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2 em Comportamento/ Destaque/ Juliana Ali/ maternidade no dia 14.08.2018

Mini me? Não. Big you.

Fico um pouco aflita com essa moda de mãe e filha que usam a mesma roupa. Sabe, que você já compra igual, o vestido já vem na versão grande e pequena, pra fazer conjuntinho? Tenho plena consciência que é só uma gracinha, que não tem problema nenhum e que não devo subentender nada além de uma coisa de união, mamãe e filhinha mostrando que tem algo em comum, e é fofo.

É que trago para a minha própria experiência pessoal, e não consigo ver graça. Na infância eu mesma escolhia minhas roupas, e gostava disso.

Eu ia brincar no parquinho com uma saia de bailarina rosa, uma jaqueta jeans oversized cheia de broches, uma boina medonha (não tenho explicação para a boina) e o cabelo todo grudado de gel porque a ideia era ficar zoado que nem o da Madonna. Cresci nos anos 80, a gente queria ser a Madonna no vídeo de Like a Virgin. E minha mãe me deixava sair assim, toda esquisita. Afinal, pra mim, aos sete anos, não tava esquisita, tava belíssima.

Tive umas fases que nem te conto. Cheguei em níveis bem piores, prometo, mais tarde. E ninguém disse nada em casa. “Ela tá se expressando, deixa”, minha mãe falava para os outros, quando questionavam se ela ia deixar eu sair assim, MESMO. E, pra mim, ela dizia “tá linda”.

Depois que fiquei mais velha e mais auto consciente, olhava aquelas fotos da infância e dava risada, dizia “mãe, você era maluca de me deixar pisar fora de casa desse jeito”. “Olha filha, eu realmente acreditava que você devia se expressar, e não me metia”. Hoje, como mãe, acho que ela tinha toda a razão.

Não é fácil entender que o filho da gente é OUTRO. Que talvez, inclusive, acabe se tornando uma pessoa absolutamente diferente, com visões de mundo opostas à nossa até. Nossos filhos e filhas crescem dentro da gente, literalmente, por um tempo. Fomos NÓS QUE FIZEMOS aquela criatura. É como se ela fosse nossa mesmo.

Por isso acho que é tão difícil lidar com o fato de que não apenas ela não é nossa, como ainda por cima pode ser completamente diferente de nós e agir de formas que não tem nada a ver com o que esperávamos ou mesmo torcíamos.

Meu filho mais velho é autista. Nem me fale sobre agir da forma que eu não esperava, disso eu entendo. Ele não é e nem nunca será como eu imaginava. Minha filha mais nova cismou que é um elefante, já há alguns meses. Ela dorme, acorda, vai pra escola, com uma touca cinza que tem orelha, tromba, tudo, que já está imunda e não consigo lavar porque ela não larga por tempo suficiente. Sinto falta de ver o cabelo da Carmen, já quase esqueci como é.

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E sabe? Tudo bem. Nossos filhos não são nossos “mini me” (se tem uma expressão que odeio, é essa). Nem nosso espelho. Nem nossas segundas chances de realizar sonhos frustrados na vida.

Eles são pessoas absolutamente independentes. E, quanto mais diferentes de nós eles forem, mais precisarão da nossa aceitação. Mais precisarão ouvir que “você tá linda”, quando a criança está de boina em um verão de 40 graus com gel de glitter escorrendo pela cara.

Pra mim, essa é a beleza da maternidade, no fim das contas. A surpresa diária de conhecer esse ser humano que era tão meu, tão meu, que morava aqui dentro. E, conforme o tempo passa, vai se tornando alguém com opinião própria, vontade própria, personalidade própria. Alguém que se expressa. E eu deixo se expressar. Pode ir pra escola com a touca de elefante sim, filha. Você tá linda.

3 em Autoconhecimento/ Mayara Oksman no dia 13.08.2018

O medo do novo!

Dona Joana bem sabe como eu atrasei a entrega desse texto. Eu sabia sobre o que eu queria falar, mas colocar em palavras deixa tudo sempre tão mais real que estava enrolando, enrolando, enrolando…

Pois bem, antes de efetivamente falar sobre meus medos iniciais (sim, vou falar de alguns deles), deixa eu explicar o status atual das coisas para ninguém se perder: vim com a minha mãe para a Itália para darmos entrada nos papéis da cidadania e depois disso combinamos de viajar por alguns lugares, terminando em Torino onde efetivamente está parte da nossa famiglia italiana. Quem me acompanha no Instagram viu que fizemos bastante coisa nos últimos 15 dias, curtindo muito praias maravilhosas e cidades maiores, lindas e apaixonantes como Firenze e Milano.

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Essas são as férias que eu não tirava há mais de um ano e meio. E por isso decidi curtir muito, comer muito, sentir tudo intensamente. Acho que isso eu fiz muito bem, aliás. Meu coração está batendo com mais energia e minha alma (meu mar, como gosto de chamar) está sorridente. Não deixei minha ansiedade bater, não pensei muito no que viria a seguir e fiz questão de deixar as coisas seguirem seu curso natural.

Ontem eu e minha mãe chegamos em Torino e isso significa que minhas férias e meu último laço com o que eu entendo como “segurança” estão chegando ao fim. Eu acho que sempre me virei muito bem na minha vida em geral, mas mesmo assim, ter a mãe do lado é ter parte de casa com você. E essa parte está indo embora.

E ta aí um dos desafios: o início do que eu chamo voar sozinha, andar de bike sem rodinha, se virar nos 30. Ou seja, vai começar o que eu efetivamente vim fazer na Europa: tentar recomeçar, arranjar um trabalho, aprender outra língua, longe de casa, longe da minha família, do Oscar e dos meus amigos.

Agora minha ficha caiu que eu pedi demissão mesmo. Que eu não vou pegar um avião, voltar para São Paulo e para o escritório. Que eu não vou recomeçar aquela rotina que eu tinha. Que de sábado não vou até a Vila Madalena fazer a unha com uma amiga. Que marcar um jantar com as meninas vai ser simplesmente impossível, assim como um “vamos lá na Zara rapidinho” e um “topa fazer nada junto”. Que eu não vou com o meu cachorro no Starbucks no domingo de manhã e que minha funça de tia vai ser exercida por Facetime e Whatsapp. Que a vida de todo mundo vai continuar lá em São Paulo enquanto a minha sabe-se lá o que vai ser e onde vai ser.

Entendam: eu já tinha pensado em tudo isso quando tomei minha decisão. Eu anotei tudo isso num caderninho, foi tudo muito consciente. Mas agora saiu do papel, é real, é palpável. Não ta chegando. Ta aqui, é agora. E isso, meus queridos, dá medo. Medo de não conseguir, medo de ter algum problema e não saber como resolver, medo de ninguém me ajudar se eu precisar, medo que alguém morra enquanto eu estiver longe, medo que meus amigos se afastem, medo que meus amigos me esqueçam, medo que meu cachorro me esqueça… medo, medos, de todos os tipos.

Racionalmente eu sei que está tudo bem e que vai ficar tudo bem. Que se alguém morrer, ia morrer comigo aqui ou em São Paulo. Que se meus amigos se afastarem, eu vou atrás deles para conversar. Que se eu tiver problemas, eu vou dar um jeito de resolver. Que se der tudo errado, eu simplesmente volto para o Brasil. Que tudo que é novo e desconhecido, assusta mesmo. Que ter medo é normal nessas horas.

Mas a gente não consegue ser 100% racional. É fácil falar e escrever, mas vai ser difícil na prática. E tudo bem, vamos seguindo em frente mesmo sendo difícil e enfrentando os medos dia após dia. E lidando com os problemas quando eles aparecerem e se aparecerem não é mesmo? Acho que vai ter que ser dessa forma. Segurando a ansiedade e indo com medo mesmo. Aliás, espero que vocês não tenham cansado da Mayara indo com medo mesmo, porque tenho a sensação de que esse meu lema é real oficial para 2018 e para sempre.

2 em Autoconhecimento/ Mayara Oksman no dia 24.07.2018

Sobre abrir as asas e (tentar) voar!

Mês passado vim aqui no Futi falar com vocês sobre segundas chances e fiz uma breve menção ao que ainda seria a minha “grande segunda chance”. Quando escrevi aquele texto, já bem ciente dos meus planos, fiquei me perguntando como ia explicar para as pessoas o que eu ia fazer a seguir. Na realidade, eu estava mais preocupada com o que os outros iam achar da minha decisão: se iam me achar louca, se iam rir da minha cara, se iam me desencorajar.

Sei que isso não deveria importar tanto, mas no meio do furacão, com medo do incerto e do que quer que viria a seguir, ser desencorajada ou ouvir coisas negativas não ia ser de grande ajuda. Se eu deixaria de seguir em frente? Acho que não, mas seria sim mais difícil, não vou negar!

No final todo mundo acabou me dando algum tipo de suporte diferente, mas que, em conjunto, se transformou em algo muito positivo para carregar comigo. Essa energia toda veio dos meus pais, avós, irmãos, sobrinhos, primos, amigos, dos meus chefes e colegas de trabalho. Cada um, de alguma forma, me deu força para seguir em frente e eu sou (e serei para sempre) imensamente grata por isso.

Pois bem, depois de alguns meses pensando muito, trocando muita ideia, batendo muito papo e guardando um pouco de dinheiro, pedi demissão do que eu, até algum tempo atrás, achava que era o emprego dos sonhos, comprei uma passagem para a Itália e cá estou agora vendo a papelada da minha cidadania para tentar escrever um novo capítulo da minha história daqui do velho continente (bebendo bons vinhos, fica a dica).

Se eu vou ficar na Itália? Não sei. Se eu vou ficar aqui três, seis, doze meses? Não sei também gente! Pela primeira vez na minha vida eu liguei o modo “não saber”. E olha que para control freaks como eu, não é nada fácil simplesmente “não saber”. Mas foram meses e meses de terapia para entender que tudo bem não saber o que vem por aí. Que eu não preciso ter medo. E que o máximo que vai acontecer é eu voltar para o Brasil. Sem dinheiro ou com uma reserva bem pequena, sem emprego, mas espero muito que, no mínimo, com muitas histórias para contar, aprendizados e outros tipos de riquezas dentro de mim. E, como família e amigos queridos disseram, serei recebida de braços abertos. Então por que não me dar essa (segunda) chance, correr esse “risco”? Se eu nunca for, nunca vou saber o que seria, não é mesmo?

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Nesses primeiros dias na Itália gastei boas horas lendo “O ano em que morri em Nova York”, da Milly Lacombe. Logo nas primeiras páginas veio uma frase que muito me impactou, porque se encaixou com o que eu estava sentindo, pensando, repensando e criticando em mim mesma há algum tempo: é perfeitamente possível que nos adaptemos a uma vida de cativeiro, porque as mesmas paredes que limitam também protegem”.

Acho que tenho dois principais motivos para ter “largado tudo”. O primeiro, mais claro e que tem tudo a ver com a frase do livro, é sair debaixo das asas dos meus pais, tentar voar sozinha e seguir meu sonho de morar fora do Brasil. O segundo, um pouco mais complexo, é tentar entender o que é felicidade para mim. Talvez ela esteja bem debaixo do meu nariz, mas do jeito estava a minha vida, não conseguia e nem consigo até agora enxergar isso. Eu tenho plena consciência de que não dá para ser feliz todos os dias. Mas no final, a conta dos dias menos felizes não pode ser tão grande como estava sendo nos últimos tempos.

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Como disse no meu instagram, na minha última foto em solo brasileirobora voar, expandir meu mar, ressignificar, descobrir, redescobrir, pensar, conhecer, andar, sorrir, chorar, aprender, surtar, entender, tentar, lutar, cansar, descansar.

E é isso, gente. To aqui pensando muito positivo, esperando que essa experiência, dure o quanto tiver que durar, seja uma jornada de autoconhecimento, com muito significado e intensidade.