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Mayara Oksman

1 em Comportamento/ Convidadas/ Mayara Oksman/ Reflexões no dia 02.01.2018

Hello, it’s me (para ficar agora)

Todo final de ano eu faço uma lista de coisas que quero tentar realizar ou cumprir no ano seguinte. A lista sempre varia bastante, com coisas que vão desde “tentar guardar dinheiro” (será que esse ano vai?) a objetivos mais específicos e concretos.

E enquanto eu fazia a lista para 2018, algo que Joana e Carla falam há tempos grudou na minha cabeça: ser colunista real oficial do Futi e aparecer aqui com regularidade. Elas nunca reclamaram dos meus sumiços e sempre me deram total liberdade para escrever quando eu quisesse, sobre o que eu quisesse. Mas elas sempre me deram espaço para eu chegar chegando e ficar de vez, quando me sentisse pronta para isso.

Talvez por medo de não conseguir cumprir com a função, talvez por medo de esgotar pensamentos, talvez por medo de vocês cansarem de mim e dos meus textos, das minhas ideias e desabafos, eu sempre tive um pé atrás. Sempre falei para Jo e Cá: “não, amigas, não to pronta” ou “não sei sobre o que eu escreveria todo mês” ou “não sei se teria criatividade”.

Pois bem. Decidi me jogar estando pronta ou não: se tem algo que eu aprendi em 2017 é que a gente não precisa necessariamente estar pronta. A gente só precisa respirar fundo e seguir em frente. A vida vai lançando os desafios e a gente vai caindo, levantando, caindo, levantando, mas sempre indo, seguindo.

Comece onde você está. Use o que você tem. Faça o que puder.

Comece onde você está. Use o que você tem. Faça o que puder.

Não sei sobre o que eu vou escrever nos próximos 11 meses. Talvez eu tenha mais dificuldade em um mês, mais facilidade em outro, mas não importa. Só sei que escrever para vocês sempre me fez bem. Ler o que vocês tinham para me dizer em resposta, mais ainda. Vocês não sabem como é bom isso, gente. E não to falando só do feedback positivo. Lembro até hoje de um comentário fazendo uma leve crítica ao meu primeiro texto e, poxa, como fez sentido, sabe? Rola uma troca aqui e eu decidi que quero ter essa troca com mais frequência.

Então é isso, me comprometo e garanto pelo menos uma coisa: que vocês me verão aqui todo mês, de janeiro a dezembro, abrindo os meus pensamentos, transbordando sentimentos, falando muito, falando pouco, na alegria e na tristeza, faça chuva ou faça sol.

FRASE2

Me desejem sorte, falem comigo se quiserem (nos comentários, por e-mail, pelo Instagram ou pelo messenger do Facebook – eu posso não estar mais no Facebook, mas o tio Mark deixa eu falar com vocês mesmo assim), mandem sugestões, enfim… estou e estarei aqui!

Real oficial, com medo, me jogando, seguindo.

0 em Autoestima/ Comportamento/ Convidadas/ Destaque/ Mayara Oksman/ Relacionamento no dia 29.09.2017

Vamos dar as mãos ao invés de botar os pés para outra tropeçar?

Setembro sempre foi um dos meus meses prediletos do ano, porque sempre me remeteu à renovações. Não sei o motivo, não sei desde quando, só sei que é assim para mim. Em 2016, Setembro foi o mês em que eu aceitei uma nova proposta de trabalho, que a princípio já começaria com um mega desafio. Era deixar para trás o conhecido e entrar em um mundo completamente novo, com pessoas novas, rotina nova, tudo novo. E bom, não foi diferente em 2017.

As pessoas mais próximas (e quem prestou atenção em um dos posts no Instagram do Futi essa semana) já sabem que meu namoro acabou. E apesar de ter vontade de escrever milhares de linhas sobre isso, vou manter essa questão mais privada, até porque é recente, não sou de ferro e é difícil falar sobre tudo ainda.

Mas quero muito escrever sobre uma conversa que tive recentemente.Uma conversa com alguém que passou pelo que eu estou passando agora. Alguém que não me conhece pessoalmente, mas que sabe quem eu sou e vice-versa. Alguém que não precisava ter respondido o que eu perguntei. Alguém que não precisava ter respondido at all. Mas ela respondeu e gente… respondeu lindamente. E como foi importante para mim. Ela falou de dor, de como demora para passar, mas passa. Ela falou de decepção, de raiva, de tristeza. Ela falou de amor e de como as coisas podem e devem ser simples no amor. De como a gente cai, mas levanta ainda mais forte.

 

garotas apoiam garotas

Falei para ela como tinha sido importante ler tudo o que ela me escreveu, mas acho que ela não tem ideia do quão importante foi. Me deu fôlego, me deu força, me deu clareza. Ela me inspirou, me incentivou, disse que tudo vai ficar bem. Ela me deu um abraço com palavras. Me mostrou que meu instinto sempre esteve certo. E poxa, como eu quero e devo seguir mais o meu instinto! E quero que vocês sigam os instintos de vocês também. A gente não tira pensamentos do nada. A gente sabe. No fundo, bem no fundo, a gente sabe. A gente sabe o que nos faz bem e o que nos faz mal.

Essa conversa deixou meu mês especial. Deu continuidade ao meu pensamento de que em Setembro, tem renovação. Eu entro em Outubro, e para essa nova fase da minha vida, mais confiante, mais forte, mais poderosa. Cada experiência, boa ou ruim, faz parte de quem eu sou, fazem pedacinho por pedacinho de mim. Eu sou quem eu quero ser e eu não preciso de ninguém do meu lado para fazer com que a minha vida aconteça ou siga em frente. Eu sou minha prioridade e eu sou suficiente. Todas nós somos.

verdadeiras rainhas arrumas as coroas de outras rainhas

Queria conseguir agradecer ela de tantas formas, mas acho que a melhor delas é compartilhar um pouco do que eu aprendi com vocês, para que vocês também compartilhem com outras. Foi uma conversa entre, que me perdoem Cá e Jô pelos palavrões, duas mulheres foda. Dois mulherões da porra. Como todas as mulheres. Que a gente se abrace, se una, se ajude, se dê uma mãozinha ao invés de uma perna para a outra tropeçar. Que a gente se dê valor, que a gente não julgue sem saber.

Um beijo para todas vocês, mas, em especial, para ela.

1 em Autoconhecimento/ Comportamento/ Convidadas/ Mayara Oksman no dia 08.06.2017

Distância e saudade

Distância sempre foi uma palavra conhecida por mim. Eu cresci com meus irmãos morando em outro país. Já adolescente, e com parte dos meus irmãos de volta, minha mãe quis morar por um tempo em outra cidade e eu fiquei em São Paulo por causa do colégio e das amigas. Já na faculdade fiz amigos de várias partes do mundo em um curso de verão nos Estados Unidos. Facebook e Skype sempre ajudaram muito e, não vou negar, pareciam suficientes.

Mas existem quatro diferentes (e ao mesmo tempo similares) situações na minha vida que eu tenho tido dificuldades de lidar: Minha irmã mais velha, duas melhores amigas, minha mãe e meu namorado morando fora.

Minha irmã mais velha nunca quis voltar para o Brasil. Ela casou, teve filhos, criou uma vida. A gente tenta se falar sempre que dá, mas no final a rotina de cada uma sempre atrapalha. Eu não sou para os meus sobrinhos de lá a mesma tia que sou para os sobrinhos daqui. Aqui eu deito no chão, brinco de esconde esconde, aprendo música de seriado da TV Globinho e dou bronca quando pintam o sofá com canetinha. Com meus sobrinhos que moram fora é como se eu simplesmente existisse. Eu consigo manter um “contato” maior com os mais velhos, porque agora eles falam inglês e têm Facebook, Instagram e Whatsapp. Mas já não é igual. Com os mais novos, eu praticamente não tenho contato: eles falam hebraico, então sempre dependo de um dos meus irmãos para traduzir a conversa. Eles não têm rede social para eu fuçar a vida deles e vice-versa.

Eu me culpo. Me culpo por as vezes deixar isso de lado. Por nunca ter aprendido a falar hebraico. Por raramente mandar presentes nos aniversários e fazer uma surpresa. Por, em 28 anos de existência, ter ido uma única vez para Israel. E eu também culpo minha irmã por não ensinar eles a falar português, por não enviar fotos recentes ou simplesmente por viver a vida dela lá, como eu vivo a minha aqui. Confesso que é complicado.

Minha mãe, que depois de ir morar em Brasília por dois anos voltou para casa enquanto eu estava na faculdade, agora foi trabalhar em Manaus. Ela vem final de semana sim, final de semana não, então até que tudo bem. Mas tem dias que eu chego do trabalho e tudo que eu queria era colo. Era contar para ela XYZ. Era pedir conselhos. Confesso que eu não falo muito com ela, “bom dia” e “boa noite” via Whatsapp e é isso. As vezes é como se falar com ela pelo telefone piorasse as coisas. Freud deve ter uma explicação para isso. Eu e ela apenas vamos seguindo. Quando estamos juntas raramente estamos sozinhas, pois além de ter que dividir ela com pai, irmãos e sobrinhos, tenho que dividir ela também com o Oscar, meu cachorro, que aparentemente é um traíra e ama mais a ela do que a mim.

Duas das minhas melhores amigas decidiram morar fora. Uma delas foi há mais de quatro anos e a outra foi há quase um. Essa última vocês conhecem por nome e sobrenome, ela já escreveu por aqui sobre como está sendo a experiência dela ao largar vida e trabalho para morar fora. E não importa há quanto tempo elas estão longe. A saudade não diminui. A falta que elas fazem nunca muda. O Facetime ajuda muito, assim como o Whatsapp. É bom para bater um papo, saber das novidades, contar os baphos, etc. Mas putaqueopariu, não é a mesma coisa. E sim, eu tenho outras amigas, mas uma não substitui a outra, uma não preenche o vazio que a outra causa.

Eu claramente deixei o mais difícil por último. Apesar de querer falar uns quinze parágrafos sobre ele – e sobre nós – eu não quero falar demais a ponto de uma exposição que eu sei que ele não gosta. Ainda estou tentando achar um meio termo, porque como vocês bem sabem eu sou dessas que desata a falar e só para quando cansa. Só digo para vocês que uma das coisas mais difíceis que já fiz é ter alguém que eu amo (de uma maneira completamente diferente das situações acima) morando longe. E não é longe “outra cidade”, é longe “outro país, outro continente, outro fuso horário”. Não existe Facetime que aguente, porque Facetime não vai comigo no cinema ou no restaurante, não senta comigo no sofá e assiste seis horas seguidas de Netflix. A gente tenta fazer o que dá, mas eu sei que algumas coisas a gente só vai ter quando morarmos perto um do outro. Isso me deixa ansiosa e é algo que eu trabalho todos os dias. É um desafio diário e constante.

Em resumo, seja das amigas, da irmã, do namorado ou da mãe, distância é distância, saudade é saudade. Enquanto uma não diminuir, a outra sempre vai aumentar.