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Mayara Oksman

2 em Autoconhecimento/ Mayara Oksman no dia 13.08.2018

O medo do novo!

Dona Joana bem sabe como eu atrasei a entrega desse texto. Eu sabia sobre o que eu queria falar, mas colocar em palavras deixa tudo sempre tão mais real que estava enrolando, enrolando, enrolando…

Pois bem, antes de efetivamente falar sobre meus medos iniciais (sim, vou falar de alguns deles), deixa eu explicar o status atual das coisas para ninguém se perder: vim com a minha mãe para a Itália para darmos entrada nos papéis da cidadania e depois disso combinamos de viajar por alguns lugares, terminando em Torino onde efetivamente está parte da nossa famiglia italiana. Quem me acompanha no Instagram viu que fizemos bastante coisa nos últimos 15 dias, curtindo muito praias maravilhosas e cidades maiores, lindas e apaixonantes como Firenze e Milano.

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Essas são as férias que eu não tirava há mais de um ano e meio. E por isso decidi curtir muito, comer muito, sentir tudo intensamente. Acho que isso eu fiz muito bem, aliás. Meu coração está batendo com mais energia e minha alma (meu mar, como gosto de chamar) está sorridente. Não deixei minha ansiedade bater, não pensei muito no que viria a seguir e fiz questão de deixar as coisas seguirem seu curso natural.

Ontem eu e minha mãe chegamos em Torino e isso significa que minhas férias e meu último laço com o que eu entendo como “segurança” estão chegando ao fim. Eu acho que sempre me virei muito bem na minha vida em geral, mas mesmo assim, ter a mãe do lado é ter parte de casa com você. E essa parte está indo embora.

E ta aí um dos desafios: o início do que eu chamo voar sozinha, andar de bike sem rodinha, se virar nos 30. Ou seja, vai começar o que eu efetivamente vim fazer na Europa: tentar recomeçar, arranjar um trabalho, aprender outra língua, longe de casa, longe da minha família, do Oscar e dos meus amigos.

Agora minha ficha caiu que eu pedi demissão mesmo. Que eu não vou pegar um avião, voltar para São Paulo e para o escritório. Que eu não vou recomeçar aquela rotina que eu tinha. Que de sábado não vou até a Vila Madalena fazer a unha com uma amiga. Que marcar um jantar com as meninas vai ser simplesmente impossível, assim como um “vamos lá na Zara rapidinho” e um “topa fazer nada junto”. Que eu não vou com o meu cachorro no Starbucks no domingo de manhã e que minha funça de tia vai ser exercida por Facetime e Whatsapp. Que a vida de todo mundo vai continuar lá em São Paulo enquanto a minha sabe-se lá o que vai ser e onde vai ser.

Entendam: eu já tinha pensado em tudo isso quando tomei minha decisão. Eu anotei tudo isso num caderninho, foi tudo muito consciente. Mas agora saiu do papel, é real, é palpável. Não ta chegando. Ta aqui, é agora. E isso, meus queridos, dá medo. Medo de não conseguir, medo de ter algum problema e não saber como resolver, medo de ninguém me ajudar se eu precisar, medo que alguém morra enquanto eu estiver longe, medo que meus amigos se afastem, medo que meus amigos me esqueçam, medo que meu cachorro me esqueça… medo, medos, de todos os tipos.

Racionalmente eu sei que está tudo bem e que vai ficar tudo bem. Que se alguém morrer, ia morrer comigo aqui ou em São Paulo. Que se meus amigos se afastarem, eu vou atrás deles para conversar. Que se eu tiver problemas, eu vou dar um jeito de resolver. Que se der tudo errado, eu simplesmente volto para o Brasil. Que tudo que é novo e desconhecido, assusta mesmo. Que ter medo é normal nessas horas.

Mas a gente não consegue ser 100% racional. É fácil falar e escrever, mas vai ser difícil na prática. E tudo bem, vamos seguindo em frente mesmo sendo difícil e enfrentando os medos dia após dia. E lidando com os problemas quando eles aparecerem e se aparecerem não é mesmo? Acho que vai ter que ser dessa forma. Segurando a ansiedade e indo com medo mesmo. Aliás, espero que vocês não tenham cansado da Mayara indo com medo mesmo, porque tenho a sensação de que esse meu lema é real oficial para 2018 e para sempre.

2 em Autoconhecimento/ Mayara Oksman no dia 24.07.2018

Sobre abrir as asas e (tentar) voar!

Mês passado vim aqui no Futi falar com vocês sobre segundas chances e fiz uma breve menção ao que ainda seria a minha “grande segunda chance”. Quando escrevi aquele texto, já bem ciente dos meus planos, fiquei me perguntando como ia explicar para as pessoas o que eu ia fazer a seguir. Na realidade, eu estava mais preocupada com o que os outros iam achar da minha decisão: se iam me achar louca, se iam rir da minha cara, se iam me desencorajar.

Sei que isso não deveria importar tanto, mas no meio do furacão, com medo do incerto e do que quer que viria a seguir, ser desencorajada ou ouvir coisas negativas não ia ser de grande ajuda. Se eu deixaria de seguir em frente? Acho que não, mas seria sim mais difícil, não vou negar!

No final todo mundo acabou me dando algum tipo de suporte diferente, mas que, em conjunto, se transformou em algo muito positivo para carregar comigo. Essa energia toda veio dos meus pais, avós, irmãos, sobrinhos, primos, amigos, dos meus chefes e colegas de trabalho. Cada um, de alguma forma, me deu força para seguir em frente e eu sou (e serei para sempre) imensamente grata por isso.

Pois bem, depois de alguns meses pensando muito, trocando muita ideia, batendo muito papo e guardando um pouco de dinheiro, pedi demissão do que eu, até algum tempo atrás, achava que era o emprego dos sonhos, comprei uma passagem para a Itália e cá estou agora vendo a papelada da minha cidadania para tentar escrever um novo capítulo da minha história daqui do velho continente (bebendo bons vinhos, fica a dica).

Se eu vou ficar na Itália? Não sei. Se eu vou ficar aqui três, seis, doze meses? Não sei também gente! Pela primeira vez na minha vida eu liguei o modo “não saber”. E olha que para control freaks como eu, não é nada fácil simplesmente “não saber”. Mas foram meses e meses de terapia para entender que tudo bem não saber o que vem por aí. Que eu não preciso ter medo. E que o máximo que vai acontecer é eu voltar para o Brasil. Sem dinheiro ou com uma reserva bem pequena, sem emprego, mas espero muito que, no mínimo, com muitas histórias para contar, aprendizados e outros tipos de riquezas dentro de mim. E, como família e amigos queridos disseram, serei recebida de braços abertos. Então por que não me dar essa (segunda) chance, correr esse “risco”? Se eu nunca for, nunca vou saber o que seria, não é mesmo?

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Nesses primeiros dias na Itália gastei boas horas lendo “O ano em que morri em Nova York”, da Milly Lacombe. Logo nas primeiras páginas veio uma frase que muito me impactou, porque se encaixou com o que eu estava sentindo, pensando, repensando e criticando em mim mesma há algum tempo: é perfeitamente possível que nos adaptemos a uma vida de cativeiro, porque as mesmas paredes que limitam também protegem”.

Acho que tenho dois principais motivos para ter “largado tudo”. O primeiro, mais claro e que tem tudo a ver com a frase do livro, é sair debaixo das asas dos meus pais, tentar voar sozinha e seguir meu sonho de morar fora do Brasil. O segundo, um pouco mais complexo, é tentar entender o que é felicidade para mim. Talvez ela esteja bem debaixo do meu nariz, mas do jeito estava a minha vida, não conseguia e nem consigo até agora enxergar isso. Eu tenho plena consciência de que não dá para ser feliz todos os dias. Mas no final, a conta dos dias menos felizes não pode ser tão grande como estava sendo nos últimos tempos.

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Como disse no meu instagram, na minha última foto em solo brasileirobora voar, expandir meu mar, ressignificar, descobrir, redescobrir, pensar, conhecer, andar, sorrir, chorar, aprender, surtar, entender, tentar, lutar, cansar, descansar.

E é isso, gente. To aqui pensando muito positivo, esperando que essa experiência, dure o quanto tiver que durar, seja uma jornada de autoconhecimento, com muito significado e intensidade. 

0 em Autoconhecimento/ Mayara Oksman/ Relacionamento no dia 05.06.2018

Sobre segundas chances

Há algum tempo tive uma conversa com amigas sobre segunda chance e fui super enfática ao dizer que era a favor e que eu era uma pessoa de segundas chances. Fiquei com aquilo na cabeça, matutando por uns dias e aí uma ficha caiu de leve: “eu sou mesmo uma pessoa de segundas chances? Ou eu sou uma pessoa de segundas chances para os outros, mas nem sempre para mim mesma?”.

Vou explicar melhor: quando alguém faz algo que eu não gosto ou não concordo ou fico chateada, costumo sempre dar uma segunda chance. Dei muitas segundas chances para o meu ex-namorado (uma hora deixaram de ser segunda chance e passaram a ser cegueira, mas tudo bem, já falei disso aqui e trabalhei isso na terapia). Dou segundas chances para pessoas que, sem querer, acabam errando comigo. Seja traindo um pouco minha confiança, seja simplesmente sumindo da minha vida e voltando do nada. Colegas de trabalho, amigos, conhecidos, não importa.

Eu sou uma pessoa que acredita que o outro pode mudar minimamente ao ter uma segunda chance. E se isso está certo ou não e se a pessoa merece isso eu realmente só vou descobrir depois, não tem jeito. Mas a questão aqui é outra: eu acho que não me dou (ou não me dava) segundas chances suficientes.

Sempre fui mais crítica, mais dura comigo. É ferro e fogo, vai ou racha. E por quê? De onde eu tirei que todo mundo poderia ter uma segunda chance e eu não? Por que eu acharia que “tudo bem” o que os outros fazem, mas não “tudo bem” o que eu faço? Acho que é a pressão interna. Acho que é aquele sentimento louco, que eu nutro sozinha de que se eu preciso de segunda chance é porque errei e eu não posso errar, que eu tenho que ser perfeita e me adequar ao que está acontecendo esteja eu feliz ou não.

Fiz uma autocrítica e concluí que do ano passado para cá, eu me dei sim segundas chances. Talvez não tantas quanto eu merecia, mas as que ocorreram foram muito importantes. Eu me dei uma segunda chance como mulher. No sentido amplo de mulher. Seja meu lado pessoal e profissional. Não preciso entrar em detalhes: quem me acompanha por aqui e leu os últimos textos vai entender do que eu estou falando. Não foi um ano fácil, mas eu não desisti de mim e acho que isso é o que mais importa. Se autoconhecer, se reinventar se for preciso, se perdoar. Gente, se eu mesma não me olhasse, se eu mesma não me perdoasse, quem mais ia fazer isso?

Eu prometi no final de 2017 que esse ano seria o ano dos desafios e do vai com medo mesmo. Pois bem, estamos no começo de junho e acho que fiz muitas coisas com medo. Inclusive uma grande segunda chance, que vou contando aos poucos para vocês. Esse último ano me mostrou que eu precisava mudar algumas coisas na minha vida e ir atrás de alguns sonhos. Vou tentar fazer isso e to indo com medo mesmo.

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Não tenham medo das segundas chances. Se elas vão sempre ser positivas? Não sei, gente. Isso só o tempo vai dizer! Mas acho que é melhor se arrepender de ter tentado do que simplesmente ficar parada no lugar imaginando como seria, aquele tão famoso “e se”?

Se o arrependimento vai bater eu não sei, mas só a possibilidade de se deixar tentar fazer algo diferente já me faz acreditar que todo mundo merece uma segunda chance, inclusive e principalmente eu mesma.