a sua única prioridade é cuidar de si.

É a primeira vez que ficar sozinha não se mistura com solidão, que a carência não impulsiona instintos de procurar alguém. É a primeira vez que a procura pelo grande amor da vida se tornou insignificante, porque ele sempre esteve ali, o grande amor da vida dela sempre foi o amor próprio, ela só não sabia ainda.

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava

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