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1 em Destaque/ maternidade no dia 18.09.2018

Coisas que não devem ser ditas a mulheres que estão tentando engravidar

Oi, eu sou a Carol. Sou mãe da Maria e, por longos 10 anos, tentei realizar o meu sonho de ser mãe. Antes dela tive quatro gestações, todas sem sucesso. Mas esse não é o foco do meu post aqui pro Futi.

Todo mundo tem uma amiga ou parente que está tentando engravidar. Algumas há pouco tempo, outras há anos. O sentimento natural diante dessas mulheres acaba sendo a compaixão e muitas vezes a nossa mente já engessada e moldada por uma sociedade que obriga a mulher a ser mãe faz a boca falar o que não deveria (e isso não é um crime, ok? É apenas cultural, e podemos mudar isso!).

ilustra: Ju Ali

ilustra: Ju Ali

Abaixo eu enumero algumas coisas que ouvi ao longo dos anos em que passei tentando engravidar. Outros relatos poderão trazer mais pontos a serem abordados. Mas vamos lá:

1- Você não precisa dizer que está rezando por ela.

Mesmo que você esteja, e isso é lindo, nunca diga a ela que colocou o nome nos pés de Nossa Senhora do Parto. Também não vale indicar centro espírita, simpatia ou novena. Acredite, a mulher que tenta engravidar já revirou o Google atrás desse tipo de informação e provavelmente já pôs metade disso em prática.

2- Não insista para que ela marque uma consulta com a sua ginecologista.

Mesmo que a sua experiência com a médica tenha sido excepcional, não significa que ela será tão boa com a sua amiga. Se você achar que vale muito a pena, passe o contato, e só.

3- Pare de perguntar “e o baby, quando vem?” aos seus amigos sem filhos.

Muitos não planejam filhos a curto ou longo prazo, alguns nem querem, mas muitos estão em uma batalha silenciosa em busca desta realização. Sempre digo que, mesmo em tempos de vidas escancaradas em redes sociais, as nossas maiores dores sempre serão apenas nossas.

4- Não tente arrumar justificativas baseadas na vida da pessoa.

Quantas vezes eu já ouvi coisas como “de repente Deus não quer que você seja mãe para poder focar na sua carreira” ou “de repente não é pra você ser mãe porque você não tem perfil”. Pobre Deus, sempre recebe a culpa da infertilidade alheia.

5- Seja ombro e ouvidos.

Não é algo que não deve ser dito, mas achei importante estar na lista. Se a sua melhor amiga está nas tentativas há muito tempo e estiver em um mau dia, apenas fale “estou aqui”. Seja a ouvinte, não a locutora. Mesmo que você já tenha passado por isso.

6- Você engravidou? Não precisa esconder da sua amiga tentante!

Pode ser que a sua amiga tenha aquela pontinha de inveja, e esse sentimento de “todo mundo consegue, menos eu”, sim. É absolutamente normal e humano, mas passa. Mesmo que a sua intenção seja a melhor, a mágoa de ser preterida da notícia é pior, ok?

Por fim, não pressione. A gente bem sabe que é uma delícia ter um bebê por perto, mas deixe que o tempo se encarregue. Certamente a ansiedade dela já é grande demais para ter mais uma cobrança, e os danos emocionais que essas meninas sofrem podem ser até potencializados com tanta pressão. Menos é sempre mais nesse caso :)

Grande beijo, Carol

3 em Comportamento/ maternidade no dia 17.09.2018

Diálogos para depois da escola

Quem nunca voltou da escola e ouviu dos pais: “e aí? como foi a escola?”. Parece uma forma neutra de iniciar a conversa, e na verdade ela nunca tinha me incomodado tanto até eu ver um comercial na TV, onde pais tentavam conversar com seus filhos (uma adolescente e outro com cerca de 7, 8 anos) na mesa de jantar e simplesmente nada acontecia. “Foi tudo bem”, o mais novo murmurava baixo, com cara de entendiado. “Legal”, falava a adolescente. Mas a conversa não seguia em frente.

Me deu uma angústia aquele comercial, porque fiquei imaginando o tanto que as crianças poderiam estar escondendo dos pais. Bullying, frustração, brigas, decepções.

Meu filho até responde quando eu pergunto como foi a escola. Ele está numa idade fofa, interativa – e que, infelizmente, eu sei que não vai durar pra sempre. Mas a gente pode tentar fazer com que ele seja mais aberto aos pais, né? Aliás, acho que todos nós podemos.

Outro dia cruzei com uma imagem em uma hashtag que eu sigo de memes sobre parentalidade e quis mostrar aqui para vocês. São algumas ideias de perguntas que podemos fazer para nossos filhos ao invés do clássico “como foi a escola”. Uma forma interessante de tentar trazer mais conversas para dentro de casa, e quem sabe, saber mais sobre o que está acontecendo com eles.

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Algo me diz que isso deve ser bem bacana com crianças de 4, 5 anos:

  • O que fez você sorrir hoje?
  • Você pode me dizer alguma gentileza que você viu hoje ou que você mesmo praticou?
  • O que você fez hoje de criativo?
  • Com quem você sentou hoje no almoço?
  • Alguém faltou hoje na sua sala?
  • Me diz alguma coisa que você aprendeu hoje e que você não sabia ontem
  • Qual foi a regra mais difícil de seguir hoje?
  • Se você pudesse mudar uma coisa sobre seu dia, o que seria?
  • O que fez sua professora sorrir hoje?
  • Se você pudesse mudar de lugar com uma pessoa hoje na sala, quem seria? E por quê?
  • Que tipo de pessoa você foi hoje?

Eu sei que algumas perguntas parecem vir diretamente daquele livro “uma pergunta por dia” – e deve ter vindo de lá mesmo. Algumas dessas perguntas também me parecem super difíceis de responder, ainda mais depois de adultos, quando já estamos engessados de tantas caixinhas e padrões que tentamos nos encaixar por uma vida toda. Mas são iniciadores de conversa, são formas de puxar papo que geram reflexão, que geram análise crítica, o que é algo muito bacana de se estimular desde cedo.

Não são perguntas feitas para cumprir a função, são questionamentos que realmente demonstram interesse e atenção. Vi, quis dividir e quis saber também: alguém já testou esse tipo de conversa e viu efeito?

0 em Comportamento/ maternidade no dia 29.08.2018

Você não tá vendo que eu to ocupada???

Pode me confessar, você já se sentiu a pior mãe do mundo porque disse não para o seu filho(a) quando ele(a) pediu para você brincar/ler/dançar/fazer qualquer atividade que te obrigue a parar o que você está fazendo para dedicar atenção exclusiva àquele momento de lazer.

Se bobear isso acabou de te acontecer e por causa do trabalho acumulado no home office, ou na pilha de roupa pra lavar ou até mesmo porque você tava querendo botar o papo em dia com as suas amigas no grupo do whatsapp (até parece que eu vou te julgar por isso), vc se estressou porque praticamente gritou um “NÃO POSSO AGORA” ou um “VOCÊ NÃO VÊ QUE EU TO OCUPADA?” e não atendeu o pedido do seu filho.

Tenho certeza que pra justificar a sua explosão, e pra diminuir um pouco da culpa, você tentou se convencer que criança tem que aprender a ouvir não, que o mundo não gira em torno de seus umbigos e que elas precisam aprender caso contrário vão virar adultos mimados. E essa explicação super vai funcionar. Eu sei. Funciona comigo em diversos momentos.

Só que recentemente eu venho lendo “O ano em que disse sim”, livro sucesso de Shonda Rhymes que eu até hoje não sei por quê eu demorei tanto para ler. Ah, já sei, porque eu tenho uma relação de amor e ódio com ela. Porque ela faz a gente se envolver com cada personagem para depois ir matando todos, um por um. Mas calma, esse post não é sobre isso.

No meio de tanta coisa legal (não vou falar muito porque obviamente farei um book do dia exclusivo), um dos trechos que mais me impactou foi quando ela falou que passou a dizer sim para as brincadeiras das filhas. Não importa se ela estivesse arrumada, prestes a entregar um prêmio importante, se ela estivesse com episódios atrasados para entregar. Se ela estivesse perto das suas filhas e elas perguntassem se ela queria brincar, ela iria dizer sim. E ela passou a encarar esse comportamento não como uma regra, e sim como uma lei que ela mesmo se impôs.

Porque ela é tão workaholic e trabalhar é tão a sua zona de conforto que, como ela diz: “saber que eu não tenho escolha significa que eu não me sinto culpada em me afastar das minhas tendências workahólicas. Eu não sinto remorso em jogar minha bolsa no chão na hora que eu estou saindo de casa para o escritório quando ouço as palavras mágicas – quer brincar?”

Eu não sou workaholic como a Shonda, mas eu sou uma mãe que trabalha de home office, o que significa que se ele não está na escola, aparentemente, na cabeça dele,  eu estou sempre disponível. E as vezes seu tenho que focar em um texto pra fazer, em uma estratégia para desenhar, em uma reunião que to tendo com a Joana pelo Skype e as vezes fica desesperador tentar trabalhar com seu filho querendo mexer no seu computador ou puxando suas calças enquanto grita e chora porque quer atenção. Acabo perdendo essa briga, o único problema é que vou para esse momento tão puta de ter perdido a minha concentração, que eu quase não aproveito. Fico pensando no trabalho que eu deixei pendente para atender aos desejos dele.

tempo-para-brincar

Tenho a sorte e o privilégio de trabalhar com algo que é meu e ainda por cima ter uma sócia que além de madrinha, entende meu lado e segura minha barra. Mesmo assim eu me irrito de não conseguir fazer as coisas no meu tempo, do meu jeito, sem interrupções, sem ter que parar meu fluxo de trabalho para brincar. Nessa hora tento me convencer que me impor e não ceder à gritaria é a chave para não criar crianças mimadas, e na maior parte do tempo eu realmente me convenço disso mesmo. Mas sempre saio chateada dessa situação, não importa se eu aceitei brincar ou não.

Aí, nessa parte do livro, ela fala justamente que ao se obrigar a dizer sim a esses momentos, ela percebeu que nunca passou mais de quinze minutos brincando. Depois disso suas filhas dispersavam e iam fazer outras coisas que não exigiam a atenção da mãe. E no fim das contas, suas filhas estavam felizes e ela também estava feliz porque conseguiu ter um momento dedicado à elas, sem se sentir culpada pelo o que deveria estar fazendo. Um pouquinho de amor, como ela diz.

Resolvi botar na prática essa teoria dela, e não é que Shonda tava certa? Diversas vezes parei tudo que tava fazendo para botar uma máscara do Hulk para lutar contra o CatBoy de PJ Masks (que era ele, claro), fui desenhar, fui ajudar a montar o trilho de trem, fui dançar algumas músicas da trilha sonora de Trolls ou do Mundo Bita. Nem sempre dura 15 minutos, e eu aprendi a desapegar disso (até porque me conheço, e sei que se eu estipulo 15 minutos, eu vou ficar frustrada se esse tempo passa), mas, de fato, essa é a média de interesse que ele me queria junto. E quer saber? Tem sido uma mudança bem incrível.

Eu parei de ficar chateada, ele parou de ficar carente, o resto do dia fluiu de forma mais leve. E até eu fiquei mais leve, porque sempre é bom brincar, dançar descoordenada, desenhar a primeira coisa que vem na cabeça. Voltar a ser criança mesmo. Descobri que dá para fazer isso depois de adulta, e que é muito legal. Nem que seja por 15 minutos, meia hora que seja.

Ainda tenho muitos ponteiros para ajustar, e pelo pouco que já vi nesse mundo de maternidade, sei que muitos deles nunca vão ficar certos, mas e daí? Só de descobrir que me flexibilizar a ponto de equilíbrar me fez bem, ou melhor, nos fez bem. Então tá tudo bem, e divido com vocês. Obrigada por mais essa, Shonda. :D