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Convidadas

1 em Camilla Estima/ Saúde no dia 21.12.2017

É só uma rabanada…

Pronto! Dezembro começa a chegar ao fim e junto com isso começam a surgir muitas questões que envolvem a alimentação. Nós já falamos aqui de alguns dos problemas que o famoso “Projeto verão traz consigo. Ele mexe com a cabeça e autoestima das mulheres, e consequentemente com a alimentação das pessoas. Nessa época do ano os memes parecem variar entre o problema de se alimentar de forma restrita para estar  apta para colocar o biquíni  e o extremo oposto, isso é, o medo de comer de forma exagerada durante as festas de final de ano. 

Já viu a confusão interna que isso gera, né?

As comidas de fim de ano são totalmente carregadas de memórias afetivas. Pensa aí qual a comida que não pode faltar na sua ceia de Natal? Qual lembrança veio à tona? Lembrou?! Aposto que você acabou de lembrar dela na boca, provavelmente ficou salivando. Não se preocupe, é normal e tá tudo bem. Você precisa saber que comida também é isso! É memória afetiva, é representatividade e sabor. Sim, comida te alimenta e nutre, mas ela não tem apenas esse fim, ela pode e deve ser prazeirosa. A verdade é que entre tantos mitos esquecemos de uma verdade: ela não tem poderes extraordinários que vão te engordar ao comer apenas uma vez.

Mais uma vez quis ouvir vocês, então fiz uma enquete nas minhas redes sociais e no nosso grupo do #paposobreautoestima. Pedi que as pessoas me contassem quais alimentos não podiam faltar na ceia de Natal das suas casas. Sabe qual foi o prato campeão da nossa audiência?

Claro, a rabanada.

Sim, aquela que leva glúten e lactose (e tá tudo bem)! 

Um dos pratos natalinos mais presentes na nossa memória afetiva. Além de ter em sua receita um dos nutrientes mais demonizados dos últimos tempos, o carboidrato. Ela é feita de pão  também leva açúcar, leite, leite condensado e ainda por cima é frita. Ou seja, praticamente um prato que depõe contra toda a cartilha de quem está em uma dieta – restritiva ou nem tão rígida assim. Imagine só que absurdo um prato feito com glúten e lactose na mesma receita?

Mas vamos conversar, qual o problema de comer rabanada uma vez por ano?!?!?! 

Quero viver em um Brasil onde a gente consiga preservar nossas comidas regionais, nem que seja nas datas especiais. Precisamos tomar esse cuidado, é a nossa história e são as nossas tradições. 

Deixamos essas crenças de lado? Ótimo, vamos para outro ponto importante, uma pergunte que chove para mim essa época do ano:

Como faço para não comer exageradamente nas festas de fim de ano?

Vocês lembram que sempre explico que nós temos comer quando temos fome e temos que parar de comer quando estamos saciados? E que estar satisfeito é diferente de estar cheio?! Saber essa diferença também vai ser importante na noite de Natal. Estar cheio seria aquela sensação desagradável de que “não cabe nem mais uma uva passa!”. Isso é ruim pois você está ali basicamente para ter prazer comendo comidas que você gosta, e de tanto que você comeu, esse prazer nem está mais presente. Nessa hora fica apenas aquela sensação ruim. Não queremos isso. Queremos que você coma bem, que coma o que gosta, mas que ainda esteja sentindo a sensação do prazer.

Algumas dicas úteis para as festas de fim de ano:

  • As opções no Natal costumam ser muitas. Peru, chester, tender, bacalhau, arroz, farofa, salpicão, maionese de batata, rabanada, e por aí vai. Na ceia, veja os pratos servidos à mesa e pense: “qual comida dessas eu gosto muito?” Pois nem todos os pratos servidos ali você gosta muito, de verdade! Com certeza tem coisa ali que você gosta mais ou menos. Por isso, foque no gosto muito! É importante ressaltar que você não vai comer mais por isso, pelo contrário, você vai saciar seu apetite com aquilo que você realmente quer comer.
  • Muitas vezes as pessoas exageram nas comidas de Natal porque elas simplesmente estão disponíveis ali na mesa. Não coma “só porque está ali” e sim porque você está com fome e gosta muito daquilo.
  • Que tal optar por pratos que só tem nessa época? A rabanada e o panetone estão nessa lista.

Prestando atenção na fome x saciedade, criando seu prato com aquilo que você ama, você não vai sair da mesa se sentindo mal por estar cheio. O melhor? Ainda vai continuar sentindo o prazer daquela refeição que envolve tanta memória afetiva.

Um bom natal para todo mundo!

Só não se esqueça do mantra: é só uma rabanada!

Grande beijo.

4 em Comportamento/ Convidadas/ Cultura/ feminismo no dia 20.12.2017

A Guerra nas Estrelas é feminista

Cresci sem saber o que era muito bem Star Wars, mas de uma coisa eu sabia, era “coisa de menino”. Enquanto Harry Potter, Crepúsculo e Jogos Vorazes foram sagas que me acompanharam na adolescência, Star Wars era apenas um mito pelo qual eu nunca me interessei. Até os 18 anos.

Desde que descobri Star Wars no início do ano passado, ele se tornou mais que um filme ou uma franquia bilionária. E depois que vi Os Últimos Jedi, filme novo que estreou nessa semana, isso apenas se solidificou.

Texto sem spoilers do mesmo, fiquem tranquilos.

Star Wars significa pra mim esperança, rebeldia, resistência, poder feminino, e tantas outras coisas. Star Wars é mais que apenas uma franquia de filmes de fantasia.

A Força é como a religião, ela tem o lado da luz e da escuridão, e cabe aos discípulos fazerem a escolha certa. E nem sempre eles fazem. E nem sempre a culpa é deles. Nem sempre os mestres os guiam da maneira certa, não existe uma linha exata entre o certo e o errado.

E ai tem a Leia, que desde 1977 não aceitou ser a princesinha subordinada, ela lutou junto pelo povo dela. E vai ser pra sempre a nossa princesa-general. Leia tem esperança de um mundo melhor em meia à guerra, mas não fica de mãos atadas esperando ser salva.

Acho que por ter conhecido a saga já sendo feminista e no auge dos meus 18 anos, sempre enxerguei na Leia uma princesa revolucionária. Ela não usava coroa, vestidos brilhantes ou nada que não fosse prático para batalha. Ela sabe usar uma arma, e usa com maestria.

Leia é tão importante que nos dias de hoje ela é a General suprema da Aliança Rebelde! Ela que manda nos rebeldes! Quer mais girl power que isso? Então toma!

Toda garota tem uma rebelião dentro de si – ilustra: Sydney Maria Hughes

Desde “O Despertar da Força” lançado em 2015 temos a Rey, UMA MULHER JEDI!!!!!! Finalmente!!!!!!! E sendo, além disso, uma personagem forte, cheia de camadas e conflitos, ela é uma jedi, mas ainda assim, uma jovem mulher se descobrindo. A Rey é confusa, fora dos padrões de comportamento femininos. Ela não usa vestidos, saias, nem nada do tipo, Rey usa roupas que sejam úteis e que façam o serviço de cobri-lá no deserto em que vive. Rey luta para viver num planeta prementemente dominado por homens, mas ela tem esperança (olha a esperança aqui de novo!) de que um dia a vida dela vai mudar, e enquanto isso ela não espera sentada pelo príncipe encantado, ela trabalha para ter o que comer.

Star Wars é sobre regimes totalitários, sobre um grupo que se acha mais apto a governar a galáxia que os outros (qualquer semelhança com nazismo não é mera coincidência). Primeiro com os Sith, depois com o Império, agora com a Primeira Ordem.

E sobre resistência, luta, resiliência, rebeldia. Sobre como até in the darkness of times, there must be hope.

Que a gente tem que lutar, lutar, lutar e lutar. Ainda mais se formos mulheres! Star Wars é a melhor franquia de filmes já feitas. E uma das mais feministas também!

May the force be with you.

E assistam ao novo filme, Os Últimos Jedi, ele tá PREENCHIDO de girl power!

0 em Comportamento/ Juliana Ali no dia 15.12.2017

Com amor, Ju: por um final de ano sem metas!

Nunca gostei do final do ano. Desde criança, sentia uma melancolia esquisita em relação a essa coisa de virada. De mudança. De recomeço. Ainda me sinto do mesmo jeito.

Parece que você é obrigada a planejar, sabe? A decidir coisas. A pensar. A rever sua vida. Para alguém mais tranquilo, mais deboas, isso não deve ser algo pesado. Talvez seja gostoso. Mas para pessoas como eu – cada erro é uma culpa eterna, mudanças trazem insegurança, etc etc – fazer as tais resoluções de ano novo são um grande saco.

Claro que ninguém é obrigado a nada, e eu nunca fiz resolução de ano novo nenhuma na minha vida, mas ainda assim… Não gosto, quero que acabe logo esse clima de:

Não, sério. Olha a cara da Simone, parece que ela vai me matar se eu não responder: “FIZ TUDO CERTO PAPAI NO… quedizê, SIMONE!”. É muita pressão.

Então nesse fim de ano vou me propor uma novidade. E proponho pra você também – caso você seja como eu, uma pessoa que não está a fim de provar pra Simone nem pra ninguém que você foi boazinha em 2017.

E se a gente desencanasse de fazer promessas de ano novo? E se a gente não pensasse na vida nem no que a gente fez nem no que vai fazer? E se só curtisse o momento? E se a gente só ficasse feliz por estar aqui, por ter enfrentado mais uma batalha, por ter sobrevivido a mais um ano? E se a gente se orgulhasse de estar disposta a seguir em frente em 2018? E se as resoluções fossem sendo feitas conforme nossa necessidade, nosso momento, ao longo do ano, da vida?

Aposto que deve ter várias minas entre vocês, que estão aqui me lendo, que já fazem isso e estão pensando “porra, mas não é assim que é? Só quero pular sete ondinhas, Simone who?”

Orgulho de quem é assim. Vou me inspirar. Vou tentar ser mais leve, nesse reveillon, e em 2018. Opa, pera! Será que acabei de fazer uma resolução de ano novo?