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Comportamento

2 em Comportamento no dia 06.12.2018

25 dias de gentileza – vamos fazer?

Hoje queria contar aqui uma historinha sobre gentileza.

No final do mês passado, meu marido chegou 6:30 da manhã em uma fila. A porta só abriria as 9, o que significa que seriam 2 horas e meia do lado de fora. Em uma manhã de inverno (aqui em NY, isso significou uma temperatura de 1 ou 2 graus mais ou menos).

Ele estava preparado. Chegou na fila e viu que na frente dele tinha uma família de 4 pessoas que também estavam esperando. Ele balançou a cabeça para eles, botou o capuz do casaco, os fones de ouvido e ficou lá, no mundo dele, vendo algum programa na Netflix.

Em um dado momento, ele percebeu que o pai dessa família saiu. Uns 10 minutos depois, eis que ele volta com um café da manhã completo para a família toda. De repente ele cutuca o Bernardo e dá para ele um croissant: “toma, peguei um para você.”. Bernardo, todo sem jeito, imediatamente recusou: “não, que isso, obrigada, mas já tomei café”. Eis que o homem devolve: “cara, a gente tá nessa fila, nesse frio, estamos todos no mesmo barco, eu comprei pra você então toma, come depois então”. Logo depois eles engataram numa conversa, mas foi só naquele momento. Depois cada um foi para a sua casa e acabou-se a história.

Só que não acabou para o Bernardo. Ele faz questão de falar essa história para cada pessoa que cruza nosso caminho. Ele não esperava uma gentileza vindo de um completo estranho, e isso fez ele se abrir um pouco para o universo. Ainda mais aqui em NY, que o povo na rua costuma ser um tanto quanto frio e apático, apesar de serem capazes de gestos de gentileza inesperados (como sair correndo para abrir a porta se você está com as mãos ocupadas, perguntar qual o andar que você vai só por estar mais perto dos botões ou até mesmo voltar lá do final da escada se reparar que você tá com dificuldade de descer com o carrinho de bebê).

Mas a verdade é que gestos de gentileza são universais.

Não importa se o povo é mais frio ou mais caloroso. Ser gentil e receber uma gentileza são atos que me dão um quentinho no coração. E eu tenho essa fantasia que ao ser gentil com alguém, você meio que força a pessoa a levar essa gentileza para frente. Como foi o caso com meu marido.

Quando vi a Laura, que participou do primeiro piquenique aqui em NY, compartilhando esse calendário da gentileza, na hora quis passar para frente. Traduzi e agora divido com vocês. São pequenos gestos gentis, fáceis de fazer e que podem mudar o nosso dia. E é para dezembro, mas eu sugiro guardar e repetir várias dessas sugestões ao longo do ano.

Se quiser, pode usar também como fundo de tela do seu celular, para funcionar como um lembrete. :)

 

gentileza-calendario

Façam e depois me contem o que acharam! <3

7 em Autoestima/ Deu o Que Falar no dia 04.12.2018

Gordofobia no discurso da Carolina Dieckmann? Sim, temos.

No último sábado, a atriz Carolina Dieckmann participou do programa Altas Horas e acabou dando o que falar. O momento que fez com que toda uma discussão sobre gordofobia acontecesse foi quando a atriz começou a falar sobre a cerimônia do seu segundo casamento. Ali, ela diz ter se casado “obesa” pois casou-se grávida de 6 meses e 20kg acima do seu peso. Serginho Groismann tentou aliviar a tensão que surgiu na plateia dizendo que ela não precisava emagrecer, mas a atriz não entendeu a deixa e terminou falando “mulheres sempre querem emagrecer”. 

Carolina, tenho certeza absoluta que de obesa você não tinha nada. Talvez a sua magreza evidente faz com que você se sinta assim ao ganhar qualquer número de peso. Isso não é obesidade. Além disso, gorda não é sentimento, não vamos esquecer.

>>>>>> Veja também: Pare de dizer que você se sente gorda. Gordura não é sentimento <<<<<<

“Obesas”, da forma pejorativa que você falou, são pessoas que sofrem preconceito por conta da sua forma física. Pessoas que são excluídas socialmente por isso, que não cabem em certas cadeiras, cujo cinto de segurança em um avião não fecha, que não conseguem emprego, que são marginalizadas em atendimentos em serviços de saúde. Você não estava e nunca esteve obesa. 

Mas não é isso que vim aqui discutir. Na verdade, logo depois surgiu uma discussão se houve ou não gordofobia no discurso dela. “Ah, mas ela estava falando dela mesma, não estava falando mal de outros corpos”, foi o argumento princial. 

Não importa para quem ela estava falando isso, a questão é que o discurso dela foi sim, gordofóbico. Vou contar os pontos que me chamaram atenção. 

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“Aquele vestido de noiva….a pessoa branca, gorda, de branco….piorou tudo.” E emenda na frase “Tiago, você precisa me dar a chance de ser uma noiva gata”.

Nessa frase ela explicitamente mostra algo muito comum enraizado. A ideia de que a beleza está na magreza, que estando fora desse padrão não se pode ser bonita.

Lá no grupo do #paposobreautoestima no facebook algumas meninas disseram se sentiram feias por serem ou estarem gordas. Sabe por que elas se sentem assim? E-X-A-T-A-M-E-N-T-E por isso. Como a magreza é associada à beleza, qualquer coisa fora disso se torna feio ou errado.

A Carolina Dieckmann só repete isso pois ela também foi ensinada dessa forma, assim como todas nós. Ela também é vítima desse sistema cruel que faz as mulheres acreditarem nisso. Tão vítima que ela não se deu conta de como sua fala foi problemática. Mesmo com a plateia não reagindo. Mesmo quando o próprio Serginho foi tentar melhorar o clima dizendo que ela não estava gorda. Ela tanto não se deu conta que continuou a falar e a reforçar aquilo que havia começado.

Isso é muito comum em discursos onde não temos lugar de fala. Aquilo não nos dói da mesma forma que dói em quem sofre o preconceito.

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“Magra….porque toda noiva tenta emagrecer”

Taí um hábito que foi socialmente construído e ferra a cabeça de boa parte das noivas. Mas por que toda noiva tenta emagrecer? Casar gorda é fracasso? A ideia de que pessoas gordas são fracassadas está enraizada na nossa sociedade. Há alguns meses eu fiz um texto sobre essa ideia que “não podemos correr o risco de sermos gordas” onde mostro a raiz gordofóbica e o pavor de engordar que assola o mundo que vivemos. E é exatamente essa ideia que permeia o raciocínio de que precisamos sempre estar emagrecendo. 

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“Porque ainda quero esse sonho de noiva, emagrecer pra ficar gata, passar por essa tensão de tentar caber no vestido”

Essa fala é toda problemática porque claramente mostra o pensamento repleto de gordofobia de uma pessoa que nunca foi gorda, muito menos obesa. A pressão para emagrecer que é comum entre as noivas não é um sonho. A tensão para caber no vestido não é essa romantização que a Carolina faz parecer. Ao contrário, é um cenário de horror recheado de gordofobia.

Vemos noivas que não se permitem experimentar os doces e o bolo do próprio casamento para não engordarem. Vemos mulheres tomando remédios tarja preta para conseguirem emagrecer. Vemos noivas que não conseguem aproveitar a própria festa porque estão fracas depois de meses de dieta super restritiva.  Tudo isso por causa dessa ideia de que tem que caber no vestido de noiva, porque noiva tem que casar magra. 

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“Coisa de mulher que quer sempre emagrecer”

Temos que PARAR COM ISSO de que “toda mulher quer emagrecer”! ”Toda mulher quer perder aqueles 2 quilinhos”. NÃO! Esse senso comum precisa ser extinto! Muita gente que atendo diariamente no meu consultório chega com a demanda de querer emagrecer, e na maioria das vezes, chegamos a conclusão de que essa demanda nem é delas. Muitas descobrem que levam essa crença enraizada, mesmo não acreditando realmente nela. 

>>>>>> Veja também: Qual o peso a palavra magra tem na sua vida? <<<<<<

Somos todas vítimas dessa sociedade? Sim, somos. Somos todas vítimas desse padrão? Também somos. Mas não podemos sair falando qualquer coisa por aí. Ainda mais você sendo famosa e tendo um discurso de longo alcance, em um programa de televisão de tv aberta.

Temos que prestar mais atenção à toda discussão que tem sido feita de forma bastante saudável sobre inclusão, representatividade e gordofobia. Para quebrar preconceitos e unir as pessoas, independente do seu formato de corpo, cor, orientação sexual, religiosa ou o que quer que seja. Acho que isso faltou à Carolina. Soou como um discurso total de peixe fora d’água.

2 em Comportamento/ maternidade no dia 30.11.2018

Desfralde, o momento que mais me aterrorizava me trouxe muitos aprendizados

De todos os desafios da maternidade, preciso confessar para vocês que tinha um em específico que me deixava de cabelo em pé: o desfralde.

Todas as amigas que têm filhos com idade próxima já tinham passado por isso.  Algumas eu acompanhei de perto. Era xixi escorrendo pela calça no meio do supermercado. Amiga levando penico portátil para o parque. Tive amiga mais radical que passou um dia sentada no chão do banheiro fazendo intensivão de desfralde. E as pilhas e mais pilhas de roupas para lavar, claro. CABELO. EM. PÉ.

Meus pais me cobravam. Achavam um absurdo ele estar com 2 anos (depois 2 anos e meio, depois quase 3) e ainda usar fraldas. Quando eu responderia que eu achava que ele ainda não estava pronto, eles diziam que era frescura minha.

Olha, pode até ser. De fato eu aproveitei que a escolinha não exige crianças desfraldadas e prolonguei esse momento o máximo possível. Não sei como é no Brasil, mas aqui eles têm todo um respeito por esse período. Pela primeira vez eu ouvi que se a gente forçasse antes da hora, poderíamos criar traumas.

E por mais que ele estivesse se interessando no banheiro quando via os amigos já desfraldados, eu juro para vocês que eu sentia que ele não estava pronto ainda.

ATENÇÃO, AS CENAS A SEGUIR SÃO FORTES – EVITE LER SE VOCÊ ESTIVER COMENDO.

Se a gente não notasse o cheiro, ele ficava com fralda cagada por minutos e mais minutos sem reclamar. Você via ele fazendo aquela cara suspeita, perguntava se ele queria fazer cocô e ele dizia que não. Quando ia checar, lá estava ele. Enfim…Como eu achava que ele estava pronto se ele não me dava sinais?

Há 3 semanas eu tomei coragem. Meu marido estava doente, o fim de semana era de chuva, os planos seriam de ficar o dia em casa. Achei que a hora era aquela e resolvi trazer um pouquinho de emoção.

FOI O CAOS. Claro.

Passamos o fim de semana limpando cadeira, chão, sofá, tapete. E muitas e muitas pilhas de roupas para lavar, claro. Mas quer saber? Não foi todo esse bicho de sete cabeças que eu imaginava.

Sim, tivemos que melhorar nossa logística para incluir uma ida ao banheiro antes de sair de casa. E outras quando encontrávamos qualquer banheiro pelo meio do caminho. Tivemos uns acidentes que fizeram a gente sair correndo de onde estávamos. Algumas (poucas, ufa) cuecas jogadas fora. Mas foi tudo muito mais simples do que eu achava.

As pilhas de roupa, que eu tanto achei que seria a pior parte, foram tranquilas. Os acidentes que eu achei que iam me deixar louca, até deixaram… por 2 dias. O resto foi fácil de contornar.

desfralde

Talvez ele até já tivesse pronto para o desfralde há mais tempo, mas achei que respeitar o tempo dos pais também é um fator importante. A impressão que eu tive foi que conseguimos passar pelo processo de forma mais calma, com menos pressão. Aquelas histórias que eu vi acontecendo com amigas minhas não aconteceram comigo. Pela primeira vez nós fomos mais no instinto do que nas dicas alheias. E olha, foi a melhor coisa!

Agora surge uma nova questão que eu acho que vou querer ajuda dos universit  de quem é mais experiente: como vocês fazem com as milhares de vontades de fazer xixi e coco antes de dormir? Ou então quando você está no restaurante e ele pede de 5 em 5 minutos para ir no banheiro, só porque é divertido passear pelo restaurante?