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Convidadas

1 em Autoconhecimento/ Convidadas/ Experiência no dia 26.04.2017

E quando você sempre foi workaholic e resolve largar tudo para morar em outro país?

A Mari Martines é muito amiga da nossa amiga Mayara Oksman (que já publicou uns textos ótimos aqui no Futi), e como amiga da amiga também é amiga, acabamos super interessadas pela história dela, que largou tudo para morar no Colorado. Morar em outro país nem sempre é fácil. Por mais que a gente saiba falar a língua, acabamos nos deparando com inúmeras dificuldades e questões que não pensaríamos se não saíssemos da nossa zona de conforto. E a Mari chegou para contar sobre isso! Vem ver o que ela tem para contar! :)

Eu sempre me orgulhei das minhas decisões. Mais ainda, eu sempre me orgulhei por ser uma pessoa  decidida.

Sempre soube que queria ser advogada. Sem nenhuma história romântica por trás, sem nenhum insight na adolescência ou uma família de advogados. Nada. Só a certeza de que queria ser um instrumento da justiça.

Na faculdade, sempre soube com o que queria trabalhar. Foram quatro estágios, todos voltados para a área que eu já havia me apaixonado desde meu primeiro contato: Direito Médico.

Depois de formada, a certeza de onde eu queria trabalhar e o que queria me tornar. Na pós graduaçao, a mesma coisa, a mesma certeza.

Relacionamentos, idem. Podia até não agir de acordo (afinal, quase nunca agimos), mas sabia exatamente onde estava, o que ia acontecer, e como ia acabar.

Quando conheci meu marido não foi diferente. Não queria namorar, não queria me envolver, mas depois daquele primeiro beijo eu tinha certeza que nós dois íamos além….muito além.

No segundo ano de namoro, logo após uma viagem e um pedido de casamento de conto de fadas (literalmente) o, na época noivo, foi chamado para um projeto nos EUA.

Aquariana que sou e maior defensora da liberdade, não pestanejei um segundo e fui a maior apoiadora dele. Mas eu não poderia ir. Eu, advogada, havia acabado de ser promovida, cuidava de uma equipe que me dava muito orgulho e, acima de tudo, JAMAIS jogaria tudo para o alto.

Um ano se passou e o noivo não se contentava mais em me ver a cada dois meses. Eu também não e algumas coisas pararam de fazer sentido. Então, em abril de 2016, decidimos que era hora de um passo a mais.

Entao imaginem minha surpresa quando exatos 3 anos após aquele primeiro beijo, a “senhora decidida”, a “advogada plena”, a “planejadora”, resolveu dizer sim para a maior loucura da sua vida: jogar absolutamente TUDO para o ar e ir morar nos Estados Unidos. Não foi fácil, não está sendo fácil, e sinceramente não sei se vai ser fácil algum dia.

Não se enganem: amo morar aqui, amo viver essa experiência e amo ter mudado tanto à ponto de amar essa incerteza…. mas não é facil.

Nunca achei que seria capaz de viver longe dos meus amigos, da minha família, do meu cachorro e, acima de tudo, da minha carreira.

Nunca achei que seria capaz de não exercer minha profissão, de ser uma dona de casa temporariamente, de pensar em novos meios de me manter financeiramente independente.

Nunca pensei que morar nos EUA seria tão difícil em alguns pontos, mas tão fácil em outros. Nunca imaginei que minha conexão com Deus e com as coisas que amo seria amplificada da maneira que tem sido, nem que sentiria tanto a falta de uma rotina de vida.

E acho que é por isso que quero comecar a compartilhar com vocês essa experiência. Porque eu ainda preciso muito de ajuda, mas também preciso gritar para o mundo que podemos fazer o que quisermos fazer, enfrentar o que quisermos enfrentar, ignnorar quem não consegue nos entender e começar do zero quantas vezes forem necessárias…. Porque no fim das contas, nós somos absolutamente livres e devemos satisfação apenas para nosso coração.

1 em Convidadas/ maternidade no dia 26.04.2017

Sobre ser mãe de menina

Nunca sonhei em ser mãe. Adorava Barbie, detestava boneca que me chamava de mamãe e ficava no colo, coisa sem graça! Sempre adorei crianças, mas a dos outros. No fundo, me sentia incapaz de cuidar de um ser tão frágil e dependente. Acho que não confiava 100% em mim pra cuidar de mim mesma! E, se cogitava a maternidade, pedia um menino. 

Aos 34 anos, tive uma gravidez não planejada. Momento tão desorganizado na vida… mas decidi ter meu bebê, ainda que aquilo parecesse muito surreal na cabeça. Foi uma gravidez muito complicada, quase perdi o bebê e quase morri. Mas, com sete meses de gestação, em uma consulta de pré natal, me avisaram que teria que fazer uma cesariana. Ali, no susto! Tremia alucinadamente na hora de tomar a anestesia. Não tava pronta. Mas ela tava. E, quando a médica levantou minha neném e nos olhamos pela primeira vez, foi a sensação mais louca do mundo. Ela nasceu e eu nasci com ela.

Desde então, cuidei sozinha de uma neném extremamente frágil fisicamente, mas de uma força interna que me modificou por completo. A gente se sente meio leoa, né? De repente eu, que nunca tinha trocado fralda, virei mãe 24hs. E haver uma mulher em formação, totalmente dependente de você, te faz SER a mulher que você quer que ela se torne. Você precisa ser o espelho. E passa a não aceitar pra si tudo que não deseja pra ela. Passa a ter com você mesma as atitudes que quer que ela tenha no futuro. Passa a se amar como quer que ela se ame.

Você quer tanto que ela seja feliz, que entende que pra isso precisa ser feliz também, ou ela jamais entenderá o exemplo! Precisa se cuidar, se respeitar, se compreender. Precisa ter um relacionamento saudável ou mostrar pra ela que também pode ser feliz sozinha. Precisa conquistar e manter seu lugar e cobrar seus direitos pra que ela jamais aceite ser submetida a nada diferente disso.

Eu não me preocupava tanto com certas pautas e achava outras coisas exageradas. Hoje entendo que isso era não me amar o bastante. Mas quando você ama tanto um serzinho que você fez, esse amor acaba se estendendo também pra si mesma. Transborda.

Instintivamente, me vi criando a mim mesma. Me transformando na mulher que quero que minha Helena seja. Brigando pelo que quero que ela brigue. Me aceitando como quero que ela se aceite.

Hoje entendo o que Simone de Beauvoir disse. Não se nasce mulher. Se torna! E, tentando criar a minha, acabei dando à luz também à mulher que nunca tinha nascido em mim. 

0 em Camilla Estima/ Convidadas/ Saúde no dia 13.04.2017

Coitado do chocolate…

Chega a Páscoa e todo ano é a mesma coisa. Uma enorme oferta de chocolates, que nos remete à diversas memórias afetivas e lembranças mas também uma carga emocional que traz pensamentos obsessivos de culpa em comer chocolate e doces em geral, sensação de perda de controle, de incapacidade de controlar seus impulsos, de que a qualquer momento você pode desembestar em comer todo o chocolate do mundo.

Como adoro o exercício, vamos desconstruir isso? Vamos começar por essa piadinha:

Por que ela é muito perigosa e me assusta demais?

As pessoas tem essa crença que se comerem demais na Páscoa ou em qualquer feriado, elas terão uma mudança corporal brusca e imediata, de um dia para o outro. ISSO NÃO É VERDADE!!!! Além disso pense em pessoas que tem questões reais de distorção de imagem corporal. Esse meme é um verdadeiro perigo e que pode mexer muito com sua autoestima, pois elas vão achar que isso vai acontecer com elas. E a avalanche de emoções, sentimentos, ações e comportamentos que isso pode desencadear é devastador.

Para resolver esse problema, ideias mirabolantes são propostas para você “não cair em tentação”. Te dão dicas de como substituir o chocolate por frutas, por versões diet/light desse doce, receitas fitness, medicações sempre como estratégia para enganar o cérebro contra a “tentação” que é o chocolate. Vamos lá no exercício da desconstrução:

– Frutas: Não substituem chocolate….de forma nenhuma e em tempo algum! Há lugar na sua vida e na sua alimentação para qualquer tipo de alimento…..tem espaço para as frutas como tem para o chocolate e os doces em geral.

– Chocolate diet: Ele é indicado para quem é diabético. Ele não tem menor valor calórico. Muita gente por achar que ele não tem açúcar e por isso não engorda e não gera culpa. M-I-T-O! Ele tem gorduras iguais à versão normal e promove, sim, ganho de peso se consumido em grandes quantidades.

– Doces fitness: Você pode até partir para essa estratégia mas é bem provável que emocionalmente ela não vai te suprir a vontade do chocolate. Resultado disso: você vai acabar comendo o fitness, continuar a pensar obsessivamente no chocolate/doce comum, e acabar comendo também. Ou seja, você estará comendo calorias a mais.

Você acha que, honestamente, vai conseguir enganar o seu cérebro assim quando se tem vontade de comer doce? Pra falar a verdade, dificilmente a gente engana nosso cérebro…..em qualquer situação que seja na vida. Ele comanda a grande maioria de todos os nossos processos fisiológicos.

Além de memes de mau gosto, tenho visto inúmeras pessoas nas redes sociais (os chamados influenciadores digitais, como modelos, artistas, blogueiras) sugerindo estratégias para driblar o consumo de chocolate, como por exemplo, dar o ovo que ganhou para outras pessoas que estão presentes e pedir para que elas contem o que acharam, enquanto a presenteada filma para as redes sociais e nem encosta no doce. Já vi também pessoas dizendo que quando ganham um ovo de Páscoa e elas não podem comer “por que estão de dieta”, elas abrem a embalagem, cheiram o chocolate e não come.

Essa prática parece ser bastante inofensiva, mas é uma estratégia bastante usada por pacientes com diagnóstico de transtornos alimentares, como a Anorexia Nervosa. Veja, não estou afirmando que esses influenciadores digitais têm esse diagnóstico, mas isso mostra um comportamento inadequado quanto aos alimentos, pautado em muita culpa e angústia por consumi-los. Cheirar chocolate não diminui a sua vontade por ele, muito pelo contrário. Muitos estudos na linha do mindful eating, ou comer consciente, dizem que se você tem um desejo muito forte por um alimento e não se permite comê-lo por qualquer crença, pensamento ou sentimento que seja, você desenvolve pensamentos repetitivos a respeito daquele alimento e a sua mente só “sossega” quando você o consome. Essa privação auto-imposta pode ser tão importante que na hora que você finalmente se permitir comer, você acaba comendo uma quantidade muito maior do que teria comido se no primeiro momento do desejo em comer você tivesse se permitido. Isso pode ser um fator de risco importante para o acontecimento de episódios reais de compulsão alimentar.

Não vamos demonizar o chocolate, não é mesmo?

Algumas sugestões que podem te ajudar a comer o chocolate em paz nessa Páscoa:

– Que tal investir em um chocolate que você realmente ama e que te faz feliz?

– Escolha o chocolate que vai comer, e não coma qualquer um apenas por comer

Coma devagar, apreciando o sabor e os sentidos que o chocolate te traz

– Relembre memórias que você tem desta data, do chocolate. O que tudo isso lhe remete? Quais situações? Quais personagens da sua vida? Traga leveza à esse momento.

– Compre tamanhos menores de ovos de Páscoa.

– Não dê mais importância do que é. É apenas um chocolate. Um chocolate que você gosta. Um chocolate que te traz prazer. E ponto final.

Chocolate não tem super poderes…..nem poderes extraordinários. Ele não é um bicho papão engordador. É apenas chocolate! Em vários aspectos da vida temos que dar o real valor e importância que as coisas exigem da gente. Supervalorizar tudo pode ser uma armadilha pra te acessar a questão da culpa por ter comido. Além disso, não devemos usar a Páscoa como uma desculpa para comer chocolate desenfreadamente, assim como não é um momento de se privar por conta de crenças, culpas e modismos.

Temos que entender que essas datas comemorativas fazem parte da nossa cultura e que temos que saber lidar com a presença delas na nossa vida.

Coma seu chocolate e seja feliz!

Beijo e Boa Páscoa!