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1 em Camilla Estima/ Saúde no dia 22.08.2018

Por que você NÃO PRECISA entrar no Projeto Verão

Ano passado falamos aqui mesmo no Futi sobre “Projeto Verão” e os problemas dele. O meu texto entrou no ar no dia 29 de novembro. Por que resolvi escrever um outro texto sobre Projeto Verão agora em Agosto? Por que começaram a pipocar indícios e preocupações que comprovam que isso começa antes. Só agora notei como fui inocente no ano passado.

Isso tudo começou porque meu irmão reparou que na 2ª feira de manhã, dia 6 de agosto, ele estranhou a academia que ele vai regularmente lotada, bem mais cheia do que costume. Perguntei dali, daqui e no insta confirmei, o motivo era a virada do semestre e a proximidade do verão. Aparentemente 6 meses de distância já é considerado próximo. Portanto, sem saber o meu texto do ano passado estava atrasado, por isso esse ano resolvi  trazer outros pontos e dessa vez com a antecedência necessária. 

Confesso que fico um pouco assustada, ainda mais considerando a academia como um meio de manter o corpo ativo no dia a dia em uma rotina equilibrada, olhando a saúde como um todo não deveríamos considerar frequentar um local de  atividade física só quando bate um desespero de que se precisa emagrecer. Se estamos falando em uma busca saudável por manter o corpo fazendo exercício a prática dele não deveria estar condicionada a uma busca tão antecipada pelo tal “corpo do verão”.

Listamos alguns motivos que comprovam que você não precisa começar um projeto verão:

  • Por que todo ano é a mesma coisa? Será que se esse fosse um método que realmente funcionasse, você precisaria recomeça-lo todo ano? Se todo esse processo de ter um corpo dentro do padrão estético e atlético fosse de fato sustentável para todo mundo precisaríamos de projetos para isso? Pessoalmente acho que não. O tal “estilo de vida”, leve e natural, seria  fácil de ser mantido sem sofrimento.
  • Dito isso. Como você se sente ao entrar todo ano em um projeto falido? Desculpa, eu sei que essa palavra é forte! Pode até soar como um julgamento, mas não consigo arrumar outra forma de adjetivar algo que precisa sempre ser repetido, por mais que ele dê certo em algum momento, as vezes só a tempo de tirar as primeiras fotos.
  • Ele faz com que pessoas fiquem presas a uma obrigação de “entregar” um corpo pro verão. Como se só um tipo de corpo fosse digno de ir a praia ou ser postado nas redes sociais.  Isso não gera angustia? A sensação de pressão aparece, podendo mexer com a relação que se tem com a comida e com o próprio corpo, que não responde aos estímulos exatamente da forma que queremos.
  • Ele coloca um prazo de validade para se chegar a um objetivo. Essa corrida contra o tempo não gera ansiedade? E se o resultado não vem da forma esperada… Onde você vai descontar essa frustração?
  • Como se faz nos momentos “não verão”? A saúde para de importar nas outras estações? A busca pela verdadeira saúde não deveria estar num equilíbrio menos agressivo para o corpo? 

A coisa que mais me preocupa nesse discurso de chegar a um determinado tipo de corpo para o verão é que para conseguir “resultados rápidos” e no tempo estipulado, geralmente você restringe MUITO a sua alimentação. E quando percebe, já está presa nas dietas e promessas milagrosas, que na maior parte das vezes são armadilhas perigosas. O que pode parecer um modismo alimentar inofensivo pode na verdade ser um gatilho para uma compulsão ou uma relação sem paz com a comida, onde você nega o que te dá prazer, coloca culpa como ingrediente principal e perde o controle emocional do seu comportamento com a alimentação. Uma modinha do momento pode ter consequências muito mais graves.

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Até hoje nunca vi um projeto verão que de fato trabalhe a sua relação com a comida ou com o corpo de forma a atingir um equilíbrio saudável e duradouro. E atém disso, ela instiga o modo excludente de pensar que ambientes onde é preciso botar um biquini – seja ele praia ou piscina – não são para todas. Nem queria estar lembrando isso aqui, mas QUALQUER CORPO é digno de ir à praia e QUALQUER MULHER tem o direito de ser muito feliz no verão, independente do número na balança ou da roupa.

Portanto, agora que ainda estamos longe do verão, pense como você pode começar a olhar isso tudo de forma mais crítica, consciente e responsável com relação ao seu corpo e sua saúde. Se seu desejo é emagrecer para se sentir melhor no biquini, você tem todo o direito de fazer isso, mas acho importante lembrar que mudanças de comportamento levam tempo a serem estabelecidas para que você consiga ter uma melhor relação com seu corpo e com sua alimentação, buscando equilíbrio de forma sustentável a longo prazo. Não procurando apenas um milagre para durar 3 meses, para depois compensar toda falta com exageros. É preciso que saíamos do automático e repensemos no quanto essa procura por uma alimentação de modismo, sustentável apenas por um curto espaço de tempo, pode ser prejudicial.

Nesse meio tempo proponho pensar como podemos aproveitar nosso verão de verdade sem estar sufocada e refém desses padrões.

2 em Comportamento/ Destaque/ Juliana Ali/ maternidade no dia 14.08.2018

Mini me? Não. Big you.

Fico um pouco aflita com essa moda de mãe e filha que usam a mesma roupa. Sabe, que você já compra igual, o vestido já vem na versão grande e pequena, pra fazer conjuntinho? Tenho plena consciência que é só uma gracinha, que não tem problema nenhum e que não devo subentender nada além de uma coisa de união, mamãe e filhinha mostrando que tem algo em comum, e é fofo.

É que trago para a minha própria experiência pessoal, e não consigo ver graça. Na infância eu mesma escolhia minhas roupas, e gostava disso.

Eu ia brincar no parquinho com uma saia de bailarina rosa, uma jaqueta jeans oversized cheia de broches, uma boina medonha (não tenho explicação para a boina) e o cabelo todo grudado de gel porque a ideia era ficar zoado que nem o da Madonna. Cresci nos anos 80, a gente queria ser a Madonna no vídeo de Like a Virgin. E minha mãe me deixava sair assim, toda esquisita. Afinal, pra mim, aos sete anos, não tava esquisita, tava belíssima.

Tive umas fases que nem te conto. Cheguei em níveis bem piores, prometo, mais tarde. E ninguém disse nada em casa. “Ela tá se expressando, deixa”, minha mãe falava para os outros, quando questionavam se ela ia deixar eu sair assim, MESMO. E, pra mim, ela dizia “tá linda”.

Depois que fiquei mais velha e mais auto consciente, olhava aquelas fotos da infância e dava risada, dizia “mãe, você era maluca de me deixar pisar fora de casa desse jeito”. “Olha filha, eu realmente acreditava que você devia se expressar, e não me metia”. Hoje, como mãe, acho que ela tinha toda a razão.

Não é fácil entender que o filho da gente é OUTRO. Que talvez, inclusive, acabe se tornando uma pessoa absolutamente diferente, com visões de mundo opostas à nossa até. Nossos filhos e filhas crescem dentro da gente, literalmente, por um tempo. Fomos NÓS QUE FIZEMOS aquela criatura. É como se ela fosse nossa mesmo.

Por isso acho que é tão difícil lidar com o fato de que não apenas ela não é nossa, como ainda por cima pode ser completamente diferente de nós e agir de formas que não tem nada a ver com o que esperávamos ou mesmo torcíamos.

Meu filho mais velho é autista. Nem me fale sobre agir da forma que eu não esperava, disso eu entendo. Ele não é e nem nunca será como eu imaginava. Minha filha mais nova cismou que é um elefante, já há alguns meses. Ela dorme, acorda, vai pra escola, com uma touca cinza que tem orelha, tromba, tudo, que já está imunda e não consigo lavar porque ela não larga por tempo suficiente. Sinto falta de ver o cabelo da Carmen, já quase esqueci como é.

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E sabe? Tudo bem. Nossos filhos não são nossos “mini me” (se tem uma expressão que odeio, é essa). Nem nosso espelho. Nem nossas segundas chances de realizar sonhos frustrados na vida.

Eles são pessoas absolutamente independentes. E, quanto mais diferentes de nós eles forem, mais precisarão da nossa aceitação. Mais precisarão ouvir que “você tá linda”, quando a criança está de boina em um verão de 40 graus com gel de glitter escorrendo pela cara.

Pra mim, essa é a beleza da maternidade, no fim das contas. A surpresa diária de conhecer esse ser humano que era tão meu, tão meu, que morava aqui dentro. E, conforme o tempo passa, vai se tornando alguém com opinião própria, vontade própria, personalidade própria. Alguém que se expressa. E eu deixo se expressar. Pode ir pra escola com a touca de elefante sim, filha. Você tá linda.

6 em Autoconhecimento/ Mayara Oksman no dia 13.08.2018

O medo do novo!

Dona Joana bem sabe como eu atrasei a entrega desse texto. Eu sabia sobre o que eu queria falar, mas colocar em palavras deixa tudo sempre tão mais real que estava enrolando, enrolando, enrolando…

Pois bem, antes de efetivamente falar sobre meus medos iniciais (sim, vou falar de alguns deles), deixa eu explicar o status atual das coisas para ninguém se perder: vim com a minha mãe para a Itália para darmos entrada nos papéis da cidadania e depois disso combinamos de viajar por alguns lugares, terminando em Torino onde efetivamente está parte da nossa famiglia italiana. Quem me acompanha no Instagram viu que fizemos bastante coisa nos últimos 15 dias, curtindo muito praias maravilhosas e cidades maiores, lindas e apaixonantes como Firenze e Milano.

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Essas são as férias que eu não tirava há mais de um ano e meio. E por isso decidi curtir muito, comer muito, sentir tudo intensamente. Acho que isso eu fiz muito bem, aliás. Meu coração está batendo com mais energia e minha alma (meu mar, como gosto de chamar) está sorridente. Não deixei minha ansiedade bater, não pensei muito no que viria a seguir e fiz questão de deixar as coisas seguirem seu curso natural.

Ontem eu e minha mãe chegamos em Torino e isso significa que minhas férias e meu último laço com o que eu entendo como “segurança” estão chegando ao fim. Eu acho que sempre me virei muito bem na minha vida em geral, mas mesmo assim, ter a mãe do lado é ter parte de casa com você. E essa parte está indo embora.

E ta aí um dos desafios: o início do que eu chamo voar sozinha, andar de bike sem rodinha, se virar nos 30. Ou seja, vai começar o que eu efetivamente vim fazer na Europa: tentar recomeçar, arranjar um trabalho, aprender outra língua, longe de casa, longe da minha família, do Oscar e dos meus amigos.

Agora minha ficha caiu que eu pedi demissão mesmo. Que eu não vou pegar um avião, voltar para São Paulo e para o escritório. Que eu não vou recomeçar aquela rotina que eu tinha. Que de sábado não vou até a Vila Madalena fazer a unha com uma amiga. Que marcar um jantar com as meninas vai ser simplesmente impossível, assim como um “vamos lá na Zara rapidinho” e um “topa fazer nada junto”. Que eu não vou com o meu cachorro no Starbucks no domingo de manhã e que minha funça de tia vai ser exercida por Facetime e Whatsapp. Que a vida de todo mundo vai continuar lá em São Paulo enquanto a minha sabe-se lá o que vai ser e onde vai ser.

Entendam: eu já tinha pensado em tudo isso quando tomei minha decisão. Eu anotei tudo isso num caderninho, foi tudo muito consciente. Mas agora saiu do papel, é real, é palpável. Não ta chegando. Ta aqui, é agora. E isso, meus queridos, dá medo. Medo de não conseguir, medo de ter algum problema e não saber como resolver, medo de ninguém me ajudar se eu precisar, medo que alguém morra enquanto eu estiver longe, medo que meus amigos se afastem, medo que meus amigos me esqueçam, medo que meu cachorro me esqueça… medo, medos, de todos os tipos.

Racionalmente eu sei que está tudo bem e que vai ficar tudo bem. Que se alguém morrer, ia morrer comigo aqui ou em São Paulo. Que se meus amigos se afastarem, eu vou atrás deles para conversar. Que se eu tiver problemas, eu vou dar um jeito de resolver. Que se der tudo errado, eu simplesmente volto para o Brasil. Que tudo que é novo e desconhecido, assusta mesmo. Que ter medo é normal nessas horas.

Mas a gente não consegue ser 100% racional. É fácil falar e escrever, mas vai ser difícil na prática. E tudo bem, vamos seguindo em frente mesmo sendo difícil e enfrentando os medos dia após dia. E lidando com os problemas quando eles aparecerem e se aparecerem não é mesmo? Acho que vai ter que ser dessa forma. Segurando a ansiedade e indo com medo mesmo. Aliás, espero que vocês não tenham cansado da Mayara indo com medo mesmo, porque tenho a sensação de que esse meu lema é real oficial para 2018 e para sempre.