Browsing Category

Convidadas

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas no dia 14.06.2017

Eu era muito magrinha e eu odiava meu corpo

Eu sempre fui uma criança magrinha. Tinha as perninhas finas que pareciam 2 varetinhas. Além de finas, eram um pouquinho tortas!  Meus braços então, nem se fala. Tão finos que pareciam que iam quebrar com um peteleco! Eu me sentia praticamente um ET.

Meus colegas na escola e vizinhos faziam questão que eu não esquecesse essa sensação. Me chamavam de Olívia Palito, pau de vira tripa, magricela, e por aí vai… Cresci odiando meu corpo.

Na minha adolescência, isso não foi diferente. Eu continuava magrinha. Pra vocês terem uma ideia, eu só ia para os bailes e festas de calça e de t-shirt. Eu fazia de tudo para cobrir meus ossos. Tinha pavor da minha “saboneteira” e das pernas finas e queria escondê-las acima de qualquer coisa!!! Eu achava que nenhum garoto iria me dar bola quando visse minhas pernas e meus ossos.

Tinha vergonha de ir à praia, piscina e tirar a roupa na frente dos outros. Sempre tentava me esquivar, virar de costas para expor meu corpo o menos possível.

No espelho, eu só conseguia enxergar os ‘defeitos’ que eu achava que tinha. Eu me comparava com outras meninas da minha idade e ninguém era tão magra quanto eu. Eu não conseguia enxergar uma menina saudável, apesar de eu ser.

Com 20 anos comecei a trabalhar e só ia de calça para o escritório. Não porque eu gostasse, mas porque queria esconder as minhas pernas. Nos meus primeiros 6 anos (!!) trabalhando, eu fui de saia 1 única vez e me senti super desconfortável.

Eu achava que todo mundo ia olhar para as minhas pernas do mesmo jeito que eu as olhava. Os possíveis olhares me lembrariam o quão finas elas eram. Isso me incomodava MUITO! Parece que por algum motivo eu me enxergava muito mais magra que eu era.

E as reuniões familiares? Sempre tinha um parente que falava “Nossa Paulinha, você está tão magrinha”. De repente achavam que estavam me elogiando, mas para mim, aquilo soava como uma crítica e tocava na minha maior ferida. Doía ouvir aquilo. E claro, pra mim, só reforçava o fato de eu realmente ser muito magra!!!

Claro que apesar de ser chamada de apelidos que me machucaram e ter me privado de muitas coisas, tenho consciência que ninguém nunca me atacou com palavras pesadas, ninguém nunca disse que eu era preguiçosa ou que não me cuidava por causa do meu peso. Eu nunca tive dificuldades em encontrar roupas em qualquer loja que eu entrasse e também nunca fui destratada por vendedoras por causa do meu corpo. Nunca passei por constrangimentos públicos.

Apesar de não ter sofrido nada disso, senti muita pressão de ter um corpo mais definido, mais parecido com os “padrões impostos“ pela sociedade, pelas revistas, mídias sociais, etc. Esses “padrões“ são muito cruéis com todas nós. Algumas mais, algumas menos, mas todas nós sentimos a pressão de alguma maneira.

Conforme eu fui ficando mais velha, fui mudando minha visão de mundo e da vida, meu corpo foi tomando mais forma e volta e meia alguns gramas a mais marcavam na balança. Lembro do dia que alcancei 40 quilos na balança. Que alegria!!!

Hoje eu AMO meu corpo. Mas como relatei, não foi sempre assim. Demorei anos pra chegar aonde eu estou hoje. O mais importante foi reconhecer que esse é o MEU corpo, e é o ÚNICO que eu tenho. Não há ninguém no mundo que tenha um corpo exatamente como o meu. Todos nós temos formas e corpos diferentes. Com isso, parei de me comparar com os outros e abracei a honra de ser única!!

Essa foto do artigo foi tirada quando eu tinha uns 14 anos. Eu a ODIAVA pois só conseguia enxergar a minha magreza excessiva. Deixei ela escondida por muitos anos numa caixa em cima do armário. Não queria nem ver.

Mais de 20 anos depois, achei a foto. Gente, eu me emocionei ao me ver ali. Me achei TÃO linda!!! Sabem o que eu vi?  Vi uma jovem sorridente, alegre, saudável, cheia de vida. Uma gracinha! Chorei por não ter visto isso antes. Chorei porque vi o quanto eu me privei e me cobrei durante anos por me achar muito magra.

Isso me fez refletir: daqui há 20 anos quando eu estiver bem mais velha, eu vou olhar para as minhas fotos de hoje com carinho e vou sentir saudades desse tempo e do corpo que eu um dia tive. Por isso quero terminar esse texto te dizendo: SE AME HOJE. NÃO espere 20 anos para ver o quão linda e única você é.

Eu contei como consegui superar o meu complexo nesse vídeo aqui.

Se esse assunto te magoa demais, recomendo que você também procure ajuda profissional de um nutricionista e um terapeuta.

1 em Autoconhecimento/ Convidadas no dia 13.06.2017

Não leve o vestido de noiva na bolsa

Há alguns anos eu ouvi uma frase da qual nunca me esqueci, embora não me lembre da autoria: “Não leve o vestido de noiva na bolsa.”

Em outras palavras, “não levar o vestido de noiva na bolsa” significa que não devemos andar com a preocupação constante de “dar certo com alguém”, perseguindo cegamente o tal do “relacionamento sério”.

Na época em que ouvi essa frase, eu tinha cerca de 27 anos, solteira, sem namorado, e estava na fase de pensar sobre os meus objetivos de vida: namorar? Casar? Filhos? Continuar no mesmo trabalho ou buscar outros objetivos profissionais?

Eu apelidei essa fase de “crise dos vinte e tantos anos”, pois esses pensamentos são muito comuns às mulheres nessa faixa etária, até porque a sociedade sempre manda recados nada sutis, por meio de parentes, colegas ou vizinho(a)s inconvenientes, do tipo: “você está ficando velha” ou “precisa arrumar um namorado para namorar um ano, noivar mais um ano e casar a tempo de ter filhos com óvulos saudáveis”.

Naquele tempo, mesmo com vontade de viver uma história bacana de amor, aprendi que não adiantava frequentar balada, barzinho, show, restaurante, igreja, supermercado (daqueles que vendem comida com embalagens menores para pessoas que moram sozinhas e são considerados bons para paquerar) ou qualquer outro lugar/evento carregando expectativas prematuras de relacionamento sério e duradouro.

Quando estamos focadas em meras expectativas, deixamos de viver momentos únicos sozinhas, com a família, amigos e até mesmo com o date/boy/crush da vez.

Como conhecer verdadeiramente uma pessoa e, consequentemente, tomar uma decisão sensata sobre relacionar-se com ela, se tudo o que você enxerga é apenas fruto da idealização e das suas expectativas?

O mesmo raciocínio pode ser aplicado a outras áreas da vida. Por exemplo, na carreira: como você vai alcançar seus objetivos se você perde tanto tempo pensando no topo da escada que se esquece de subir o primeiro degrau? A idealização do topo da escada acaba gerando tanta ansiedade que não sobra energia para subir um degrau.

Além disso, quando estamos cegos pela idealização, acabamos não percebendo quão boa pode ser a realidade ao nosso redor.

Eu, por exemplo, idealizei tanto a minha lua-de-mel que me vi dando “piti” ou sendo chata em um lugar paradisíaco só porque choveu ou porque o quarto de hotel estava voltando para um lado da ilha e eu queria ficar do lado oposto. Absurdo, né? Mas aconteceu, porque eu tinha uma idealização tão forte na cabeça e não queria que nada desse “errado”. Eu simplesmente esqueci de ver que a realidade era tão boa ou até melhor do que a idealização, mesmo com todos os imprevistos que fazem parte de qualquer viagem. Eu digo que não fui uma bridezilla, mas fui uma honeymoonzilla!

Existem tantos exemplos em outras áreas, como: a idealização do corpo perfeito e de como a gente vai se sentir depois de alcançá-lo; a idealização da faculdade perfeita (no caso de pessoas que vivem mudando de curso e colecionando decepções e mais ansiedade)O engraçado é que, mesmo sendo uma grande sonhadora/idealizadora, com tendência a ser controladora, todos os momentos da minha vida que mais deram certo foram os mais despreocupados e nada planejados: quando eu me mudei de coração aberto e sozinha para uma cidade desconhecida; quando eu conheci o homem que hoje é meu marido; quando eu passei naquela prova importante de concurso, dentre outros.

Nesse contexto, mesmo em outras áreas da vida, que não a amorosa, gosto do simbolismo do termo “vestido de noiva”, porque tem sempre aquele vestido de noiva pesado, cheio de camadas, rendas, bordado, principalmente se for do tipo “princesa”.

Ou seja, quem consegue ficar confortável carregando um vestido de noiva pesado na bolsa o dia inteiro?

Assim como o vestido de noiva tem sua ocasião específica, o sonho tem o momento certo para se tornar realidade e, enquanto esse momento não chega, existem outras oportunidades que merecem ser aproveitadas.

Por isso, considero a metáfora do “vestido de noiva na bolsa” excelente para nos lembrar de que devemos nos permitir sonhar alto, mas precisamos tomar cuidado para que nossas idealizações não se tornem pesadas demais para carregarmos por aí, pois o excesso delas, além de sugar nossa energia, pode esvaziar as pequenas alegrias do dia a dia.

0 em Autoconhecimento/ carreira/ Comportamento/ Convidadas no dia 09.06.2017

Por que os 30 nos fazem questionar nossas escolhas profissionais?

Faça um teste rápido: pergunte aos seus pais se eles eram felizes e viam sentido no trabalho quando tinham 30 anos. Possivelmente eles irão estranhar a pergunta, ou responderão que foi graças ao trabalho que criaram os filhos e construíram a vida. Muito provavelmente não vão entender que o seu questionamento está relacionado ao propósito de vida ou relevância daquilo que fazemos diariamente.

Questionar o sentido da profissão e valorizar um estilo de vida mais pleno, no qual a felicidade não é algo a ser alcançado, mas sim sentido em pequenas doses durante o caminho, é uma das principais características da geração que vive hoje na casa dos 30 anos. Essa busca por realização profissional pode gerar estresse e ansiedade, mas também coloca muita gente na estrada do autoconhecimento e até do empreendedorismo.

É natural fazermos uma revisão de rotas quando chegamos na casa dos 30. Para as mulheres, então, é praticamente inevitável. A pressão social pelo sucesso na carreira, pela formação de uma família e por realização financeira parecem cada vez mais oprimir em vez de ser algo para comemorar. Quem nunca, ao chegar aos 30 anos, foi questionada por ainda não ter um cargo mais alto ou por não ter se casado ou não ter tido filhos?

Essa é uma pressão externa que muitas vezes faz com que percamos de vista o nosso verdadeiro propósito. Quando nos permitimos fazer uma revisão sincera e percebemos que estamos nos guiando pela vontade do outro e não pela nossa própria, vemos nascer em nós um desejo forte de mudança e um alinhamento com aquilo que nos motiva, o que pode significar largar tudo e mudar de profissão, ou empreender dentro da sua área de atuação, ou ainda tirar um período para viajar e se reconectar com você mesma.

Busque autoconhecimento em vez de reconhecimento

Os caminhos a seguir a partir da constatação da infelicidade profissional é o que difere uma reflexão bem sucedida sobre nossas escolhas do impulso destrutivo de questionarmos nossas competências e valores pessoais. Muitas vezes associamos dúvidas e incertezas à fraquezas e incapacidade, o que pode destruir nossa autoestima. A culpa e o esgotamento mental causados pela insatisfação profissional também podem abrir caminhos para sérios transtornos mentais, como Síndrome de Burnout, Síndrome do Impostor e crises de pânico.  A saída para um movimento positivo de mudança não está em buscar certezas ou o reconhecimento alheio, mas sim na busca pelo autoconhecimento e satisfação pessoal.

A psicóloga Renata Green, que atende no Zenklub, acredita que o segredo para ser feliz na profissão – ou durante uma transição de carreira – é entender o que te move, seja seu catalisador dinheiro, status, sua contribuição com os outros ou ter mais tempo em casa e para o relacionamento. “Mais importante do que estar contente com o seu trabalho atual é procurar a sua motivação intrínseca. O que gente vê são pessoas fazendo coisas a partir de motivadores externos, ou seja, o que os outros esperam que elas façam”, destaca.

Encontrando o seu motivo, vai ser muito mais fácil trocar de trabalho, de carreira ou permanecer onde você está. Já sabe o que te move? Os 30 estão aí pra isso. Se joga!