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2 em Autoestima/ Convidadas/ Destaque/ Juliana Ali/ Reflexões/ Semanas da Moda no dia 17.03.2017

De camisola na fashion week

Ainda lembro bem da primeira vez que pisei em uma semana de moda. Eu tinha uns doze ou treze anos, era a virada dos anos 80 para os anos 90. Minha mãe trabalhava na Revista Nova na época (que hoje se chama Cosmopolitan) e conseguiu dois convites para que eu e minha irmã fôssemos assistir ao desfile da G (que hoje se chama Gloria Coelho) no Morumbi Fashion (que hoje se chama São Paulo Fashion Week).

Pois é. De lá para cá, passaram-se mais de 25 anos e a revista mudou de nome. A grife mudou de nome. A semana de moda mudou de nome. Só que a única coisa que realmente mudou no mundo da moda foram os nomes. O resto é bem parecido até hoje. Quem manteve o nome nessa história que vou te contar agora fui só eu, que continuo me chamando Juliana mesmo. Ah, mas eu mudei. Mudei muito desde então.

Eu estava empolgadíssima no dia em que fui ver meu primeiro desfile. Pensei muito naquele look que iria usar. Nenhuma das minhas roupas parecia ser digna de um momento tão incrível, que aliás era justamente sobre usar as roupas mais sensacionais, pensava eu na minha cabeça de criança. Então tive uma idéia. Peguei uma camisola de cetim que eu tinha. Ela era branca com bolinhas pretas. Ia até os joelhos, era assim meio soltinha, e tinha um decote combinação (até hoje meu tipo de decote preferido). Coloquei uma camiseta branca por baixo. Nos pés, sapatilhas pretas. E assim fui assistir ao desfile da G. Me achei linda quando olhei no espelho. Me senti um pouco contraventora, como sempre gostei de ser, aquariana que sou. Fui ao meu primeiro fashion week de camisola.

 

Por incrível que pareça, não lembro absolutamente nada sobre o desfile. Nada. Mas lembro que saí de lá com um gostinho estranho na boca. Vi tantas mulheres que me pareceram tão lindas, tão diferentes de mim, tão melhores do que eu. Elas eram enormes, altas, pernas gigantes, pareciam umas Barbies – eu ainda brincava de Barbie. Pareciam mulheres, enquanto eu era uma criança. Mal sabia eu que, na verdade, elas também eram crianças, meninas, talvez três ou quatro anos mais velhas que eu apenas. Me senti inadequada, eu tão baixinha, pequena, tão criança, tão sem maquiagem, com os cabelos cacheados supercompridos caindo de qualquer jeito. Elas tão montadas e maravilhosas e magras e altas.

Tive inveja. Muita inveja.

Mais tarde, já jornalista, fui trabalhar com moda. Passei a maior parte da minha vida indo a todos os SPFW. Duas vezes por ano, lá estava eu, trabalhando que nem doida. Se tinha Fashion Rio, lá estava eu também. E estive em muitas semanas de moda internacionais durante esses anos todos. Sempre, sempre, saí desses lugares com a sensação que a Ju de treze anos teve ali, de camisola: um gosto estranho na boca.

Inveja. Sensação de inadequação. A impressão de que eu nunca conseguiria atingir aquele padrão. E nunca consegui mesmo. Tenho 1,60m de altura. Sempre fui magra, mas padrão de modelo?

Eu queria ser assim, como elas, naquela época. O mundo estava me dizendo que assim que era o lindo! Que assim que as roupas ficariam boas em mim! Me sentia horrível com todas as minhas roupas. Sempre demorei horas e horas pra escolher um look. Porque tava tudo um lixo. Saía com a auto estima em frangalhos de todas as semanas de moda em que estive. Tanto aos 20 anos, quanto aos 30.

E não era só eu, minha amiga. A maioria das mulheres estava se sentindo assim todo esse tempo, mas ninguém dizia isso umas para as outras. Eu mesma não dizia para NINGUÉM. Até as modelos, muitas delas, também estavam se sentindo erradas, gordas (!!) e insuficientemente “perfeitas”.

Minha sorte foi que nunca pirei de verdade, por ter sido criada por uma mãe que passou a vida me dizendo que eu era linda, maravilhosa, essas mães que te botam pra cima desde o dia em que você nasce. Isso faz muita diferença. Conheci pessoas que desenvolveram anorexia, bulimia, tomavam remédios, passavam dias sem comer, ficavam completamente desesperadas tentando ser magras. Que gastavam todo o seu dinheiro suado comprando roupas e acessórios ricos para usar no SPFW, porque afinal tem que ter grife, tem que ter glamour. Tentando ser “lindas” para a semana de moda.

Há um ano, mais ou menos, confesso que peguei bode de tudo isso. Fui percebendo que o mundo foi mudando e a moda foi ficando parada. Enquando “aqui fora” a gente celebra a diversidade, todos os corpos, cores, estilos de vida, jeitos de ser, a moda ainda continua promovendo o padrão branco-loiro-cabelo liso-magro de 1989, quando estive no desfile da G.

Cansei. Pulei fora. Me sinto absolutamente maravilhada com o fato de que não faço a unha e nem compro roupa nova há mais de um ano. Parei de alisar o cabelo. Cortei curtinho. Não uso mais maquiagem, nem salto alto. Não faço regime há quase três anos. Não pretendo fazer mais no futuro, também. Nunca tive a autoestima tão alta. Tenho 40 anos, e me acho o máximo.

Nesse exato momento está acontecendo o SPFW. No último fim de semana meu marido disse, “amor, segunda começa o fashion week, né?”. Respondi: “Sei lá. Começa? Não tô sabendo.”

Enfim, é SPFW, como o Fernando me avisou outro dia, já sei. Estou aqui em casa, e não dentro de uma sala de desfile. Mas estou acompanhando o último SPFW, escrevendo esse texto e de camisola, assim como acompanhei o primeiro. E assim fecha-se um ciclo para a Juliana, a única que não mudou de nome.

1 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 14.03.2017

Depois de você…

Os últimos meses foram os mais estranhos da minha vida “amorosa”. Entre aspas mesmo porque nem sempre teve amor mas teve afeto, amizades coloridas, rolos enrolados ou apenas uma fase de conhecer alguém que ficou poucos meses mas que trouxe algo novo.

Depois de você parece que eu reajustei vários pontos da minha vida mas perdi o fio da minha meada amorosa. Depois de você parece que tudo que dava certo começou a dar lugar a clichês – que são ótimas pautas para o blog, mas são cansativos pra mim.

Desde que pedi pra você ir embora nada fluiu. Eu não consegui reabrir a porta, nem pra você, nem pra ninguém. Sair de casa pra encontrar outro cara soava estranho, mesmo eu sabendo que eu nunca mais iria sair de casa pra encontrar você, independente de qualquer outra coisa.

Uns 3 meses depois que você se foi para viver sua vida, seu processo e suas escolhas eu resolvi que iria tentar de novo. De cara achei que tinha achado um amigo que podia ser colorido, mas foi bem mais pesado do que isso. O cara era o rei do casual – o que não era um problema pra mim, aliás era uma solução – mas as regras eram tão claras, rígidas e pré estabelecidas que eu não consegui ser eu mesma. Pelo menos eu disse isso pra ele, era tudo tão engessado que minha espontaneidade ficou de fora e considero que sem ela eu sou apenas mais uma na multidão. Encontro veio, encontro foi e levei aquele tal primeiro bolo. Pronto, foi o suficiente pra eu broxar e voltar pra estaca zero, voltar pro casulo.

Nessa hora eu tive saudade de você, da forma como você conseguia se deixar, se entregar e relaxar, ainda que a gente acreditasse que não havia amanhã. E não havia mesmo. Com você eu aprendi que preciso de fluidez, naturalidade e vontade pra desejar de verdade a outra pessoa. Seja por uma noite, seja por uma vida.

Depois eu comecei a sentir raiva de você, porque antes de você eu não costumava ficar no casulo. Eu via potencial de encontros divertidos em muitos caras, eu me propunha experimentar, eu olhava o copo das opções sempre meio cheio. Eu testava diferentes experiências e me divertia fazendo isso. Agora parece que tudo ficou meio chato, todo mundo está meio cinza.

Depois de você pouco virou realmente pouco, sinônimo de não valer a pena mesmo. Eu elevei meus padrões, todos eles. Eu resolvi que quero mais do meu tempo livre, mais de um encontro e mais da vida como um todo. Agora dá preguiça sair de casa se eu não achar mesmo que vai ser legal. Essa tal preguiça me prende no casulo ou o casulo me traz tal preguiça?

Eu não posso falar com você, ligar pra você ou mesmo falar de você, nem o contrário. No entanto não posso ignorar que existe a vida antes e depois de você, um marco que eu criei devido às experiências que eu tive naqueles dias. Não foi você quem mudou, fui eu. Você só voltou a ser você e eu descobri um novo eu.

Curioso como agora eu já não lembro do seu cheiro, eu fecho o olho e não lembro do seu rosto, seu beijo já não tem forma na memória, aos poucos eu sei que vou esquecer tudo. Era química ou física, mas na matemática a equação de nós dois nunca fez sentido lógico. E não dói mais encarar esses fatos.

Depois de você até as expectativas do outro extremo me sufocaram. Não importou o cara ser ótimo, só o fato dele estar procurando um relacionamento já me deixou sem ar. Eu não consigo mais me sentir uma peça de quebra cabeça a ser encaixada num espaço de formato pré definido. Um dia o vento pode me levar a isso, mas uma mão tentando me encaixar numa vaga disponível também não funciona pra mim.

Hoje estou de volta no casulo.

Eu quero virar borboleta de novo na minha vida afetiva, seja por amor, seja pelo sassarico, mas precisa ser por mim. Eu preciso fazer isso pra viver algo leve, divertido e despretensioso. Sem a pretensão de nunca se envolver, sem a pretensão de dar certo, com a intenção de ser apenas leve, apenas divertido, só por hoje.

Porque depois de você, eu quero ser bem tratada e tratar bem, por um dia ou por uma vida inteira. No meu tempo. Quando eu tiver vontade, quando eu conseguir. Até lá, quero começar a deixar esse casulo pra me divertir, nem que eu volte pra ele no dia seguinte.

Depois de você eu só não quero mais ficar inerte, porque me escondo tanto no trabalho que termino assim, paralisada. Depois de você eu preciso quebrar meu próprio paradigma que eu mesma criei.

Podia ser apenas um fim, mas depois de você foi mais do que isso pra mim.

1 em #futiindica/ Comportamento/ Destaque/ Estados Unidos/ NYC/ Viagem no dia 08.03.2017

Sendo linda em Nova York sob as lentes da Martha Sachser

Em 2015, quando fomos juntas para Paris, nós fechamos com um fotógrafo para nos ajudar com as entregas de um cliente de moda. No fim das contas, o que era para ser um dia de trabalho acabou eternizado em fotos pra lá de especiais tendo como cenário uma das cidades que mais amamos no mundo.

Depois desse dia nós passamos a dar muito valor a um segmento que nunca tínhamos dado tanta atenção: ensaios fotográficos em cidades turísticas.

Não importa se você está viajando sozinha ou acompanhada, no fim todo mundo mostra as fotos de viagem falando as mesmas coisas: “ah, essa não ficou tão legal porque a pessoa não sabia tirar foto” ou “pois é, só fiz selfie nessa viagem porque fiquei com vergonha de pedir para tirarem pra mim”. E tem lugares que a gente se contenta com fotos mal tiradas e selfies intermináveis com o ponto turístico lá no fundo, mas tem outros cantos do mundo que voltamos arrependidas por não termos registros melhores, não é?

Por exemplo, a minha lua de mel. Hoje olho as fotos que tiramos e apesar de amar relembrar os momentos, fico com pena de ter registros tão turísticos e tão pouco comemorativos. Se na época eu soubesse que existia um fotógrafo com esse tipo de trabalho, eu teria contratado sem nem pestanejar.

Quando a Jô veio para cá em 2016, a história era quase igual à de 2015. Outro cliente de moda, outra necessidade de fotos incríveis, a única diferença é que saiu Paris, entrou Nova York como pano de fundo. Nem tivemos dúvidas na hora de bater o martelo, queríamos alguém com esse olhar de ensaio fotográfico usando o cenário novaiorquino a nosso favor. Foi aí que encontramos a Martha Sachser.

A Martha é conhecida pelo seu blog NY & About, que reúne muitas dicas ótimas daqui (ela tem um livro com sugestão de roteiro na cidade também!) mas além de blogueira ela é uma fotógrafa com olhar muito especial.

Eu sou apaixonada pelas fotos de casais, mas não dá para negar que a Martha também arrasa nas fotos de moda. Ela já fotografou várias blogueiras conhecidas como a Lu, a Priscila, a Bruna, a gente ahahaha Eu amo como o olhar dela é delicado e atento, de gente que conhece bem a cidade e sabe usar seus cantinhos a favor da pessoa fotografada. Isso porque não falei da paciência e da boa vontade (e haja paciência para acompanhar blogueira que precisa fotografar look, viu..é cada foto que a gente repete 500 vezes hahah).

Passamos uma tarde toda com ela e os registros desse dia ficaram tão lindos que volta e meia ainda aparecem em alguma rede social. E foi mais especial ainda porque depois do trabalho feito, conseguimos aproveitar para fazer umas fotos celebrando nossa amizade, nossa união com o Arthur, nosso momento de felicidade e o privilégio de estarmos juntas em outra cidade que amamos tanto. Acho que deu para transparecer o quanto estávamos felizes, né?

Quem estiver de passagens compradas (ou quase hehe) para NY e estiver pensando em eternizar essa viagem com fotos lindas, não pode deixar de dar uma olhada no trabalho da Martha através do Ny & About ou do seu instagram.