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Convidadas

2 em Autoestima/ Camilla Estima/ Convidadas/ Saúde no dia 23.03.2017

Você está viciada em que?

Pare por um minuto e pense. Você está viciada em:

Você já parou pra pensar que pode estar viciada nesses pensamentos? E que se você passa a repetir todos os dias esses pensamentos para você mesmo isso pode se tornar um hábito e em seguida uma crença? Você passa a acreditar mesmo que está feia…..ou gorda……ou que precisa entrar na dieta toda segunda-feira. Agora me diga, você acredita MESMO nisso tudo ou só está se repetindo?

E qual o problema disso? Além de se sentir diminuída, com a autoestima completamente abalada, esses pensamentos te direcionam a comportamentos que nem sempre são saudáveis. Você passa a se colocar em dietas altamente restritivas (já falamos do problema das dietas aqui), tomar fórmulas super perigosas de emagrecimento, fazer treinos incessantes na academia e usar como inspiração para perda de peso os inúmeros prints na tela das imagens compartilhadas de corpos extremamente emagrecidos (muitas vezes com ajuda de Photoshop e Facetune). Essas práticas vão resolver esses pensamentos viciados? Por ora até podem resolver as questões físicas atreladas a eles, mas a essência não.

Como eu disse também em outro texto, a gente está ouvindo pouco a nossa voz interna e nossas intuições e dando importância demais ao externo. Ao que dizem pra gente, o que dizem da gente, o que postam como receitas milagrosas, dietas da moda, modelos de corpo, padrões de beleza.

Quanto tempo e energia você está gastando nisso? Quanta coisa você pode estar deixando de viver a aproveitar porque você obsessivamente pensa nisso?

Esses pensamentos viciados tendem a nos manter dentro de uma zona de conforto. E só depende de nós quebra-los. E a sugestão é que você quebre esses pensamentos com um novo olhar sobre si mesma. Honre o corpo que lhe foi dado e faça o melhor dele. Foque nas suas qualidades físicas e também nas subjetivas. Engaje-se em uma vida que te promova bem estar, alimentação saudável e prática de atividades físicas que lhe dão confiança, prazer e consciência corporal.

Te garanto que o dia que você começar a quebrar esse ciclo vicioso, um mundo de novos olhares e novas oportunidades se abrirá para você. Olhe para você mesma e veja que você é a sua melhor versão. Acredite nisso!

2 em Autoestima/ Convidadas/ Destaque/ Juliana Ali/ Reflexões/ Semanas da Moda no dia 17.03.2017

De camisola na fashion week

Ainda lembro bem da primeira vez que pisei em uma semana de moda. Eu tinha uns doze ou treze anos, era a virada dos anos 80 para os anos 90. Minha mãe trabalhava na Revista Nova na época (que hoje se chama Cosmopolitan) e conseguiu dois convites para que eu e minha irmã fôssemos assistir ao desfile da G (que hoje se chama Gloria Coelho) no Morumbi Fashion (que hoje se chama São Paulo Fashion Week).

Pois é. De lá para cá, passaram-se mais de 25 anos e a revista mudou de nome. A grife mudou de nome. A semana de moda mudou de nome. Só que a única coisa que realmente mudou no mundo da moda foram os nomes. O resto é bem parecido até hoje. Quem manteve o nome nessa história que vou te contar agora fui só eu, que continuo me chamando Juliana mesmo. Ah, mas eu mudei. Mudei muito desde então.

Eu estava empolgadíssima no dia em que fui ver meu primeiro desfile. Pensei muito naquele look que iria usar. Nenhuma das minhas roupas parecia ser digna de um momento tão incrível, que aliás era justamente sobre usar as roupas mais sensacionais, pensava eu na minha cabeça de criança. Então tive uma idéia. Peguei uma camisola de cetim que eu tinha. Ela era branca com bolinhas pretas. Ia até os joelhos, era assim meio soltinha, e tinha um decote combinação (até hoje meu tipo de decote preferido). Coloquei uma camiseta branca por baixo. Nos pés, sapatilhas pretas. E assim fui assistir ao desfile da G. Me achei linda quando olhei no espelho. Me senti um pouco contraventora, como sempre gostei de ser, aquariana que sou. Fui ao meu primeiro fashion week de camisola.

 

Por incrível que pareça, não lembro absolutamente nada sobre o desfile. Nada. Mas lembro que saí de lá com um gostinho estranho na boca. Vi tantas mulheres que me pareceram tão lindas, tão diferentes de mim, tão melhores do que eu. Elas eram enormes, altas, pernas gigantes, pareciam umas Barbies – eu ainda brincava de Barbie. Pareciam mulheres, enquanto eu era uma criança. Mal sabia eu que, na verdade, elas também eram crianças, meninas, talvez três ou quatro anos mais velhas que eu apenas. Me senti inadequada, eu tão baixinha, pequena, tão criança, tão sem maquiagem, com os cabelos cacheados supercompridos caindo de qualquer jeito. Elas tão montadas e maravilhosas e magras e altas.

Tive inveja. Muita inveja.

Mais tarde, já jornalista, fui trabalhar com moda. Passei a maior parte da minha vida indo a todos os SPFW. Duas vezes por ano, lá estava eu, trabalhando que nem doida. Se tinha Fashion Rio, lá estava eu também. E estive em muitas semanas de moda internacionais durante esses anos todos. Sempre, sempre, saí desses lugares com a sensação que a Ju de treze anos teve ali, de camisola: um gosto estranho na boca.

Inveja. Sensação de inadequação. A impressão de que eu nunca conseguiria atingir aquele padrão. E nunca consegui mesmo. Tenho 1,60m de altura. Sempre fui magra, mas padrão de modelo?

Eu queria ser assim, como elas, naquela época. O mundo estava me dizendo que assim que era o lindo! Que assim que as roupas ficariam boas em mim! Me sentia horrível com todas as minhas roupas. Sempre demorei horas e horas pra escolher um look. Porque tava tudo um lixo. Saía com a auto estima em frangalhos de todas as semanas de moda em que estive. Tanto aos 20 anos, quanto aos 30.

E não era só eu, minha amiga. A maioria das mulheres estava se sentindo assim todo esse tempo, mas ninguém dizia isso umas para as outras. Eu mesma não dizia para NINGUÉM. Até as modelos, muitas delas, também estavam se sentindo erradas, gordas (!!) e insuficientemente “perfeitas”.

Minha sorte foi que nunca pirei de verdade, por ter sido criada por uma mãe que passou a vida me dizendo que eu era linda, maravilhosa, essas mães que te botam pra cima desde o dia em que você nasce. Isso faz muita diferença. Conheci pessoas que desenvolveram anorexia, bulimia, tomavam remédios, passavam dias sem comer, ficavam completamente desesperadas tentando ser magras. Que gastavam todo o seu dinheiro suado comprando roupas e acessórios ricos para usar no SPFW, porque afinal tem que ter grife, tem que ter glamour. Tentando ser “lindas” para a semana de moda.

Há um ano, mais ou menos, confesso que peguei bode de tudo isso. Fui percebendo que o mundo foi mudando e a moda foi ficando parada. Enquando “aqui fora” a gente celebra a diversidade, todos os corpos, cores, estilos de vida, jeitos de ser, a moda ainda continua promovendo o padrão branco-loiro-cabelo liso-magro de 1989, quando estive no desfile da G.

Cansei. Pulei fora. Me sinto absolutamente maravilhada com o fato de que não faço a unha e nem compro roupa nova há mais de um ano. Parei de alisar o cabelo. Cortei curtinho. Não uso mais maquiagem, nem salto alto. Não faço regime há quase três anos. Não pretendo fazer mais no futuro, também. Nunca tive a autoestima tão alta. Tenho 40 anos, e me acho o máximo.

Nesse exato momento está acontecendo o SPFW. No último fim de semana meu marido disse, “amor, segunda começa o fashion week, né?”. Respondi: “Sei lá. Começa? Não tô sabendo.”

Enfim, é SPFW, como o Fernando me avisou outro dia, já sei. Estou aqui em casa, e não dentro de uma sala de desfile. Mas estou acompanhando o último SPFW, escrevendo esse texto e de camisola, assim como acompanhei o primeiro. E assim fecha-se um ciclo para a Juliana, a única que não mudou de nome.

5 em Comportamento/ Convidadas/ maternidade no dia 13.03.2017

Não foi só baby blues, foi depressão pós parto mesmo

Meu maior sonho sempre foi ser mãe. Engravidei rápido e tive uma gravidez super tranquila (apesar de ter travado o ciático e isso ter me desestabilizado no final). Mas jamais imaginei que teria depressão pós parto. Acho que ninguém imagina isso, não é? Pois bem, eu tive.

Ao contrário do que muita mulher vive, eu tive hiperprodução de leite. E certamente esse foi um grande desencadeador de tudo. Na verdade, a depressão não tem UMA causa. É uma junção de várias, especialmente desequilíbrios químicos, que na gravidez é a coisa mais normal do mundo.

Pois bem, produzi MUITO leite. Minha apojadura (descida do leite) foi extremamente dolorosa. Acabei tendo a ajuda de duas enfermeiras, o que salvou a minha vida pois a rotina de quem produz muito leite é também muito dolorosa. Eu tinha que “preparar” o peito 30 minutos antes da Catarina mamar. Enquanto ela mamava em um peito, eu tinha que tirar o excesso (que era muita quantidade) de leite do outro. Com ordenha manual, já que usar uma bomba estimularia a produção. Não podia beber muita água, banho só morno pra frio (sendo que tava 12/13 graus em São Paulo), não me expor muito ao sol, e, o pior de tudo, compressa gelada após TODAS as mamadas. Todas, sem exceção. Enquanto meu marido (que foi meu grande parceiro) colocava ela pra arrotar, eu fazia as compressas. Meu ritual de amamentação durava, pelo menos, 1h e meia, e Catarina mamava de 3 em 3h. Sente o drama!

Isso fora a dor que é amamentar, né? Os machucados, a atenção à “pega” e à posição certa, a “chupetagem”…. Amamentar pode ser uma das coisas mais difíceis do mundo. E isso deveria ser mais dito. Mais divulgado.

Junto com isso, vem a mudança repentina de vida. Um dia antes do bebê nascer, você é você. No meu caso, sempre fui uma pessoa independente. Trabalhei até o último dia antes da Catarina nascer e consegui conciliar vida profissional e pessoal. Depois que o bebê nasce, essa vida anterior “some”. Sair de casa, só pro pediatra. E o mais intenso: você tem alguém que depende totalmente de você, 24 horas por dia,  enquanto você mesma ainda está debilitada e precisando de cuidados. Muito puxado.

Pra melhorar, a gente ainda morava num bairro super residencial, onde os vizinhos não curtiam muita interação. Imagina… Carioca, que adora um buxixo, totalmente isolada no puerpério (além do isolamento comum da fase em si). Ah, e longe da família. Não sei afirmar se esse combo foi suficiente pra me causar a depressão. Mas, com toda certeza, contribuiu muito.

Depois de quase 1 mês e meio, a amamentação entrou nos eixos. Mas eu, e todo mundo que convivesse comigo, sabia que eu não tava legal. “Mas é normal. É baby blues”. E vamos levando. Só que diferente do baby blues, a depressão não vai melhorando. Ela piora com o passar dos dias.

E um ponto importantíssimo: quem acha que a mãe com depressão pós parto rejeita o bebê está completamente enganado. É bem verdade que, com a evolução do quadro, você vai ficando menos paciente e mais apática mas jamais a rejeição está obrigatoriamente dentro do quadro. A maioria das mães com depressão não rejeitam os filhos e até têm dificuldade de confiar em alguém para isso. No meu caso, só eu e meu marido podíamos cuidar dela. Era um medo imenso de alguém fazer algo errado ou diferente do que eu acreditava ser melhor pra ela.

Com 2 meses e meio de parida, logo depois de ler um texto de um blog que uma amiga me mandou sobre depressão pós parto, decidi pedir ajuda.

O meu maior medo era o psiquiatra mandar eu parar de amamentar. Imagina! Depois de tudo isso?! Quando cheguei lá, contei meu medo e ouvi um: “Parar? Mas por quê? Milhões de mulheres no mundo têm depressão pos parto e amamentam”. Parecia um sonho estar ouvindo isso do médico. Quer dizer, acho que sonho não é bem a palavra certa. Rsrs Mas foi um PUTA alívio. Se eu soubesse, teria pedido ajuda muuuuito antes. É bem verdade que existem linhas de condução da depressão pós parto, assim como para quase todas as doenças. Tem médico que prefere pedir a suspensão do aleitamento, mas esse não foi o meu caso. E isso me deixou muito feliz em meio ao caos.

Mesmo deprimida, eu não me afastei da Catarina por momento algum. Era eu que trocava fralda, que brincava, que colocava pra dormir, que dava de mamar de 3 em 3h. Mesmo com toda a questão da amamentação, eu insisti muito nela. Queria muito amamentar e consegui manter até quase 1 ano e 4 meses, quando ela mesma quis parar. Hoje, às vezes, sinto falta. É um amor imenso que dá medo. Acho que esse medo também contribuiu pro quadro. O puerpério, pra mim, até agora, é a fase mais complicada da maternidade. Sei que ainda virão muuuuitas outras fases difíceis, mas você está muito fragilizada, com os hormônios todos bagunçados e, de um dia pro outro, vê sua vida mudar totalmente. Na verdade não vê. Essa é a questão. 

O processo de recuperação não é simples. Saí rápido do fundo do poço, mas tirar totalmente os pés das bordas do poço não foi tão rápido assim. Eu que sempre adorei frases no gerúndio, descobri o prazer de uma afirmação no presente. Estou curada. Demorou, exigiu muita paciência e determinação, mas passou. Como tudo passa. Agora é ir retomando a vida que acaba ficando “pausada” pela depressão.

Quem estiver passando por algo parecido, não fique com vergonha de pedir ajuda. Depois que assumi a depressão, descobri que ela é muito mais comum do que se imagina. De verdade. Se precisar bater um papo, tô aqui. Inbox de portas abertas.