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maternidade

3 em Autoestima/ Destaque/ maternidade no dia 05.06.2017

O dia que eu fui a mãe perfeita do instagram

Tinha combinado de encontrar a fotógrafa às 17h. O objetivo da sessão era fazer algumas fotos de looks, mas eu também queria algumas com o Arthur, afinal, não é todo dia que você consegue fazer registros lindos com cenas do seu dia a dia, né? Mesmo assim, combinei com o marido, que disse que ia sair do trabalho às 17:30, para me encontrar e pegar o Arthur. Dessa forma não precisaria me preocupar com horários.

Às 14h Arthur dormiu e foi a minha brecha para maquiar. Botei minha melhor base, corretivo, sombra, rímel, contorno e batom, por fim me olhei no espelho e fiquei me encarando ali. UAU. Depois de semanas a fio usando BB cream, corretivo e, no máximo, um blush (ou seja, a make do dia a dia rápida pra quando você realmente não tem tanto tempo mas não quer sair com a cara lavada), aquela maquiagem mais completa realmente fez a diferença! Tanta diferença que eu me intimidei, achei que todo mundo ia olhar pra minha cara, achei que estava exagerada para o dia, obviamente esquecendo que aqui tem tanta gente com maquiagens, penteados e looks muito mais ousados que o meu que ninguém nem nota.

Maquiagem pronta, lá fui eu escolher as roupas. Coisa que eu deveria ter feito no dia anterior, se eu fosse uma pessoa mais organizada, ou se eu não tivesse tanto trabalho acumulado que só consegui parar para fazer depois que o Arthur foi dormir. Sorte a minha que nada era muito elaborado, não queria fotografar tendências ou mostrar alguma tentativa de ser mais ousada. Queria apenas ser eu, com minhas ~brusinhas novas.

Às 16:30 a fotógrafa me avisa que já estava por aqui. Acordo o Arthur, escolho um look mais fofinho para ele já imaginando aquelas fotos estilo instagram de mãe perfeita. Vocês conhecem esse tipo? São aquelas fotos cujas crianças são educadas, gostam de tirar foto, as roupas dificilmente estão amassadas ou sujas, a mãe está com aquela cara plácida e serena, bem maquiada, com cabelo e roupas perfeitas e até quando a foto é de algum momento de bagunça, ela parece calculada. Vendo o instagram dessas mães, maternidade parece algo fácil e divertido, e geralmente você se sente bem mal quando se descabela porque seu filho resolveu jogar a comida toda no chão enquanto você não estava olhando.

Às 17, lá estávamos nós, lindos e arrumados, prontos para a sessão de fotos. Primeira parada: um carrinho de sorvete que encontramos no meio do caminho. “Acho que fica legal uma foto tomando sorvete, né? É! Então vamos comprar um!” Arthur ama sorvete, então essa parte nem foi difícil. Comecei a me sentir confiante no papel da mãe-perfeita-do-instagram.

Segunda parada, uma esquina charmosa. “Vai, Carla, atravessa a rua com o Arthur no colo, não olha pra câmera!” Enquanto eu tento atravessar, a pessoinha que estou segurando dá sinais que não está muito afim de ficar ali. “Então vamos sentar” – mas seu Arthur quer fazer tudo, menos ficar sentado. E lá vou eu atrás dele, já um pouco descabelada, meio tensa e toda vez que tento segurá-lo, ele se contorce abrindo o berreiro. Ok, acho que vou ter que repensar minha confiança no papel.

Terceira parada, loja de discos que, por sorte, tinha um banheiro bem grande que foi ótimo para trocar de roupa. Como a gente percebeu que Arthur não estava querendo colaborar muito, resolvi apelar para a distração máxima: “toma filho, pega meu Iphone, tá aqui sua conta na Netflix”. E enquanto eu tirava uma foto ou outra, lá estava o carrinho, do lado da fotógrafa com um Arthur completamente absorto em Word Party (porque Galinha Pintadinha já não surte mais o efeito 100% hipnotizador de antes, e também porque ele agora sabe tirar e escolher o que quer assistir rs). “Vamos tentar fazer umas fotos de nós dois mexendo nos discos? – Vamos!”. Claro que não deu muito certo. “Será que ele não fica parado para a gente tentar uma foto de vocês dois? – Vamos tentar!” Obviamente não deu certo também, já que ele não parava quieto, correndo entre os corredores e eu comecei a ficar com medo real de perder meu filho no meio da loja de disco.

Antes de sair da loja, mais uma troca de look para aproveitar o banheiro. Quando fui olhar meu celular, vi a mensagem do meu marido: “estou preso aqui no trabalho, não vou conseguir chegar”. Só vi o que ele mandou às 19h, realmente tinha esquecido da hora e nem me toquei que já tinha passado e muito do horário que ele me encontraria. Aí comecei a me preocupar. Meu Deus, vou atrasar jantar, banho, tudo, né? Vamos correndo para o último lugar, o parque!

Chegamos no parque, Arthur ficou louco. Não tinha mais Iphone que resolvesse, ele queria sair do carrinho pra andar, afinal, toda vez que vamos no parque eu deixo ele solto, claro que ele queria sua liberdade. E eu, que já estava tensa com os horários, querendo terminar logo para não desregular toda a rotina, tive que tentar fazer tudo correndo.

Poso para uma foto da cintura pra cima porque no meu pé está Arthur brincando com a areia, aí agacho para brincar com ele e tentar algumas fotos fofas, mas ele não estava querendo posar para nada, então, tive que interagir e fazer a tal cara plácida e serena quando, na verdade, ele queria enfiar areia na minha boca. E no fim lá estou eu, correndo pra casa com a maquiagem ainda intacta, bem arrumada mas um pouco suada e bem cansada, com uma criança que já está reclamando de fome, sono e um pouco de raiva por eu ter tirado ele da brincadeira.

Chego em casa, dou o jantar ainda arrumada, tiro a blusa pra dar banho nele e não molhar meu look, arrumo ele pra dormir, dou a mamadeira e quando fecho a porta do quarto não tem mais maquiagem, não tem mais cabelo bonito, o estômago está roncando e eu estou a verdadeira Gata Borralheira depois do baile.

No dia seguinte, recebi as primeiras fotos e constatei: lá estava a mãe perfeita, maquiada, sem um fio fora do lugar, com o filho bem arrumado, sorrindo pra câmeras e sendo fofo, e essa mãe era EU. Por um segundo esqueci a trabalheira que deu e me permiti admirar aquela pessoa. Saber que eu poderia virar a “mãe-perfeita-do-instaram” foi  mais importante do que eu imaginava. Por incrível que pareça, além de me sentir linda, me senti poderosa, capaz e estimulada, como há muito tempo eu não sentia. Não quero que ela apareça sempre porque desgasta muito manter essa persona, mas não nego fiquei com vontade de vê-la mais vezes. :)

PS: A fotógrafa em questão é a Adriana Carolina, que soube registrar de forma maravilhosa o momento da mãe perfeita.

2 em Comportamento/ Destaque/ feminismo/ maternidade no dia 30.05.2017

Eu estou cansada de pedir ajuda em casa, será que consigo mudar esse quadro?

Semana passada uma tirinha foi muito compartilhada pela minha timeline. Ela conta sobre a divisão de tarefas domésticas e como é exaustivo para as mulheres terem que dizer para os homens o que deveriam fazer, quando no mundo ideal, todo mundo deveria de trabalhar junto para manter a casa um ambiente habitável, sem que um precise ficar dizendo para o outro o que fazer ou como fazer.

O que chamou a minha atenção é que mulheres de todos os tipos compartilharam, o que achei curioso, pois esse era o tipo de problema que passou a me afetar de verdade quando eu parei de ter ajuda – contratada, vale destacar – nas tarefas de casa.

Eu sempre soube que organização nunca foi o forte do meu marido. Desde quando namorávamos, ele nunca foi de ter o armário arrumado ou a cama feita, ou seja, não tive nenhuma surpresa quando fomos morar junto. Por anos a fio eu também não me importei com esse detalhe porque além de passar pouco tempo em casa, o que ele desarrumava não era o suficiente para me deixar exaurida e, botando culpa no cartório, eu também era um pouco desorganizada (meu home office volta e meia virava quarto da bagunça porque eu ia acumulando coisas). Só que eu tinha a Kátia, que por 6 anos foi a responsável por deixar nosso armário arrumado e a casa limpa e organizada.

Quando viemos para NY, eu e ele sabíamos que a vida iria mudar nesse sentido, e eu estava tranquila quanto a isso, meu maior medo era encarar o mundo da mãe full time mesmo. Nesse 1 ano (sim, em duas semanas fazemos 1 ano aqui!), eu tive que aprender a ser minimamente organizada, mas sinceramente, eu acho que essa mudança foi maravilhosa. Mas acabei conhecendo o mundo do “me dá uma ajuda? por favor? você pode fazer isso?”, e ele é cansativo pra caramba, principalmente quando você é uma pessoa que ODEIA pedir favores.

Desgasta. Dá motivos para várias DR’s desnecessariamente necessárias. Cansa demais. Eu diria que esses quadrinhos foram maravilhosos porque explicaram de maneira clara e gráfica tudo que eu vinha tentando falar, mas além disso, eles originaram uma discussão interessante sobre a educação do Arthur. Por causa dessa imagem:

De maneira alguma isso é uma crítica à forma que minha sogra educou seus filhos, até porque eu sei que ela sempre pedia para eles fazerem suas tarefas domésticas quando era o caso. Mas é aí que mora o X da questão. ELA PEDIA. Então, como podemos educar o Arthur para que sua mulher (ou homem, sei lá, né) não precise pedir nada? Ou seja, que ele entenda que para uma casa funcionar, todos que moram nela têm que colaborar, independente de pedidos de ajuda?

Claro que ele ainda está muito novo para entender o conceito de tarefa doméstica e de ter que ser responsável pelas suas coisas, mas desde agora estamos tentando engajá-lo em pequenas coisas. Por exemplo, estou botando a roupa na máquina e peço para ele botar junto, depois fechamos juntos a tampa e, como ele ama um botão, já boto ele pra apertar também. Ou então Bernardo está limpando alguma coisa que caiu no chão, Arthur está por perto e interessado no que estamos fazendo, depois que a maior parte está limpa ele dá o pano para ele fazer igual. E ele faz, claro que sem entender a importância disso tudo. rs

Ele ama utensílios domésticos. Outro dia estávamos na casa de uma amiga e o Arthur toda hora aparecia com alguma coisa de limpar (não tenho ideia onde ele achava tudo isso). Vassoura, rodo, aspirador portátil (que ele ligava e ficava vendo aspirar as coisas), com certeza ele achou o armário de limpeza e foi roubando tudo lá de dentro. Uma hora, uma das amigas que estavam lá brincou dizendo que estávamos fazendo exploração infantil, eu ri e brinquei junto mas no fundo (nem tão fundo assim) eu fiquei orgulhosa e um pouco esperançosa. Acho que tem, sim, como criar um homem que não vai precisar que ninguém peça para fazer alguma coisa dentro de casa.

Quando for a hora, quero muito engajar ele na hora de mexer em alimentos também. Além de ser um hábito legal para estimular uma boa relação com a comida, é uma forma de ensiná-lo a se virar, né?

Não tenho noção se isso vai surtir algum efeito no futuro, mas só sei que depois que conversamos sobre isso envolvendo a educação do Arthur, resolvemos assumir a ideia de que uma casa é uma engrenagem cujas partes têm que funcionar, e isso de certa forma facilitou as coisas. Isso não quer dizer que eu não tenha que pedir alguma coisa todo dia, ou que não fique estressada por algo que poderia ser feito e foi jogado nas minhas costas, mas deu uma noção melhor da nossa realidade e do que temos que fazer para essa engrenagem funcionar sem ninguém dar defeito. E espero que em breve o Arthur já entre nessa equação como uma peça melhorada. :)

Para ver todo a história, é só clicar aqui.

 

6 em Comportamento/ maternidade no dia 12.05.2017

O 3o. Dia das Mães

Nesse domingo eu passarei meu 3o. dia das mães, e essa semana eu estou bem pensativa, um pouco nostálgica talvez.

Meu primeiro dia das mães foi em 2015 e eu tinha descoberto que estava grávida dias antes, por isso, eu nem conto direito porque até então nada tinha mudado. Eu não tive enjoo, não tive dores no peito, não tive sono. Naquele começo de maio a ficha ainda não tinha caído mesmo, mas já jurava pra mim mesma que conseguiria manter minha promessa de não deixar nada na minha vida mudar depois que o Arthur (que, na época, eu nem sabia que seria Arthur) nascesse. Claro que eu estava cheia de dúvidas e medos, afinal, eu sempre fui uma pessoa que não sabia lidar com crianças e que tinha medo de pegar em bebês. Mas quando a vontade surgiu, e quando eu vi o resultado positivo eu, que fiquei meio incrédula e muito, muito feliz, resolvi botar logo na cabeça que ia dar conta de tudo e que nada mudaria. Inocente, né? Eu sei.

Aí veio meu segundo dia das mães em 2016 e eu vi que não conseguiria manter minha promessa 100%. Para quem via de fora, parecia que tudo tinha permanecido igual. Alimentava o blog religiosamente desde que o Arthur tinha 2 semanas, deixei clientes agendados por um mês e voltei a produzir conteúdo pra eles logo que esse mês acabou, assim como voltei a ir em eventos, voltei pra academia. Mas por dentro….ah, por dentro. Que revolução! Enquanto eu ficava encantada com aquela pessoinha tão pequena e indefesa que tinha saído de mim, enquanto eu me reapaixonava pelo meu marido no papel de pai, enquanto eu fantasiava os anos que seguiriam e enquanto eu morria de amores por cada micro evolução, fui assombrada por sentimentos que não esperava. A insegurança e a ansiedade apareceram como eu nunca poderia ter imaginado. Ideias estranhas e também inesperadas aparecerem em um momento que eu jurava que era tão pleno me inundaram: “Meu Deus, o que eu fiz da minha vida?”, “eu não sou mais dona do meu tempo, e não estou achando isso tão legal”, “estou com saudades da minha liberdade”, “ai meu Deus, será que estou sendo egoísta?”, “duvido que outras mães pensem isso, devo ser uma péssima mãe”.

Diria que esses 5 primeiros meses até meu segundo dia das mães foram feitos para que eu acordasse e descobrisse que eu romantizava a maternidade muito mais do que eu imaginava. Apesar de ter sido avisada e ter me preparado para não esperar o tal “sentimento de maior amor do mundo” no momento que eu o visse, eu não tinha noção como a maternidade não é instintiva nem tão intuitiva. Tudo é novidade, tudo é uma delícia, mas hoje vejo como subestimei a mudança que se dá quando o bebê chega em casa, e nem sei por quê, afinal, eu sempre sou a amiga que aconselha a morar junto antes de casar justamente porque acho que mudar de casa logo após o casamento é uma atitude muito brusca. Como encarei de forma tão ingênua a chegada de um integrante novo na família? Estava esperando viver aquela imagem da mãe plena, olhando o bebê com tranquilidade e amor, sendo que nos 2 primeiros meses, era mais comum você me ver confusa e um tanto quanto desesperada com medo de fazer algo errado. Depois tudo se encaixou e eu pude aproveitar realmente não só a Carla mãe, mas tudo que envolve maternidade.

E aí veio mais mudança. Um mês depois do dia das mães nos mudamos. De país. E cá estamos, no meu terceiro dia das mães, que eu diria ter sido o mais desafiador porque eu virei mãe em tempo integral. Logo eu, que estava tão acostumada a ter uma equipe que ajudava para que a minha rotina continuasse 70% a mesma de antes do Arthur. Abdicar das facilidades que eu tinha (inclusive com os avós morando na cidade do lado) não foi uma decisão leviana, eu tinha noção do que me esperava e do que eu precisaria fazer, mas mesmo preparada foi bem mais difícil do que eu imaginava, não nego. Aqueles sentimentos de “o que eu fiz da minha vida”, que tinham desaparecido lá em fevereiro de 2016 voltaram à tona. O trabalho teve que ser deixado um pouco de lado, tive que cortar clientes, diminuir minha assiduidade aqui no blog e em muitos momentos, não tinha energia para as mídias sociais. Me via acabada não só fisicamente mas mentalmente e não me dava vontade de alimentar instagram ou fazer snaps. Por vezes me senti (e na verdade ainda sinto, é uma questão que estou aprendendo a lidar até agora) presa e frustrada, emburrecendo e com a sensação que a vida de todo mundo estava seguindo enquanto a minha se encontrava estagnada. Imaginem a Carla que era considerada a grávida relax, virou a mãe que se descabela e descompensa, que chora de raiva e frustração e que perde a paciência com mais facilidade do que poderia imaginar. Quem diria.

Ao mesmo tempo, acho que eu nunca cresci tanto. Me descobri mais forte, mais capaz, mais resiliente. Aprendi a redimensionar problemas, e estou aprendendo a ser mais paciente e aceitar que nem sempre conseguirei estar em primeiro lugar na minha vida (e que tudo bem, isso passa, por mais ansiosa que eu seja), a me virar sozinha com um bebê por aí, a me importar menos com o que os outros pensam. Paguei minha língua de diversos modos. Imagina, eu, a pessoa que dizia que só sabia cozinhar miojo e que não ia aprender a cozinhar, fazendo mil coisas para o filho porque quer oferecer comida saudável para ele? Ainda estou aprendendo a priorizar e a organizar meu tempo, mas é algo que tenho certeza que só vai melhorar daqui pra frente.

Parando para refletir em tudo relacionado aos dias das mães, acho que a mudança mais importante que eu senti nesse dia das mães foi poder entender um pouco mais da minha mãe também. Hoje acho ela uma mulher muito mais forte do que jamais achei. Muitas vezes me orgulho de ver que estou repetindo os mesmos ensinamentos, assim como fico feliz de saber seus arrependimentos justamente para que eu não os repita (ou pelo menos fique sabendo dos contras). É um baita ensinamento e uma evolução na relação de mãe-filha que cada vez mais tem me surpreendido.

Ainda tenho chão pela frente, muitos erros e muitos acertos ainda estão por vir. Mas a cada dia das mães que passa, tenho a certeza que terei cada vez mais força, sabedoria e paciência para encarar cada desafio que chegar.