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0 em Comportamento/ Destaque/ Futi em NYC/ maternidade no dia 12.07.2018

Summer camp brasileiro em NY, uma experiência muito bacana para quem está criando filhos bilingues

Se tem um assunto que é muito debatido por toda mãe que eu converso e vive a mesma realidade que eu – isso é, criar um filho brasileiro no exterior – é como conseguir o equilíbrio para que o português não se perca enquanto o inglês é aprendido. Antes eu entrava nessas discussões apenas para aprender, hoje percebo palavras novas sendo inseridas diariamente no repertório do Arthur e, desde então, passei a ficar mais de olho nisso.

É engraçado porque toda vez que eu mostro o Arthur pela internet, perguntas sobre criação de filhos bilingues surgem. “Como você faz? Ele só fala inglês? Você só fala com ele em português?”, são alguns dos questionamentos que eu mais recebo.

Eu não tinha noção do desafio até uns 6 meses para cá, quando ele começou a juntar palavras em pequenas frases por conta própria, e várias das frases eram em inglês, ou então uma mistura das duas línguas. Muitas vezes eu só conseguia entender quando ele repetia na escola e a professora me traduzia (imagina se o fantasma da péssima mãe que não consegue entender o filho não aparecia de vez em quando?). É inevitável, o contato com o inglês é constante: com as professoras da escola, na televisão, na rua, com os amiguinhos do prédio ou do parque. E até então eu tentava resolver isso lendo livros em português e traduzindo os que eram em inglês, além de falar português em casa (apesar de as vezes eu achar fofo alguma coisa e acabar misturando inglês com português do tipo “não é your turn”ou “não é hora de lollipop”), mesmo assim eu entendi que estava chegando no momento que muita gente tinha me alertado: aquela hora que ou a gente fica em cima do português ou a criança corre o risco de perdê-lo.

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Foi justamente nessa época que eu conheci a Cris. Na verdade, a irmã dela é seguidora do Futi há anos e quando viu que eu estava aqui em NY com o Arthur, quis fazer a ponte entre nós duas. Ela é dona de duas escolas por aqui, ambas com mais de 10 anos de mercado: a Brazil Ahead, que visa ensinar português para adultos e crianças, e a American Ways, que é especializada em aulas de inglês para brasileiros.

Marquei um café para a Cris me explicar tudo (e tive que cancelar quando eu já estava no local que combinamos porque recebi uma ligação da escola do Arthur porque estavam com suspeita dele ter torcido o dedo brincando), mas acabamos conversando mesmo pelo telefone. E ali ela me contou tudo sobre a Brazil Ahead e sobre o summer camp deles, que era o assunto que iríamos conversar no café. Acabou que a conversa foi do summer camp para educação bilingue dos filhos (a Cris tem um filho de 14 anos, então ela já passou por tudo isso que irei viver rsrs), e eu fiquei apaixonada pelo projeto. 

Aqui nos Estados Unidos, as férias maiores (equivalentes às nossas férias de fim de ano no Brasil) são entre Junho e Setembro e é muito comum que várias escolas disponibilizem summer camps para as crianças se divertirem durante as férias. E a Brazil Ahead tem um feito que é especialmente para crianças de 3 a 10 anos, filhas de pais brasileiros e que funciona como uma imersão não só na língua portuguesa como na cultura brasileira também. As atividades são pensadas cuidadosamente para que as crianças aprendam e estimulem seu português de forma lúdica e natural, enquanto aprendem mais sobre o Brasil.

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Brincadeiras que faziam parte da nossa infância (morto vivo, estátua, adoleta), livros sobre histórias do nosso folclore, aula de teatro, shows de artistas brasileiros (vocês conhecem os Grandes Pequeninos, projeto infantil do Jairzinho, Tania Khalil e suas filhas? É uma fofura) e até mesmo aula de capoeira, que foi meu ponto fraco, confesso. Achei incrível e emocionante ver o Arthur se divertindo com as músicas, com os passos, com o berimbau – e pedindo para ir para a “papoeira” quando chegou em casa rs. 

Arthur era o mais novinho da turma, então meu coração de mãe achava que ele não ia se enturmar ou pegar o ritmo das outras crianças. De fato, muitas das ordens ele ainda não entende e algumas brincadeiras não eram suficientes para prender sua atenção, o que fez com que ele virasse o pequeno rebeldezinho da turma, mas as professoras conseguiram enturmá-lo com as crianças mais velhas e elas acabaram tomando ele como mascote, e foi de um jeito tão fofo e compreensivo que eu fiquei emocionada de novo.

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Arthur ficou duas semanas no summer camp (o legal é que você pode fechar quantas semanas ou dias você quiser) e confesso que esse gostinho que tive me fez ter certeza que vou querer repetir todo verão. Poder oferecer uma parte da cultura brasileira para o Arthur é um dos melhores presentes que eu posso dar para ele. E é engraçado pensar que eu precisei sair do Brasil para perceber isso. E também fiquei mais tranquila de saber que, caso ele precise de um reforço no português quando for mais velho (muitos pais de filhos bilingues contam que em algum momento chamam professores particulares de português), eu já sei onde ir. Foram poucos dias, mas foram muito bem aproveitados, e como vocês acompanham toda essa minha caminhada como mãe morando fora e crescendo com essa experiência, achei que valia a pena contar para vocês mais essa experiência que tive. :)

E quem mora em Nova York e tem filhos pequenos, fica a dica de um summer camp que vale a pena em vários sentidos. Leitoras do Futi têm 5% de desconto tanto nas aulas quanto no summer camp, é só informar o código FUTILIDADES. :) Quem quiser mais informações pode entrar em contato no instagram da Brazil Ahead.

Beijos!

1 em Destaque/ maternidade no dia 11.07.2018

A melhor foto de pós parto que eu já vi (e como as pessoas julgam, não é mesmo?)

Essa semana participei de um post lá no grupo do Papo que temos no Facebook, onde uma foto postada não saiu da minha cabeça durante a semana toda.

A imagem do pós parto da blogueira australiana Constance Hall, registrada maravilhosamente por Trina Cary, mostra uma cena de pós parto um tanto quanto inusitada. A mãe, sentada na cama, está tomando um refrigerante e olhando para o celular enquanto o bebê está sendo cuidado pelo pai do outro lado da foto.

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Quando eu vi a foto pela primeira vez, fui seriamente impactada por um alívio muito grande. Um alívio que eu nem esperava sentir. Um alívio que só aconteceu porque eu romantizava demais o momento pós parto, mais até do que o parto em si.

Eu jurava na minha cabeça cheia de referências hollywoodianas e de fotos do instagram, que a jornada na maternidade no dia do parto seria igual aos registros fotógraficos que eu já tinha visto. Repleta de momentos cheios de sentimentos tão viscerais. Achei que ia chorar copiosamente a ponto de gritar, que iria ficar inebriada e só ter olhos para o bebê e que imediatamente todos os meus interesses se diluiriam para focar apenas naquela pessoinha nos meus braços. Que eu iria virar uma leoa, uma pessoa completamente diferente, uma mãe. Não foi isso que aconteceu comigo.

Ou melhor, o momento mais inesquecível da minha vida com certeza foi o momento que eu vi o Arthur pela primeira vez. Mas quando o peguei nos braços, não tinha leoa, não tinha mãe, não tinha choro dramático, não tinha foco. Eu era apenas eu, segurando meu filho, assustada com o que viria pela frente, sem entender direito as proporções de mudanças que aconteceriam com aquela pessoinha tão pequena que eu havia acabado de conhecer. E um pouco incomodada com a falta de sensibilidade nas pernas, por causa da cesárea.

Lembro que quando voltei do quarto de recuperação, umas 3 horas depois do parto e já sentindo meu corpo todo novamente, fiquei esperando trazerem o Arthur para o quarto. E nessa espera, fiz algo que eu jurava que não aconteceria no dia que ele nasceu: pedi o celular. Centenas de mensagens de pessoas próximas nos parabenizando e querendo saber como tinha sido. Gente que eu nem sabia como tinha ficado sabendo do nascimento (ah, lembrei, meu pai foi um dos primeiros a postar no instagram). Ligações, whatsapp, Facebook. E eu ali, respondendo com poucas horas de atraso e recebendo mensagens surpresas por eu ter respondido tão rápido. Amigas que não eram mães e que, assim como eu até à véspera do meu filho nascer, não sabiam que existia vida no celular no mesmo dia do parto.

Ali, naquele momento, me caiu a ficha de que eu estava sendo ingênua por achar que o que eu via em 20 ou 30 fotos era exatamente aquilo que acontecia durante toda a estadia no hospital. Da mesma forma que não sabemos de fato da vida de ninguém que seguimos nas redes sociais, não dá para entender a real dimensão de um parto/ pós parto, só olhando ensaios de maternidade.

Mesmo não tendo contratado fotógrafa para esse momento, eu tinha na minha cabeça um roteiro de todos os clichês que iriam acontecer: nós na mesa do parto segurando o Arthur (essa foto a gente até tem rs), ele pegando no dedo de um de nós e esse fragmento ficaria eternizado como um símbolo de confiança e amor entre nós, Bernardo apresentando o Arthur para a família atrás de um vidro, enfim…Lembre de qualquer foto típica de ensaio de maternidade, que ela com certeza está presente no meu roteiro imaginário.

É por isso que eu achei essa foto da Constance tão genial. Porque esse momento da mãe pós parto, tirando um momento para dar uma olhada no celular e comer alguma coisa é impactante porque foge do padrão que estamos acostumadas a ver quando o assunto é maternidade, mas é muito real.

Você olha as fotos de outras mães que comentaram no perfil da Constance no Facebook e muitas mulheres se identificaram e postaram fotos com sacos de biscoito, com caixa do McDonald’s, com alguma coisa que elas estavam loucas para comer depois de ter tido o filho.

Nunca entenderei a quantidade de comentários negativos (a maioria foram apagados já) que essa foto teve e os julgamentos que Constance recebeu. Mas entendo que é uma foto provocativa e de certa forma incômoda, justamente porque ela quebra muitos paradigmas que não estamos acostumadas a ver quando entramos na seara da maternidade. Não é só a mãe ocupada com outra coisa além do filho recém nascido, é também o pai, que deixa de ser coadjuvante (o que é bom comum nesse tipo de registro) e vira um segundo protagonista. Ele não aparece ali apenas segurando o filho para mostrar para a família ou apoiando a mulher enquanto ela está ali naquele momento de criação de laços com o filho recém parido. Ele está cuidando, sendo pai, não aquele que “ajuda” e sim o que mete a mão na massa porque sabe que ele também faz parte desse momento.

E para quem sentiu falta de algo mais romantizado,  as outras fotos que a Trina Cary tirou do dia têm tudo aquilo que a gente gosta de acompanhar. A expectativa do parto, a emoção de conhecer o filho, o companheirismo do casal, e até mesmo o protagonismo do pai em outros momentos, tudo está registrado. Mas é claro que só essa gerou polêmica. Será que era mesmo necessário?

  • Obrigada Jacqueline, por ter trazido um tema tão bacana para o grupo. :D
0 em Comportamento/ maternidade no dia 25.06.2018

O primeiro e o último dia

Lembro como se fosse hoje o primeiro dia do Arthur no day care. Era meu aniversário e eu fui para a escolinha tremendo da cabeça aos pés. Sou uma pessoa ansiosa por natureza e nas semanas anteriores tinha ouvido tantas histórias à respeito da adaptação dessa primeira semana que estava muito tensa com o que viria pela frente. Ouvi histórias de crianças que não quiseram aceitar a separação e choraram o dia inteiro, mães que não conseguiram sair da sala porque não estavam tão preparadas quanto pensavam que estavam, enfim…o que me aguardava?

No fim das contas, ganhei o melhor presente de aniversário. Arthur já estava completamente à vontade depois de 1 hora lá, e em algum momento, achei que a minha presença estava atrapalhando mais do que ajudando. A professora me incentivou a ir embora e eu saí me sentindo muito estranha, um misto de “eu quero fazer isso mas não sei se deveria”.

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Não vou negar que meu primeiro sentimento foi de alívio. Por um monte de coisas. Alívio pela adaptação ter sido muito mais fácil do que as minhas melhores expectativas, alívio porque as professoras eram muito mais legais do que eu tinha imaginado (afinal, botei ele lá pela indicação de uma amiga), alívio porque não foi difícil. E alívio porque finalmente eu teria algumas horinhas para mim. E foi esse último alívio que me fez sentir muito inadequada.

Eu sei que meu background de 1 ano tentando equilibrar pratinhos entre cuidar de um bebê + cuidar de mim + home office foi cansativo, então o alívio de saber que eu poderia ir para qualquer lugar e fazer qualquer coisa sem depender da disponibilidade do marido ou de babysitter foi enorme. Só que não ter tido dificuldade em aceitar a independência do filho, ou não ter sentido aquela nostalgia de não ter mais um bebê em casa me fez achar que eu era uma mãe pior por um breve momento.  Sair daquela escola me sentindo leve sabendo que tantas outras mães não tinham conseguido fazer o mesmo me fez sentir muito inadequada aos meus próprios olhos.

O ato de comparar-se faz com que tenhamos um olhar mais rígido e menos carinhoso conosco, e esse foi um os meus maiores exemplos recentes. Cada maternidade é única, então por que eu estava tentando me diminuir por não ter tido nenhuma das mesmas reações que tinha ouvido?

E sabem o mais engraçado? Depois descobri que a tal sensação de alívio existia em todas as mães, inclusive na minha! Enquanto isso, lá estava eu, sendo minha pior inimiga.

Sexta feira foi o último dia dessa escolinha, que fechou. Enquanto me despedia das professoras que foram tão importantes nesse ano que passamos ali, daquelas salas de aula, dos armários onde colocava as coisas do Arthur, percebi como eu estava orgulhosa e grata com aquele lugar. Um lugar onde o Arthur evoluiu tanto em tão pouco tempo, aprendeu tantas coisas que eu nunca conseguiria ensiná-lo, mas também um lugar que permitiu que eu me reencontrasse das mais diversas formas. Não só me dando tempo para cuidar de mim, mas a cada elogio e observação que eu tinha de uma das professoras da turma dele, eu também fui aprendendo a enxergar e valorizar a minha maternidade.

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E eu, crente que botá-lo na escolinha só teria benefícios para ele, me percebi saindo de lá uma Carla completamente diferente da Carla que entrou pela primeira vez. Ainda bem. :)