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Destaque

1 em Destaque/ maternidade no dia 11.07.2018

A melhor foto de pós parto que eu já vi (e como as pessoas julgam, não é mesmo?)

Essa semana participei de um post lá no grupo do Papo que temos no Facebook, onde uma foto postada não saiu da minha cabeça durante a semana toda.

A imagem do pós parto da blogueira australiana Constance Hall, registrada maravilhosamente por Trina Cary, mostra uma cena de pós parto um tanto quanto inusitada. A mãe, sentada na cama, está tomando um refrigerante e olhando para o celular enquanto o bebê está sendo cuidado pelo pai do outro lado da foto.

constance-hall

Quando eu vi a foto pela primeira vez, fui seriamente impactada por um alívio muito grande. Um alívio que eu nem esperava sentir. Um alívio que só aconteceu porque eu romantizava demais o momento pós parto, mais até do que o parto em si.

Eu jurava na minha cabeça cheia de referências hollywoodianas e de fotos do instagram, que a jornada na maternidade no dia do parto seria igual aos registros fotógraficos que eu já tinha visto. Repleta de momentos cheios de sentimentos tão viscerais. Achei que ia chorar copiosamente a ponto de gritar, que iria ficar inebriada e só ter olhos para o bebê e que imediatamente todos os meus interesses se diluiriam para focar apenas naquela pessoinha nos meus braços. Que eu iria virar uma leoa, uma pessoa completamente diferente, uma mãe. Não foi isso que aconteceu comigo.

Ou melhor, o momento mais inesquecível da minha vida com certeza foi o momento que eu vi o Arthur pela primeira vez. Mas quando o peguei nos braços, não tinha leoa, não tinha mãe, não tinha choro dramático, não tinha foco. Eu era apenas eu, segurando meu filho, assustada com o que viria pela frente, sem entender direito as proporções de mudanças que aconteceriam com aquela pessoinha tão pequena que eu havia acabado de conhecer. E um pouco incomodada com a falta de sensibilidade nas pernas, por causa da cesárea.

Lembro que quando voltei do quarto de recuperação, umas 3 horas depois do parto e já sentindo meu corpo todo novamente, fiquei esperando trazerem o Arthur para o quarto. E nessa espera, fiz algo que eu jurava que não aconteceria no dia que ele nasceu: pedi o celular. Centenas de mensagens de pessoas próximas nos parabenizando e querendo saber como tinha sido. Gente que eu nem sabia como tinha ficado sabendo do nascimento (ah, lembrei, meu pai foi um dos primeiros a postar no instagram). Ligações, whatsapp, Facebook. E eu ali, respondendo com poucas horas de atraso e recebendo mensagens surpresas por eu ter respondido tão rápido. Amigas que não eram mães e que, assim como eu até à véspera do meu filho nascer, não sabiam que existia vida no celular no mesmo dia do parto.

Ali, naquele momento, me caiu a ficha de que eu estava sendo ingênua por achar que o que eu via em 20 ou 30 fotos era exatamente aquilo que acontecia durante toda a estadia no hospital. Da mesma forma que não sabemos de fato da vida de ninguém que seguimos nas redes sociais, não dá para entender a real dimensão de um parto/ pós parto, só olhando ensaios de maternidade.

Mesmo não tendo contratado fotógrafa para esse momento, eu tinha na minha cabeça um roteiro de todos os clichês que iriam acontecer: nós na mesa do parto segurando o Arthur (essa foto a gente até tem rs), ele pegando no dedo de um de nós e esse fragmento ficaria eternizado como um símbolo de confiança e amor entre nós, Bernardo apresentando o Arthur para a família atrás de um vidro, enfim…Lembre de qualquer foto típica de ensaio de maternidade, que ela com certeza está presente no meu roteiro imaginário.

É por isso que eu achei essa foto da Constance tão genial. Porque esse momento da mãe pós parto, tirando um momento para dar uma olhada no celular e comer alguma coisa é impactante porque foge do padrão que estamos acostumadas a ver quando o assunto é maternidade, mas é muito real.

Você olha as fotos de outras mães que comentaram no perfil da Constance no Facebook e muitas mulheres se identificaram e postaram fotos com sacos de biscoito, com caixa do McDonald’s, com alguma coisa que elas estavam loucas para comer depois de ter tido o filho.

Nunca entenderei a quantidade de comentários negativos (a maioria foram apagados já) que essa foto teve e os julgamentos que Constance recebeu. Mas entendo que é uma foto provocativa e de certa forma incômoda, justamente porque ela quebra muitos paradigmas que não estamos acostumadas a ver quando entramos na seara da maternidade. Não é só a mãe ocupada com outra coisa além do filho recém nascido, é também o pai, que deixa de ser coadjuvante (o que é bom comum nesse tipo de registro) e vira um segundo protagonista. Ele não aparece ali apenas segurando o filho para mostrar para a família ou apoiando a mulher enquanto ela está ali naquele momento de criação de laços com o filho recém parido. Ele está cuidando, sendo pai, não aquele que “ajuda” e sim o que mete a mão na massa porque sabe que ele também faz parte desse momento.

E para quem sentiu falta de algo mais romantizado,  as outras fotos que a Trina Cary tirou do dia têm tudo aquilo que a gente gosta de acompanhar. A expectativa do parto, a emoção de conhecer o filho, o companheirismo do casal, e até mesmo o protagonismo do pai em outros momentos, tudo está registrado. Mas é claro que só essa gerou polêmica. Será que era mesmo necessário?

  • Obrigada Jacqueline, por ter trazido um tema tão bacana para o grupo. :D
0 em Autoestima/ Comportamento/ Destaque/ entretenimento no dia 05.07.2018

Sexy por Acidente, aquele filme que não poderia ser mais #paposobreautoestima

Em 8 anos de blog, nós nunca tínhamos sido lembradas e associadas à algo que tivesse a cara do nosso trabalho. Normal, por muito tempo esse blog era feito com muito amor mas não tinha nenhuma característica forte definida. Mesmo depois de termos criado o #paposobreautoestima e esse movimento ter ganhado vida própria, começamos a ser associadas com muitas histórias, frases e matérias, mas ainda não tínhamos vivido esse movimento da forma e intensidade que vimos quando o filme Sexy por Acidente foi lançado.

Amigas nossas que trabalham com imprensa e viram o filme em primeira mão já haviam falado com a gente há alguns meses. Quem mora aqui nos Estados Unidos – onde o filme foi lançado antes mas infelizmente eu não consegui ver – começou a nos mandar mensagens. Uma agência inclusive nos procurou para fazer uma ação para o lançamento desse filme e até sugerimos uma ação diferente, mas não fomos respondidas. Aí o filme lançou, e quando isso aconteceu, nosso direct simplesmente explodiu: “É a cara do papo!”, “é tudo o que vocês falam!” “é incrível!”. Bem, e daí que não rolou nenhuma ação, né? Não dava para não falar desse filme que, de fato, era a nossa cara.

Quando vi o trailer pela primeira vez confesso que fiquei um pouco desanimada. Ele lembra muito aquele filme “O Amor é Cego”, onde o cara é hipnotizado para ver apenas a beleza interior das mulheres e se apaixona por uma mulher gorda, que só ele tem certeza que tem a cara e o corpo da Gwyneth Paltrow. Durante quase 2 horas vemos aquele show de gordofobia que há quase 17 anos, infelizmente, era visto como piada.

A ideia de Sexy por Acidente parece a mesma, mas só parece (atenção, spoilers a seguir!): Amy Schumer interpreta Renné Bennett, uma mulher insegura e que tem como maior sonho ser bela, bate a cabeça e quando acorda, passa a se enxergar bonita. Em alguns momentos confesso que fiquei meio cabreira. Por exemplo, quando ela acorda ela pergunta para a mulher da academia se ela está vendo seus braços tonificados, sua barriga dura e afins, e eu só consegui pensar “putz, lá vai ela achar que virou padrão e só enxergar sua beleza por causa disso, nada de novo sob o sol dos filmes de Hollywood, não é mesmo?”.

Só que não. Achei maravilhoso que, por mais que ela passe a se enxergar de outra forma, em nenhum momento ela muda algo em seu corpo ou passa a mensagem que precisamos ser diferentes para sermos bonitas ou, mais importante, nos sentirmos bonitas. A autoconfiança, muito mais que a beleza, realmente vem de dentro e acaba refletindo fora.

Fica claro no filme que a insegurança que ela tinha vinha sempre da comparação que ela fazia com mulheres que ela considerava bonitas, e no momento que ela se botou em primeiro lugar e parou de olhar para o que as outras mulheres tinham (e consequentemente o que ela não tinha), tudo fluiu. Ela arrumou o emprego dos sonhos, parou de se importar com a opinião alheia e até arrumou um cara bacana, mesmo que esse não seja o objetivo do filme. Só que aí vamos para outro momento de tensão (e mais um spoiler): ela começa a exagerar na dose.

Me peguei tensa novamente porque fiquei com medo da mensagem que o filme poderia passar, afinal, ainda vivemos em um mundo onde a mulher que se ama demais e reconhece seus pontos fortes é vista como arrogante. E no filme, quando ela se vê bonita e passa a se sentir segura em sua própria pele pela primeira vez, ela começa a ter atitudes exageradas a ponto de suas amigas se afastarem, por exemplo. A arrogância até pode existir, mas ela não é uma característica inerente de uma boa autoestima, e fiquei realmente com medo do filme incentivar isso de uma forma. Mais uma vez fui surpreendida e não foi isso que aconteceu.

O slogan do filme é: "mude tudo sem mudar nada". E faz todo sentido!

O slogan do filme é: “mude tudo sem mudar nada”. E faz todo sentido!

A mensagem final me tirou algumas lágrimas dos olhos. Engraçado um filme bobinho e despretensioso ter feito isso comigo, mas fez. Em diversas partes eu me vi representada e me senti de certa forma vingada. É libertador ter sido criada em uma geração que endeusa O Diabo Veste Prada (e eu faço parte desse time) e poder ver um filme onde a personagem principal é ela mesma do começo ao fim e consegue tudo que ela quer sem precisar se adequar, se hipnotizar e, como Renné descobre no final, também não precisava ter batido a cabeça. Como eu falei no post de outro dia, não é um processo fácil chegar no ponto de equilíbrio, não se constrói uma autoestima boa e sólida no passe de mágica, e sim no olhar amoroso, que é o que acontece quando ela percebe que sempre foi a mesma pessoa. 

A autoconfiança e o amor próprio é algo que vem de dentro, e esse filme deixa isso muito claro. Quem estava na dúvida, pode ver sem medo. Vale a pena. :)

1 em Comportamento/ Destaque/ feminismo no dia 02.07.2018

Será que os rapazes do episódio “bucet* rosa” eram mesmo tão idiotas ou imbecis?

Já passou um pouco da tensão da “buceta rosa” e em meio a muitos posts que foram feitos, eu ainda fiquei com algumas coisas pra dizer, algumas epifanias de uma leiga que sentiu um nó na garganta que foi difícil de engolir. Muita coisa já foi dita, mas algumas coisas foram pouco exploradas e é nesses detalhes que moram os risco. Nesse tempo de muita informação viajando por aí, chamar os caras de imbecis ou idiotas é fácil, pensar que muitos amigos que amamos poderiam ter feito exatamente a mesma coisa é que me dói. Afinal, nós sabemos que o problema não eram eles, o problema são as crenças enraizadas e inconscientes que estão aí, transitando como verdade pra toda uma galera da minha geração.

Que fique claro já no começo desse post que eu não acho que o comportamento objetificador daqueles caras reflete ou representa a postura de todo homem branco e hetero desse país, mas a objetificação de mulheres, que são resumidas à vaginas, bundas ou peitos está aí pra todos. Que me ataque uma pedra o primeiro cara que não recebeu um meme machista de um amigo objetificando uma mulher na última semana!

Vocês acham mesmo que simplificar a questão chamando eles de machistas imbecis e idiotas soluciona a questão? Nossa, pra mim é tão mais grave. Precisamos sentar com nossos amigos, pedir pra que eles nos escutem e precisamos praticamente desenhar como é estar no nosso lugar. Eles não fazem ideia de como é estar sozinha em uma rua escura, perceber que tem alguém atrás de você e se aliviar ao ver que é uma mulher. Eles não fazem ideia do quão desconfortável é pegar o metrô e ser  surpreendida por um pau duro encoxado em você. Tão pouco o que é um velho parado no carro batendo punheta olhando pras meninas que conversam na rua. Eles não sabem como é passar por uma obra e ouvir que eles seriam todos chupados. Poucos deles conhecem o risco eminente da cultura do estupro. Parece que o mundo tá ficando chato porque eles precisam selecionar suas brincadeiras, mas isso só acontece porque estamos agora falando sobre abusos que antes eram socialmente estimulados.

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Eu não vou dizer que eles são idiotas e encerrar esse assunto. Não vou mesmo. Poderia ser meu namorado, meu irmão, o marido de uma amiga, e por esses caras que eu amo, eu não vou deixar o assunto morrer assim. Porque eu preciso que de alguma forma eles entendam que não é sobre aquele amigo babaca que faz dessas coisas, é sobre uma sociedade que faz dessas coisas. Não quero que eles se sintam atacados na sua individualidade e tampouco que se sintam perdendo direitos, porque eles na verdade, eles só estão perdendo o direito de serem bobos e infantis. Eu pessoalmente quero união, troca e soma, porque separação e segregação deu nisso, dá nisso.

O que aconteceu na Rússia não é exceção. Gente, o que aconteceu na Rússia é o comum, é o que rola na conversa do amigo do seu namorado, do meu também. É o que acontece em todo lugar, principalmente nos grupos de Whatsapp. O que aconteceu na Rússia é o que faz muito cara que a gente adora rir, nem que seja pra não se sentir deslocado pelo amigo. E é com essas pessoas que nós amamos que precisamos conversar sobre o tamanho do absurdo cotidiano que é o episódio da “buceta rosa”.

Lacrar na crítica do facebook nós já estamos fazendo, mas estamos conseguindo voz e silêncio para escutar os caras legais que estão ao nosso lado? Estamos conseguindo falar num tom que gere reflexão? Estamos sendo escutadas por quem foi criado pra fazer isso? Não sei.

Claro que não to invalidando toda crítica que aconteceu em cima do episódio, de forma alguma. Acho inclusive que esse ataque todo acaba sendo fundamental para que os homens entendam que existe a hora de sentar e ouvir. Em lugar de privilégio, é fácil achar que o mundo tá chato, afinal, não é você que tem medo, que foi oprimido ou que é silenciado. Conviver ou respeitar não significa não ter preconceito. Vivemos numa sociedade onde o preconceito é muito mais velado e enraizado do que imaginamos. De alguma forma ele está socialmente presente em nós, por isso a tomada de consciência é tão importante, por mais incômoda que ela seja.

Quanto mais a gente escolher o caminho do autoconhecimento, da empatia e do respeito ao sentimento do outro, mais vamos descobrir que não somos tão bons e tão perfeitos quanto achávamos, e está tudo bem. Esse risco de aparecer em um vídeo fazendo uma brincadeira sobre buceta rosa era inerente a muitos caras, e por mais ultrajante que seja, precisamos considerar que no micro universo isso acontece todo dia e precisamos gerar uma consciência maior de tudo isso, até mesmo para exigirmos o respeito que merecemos. Mas esse respeito não deve vir por essa fraternidade deles, deve vir porque somos humanos e nossas vidas valem o mesmo peso.

Nesse episódio, uma das coisas que mais me incomodou foi a justificativa de um dos caras depois do vídeo ter sofrido represálias. “Estão acabando com nossas vidas, eu sou pai de família, tenho mulher”. Bem, se você precisa explicar que não tem preconceito porque você até convive ou respeita com alguém parecido, você pode já estar vendo esse outro como inferior sem nem notar. Fingir que não temos um problema não está funcionando e reconhecer essa questão pode ser um começo pra de fato abrirmos mão de enxergar o diferente como menos. Ele só não é igual a mim ou a você, sem juízo de valor, nem melhor, nem pior. A hora que tirarmos o juízo de valor do gênero estaremos falando que nossas vidas valerão a mesma coisa.

Para mim o problema não é os caras serem idiotas ou imbecis. Acho que o buraco é bem mais embaixo, vem lá da criação de homens da geração do “engole o choro que isso não é coisa de homem”. Ao meu ver, esse tipo de homem precisa de ajuda pra sair da bolha. Pelo o que conversei com homens ao meu redor, vejo que muitos, no alto de seu lugar confortável, não conseguem ver os absurdos que nos sujeitam. Pensando nisso, sempre lembro de  “Eu não sou um homem frágil”, filme francês que está na Netflix e é um exemplo perfeito do incômodo que é pensar de forma invertida – ainda que eu ache que o estereótipo da mulher com muita energia do masculino não ajude no processo. Eles precisam nos ouvir, seja o dia do abuso que eles não souberam, seja daquele cara que forçou ou tirou a camisinha no meio, seja do garoto que beijou a gente à força, eles precisam se permitir sentir a impotência que a gente sente, pra isso a gente precisa poder conversar.

Eles precisam baixar a guarda e escutar e o maior desafio aqui é conseguirmos encontrar o tom de voz que promova um real diálogo. Nunca irei julgar a mulher com o discurso mais inflamado, acho que feministas radicais são essenciais para trazer assuntos urgentes à tona, mas sigo vendo mais resultado em falas mais calmas e amorosas, acolhedoras e empáticas, menos julgadoras e mais elucidativas.

dois pesos, duas medidas | @veganaeasuamae

dois pesos, duas medidas | @veganaeasuamae

Eles não são uns meros imbecis. Eles foram criados pelo machismo enraizado que incentivava essas brincadeiras que sexualizam a mulher e as colocam como um pedaço de carne que não tem sentimentos. Eu não quero isso mais, isso me enoja, mas eu respiro fundo e tento conversar com todo cara que não é limitado e consegue REFLETIR, ESCUTAR e RESPONDER as questões em pauta, não apenas falas hipotéticas decoradas. Nem todos vão escutar ou mudar, alguns vão atacar e silenciar, outros vão nos tirar do sério, mas eu não vou desistir de tentar.

Se estão achando que é tempestade em copo d'água eles não entenderam nada. | @empodereduasmulheres

Se estão achando que é tempestade em copo d’água eles não entenderam nada. | @empodereduasmulheres

Na minha geração sempre se passou pra frente a sensação de que uma mulher é uma espécie de domínio público pra objetificação. Esse conceito precisa ser revisto. Eu acredito que tudo é possível. Sempre tive um gênio indomável, mas os conceitos machistas do meu pai foram perdendo a força depois dos meus 18 anos. Vejo claramente seu processo de desconstrução e, no alto dos seus 66 anos, posso dizer que tenho um pai feminista. O cara que antes não queria me deixar ir fazer um mochilão na Europa aos 21 porque eu iria só com mulheres sozinhas, hoje tem pensamentos mais modernos e feministas que minha mãe, que nutre algumas doses estranhas de conservadorismos aleatórios. E não, não é só meu pai. O meu namorado atual me impressiona na sua desconstrução diariamente. Nessas horas entendo por quê programas como Pânico na TV deixaram de ter o mesmo espaço e saíram do ar. Aos poucos as coisas estão acontecendo e todo barulho feito está plantando sementes, mas nós podemos ajudar a regar e acelerar essa colheita.

Eu acredito num Brasil onde os caras mais bacanas vão explicar pros amigos os equívocos e riscos dos memes do mesmo jeito que eu uso o meu lugar privilegiado de mulher branca pra falar da seriedade dos problemas do racismo. Eles precisam nos escutar genuinamente, nos dar lugar de fala, mas também precisam nos ajudar se não quiserem ser os próximos reduzidos a imbecis ou idiotas, porque se o mundo não mudar… Isso vai acontecer de novo e alguém que amamos pode ser o próximo imbecil ou idiota.