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Camilla Estima

2 em Autoestima/ Camilla Estima/ Saúde no dia 06.09.2018

“Não posso correr o risco de ser gorda”

Sei que a frase do título é impactante, mas é assim que pensa a pessoa gordofóbica. E não to falando em gordofobia com preconceito explícito, não.

Nos últimos dias, durante consultas com alguns pacientes onde a tônica sempre acabava no medo de engordar ou de tornar-se gordo, tive alguns insights que fiquei com vontade de dividir aqui no Futi. Quando, já estava enumerando os motivos que fui reunindo nessas consultas que me dessem uma ideia do que a sociedade acha das pessoas gordas.

As respostas foram das mais diversas, mas ao mesmo tempo bem homogêneas:

– gordos são fracassados
– gordos não têm força de vontade
– gordos são acomodados
– gordos não prezam pela sua saúde
– gordos não tem apreço pelo seu corpo
– gordos são gordos porque querem
– gordos são desleixados
– gordos são sem vergonha
– gordos não têm foco
– gordos não querem mudar seu comportamento

E aí,  já que a sociedade pensa isso dos gordos e muitas pessoas – com todos os tipos de peso – foram criadas em cima dessas verdades gordofóbicas, qual a linha de raciocínio mais comum? “Eu não posso correr o risco de que pensem isso de mim, pois se eu for gorda eu entro nesse pacote todo e tudo que eu não quero é ser incluída nesse grupo.” Para evitar esse risco, recebo no meu consultório regularmente pessoas que morrem de medo – e alguns casos, até mesmo pavor – de engordar, e por causa disso entram em uma espiral de dietas. Qualquer uma que seja.

A revista está dizendo que celebridade X emagreceu 20 quilos fazendo a dieta da água? Experimentam. A musa fitness do instagram está dizendo que passou a tomar um chá desintoxicante que fez ela desinchar e emagrecer 5 quilos em 3 dias? Opa, no dia seguinte o chá está na casa delas. Um site disse que a nova dieta que promete fazer você emagrecer sem riscos de efeito sanfona anunciou uma nova forma de se alimentar? Por quê não tentar, né?

Por conta dessa ótica, a perda de peso passa a ser considerada uma conquista justamente porque na cabeça de muita gente, emagrecer – 100g que seja – significa se afastar da ideia de ser vista como alguém preguiçoso, desinteressado, relaxado, sem força de vontade, perdedor, doente.

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Agora pensando friamente, de tudo acima que listamos sobre pessoas gordas, isso efetivamente acontece? Quando saiu a matéria de capa da Tess Holiday na Cosmopolitan – revista internacional de impacto global – a própria revista publicou uma matéria sobre a repercussão de sua capa e começa com uma frase espetacular: “ninguém está mais ciente do seu corpo do que uma pessoa gorda”. É isso.

Não, não estamos fazendo apologia à obesidade, não estamos glamourizando a obesidade (que sinceramente, nunca entendo quando tentam usar esse argumento), tampouco estamos pedindo para as pessoas serem gordas. Com esse papo, estou tentando estimular a EMPATIA com as pessoas, especialmente com as gordas que tanto sofrem esse bando de estigma e preconceito que fiz questão de enumerar no começo do texto.

Vira e mexe quando falamos isso vem a galera da higienização do corpo gordo: “Ah, mas estão doentes!” “Ah, mas achando essa gorda na capa, estamos propaganda doença”. E aí eu penso, caramba, se eles por acaso estiverem doentes, seria mais um motivo que deveria me fazer acolhê-los, não? De que adianta apontar o dedo a alguém doente? E mais, se a Tess Holiday está doente na capa da Cosmopolitan, ela não teria direito ao espaço por isso? Pessoas doentes devem ser marginalizadas? Que tipo de pensamento é esse, gente?

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Enquanto não falarmos abertamente sobre gordofobia e ela não incomodar as pessoas, inclusive a você que está lendo esse texto e se identificou de alguma forma com ele, o mundo vai continuar do jeito que está.

Temos que ter EMPATIA e temos que ACOLHER as pessoas, qualquer que seja o seu corpo, peso ou aparência. Estando elas saudáveis ou não. Isso não é propagação de doença e sim de RESPEITO.

1 em Camilla Estima/ Saúde no dia 22.08.2018

Por que você NÃO PRECISA entrar no Projeto Verão

Ano passado falamos aqui mesmo no Futi sobre “Projeto Verão” e os problemas dele. O meu texto entrou no ar no dia 29 de novembro. Por que resolvi escrever um outro texto sobre Projeto Verão agora em Agosto? Por que começaram a pipocar indícios e preocupações que comprovam que isso começa antes. Só agora notei como fui inocente no ano passado.

Isso tudo começou porque meu irmão reparou que na 2ª feira de manhã, dia 6 de agosto, ele estranhou a academia que ele vai regularmente lotada, bem mais cheia do que costume. Perguntei dali, daqui e no insta confirmei, o motivo era a virada do semestre e a proximidade do verão. Aparentemente 6 meses de distância já é considerado próximo. Portanto, sem saber o meu texto do ano passado estava atrasado, por isso esse ano resolvi  trazer outros pontos e dessa vez com a antecedência necessária. 

Confesso que fico um pouco assustada, ainda mais considerando a academia como um meio de manter o corpo ativo no dia a dia em uma rotina equilibrada, olhando a saúde como um todo não deveríamos considerar frequentar um local de  atividade física só quando bate um desespero de que se precisa emagrecer. Se estamos falando em uma busca saudável por manter o corpo fazendo exercício a prática dele não deveria estar condicionada a uma busca tão antecipada pelo tal “corpo do verão”.

Listamos alguns motivos que comprovam que você não precisa começar um projeto verão:

  • Por que todo ano é a mesma coisa? Será que se esse fosse um método que realmente funcionasse, você precisaria recomeça-lo todo ano? Se todo esse processo de ter um corpo dentro do padrão estético e atlético fosse de fato sustentável para todo mundo precisaríamos de projetos para isso? Pessoalmente acho que não. O tal “estilo de vida”, leve e natural, seria  fácil de ser mantido sem sofrimento.
  • Dito isso. Como você se sente ao entrar todo ano em um projeto falido? Desculpa, eu sei que essa palavra é forte! Pode até soar como um julgamento, mas não consigo arrumar outra forma de adjetivar algo que precisa sempre ser repetido, por mais que ele dê certo em algum momento, as vezes só a tempo de tirar as primeiras fotos.
  • Ele faz com que pessoas fiquem presas a uma obrigação de “entregar” um corpo pro verão. Como se só um tipo de corpo fosse digno de ir a praia ou ser postado nas redes sociais.  Isso não gera angustia? A sensação de pressão aparece, podendo mexer com a relação que se tem com a comida e com o próprio corpo, que não responde aos estímulos exatamente da forma que queremos.
  • Ele coloca um prazo de validade para se chegar a um objetivo. Essa corrida contra o tempo não gera ansiedade? E se o resultado não vem da forma esperada… Onde você vai descontar essa frustração?
  • Como se faz nos momentos “não verão”? A saúde para de importar nas outras estações? A busca pela verdadeira saúde não deveria estar num equilíbrio menos agressivo para o corpo? 

A coisa que mais me preocupa nesse discurso de chegar a um determinado tipo de corpo para o verão é que para conseguir “resultados rápidos” e no tempo estipulado, geralmente você restringe MUITO a sua alimentação. E quando percebe, já está presa nas dietas e promessas milagrosas, que na maior parte das vezes são armadilhas perigosas. O que pode parecer um modismo alimentar inofensivo pode na verdade ser um gatilho para uma compulsão ou uma relação sem paz com a comida, onde você nega o que te dá prazer, coloca culpa como ingrediente principal e perde o controle emocional do seu comportamento com a alimentação. Uma modinha do momento pode ter consequências muito mais graves.

projeto-verao

Até hoje nunca vi um projeto verão que de fato trabalhe a sua relação com a comida ou com o corpo de forma a atingir um equilíbrio saudável e duradouro. E atém disso, ela instiga o modo excludente de pensar que ambientes onde é preciso botar um biquini – seja ele praia ou piscina – não são para todas. Nem queria estar lembrando isso aqui, mas QUALQUER CORPO é digno de ir à praia e QUALQUER MULHER tem o direito de ser muito feliz no verão, independente do número na balança ou da roupa.

Portanto, agora que ainda estamos longe do verão, pense como você pode começar a olhar isso tudo de forma mais crítica, consciente e responsável com relação ao seu corpo e sua saúde. Se seu desejo é emagrecer para se sentir melhor no biquini, você tem todo o direito de fazer isso, mas acho importante lembrar que mudanças de comportamento levam tempo a serem estabelecidas para que você consiga ter uma melhor relação com seu corpo e com sua alimentação, buscando equilíbrio de forma sustentável a longo prazo. Não procurando apenas um milagre para durar 3 meses, para depois compensar toda falta com exageros. É preciso que saíamos do automático e repensemos no quanto essa procura por uma alimentação de modismo, sustentável apenas por um curto espaço de tempo, pode ser prejudicial.

Nesse meio tempo proponho pensar como podemos aproveitar nosso verão de verdade sem estar sufocada e refém desses padrões.

1 em Camilla Estima/ Destaque/ Saúde no dia 11.06.2018

Anorexia nervosa e o risco de normalizarmos a magreza exagerada

Era uma vez uma menina que cresceu ouvindo comentários sobre o seu corpo. Comentários que a faziam se sentir inadequada, não pertencente àquele meio social, e isso começou a lhe incomodar. Esse incômodo se transformou em palavras duras consigo mesma. E o que ela sentia? Tristeza, frustração, raiva e assim ficou o sentimento por esse corpo. E o que ela começou a fazer? Mudá-lo, a qualquer custo. Começou então a primeira dieta, que pareceu ser fácil na medida do possível, obtendo resultados rápidos. “Que ótimo”, ela pensou, “isso funciona”. Ninguém a questionou, visto que dieta é uma coisa normal a se fazer. Todo mundo faz, não é mesmo? Mas ela era magra. “E daí? Deu uma engordadinha, tem que emagrecer” pois afinal magras também fazem dieta. Junto com a dieta ela começou a conhecer mais os alimentos, suas propriedades e em especial uma delas: a quantidade de calorias. Já que ela começou a dominar esse assunto, contar calorias virou uma coisa do seu dia a dia. E também a retirar alimentos que as pessoas comiam normalmente, pois as calorias a incomodavam.

Passado um tempo – e a dieta não funcionava mais como antes – isso começou a incomodar. “Já sei, vou malhar”, pensou ela. Começou a fazer uma, duas, três aulas seguidas na academia, voltou a emagrecer novamente e os elogios a respeito da sua perda de peso começaram a aparecer. E ai ela se engajou mais e mais na dieta e nos treinos. Começou a se recusar a comer alguns alimentos, tanto em casa quanto em algumas situações sociais, mas isso nunca era feito muito abertamente. Com o aumento da perda de peso, comentários como “Nossa, como ela é dedicada”, “Viu, tendo força de vontade a gente sempre consegue” eram frequentes e a estimulavam ainda mais. Acontece que aquilo não estava sendo suficiente, pois sempre que se via no espelho ela continuava odiando a imagem refletida.

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Não conseguia ver e muito menos sentir a perda de peso que tanto a elogiavam, então resolveu pegar mais firme na dieta e ir mais de uma vez por dia na academia. As pessoas começaram a reparar de diferentes formas: “você agora está magra demais” (e não achava que era uma crítica, apesar de se olhar no espelho e continuar insatisfeita), “está com cara de doente” (como doente se ela estava começando a chegar aonde queria?), “o que você fez para emagrecer?” (isso a estimulava ainda mais a continuar). Eis que um dia ela cai na academia, fraca e sem energia. Levou um susto mas não contou pra ninguém da família. “Foi uma queda de pressão”, imaginou. Só que outro dia desmaiou em casa e a família começou a se preocupar. Quanto mais diziam que ela tinha que parar de emagrecer, que estava magra demais ou que estava ficando doente, menos isso importava para ela. Desde que ela se sentisse magra – o que não era o que ela sentia ao se olhar no espelho. E assim ela ficou doente. Em um processo silencioso e solitário mas aos olhos do mundo ela era bem sucedida pois era magra e ainda estava conseguindo emagrecer mais.

Essa história é uma ficção. Essa menina não existe, mas tudo que eu contei é verdadeiro, pois juntei fatos que ouvimos diariamente em relatos de pessoas que nos mostram como transtornos alimentares se iniciam. E eles se iniciam de uma forma abrupta? Muitas das vezes não, como relatei acima. Pode ser a história que você viu começar em alguém? Sim, pode. E as coisas que falam para ela, são absurdas? Não, não são, principalmente dentro do contexto desse mundo maluco que vivemos onde uma menina magra estar de dieta super restritiva ou malhando loucamente é considerado normal. Além do mais, mostra que muitas vezes os transtornos alimentares são doenças silenciosas ao olhar do outro, ou seja, você pode estar convivendo com alguém que tem e você nem sabe, e pior, ainda a está estimulando a ficar mais doente. Por isso sempre falamos para não comentar sobre o corpo ou o peso dos outros pois você não sabe quem está ouvindo aquela informação.

No caso da anorexia nervosa ela começa a ficar aparente aos olhares das pessoas por causa da magreza evidente, mas mesmo assim nem sempre as pessoas se assustam com isso pois exatamente essa magreza é cultuada hoje em dia e dificilmente questionada.

“Ah, mas deixa ela ser magra”, comentam. Será? Será que isso já não é um alerta pra nos darmos conta? Não estou dizendo que todo mundo é anoréxico ou que toda mulher magra que está de dieta tem transtornos alimentares,  mas um olhar mais atento e de empatia com essas pessoas nós temos que ter.

Sabe por que pessoas magras que possam estar doentes não são questionadas pela sua magreza? Por que elas se encaixam em um padrão e por isso não precisam dar satisfação do seu corpo a ninguém, pois ela não incomoda.

Agora que a historinha já foi contada, vamos falar sobre o quadro de Anorexia Nervosa. Ela é um transtorno psiquiátrico que afeta o comportamento alimentar das pessoas e ele é diagnosticado por um psiquiatra. Profissionais de nutrição, psicologia e outras especialidades de saúde entram na equipe de tratamento parar auxiliar. O diagnóstico é feito com base em critérios, como o da Associação Americana de Psiquiatria (DSM V, 2013) que estão listados abaixo. Os comentários entre parênteses e em maiúsculo são explicações minhas para ficar menos técnico:

  1. Restrição à ingestão energética em comparação às recomendações (OU SEJA, A PESSOA COME MENOS ENERGIA DO QUE LHE É RECOMENDADO), levando a um peso corporal baixo em relação à idade, sexo, trajetória de desenvolvimento e saúde física (UM PESO ABAIXO DO QUE É ADEQUADO PARA ELA). Peso significativamente baixo é definido por peso mais baixo do que o minimamente normal e, para crianças e adolescentes, menos do que o mínimo esperado (NUMA CLASSIFICAÇÃO COMO O ÍNDICE DE MASSA CORPORAL, POR EXEMPLO, A PESSOA ESTÁ ABAIXO DO VALOR MÍNIMO ACEITÁVEL).
  1. Medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo (MEDO INTENSO NÃO É UMA PREOCUPAÇÃO QUALQUER COM O PESO) ou comportamento persistente que vá interferir no ganho de peso (CONTINUA COM PRÁTICAS PARA PERDA DE PESO OU EVITAR GANHÁ-LO), mesmo que tenha um peso significativamente baixo (MESMO QUE O PESO JÁ ESTEJA BAIXO A PESSOA CONTINUA COM MEDO DE GANHAR PESO E PROSSEGUE COM ESSES COMPORTAMENTOS PARA PERDE-LO OU EVITAR GANHA-LO)
  1. Perturbação na forma como vivencia o peso e forma corporal (PERTURBAÇÃO SOBRE A FORMA COMO SE VÊ, OU SEJA, PERTURBAÇÃO NÃO É UM INCÔMODO QUALQUER), com influência indevida na auto-avaliação do peso e forma corporal (OU SEJA, UMA AUTOAVALIAÇÃO INDEVIDA DO CORPO QUE TEM/ESTÁ NO MOMENTO), ou falha no reconhecimento da seriedade de seu peso atual (NÃO RECONHECE QUE PODE ESTAR PASSANDO POR ALGO GRAVE E MUITO SÉRIO)

O DSM V ainda classifica a Anorexia Nervosa de duas formas:

Tipo Restritivo: Durante 3 meses o indivíduo não realiza episódios de compulsão alimentar ou comportamentos compensatórios. Esse subtipo descreve a forma onde a perda de peso é resultado de dieta, jejuns e/ou exercícios físicos intensos.

Tipo purgativo/compulsão alimentar: Durante 3 meses, o indíviduo realiza episódios recorrentes de episódios de compulsão alimentar ou comportamentos compensatórios. (OU SEJA, ANORÉXICA TAMBÉM PODE INDUZIR VÔMITOS, USAR LAXANTES OU DIURÉTICOS!!! ISSO NÃO É COMPORTAMENTO EXCLUSIVO DE BULÍMICA)

A pessoa deve preencher todas essas categorias para ter o diagnóstico. E cuidado, não é para a gente sair se diagnosticando por aí e nem diagnosticando os outros. Por que achei importante colocar isso? Para as pessoas entenderem que é uma doença real, muito grave, de caráter psiquiátrico. Não é um comportamento passageiro, ou uma frescura “ah, mas ela não come porque não quer”, “ah, é uma fase, já já passa”, “ah, come logo e deixa de frescura”. É muito maior do que isso. Por isso temos que ter empatia por essas meninas. Na verdade temos que ter empatia por todas as meninas, né, de qualquer corpo que seja. Mas isso é história para um outro texto :)

Voltando à nossa historinha do começo do texto, vamos pontuar algumas questões dela e também discutir junto aos critérios diagnósticos? E levantar alguns erros que as pessoas cometem muitas vezes sem nem perceber:

  1. Mudar o corpo a qualquer custo – quando há essa ideia, algo de errado está acontecendo, pois será que essa mudança a qualquer custo vai efetivamente custar quanto a você? E à sua saúde física e mental?
  2. Começou a fazer a primeira dieta mesmo sendo magra – item 2 dos critérios diagnósticos “comportamento persistente que vá interferir no ganho de peso”.
  3. A recusa em comer alguns alimentos, grupos alimentares ou em situações sociais é um grande alerta pois mostra que a pessoa provavelmente tem medo daquele alimento ou não tem confiança em come-lo. Isso pode não ser anorexia nervosa, mas denota um comportamento alimentar transtornado.
  4. “Nas magras fazem dietas”. Eu fico me perguntando, por que ninguém questiona quando uma menina magra continua insistindo em fazer dietas. Magras não devem fazer dietas pois se elas estão insatisfeitas nesse corpo que já se encaixaria no tal do padrão, por quê a busca por magreza continua?
  5. Contar calorias – esse hábito nunca é saudável! Em nenhuma circunstância que seja. Quem tem que saber o valor calórico que você come é o profissional de nutrição que te acompanha (e se ele começar a lhe infernizar com isso, se ligue). Por que não é saudável? Pois começa a se tornar uma prática obsessiva, que não leva em conta o valor nutricional dos alimentos. É uma busca por números, assim como a do peso da balança ou do manequim da roupa.Originalmente por definição não é, mas está virando….
  6. Usar exercícios físicos em excesso para compensar ou ajudar na alimentação – é uma prática purgativa quando usada em excesso, quando atrapalha a sua vida social ou quando vem acompanhada daquela sensação de que nunca está suficiente.
  7. Os elogios pela magreza – elogiar magreza poder ser um baita problema pois se essa pessoa realmente tem um problema alimentar, seu elogio só estará reforçando esses comportamentos inadequados que ela faz para chegar a esse corpo. Sem contar que “estar magra” não é elogio, elogio é “você está linda”, “você está radiante” etc.

Moral de toda essa história: estamos vivendo em um mundo cultuado por um corpo extremamente magro, que pode estar custando não só a saúde física das pessoas, mas também a mental. Mundo esse que acha que comentar que alguém emagreceu é um elogio e que ela ganhou peso é um fracasso. Como sempre digo, enquanto nós vivermos num mundo que valoriza as pessoas pelo corpo e não pelo que elas são, a desconstrução vai demorar mais ainda pra acontecer.

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E o que podemos fazer da nossa parte como amiga, mãe ou pessoa próxima?

Evite comentários tipo: “Amiga, vi essa dieta, vamos fazer?” / “Filha, acho bom começar uma dieta pois você tá engordando” / “Amor, deu uma engordadinha heim, você já não está mais com o corpo de quando te conheci”/ “Se você emagrecer vai render melhor nos treinos” – dietas restritivas costumam ser o primeiro gatilho para o desenvolvimento de um transtorno alimentar.

Não dê apelidos a ninguém que levem em consideração a forma física da outra pessoa. Comentários como esses e também “apelidos inocentes” são gatilhos para a pessoa se sentir insatisfeita com seu corpo, inadequada e muitas vezes começar estratégias nada saudáveis para modificar esse corpo que ela sentiu ser julgado.

Anorexia Nervosa não é frescura, modismo e muito menos estilo de vida.

E para você, que possa estar passando por algum processo como esse, procure ajuda especializada. É um caminho que pode assustar mas totalmente viável. Grande beijo <3