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Destaque

2 em Autoestima/ Destaque no dia 12.01.2018

Voltando pra casa, o que fazer agora?

Quando a gente vai fazer um intercâmbio, em meio à excitação pelo que há por vir, pela realização de um sonho, surge a pergunta “mas será que vou me adaptar?”. E a gente descobre que se adapta, sim, que somos muito mais fortes do que imaginavámos e esse mundo de novas possibilidades é fascinante.

O que ninguém conta – aliás, pouca gente conta – é que a gente se acostuma tanto com a nova rotina, o novo lugar, nova língua e novos amigos que voltar para casa é na verdade um desafio maior do que sair dela. Basicamente porque a pessoa que saiu não existe mais. Quem volta é uma nova versão com quem todos têm de se acostumar – você mesma e as pessoas com quem convivia e vai conviver novamente.

E com essa volta, vem também a pergunta que mais me incomodou desde quando faltavam poucos meses para que eu tivesse que dar tchau à Nova York: “e agora, o que você vai fazer?” Quero acreditar que é só por curiosidade que a maioria das pessoas querem saber, mas foi inesperado perceber o quanto essa pergunta contribui negativamente para minha frágil autoestima profissional. O que eu gostaria de poder responder para todo mundo é “cara, não sei nem quem eu sou nesse lugar, como vou saber o que fazer?!”

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O que eu quero fazer é contar histórias. Usar as habilidades que adquiri na faculdade e nos cursos que fiz no intercâmbio para contar histórias de mulheres que levam uma vida “normal” e fazem a diferença na vida das pessoas à sua volta sem nem notar. Quero mostrar para todo mundo que não é só a mocinha que saiu da faculdade direto para o emprego dos sonhos, que mora no apartamento dos sonhos, na cidade dos sonhos que conquistou sucesso. Nem a ~digital influencer~ com o perfil harmonioso no instagram, nem a CEO de uma multinacional. Cada pessoa existe por um propósito e tem uma jornada própria para descobrí-lo e vivenciá-lo.

“Mas Tati, parece então que você sabe sim o que fazer.” Aí é que entra frágil autoestima profissional que falei lá em cima, lembra? Pois então. Escrever este texto tá sendo um desafio e eu acho que só está saindo porque não cabe mais dentro de mim. E porque tem uma trilha sonora incrível sobre aceitar quem somos tocando nos meus fones de ouvido.

“Mas Tati, você fez jornalismo, pelo amor de Deus!! Como que escrever pode ser difícil para você?” Pois então. Porque eu vi gente boa de verdade. Eu ouvi gente boa de verdade. Que é corajosa. Que arregaça as mangas e faz. Que tem talento no DNA, exalando pelos poros. E eu não me enxergo em nenhuma dessas categorias quando é a minha escrita que está em pauta.

Sabe aquela sensação de “que que eu tô fazendo aqui?” “Ai caraca, vão descobrir que eu sou uma farsa”? Pois então. Ela é constante, embora eu reconheça que tenha talento. Que saiba que sou uma profissional muito dedicada – principalmente quando gosto do que estou fazendo. Mas quando nem um curso na NYU ajuda a conseguir uma entrevista, os questionamentos voltam à tona. Parece que quanto mais eu sei sobre algum assunto, mais tem gente que sabe muito mais.

O medo de exposição é tão paralisador quanto sufocante e eu não consigo sequer manter um diário. A sensação de que não mereço isso ou aquilo porque tem gente melhor que eu é gigante. E junto a tudo isso, sonho demais. Sou daquela pessoas que sonham aqueles sonhos gigantes, que as pessoas dizem “coitada, como sonha essa menina” e balançam a cabeça com pena.
Embora tenha aceitado e até me orgulhe da minha natureza sonhadora, não, eu ainda não consegui conciliar a Tati de NY com a Tati do Brasil. Ainda não descobri o que vou fazer, ou como vou superar essas neuras e prisões. Mas hey, já consegui escrever sobre elas hoje. E foi a coisa mais corajosa que fiz em meses. Baby steps, I guess.

2 em Autoestima/ Destaque/ Looks/ Moda/ Patrocinador no dia 09.01.2018

Looks da Jô: férias na praia & verão da liberdade.

É, o verão de 2018 prometia ser único pra mim e até então ele tem feito justiça a isso. Embarquei para Paraíba no dia 28 de dezembro e dentro da minha mala eu levei 9 roupas de banho + 3 saídas de praia. Esse número pode não significar nada para quem não sabe como era meu modus operandi praiano de alguns anos atrás. Por muito tempo, o mais importante de um look para aproveitar o verão era o que eu iria usar por cima pra me cobrir. Não importava tanto o biquíni ou maiô, eles teriam saídas caras e combinando, tudo para que eu me sentisse confortável pra curtir o verão.

Arrumando a mala dessa vez notei que a necessidade das chemises, vestidos e conjuntinhos combinando foi diminuindo. Ainda gosto, afinal, amo a ideia da praia chic, mas percebi que não sou mais refém. Nessa bagagem o que tinha mesmo era muito maiô, biquini e protetor solar. Tudo que eu precisava para uma viagem sem luxo e sem glamour, mas com muito descanso e sol o dia inteiro.

Logo no primeiro dia usei um maiô que eu acreditava ter uma estampa que não combinava muito com eu tom de pele. Lêdo engano, enquanto na mão eu não gostava muito dele, no corpo eu adorei. Eu escolhi o modelo pensando que a estampa podia ficar legal por ser bem alegre e colorida, mas estava apreensiva pelo fundo meio bege, meio parecido com a minha pele.

1° dia: maiô estampadão!

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maiô frente única estampa Palha

Esse modelo abraça o corpo, é confortável e permite muita mobilidade. A estampa é alegre e divertida, achei que a cor das flores realmente saltaram quando em contraste com a minha pele.

Fiquei tão feliz que as fotos ficaram lindas nas cores do pôr do sol, mais ainda que foi a primeira vez que nadei no mar à noite.

2° dia: biquini, um pretinho básico.

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Biquini de montar (parte de cima + parte de baixo) preta do meu modelo preferido.

No segundo dia saí de barco para uma praia de rio perto de João Pessoa. Entre o sol, a água de coco e os caranguejos eu aproveitei que ficaria muito exposta ao sol para ir com meu biquíni preferido. Vocês podem notar que eu vario as estampas, mas quase sempre com esses modelos de calcinha e sutiã. Aliás sou viciada nessa parte de cima de biquíni, pois ao mesmo tempo que dá sustentação, ele tem as alças mais finas e sem bojo, o que deixa tudo mais simples e confortável. Eu sempre achei que biquínis acabavam comigo, mas assim como aconteceu com a lingerie, foi só descobrir os modelos ideais para mim para essas ideias cairem por terra. No caso desse preto a compra das peças é separada, o que acho ótimo porque permite uma análise combinatória de peças bem legal.

3° dia: estampa colorida para uma praia rica em cores.

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maiô tomara que caia estampa bordado

No terceiro dia de férias fui à uma das praias mais lindas de todo o estado da Paraíba. O dia estava tão lindo que desejei usar um maiô que eu já tinha experimentado. Na verdade vocês até já viram esse maiô por aqui, pois a Livia escolheu esse modelo para a pool party, eu amei tanto que provei e aprovei. Vestiu bem, a estampa de fundo preto me agrada muito e o corte diferente funcionou pra mim. Já queria montar um look lindo com ele pra usar no carnaval, além de usar na praia. Ele tem jeito de funcionar tanto na areia quanto fora dela.

No dia 31 – isso é, no 4o. dia – eu usei um biquíni mas não tirei foto. Curtir a praia cheia estava uma certa função, assim sendo, não cliquei o modelo, mas gostei tanto de usá-lo no 4° dia que repeti, dai já conto.

5° dia: o primeiro banho de mar do ano!

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maiô 2 em 1 de outra estampa

Dia 01 a praia seguia lotada e a logística ainda não estava tão simples como nos outros dias. Por isso, apostei no modelo de maiô 2 em 1, aquele que usa com a amarração do lenço anexo de duas formas: como saída de praia/canga e como lenço na cintura. Adoro as duas formas de usar, já usei muito a outra estampa (que a Carla usou na pool party), mas foi a primeira vez nessa estampa azul, que achei bonita e chique. Foi ótimo para fazer esportes aquáticos sem me preocupar.

6º dia: o biquíni estampado pela segunda vez!

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Biquini montado estampa Matiz

Lembram do 4o. dia, que eu não consegui tirar foto? Repeti o tal biquini no sexto dia de praia. Gostei da estampa, inclusive acho que usar a parte debaixo dele com a preta avulsa de cima vai ficar bonito (o contrário também)! São 4 peças que coordenam 4 looks. O modelo é exatamente o que eu adoro.

No 7° dia usei meu maiô preferido, mas acabamos não indo à praia em si. Fui almoçar na casa de uma amiga e foi tão bom que não mergulhei no mar. Por isso repeti o modelo no dia seguinte (ainda bem que tudo seca rápido em João Pessoa).

8° dia: maiô preferido da viagem

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Meu segundo maiô (diferente) da estampa vitral 

Esse maiô veio com muitas perguntas sobre tamanho. Na vida (na moda de roupa tradicional) eu uso 44/GG. Na moda praia, eu uso maiô 48/ como lingerie. Era esse o tamanho desse meu, que a meu ver (e de várias seguidoras) vestiu mais lindo no meu corpo. Acredito que ele vista bem mulheres que vestem do tamanho 40 (de moda, não lingerie) em diante.  Me senti confortável em todos os modelos, mas esse foi aquele em que me senti mais chique, tipo o meu outro da pool party. Foi o meu modelo preferido da viagem toda.

Eu levei 9 modelos, acabei usando 8. Foram essas peças que eu adorei ter nessa viagem de férias de verão – e óbvio, elas serão muito aproveitadas durante todo esse verão que ainda temos pela frente.

Acho que vale dizer que amo o material, acabamento, tamanho e modelagem da Marcyn, amo de verdade porque parece que foram feitos pra mim, e acho que quem viu todas as fotos que eu postei em stories, no meu instagram pessoal e no instagram do Futi, percebeu todo o conforto e identificação que eu senti com cada peça. A loja on-line troca tamanhos, como toda loja virtual, mas quem for de SP pode ir na loja física experimentar.

Só queria fazer uma observação: a marca é uma das patrocinadoras do futi, então nós temos acesso a tantos modelos em uma só viagem para mostrar pra vocês várias opções. Vai que um desses funciona super bem no seu armário? De forma nenhuma queremos criar o desejo subliminar de que vocês precisam ter um modelo por dia para uma viagem como essa, não mesmo. Queremos que vocês vejam as possibilidades para, quem sabe, ter um ou dois desses que podem te vestir bem. O consumismo desenfreado é um excesso, não é isso que queremos influenciar e sim a diversidade das opções pra cada corpo e cada mulher!

Espero que vocês tenham gostado dos modelos o mesmo tanto que eu amei escolher, usar, fotografar e postar pra vocês. O #paposobreautoestima me inspirou uma liberdade com o corpo que eu jamais pensei que viveria, mudar a forma de viver e enxergar as coisas pode mesmo mudar nossa vida pra melhor.

Que curtamos então esse verão de 2018!

Beijos

5 em Autoestima/ Destaque/ Deu o Que Falar no dia 05.01.2018

Tour pelo corpo – porque ninguém precisa ser invalidada (mas precisamos discutir o que aconteceu)

Vamos matar um pouco das saudades do DQF por aqui? Porque estava acompanhando essa história hoje e me deu muita vontade de escrever. Mas antes, deixa eu contar para vocês o que aconteceu.

Dois vídeos com a mesma estrutura e uma ideia em comum bem interessante: um tour pelo corpo. O primeiro vídeo, lançado em outubro, foi feito pela Luiza Junqueira do canal Tá Querida que foi a criadora da tag. O segundo foi lançado 2 meses depois pela youtuber Ellora Haonne.

Hoje estourou uma polêmica quando o youtuber Bernardo Boechat resolveu apontar a gordofobia apresentando números e fatos: o primeiro vídeo teve muito menos likes que o segundo, muito mais rejeições e Luiza teve menos reconhecimento, apesar de ter sido a pioneira nesse tipo de vídeo aqui no Brasil. O post que ele fez foi esse:

Não é meu lugar de fala conversar sobre gordofobia, apesar de concordar que esse é um exemplo claro disso. Nem tanto por causa do número de likes de cada vídeo – afinal, Ellora tem o dobro de inscritos de Luiza e ambas estão mais ou menos com o mesmo número de visualizações  – e sim pelo número de dedinhos apontados para baixo no primeiro video. Coincidência a rejeição ser 10 vezes maior no vídeo da menina gorda que está mostrando sua barriga, estrias e dobras? Hmm, acho que não. 

Vendo os dois vídeos, acho que ambos têm a sua importância e cada um vai fazer sentido para seu determinado público alvo. O vídeo de Luiza mostra todas as suas inseguranças e normaliza o corpo além de pregar o amor próprio por inteiro. O vídeo de Ellora desmistifica o corpo perfeito das mídias sociais e fala sobre neuroses que ela, como mulher magra, tem em relação ao seu corpo. No meu julgamento de uma pessoa que não tem o corpo de nenhuma das duas, o vídeo da Luiza é muito mais alinhado ao meu discurso (aliás, ao discurso do Futi) do que o de Ellora, mas entendo quem olha para o vídeo da segunda e enxerga uma espécie de libertação. 

Como uma mulher considerada magra por muitas pessoas (afinal, visto 42 e ainda por cima sou alta) mas que já passou por poucas e boas porque o mercado simplesmente não me considera dentro do tal padrão, eu fico um pouco incomodada quando vejo gente querendo desmerecer quem disse que aprendeu a se amar mesmo sendo mais magra. A gente sempre fala aqui, mas volto a repetir. Depois de tantos piqueniques e tantas mensagens, chegamos à conclusão de que o tal padrão é tão inatingível que até quem está perfeitamente dentro do padrão, pode se sentir inadequada. 

Óbvio que essas mulheres – eu inclusa – não sofrem nenhum tipo de preconceito como pessoa (como blogueira, já fomos limadas de muita coisa). Nosso sentimento de inadequação está muito mais ligado à uma demanda pesada que a sociedade coloca na nossa cabeça do que à demonstrações diárias de intolerância e violências (quase) invisíveis.

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Gordofobia vai muito além desse preconceito que influenciadoras, amigos de whatsapp e familiares perpetuam. Existe gente que passa situações impensadas na vida prática, mas como disse, não tenho a vivência para me aprofundar nesse tipo de assunto (por isso logo teremos alguém que vive isso falando por aqui). Mas quero focar no que mais me chamou a atenção: 4.000 não gostei em um vídeo é uma atitude violenta. Muito violenta. O discurso da Luiza é sobre liberdade e amor próprio, a rejeição tão alta não faz sentido. E isso precisa ser discutido, sim, por mulheres de todos os tipos de corpos e pesos, por isso tomei a liberdade de me juntar para chamar atenção disso aqui no Futi.

Essa história toda só deixa mais óbvio como é importante que mulheres gordas com discursos empoderados ganhem cada vez mais voz e espaço, em todo lugar, inclusive aqui. Luiza, Ju, Alexandra, tantas outras. É importante que a gente veja e problematize o por que o vídeo da mulher magra ganhou destaque, viralizou, ela foi chamada para ir em programa de TV, deu entrevistas, enquanto o da gorda – que foi a pioneira no tema ainda por cima – não. Isso que aconteceu com Luiza não foi por um acaso, não sejamos ingênuas. Mas não precisamos desmerecer ou invalidar ninguém para discutirmos isso.