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Saúde

3 em Beleza/ Saúde no dia 25.07.2018

Dr. Bumbum e o perigo eminente dos profissionais de saúde com muitos seguidores nas redes sociais!

Okay, o episódio sobre o Dr. Bumbum não é novidade e você deve estar se perguntando: Meninas, por que falar sobre essa pauta “tão da semana passada”!? Então, apesar dessa história ser uma vasta coleção de absurdos, existe um ponto que pouco foi falado e pra nós é o mais delicado: a credibilidade automática que damos para profissionais – de saúde ou não – que tem centenas de milhares de seguidores na internet.

Nós, que demoramos exatos 7 anos para acumular mais de 130 mil seguidores no instagram, podemos falar com propriedade que crescer organicamente na ferramenta não é uma tarefa fácil, ainda mais quando os 3 C’s são o fio condutor do trabalho na rede social. Pra nós conteúdo é apenas um dos 3 pilares importantes, coesão e credibilidade são os outros dois. Só que para permanecer anos gerando conteúdo sério nas redes com esses 3 pilares dá trabalho, por isso muitos profissionais apelam para os famosos (e proibidos) “antes e depois”, posts sobre mudanças e milagres que não falam de riscos e aos poucos deixam o conteúdo de credibilidade dar lugar a uma série de posts sensacionalistas que visam ludibriar, enganar e seduzir a qualquer custo as mulheres, que, pautadas numa pressão estética absurda, muitas vezes acreditam em qualquer investimento que possa suprir o vazio que a inadequação traz para elas.

Sentiram que esse assunto vai muito além de um médico famoso que operava na cobertura de sua casa sem os documentos corretos, né? O problema é sistêmico, não é um fato isolado e envolve uma série de questões que se complementam. Elas nos levam a crer que vivemos numa sociedade onde parece que vale tudo em nome da beleza, até flexibilizar os riscos que corremos em nome de se sentir bonita aos olhos do mundo, que cobra sim um padrão cada dia mais opressor. Nem mesmo personalidades como Candice Swanepoel e Bruna Marquezine escapam de situações de Body Shamming quando seus corpos são pautas de críticas – destrutivas – nas redes sociais.

Claro que não quero diminuir o peso das discussões sobre procedimentos estéticos feitos por profissionais não qualificados e em ambientes sem nenhuma estrutura voltaram a acontecer, mas isso só acontece porque em busca de um milagre nós parecemos que abrimos mão do senso crítico. Parece que um médico que se autointitula Dr. Bumbum ter 600 mil seguidores no instagram é o suficiente para que mulheres de todo um país busquem esse profissional sem pesquisar seu registro e sem questionar mudanças repentinas de local de consulta ou até mesmo de procedimento.

dr-bumbum

Minha ideia não é tirar o enfoque do absurdo que é um médico sem a devida licença operar em sua cobertura com a paciente tomando espumante, mas ao mesmo tempo acho que precisamos prestar atenção em sutilezas muito mais profundas que envolvem tudo que aconteceu ali. Não vale culpar nenhuma mulher que foi vítima, de forma alguma, mas podemos discutir o quanto questionamos pouco aqueles médicos, nutricionistas, esteticistas e profissionais do meio que têm algum tipo de fama, seja ela nas redes sociais, revistas ou televisão. Não é porque o profissional em questão está na moda que necessariamente ele trata os pacientes com seriedade e não coloca a saúde deles em risco.

Quantas nutricionistas cheias de seguidores não são as primeiras a ensinar comportamentos que são verdadeiros gatilhos para transtornos alimentares? Quantas contas de personal trainer na internet estão aí mostrando rotinas de treinos que não são legais para reproduzir sem a companhia de um profissional, e postando brincadeiras com termos e expressões que remetem à episódios de compensação? Quantos médicos gordofóbicos não estão ai passando dietas restritivas e comportamentos alimentares questionáveis para pessoas com histórico de compulsão?

A verdade é que o caso desse médico é uma hipérbole do que acontece com profissionais que adoecem pessoas diariamente nas redes sociais e consultórios. Só que no caso dele vai mais longe, é mesmo um absurdo extrapolado quando descobrimos que aquele médico não poderia estar fazendo aquele procedimento ali, naquelas circustâncias e ainda por cima cobrando caro por isso. Inclusive, cobrando o equivalente ao preço cobrado por um cirurgião experiente, com registro ativo e que opera em hospitais com toda a estrutura.

Essa não é a primeira vez que explode na mídia casos de pacientes que morreram depois de se envolverem com médicos que não tinham registro na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, e toda vez que isso acontece, ressurge também toda a discussão sobre a pressão estética absurda que cega as pessoas a ponto de se submeterem a todo tipo de procedimento mesmo sem nenhuma segurança.

Não devemos terceirizar o cuidado com nossa saúde. Podemos ir na nutricionista para aprender a comer melhor, mas precisamos abrir mão da preguiça de pensar e estudar com ela a melhor forma de se alimentar de forma consciente. Podemos ter um profissional de educação física exclusivo para cuidar do nosso treino, mas precisamos fazer todos os movimentos com atenção para desenvolver consciência corporal. Se vamos fazer uma plástica, ou procedimentos dermatológicos, ou até mesmo ir em um médico ocasional, é necessário procurar suas indicações, checar seu registro, tudo que envolve colocar nossa saúde na mão daquele profissional.

Vou além no questionamento, acho que precisamos refletir até que ponto a aparência está acima da saúde? Porque procuramos os profissionais famosos por deixar as pessoas dentro de um padrão de beleza, mas muitas vezes abrimos mão do senso crítico – novamente – sobre a metodologia. Será que aquela é a forma mais séria de me levar a ter o corpo que eu quero? Ou será que é a mais rápida ainda que com toque de leviandades? Até que ponto o resultado rápido é mais importante do que o resultado devagar e consistente, sem maiores riscos a saúde como um todo (físico e mental).

A meu ver casos como esses que mostram o quanto a nossa sociedade está doente. Porque, para essa triste realidade da paciente que faleceu, quantos outras passaram por este mau caráter e ficaram felizes com o resultado, sem nem saber o quanto elas estavam arriscando pelo corpo perfeito? Até que ponto a sensação de incômodo e inadequação com o próprio corpo leva as pacientes a fazerem vista grossa para a forma como o procedimento era feito?

Será que os 600 mil seguidores do Dr. Bumbum conferiram a ele – quase que automaticamente – uma notoriedade? Será que foi colocado acima do bem e do mal? Pela primeira vez vimos um caso cujas pacientes chegaram até este médico pelas redes sociais. A internet tem poder, isso a gente já sabe, mas será que demos poder demais à ela, ao ponto de credibilidade médica ser medida por número de seguidores?

Hoje em dia o instagram e o Facebook muitas vezes são mais efetivos que um cartão de visitas. Levando em conta que muita gente é ignorante quanto às normas de conduta do Conselho Regional de Medicina (que, por exemplo, deixa claro que divulgar antes e depois é antiético e proibido), é fácil ser convencida e seduzida.

Não estou aqui dizendo que todo médico com milhares de seguidores é picareta ou não tem credibilidade, mas é inegável que o aparente sucesso e números nas redes sociais pode mascarar até mesmo certos comportamentos que deveriam ser questionados. 

Até quando vamos pagar um preço alto demais para tentarmos incessantemente parecermos perfeitas? Atendendo a todos os antigos e novos padrões de beleza que nos impõe? Olho tudo isso e sigo batendo na tecla de que todo procedimento pode ser válido, mas deve vir junto de uma reflexão. Algumas mudanças são efetivas e importantes, nos deixam mais confortáveis para viver na sociedade em que fomos criadas, mas mesmo elas podem vir associadas de uma consciência, afinal gosto é construído e a maioria das nossas demandas foram ensinadas, são mais dos outros do que nossas se pararmos pra pensar. Podemos fazer o que quisermos, mas quanto mais refletirmos sobre isso antes vamos descobrir o verdadeiro sentido da palavra liberdade, nos dando conta de que não precisamos atender a todos os padrões de beleza, que podemos gostar da nossa imagem mais próxima da realidade e menos semelhante a de um símbolo de adoração.

Quando mudamos de forma consciente acabamos abrindo mão da mudança pela mudança e deixamos aquele comportamento que reúne uma transformação atrás da outra que nunca nos leva a sensação de estar em paz com nosso corpo que sempre buscamos. Ao nos darmos conta das reais mudanças necessárias nos sentiremos menos pressionadas a fazer todas elas, escolhendo assim em quais realmente queremos investir nosso tempo e dinheiro.

Resolvido o procedimento? Ótimo! Que comece o tempo da pesquisa, porque pelo que podemos ver com as redes sociais, não estamos em tempo de confundir currículo, certificado e experiência com números de seguidores. Podemos segurar firme nos nossos princípios e escolher com calma e responsabilidade o profissional que vai nos tratar. Não temos a cultura de procurar informações, de entrar na internet para checar o registro no CRM. Achamos que é só pegar o número que está na lista do plano de saúde e ligar, ir por indicação de olhos fechados e, agora, também acreditamos na fama da internet e ficamos com vontade de ir naquele médico (ou médica) que fez um suposto milagres em tantas pessoas (porque vai saber se a pessoa que está indicando o médico de olhos fechados também não fez nenhuma loucura para atingir os resultados, ou adulterou fotos para parecer mais perfeita?) . Enquanto a gente não mudar esse nosso comportamento eu acho que as coisas não irão mudar. Precisamos gastar mais tempo estudando e escolhendo quem vai cuidar da nossa saúde, assim como precisamos ser pacientes cuidadosos e responsáveis, então que toda essa conversa que estamos tendo sirva de alerta.

3 em Saúde no dia 03.07.2018

Precisamos falar sobre depressão…

Conexão. Eu gosto muito de me conectar com pessoas, lugares, sentimentos. Essa semana tive uma experiência de conexão gigantesca. Conhecer pessoas, se abrir com el@s e ser inspiradas por el@s é talvez um dos maiores presentes de sermos humanos.

Quando tive que escolher o tema da minha monografia para me formar em Comunicação Social, eu sabia que queria falar sobre algo que tocasse as pessoas, só que mais do que isso, que me tocasse. Foi aí que surgiu a ideia de falar sobre a representação da depressão e do suicídio no audiovisual. No meu caso, analisei a série 13 Reasons Why.

Hoje, porém, não venho falar sobre a série; mas sim sobre a doença e todos os estigmas que a cercam. A cada ano, cerca de 800 mil pessoas escolhem tirar a própria vida, os números de jovens entre 15 e 29 anos e mulheres são os maiores. No Brasil, os dados chegam a ser alarmantes, o nosso país tem a maior taxa de depressivos da América Latina – e a terceira maior do mundo – um estudo da Universidade de Campinas estima que a cada 100 mil brasileiros, 17 já pensaram em suicídio. A OMS, porém, diz que 90% dos casos poderiam ter sido evitados. E é sobre isso que eu quero falar.

Evitados? Como assim? Existe uma falsa ideia de quem fala, não faz. Muitas pessoas acreditam que quem diz que vai se matar, não faz efetivamente. Isso é uma falácia. O suicídio é, antes de qualquer coisa, um pedido de ajuda. No início do ano, na cidade de São Paulo, veio a público 3 casos de suicídios de jovens num intervalo de 15 dias – dois na mesma escola. No entanto, o nosso olhar acerca do outro não mudou. Nós, como sociedade, apedrejamos muito mais do que acolhemos nossos semelhantes.

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Depressão não é fraqueza. É uma doença. Da mesma forma que o diabético precisa tomar insulina para viver, o portador de depressão – ou qualquer outra doença psiquiátrica – precisa de tratamento. Seja ele psiquiátrico e/ou psicológico. O estigma, o tabu e o preconceito, porém, dificultam as pessoas de pedirem ajuda e os que estão ao redor de aceitar que eles precisem.

Segundo pesquisa realizada nos EUA, os transtornos de humor – sendo a depressão o mais comum – são responsáveis por 30% dos casos de suicídio no mundo, seguidos por abuso de substâncias, esquizofrenia e transtornos de personalidade. Venho, portanto, fazer um apelo aos familiares e amigos: olhem para as pessoas que amam, perguntem se está tudo bem, compartilhem suas histórias, ofereçam ajuda. Ajuda especializada, procurem profissionais de saúde mental.

Procurar ajuda é o primeiro passo para uma recuperação. E ela é muito possível, ela é gigantesca. Falar para a pessoa que está doente que el@ precisa levantar da cama, precisa comer, que o mundo não gira em torno del@ ou que existem problemas muito piores como a fome na África não ajudam. Essas pessoas sabem de tudo isso, mas não conseguem reagir. El@s perderam o prazer nas coisas que mais se interessavam, atividades comuns do dia a dia como tomar café da manhã, ou até tomar um banho ou escovar os dentes podem ser um sacrifício muito grande. El@s se sentem impotentes, não veem motivos para fazerem o que costumavam fazer, se sentem incapazes, e muitas vezes, culpad@s por não conseguirem reagir normalmente à situações corriqueiras. Nesses casos, quem está em volta tem que oferecer suporte, amor e procurar ajuda.

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Depressão tem cura, suicídio é um caso de saúde pública. Precisamos estar atentos aos sinais, e eles são milhões. Estar alí, oferecer suporte, uma palavra amiga, um abraço, sem julgamento, sem apedrejamento, ou juízo de valor. Ajude quem você ama simplesmente porque você o ama, mesmo que el@ não tenha pedido ajuda.

Ps.: pessoas de todo o mundo tem feito a tatuagem do ponto e vírgula, o símbolo da luta pela cura da depressão. Eu fiz a minha há duas semanas atrás e convidei minha mãe a fazer comigo. Vamos começar um movimento gigantesco de conscientização também?

1 em Camilla Estima/ Destaque/ Saúde no dia 11.06.2018

Anorexia nervosa e o risco de normalizarmos a magreza exagerada

Era uma vez uma menina que cresceu ouvindo comentários sobre o seu corpo. Comentários que a faziam se sentir inadequada, não pertencente àquele meio social, e isso começou a lhe incomodar. Esse incômodo se transformou em palavras duras consigo mesma. E o que ela sentia? Tristeza, frustração, raiva e assim ficou o sentimento por esse corpo. E o que ela começou a fazer? Mudá-lo, a qualquer custo. Começou então a primeira dieta, que pareceu ser fácil na medida do possível, obtendo resultados rápidos. “Que ótimo”, ela pensou, “isso funciona”. Ninguém a questionou, visto que dieta é uma coisa normal a se fazer. Todo mundo faz, não é mesmo? Mas ela era magra. “E daí? Deu uma engordadinha, tem que emagrecer” pois afinal magras também fazem dieta. Junto com a dieta ela começou a conhecer mais os alimentos, suas propriedades e em especial uma delas: a quantidade de calorias. Já que ela começou a dominar esse assunto, contar calorias virou uma coisa do seu dia a dia. E também a retirar alimentos que as pessoas comiam normalmente, pois as calorias a incomodavam.

Passado um tempo – e a dieta não funcionava mais como antes – isso começou a incomodar. “Já sei, vou malhar”, pensou ela. Começou a fazer uma, duas, três aulas seguidas na academia, voltou a emagrecer novamente e os elogios a respeito da sua perda de peso começaram a aparecer. E ai ela se engajou mais e mais na dieta e nos treinos. Começou a se recusar a comer alguns alimentos, tanto em casa quanto em algumas situações sociais, mas isso nunca era feito muito abertamente. Com o aumento da perda de peso, comentários como “Nossa, como ela é dedicada”, “Viu, tendo força de vontade a gente sempre consegue” eram frequentes e a estimulavam ainda mais. Acontece que aquilo não estava sendo suficiente, pois sempre que se via no espelho ela continuava odiando a imagem refletida.

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Não conseguia ver e muito menos sentir a perda de peso que tanto a elogiavam, então resolveu pegar mais firme na dieta e ir mais de uma vez por dia na academia. As pessoas começaram a reparar de diferentes formas: “você agora está magra demais” (e não achava que era uma crítica, apesar de se olhar no espelho e continuar insatisfeita), “está com cara de doente” (como doente se ela estava começando a chegar aonde queria?), “o que você fez para emagrecer?” (isso a estimulava ainda mais a continuar). Eis que um dia ela cai na academia, fraca e sem energia. Levou um susto mas não contou pra ninguém da família. “Foi uma queda de pressão”, imaginou. Só que outro dia desmaiou em casa e a família começou a se preocupar. Quanto mais diziam que ela tinha que parar de emagrecer, que estava magra demais ou que estava ficando doente, menos isso importava para ela. Desde que ela se sentisse magra – o que não era o que ela sentia ao se olhar no espelho. E assim ela ficou doente. Em um processo silencioso e solitário mas aos olhos do mundo ela era bem sucedida pois era magra e ainda estava conseguindo emagrecer mais.

Essa história é uma ficção. Essa menina não existe, mas tudo que eu contei é verdadeiro, pois juntei fatos que ouvimos diariamente em relatos de pessoas que nos mostram como transtornos alimentares se iniciam. E eles se iniciam de uma forma abrupta? Muitas das vezes não, como relatei acima. Pode ser a história que você viu começar em alguém? Sim, pode. E as coisas que falam para ela, são absurdas? Não, não são, principalmente dentro do contexto desse mundo maluco que vivemos onde uma menina magra estar de dieta super restritiva ou malhando loucamente é considerado normal. Além do mais, mostra que muitas vezes os transtornos alimentares são doenças silenciosas ao olhar do outro, ou seja, você pode estar convivendo com alguém que tem e você nem sabe, e pior, ainda a está estimulando a ficar mais doente. Por isso sempre falamos para não comentar sobre o corpo ou o peso dos outros pois você não sabe quem está ouvindo aquela informação.

No caso da anorexia nervosa ela começa a ficar aparente aos olhares das pessoas por causa da magreza evidente, mas mesmo assim nem sempre as pessoas se assustam com isso pois exatamente essa magreza é cultuada hoje em dia e dificilmente questionada.

“Ah, mas deixa ela ser magra”, comentam. Será? Será que isso já não é um alerta pra nos darmos conta? Não estou dizendo que todo mundo é anoréxico ou que toda mulher magra que está de dieta tem transtornos alimentares,  mas um olhar mais atento e de empatia com essas pessoas nós temos que ter.

Sabe por que pessoas magras que possam estar doentes não são questionadas pela sua magreza? Por que elas se encaixam em um padrão e por isso não precisam dar satisfação do seu corpo a ninguém, pois ela não incomoda.

Agora que a historinha já foi contada, vamos falar sobre o quadro de Anorexia Nervosa. Ela é um transtorno psiquiátrico que afeta o comportamento alimentar das pessoas e ele é diagnosticado por um psiquiatra. Profissionais de nutrição, psicologia e outras especialidades de saúde entram na equipe de tratamento parar auxiliar. O diagnóstico é feito com base em critérios, como o da Associação Americana de Psiquiatria (DSM V, 2013) que estão listados abaixo. Os comentários entre parênteses e em maiúsculo são explicações minhas para ficar menos técnico:

  1. Restrição à ingestão energética em comparação às recomendações (OU SEJA, A PESSOA COME MENOS ENERGIA DO QUE LHE É RECOMENDADO), levando a um peso corporal baixo em relação à idade, sexo, trajetória de desenvolvimento e saúde física (UM PESO ABAIXO DO QUE É ADEQUADO PARA ELA). Peso significativamente baixo é definido por peso mais baixo do que o minimamente normal e, para crianças e adolescentes, menos do que o mínimo esperado (NUMA CLASSIFICAÇÃO COMO O ÍNDICE DE MASSA CORPORAL, POR EXEMPLO, A PESSOA ESTÁ ABAIXO DO VALOR MÍNIMO ACEITÁVEL).
  1. Medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo (MEDO INTENSO NÃO É UMA PREOCUPAÇÃO QUALQUER COM O PESO) ou comportamento persistente que vá interferir no ganho de peso (CONTINUA COM PRÁTICAS PARA PERDA DE PESO OU EVITAR GANHÁ-LO), mesmo que tenha um peso significativamente baixo (MESMO QUE O PESO JÁ ESTEJA BAIXO A PESSOA CONTINUA COM MEDO DE GANHAR PESO E PROSSEGUE COM ESSES COMPORTAMENTOS PARA PERDE-LO OU EVITAR GANHA-LO)
  1. Perturbação na forma como vivencia o peso e forma corporal (PERTURBAÇÃO SOBRE A FORMA COMO SE VÊ, OU SEJA, PERTURBAÇÃO NÃO É UM INCÔMODO QUALQUER), com influência indevida na auto-avaliação do peso e forma corporal (OU SEJA, UMA AUTOAVALIAÇÃO INDEVIDA DO CORPO QUE TEM/ESTÁ NO MOMENTO), ou falha no reconhecimento da seriedade de seu peso atual (NÃO RECONHECE QUE PODE ESTAR PASSANDO POR ALGO GRAVE E MUITO SÉRIO)

O DSM V ainda classifica a Anorexia Nervosa de duas formas:

Tipo Restritivo: Durante 3 meses o indivíduo não realiza episódios de compulsão alimentar ou comportamentos compensatórios. Esse subtipo descreve a forma onde a perda de peso é resultado de dieta, jejuns e/ou exercícios físicos intensos.

Tipo purgativo/compulsão alimentar: Durante 3 meses, o indíviduo realiza episódios recorrentes de episódios de compulsão alimentar ou comportamentos compensatórios. (OU SEJA, ANORÉXICA TAMBÉM PODE INDUZIR VÔMITOS, USAR LAXANTES OU DIURÉTICOS!!! ISSO NÃO É COMPORTAMENTO EXCLUSIVO DE BULÍMICA)

A pessoa deve preencher todas essas categorias para ter o diagnóstico. E cuidado, não é para a gente sair se diagnosticando por aí e nem diagnosticando os outros. Por que achei importante colocar isso? Para as pessoas entenderem que é uma doença real, muito grave, de caráter psiquiátrico. Não é um comportamento passageiro, ou uma frescura “ah, mas ela não come porque não quer”, “ah, é uma fase, já já passa”, “ah, come logo e deixa de frescura”. É muito maior do que isso. Por isso temos que ter empatia por essas meninas. Na verdade temos que ter empatia por todas as meninas, né, de qualquer corpo que seja. Mas isso é história para um outro texto :)

Voltando à nossa historinha do começo do texto, vamos pontuar algumas questões dela e também discutir junto aos critérios diagnósticos? E levantar alguns erros que as pessoas cometem muitas vezes sem nem perceber:

  1. Mudar o corpo a qualquer custo – quando há essa ideia, algo de errado está acontecendo, pois será que essa mudança a qualquer custo vai efetivamente custar quanto a você? E à sua saúde física e mental?
  2. Começou a fazer a primeira dieta mesmo sendo magra – item 2 dos critérios diagnósticos “comportamento persistente que vá interferir no ganho de peso”.
  3. A recusa em comer alguns alimentos, grupos alimentares ou em situações sociais é um grande alerta pois mostra que a pessoa provavelmente tem medo daquele alimento ou não tem confiança em come-lo. Isso pode não ser anorexia nervosa, mas denota um comportamento alimentar transtornado.
  4. “Nas magras fazem dietas”. Eu fico me perguntando, por que ninguém questiona quando uma menina magra continua insistindo em fazer dietas. Magras não devem fazer dietas pois se elas estão insatisfeitas nesse corpo que já se encaixaria no tal do padrão, por quê a busca por magreza continua?
  5. Contar calorias – esse hábito nunca é saudável! Em nenhuma circunstância que seja. Quem tem que saber o valor calórico que você come é o profissional de nutrição que te acompanha (e se ele começar a lhe infernizar com isso, se ligue). Por que não é saudável? Pois começa a se tornar uma prática obsessiva, que não leva em conta o valor nutricional dos alimentos. É uma busca por números, assim como a do peso da balança ou do manequim da roupa.Originalmente por definição não é, mas está virando….
  6. Usar exercícios físicos em excesso para compensar ou ajudar na alimentação – é uma prática purgativa quando usada em excesso, quando atrapalha a sua vida social ou quando vem acompanhada daquela sensação de que nunca está suficiente.
  7. Os elogios pela magreza – elogiar magreza poder ser um baita problema pois se essa pessoa realmente tem um problema alimentar, seu elogio só estará reforçando esses comportamentos inadequados que ela faz para chegar a esse corpo. Sem contar que “estar magra” não é elogio, elogio é “você está linda”, “você está radiante” etc.

Moral de toda essa história: estamos vivendo em um mundo cultuado por um corpo extremamente magro, que pode estar custando não só a saúde física das pessoas, mas também a mental. Mundo esse que acha que comentar que alguém emagreceu é um elogio e que ela ganhou peso é um fracasso. Como sempre digo, enquanto nós vivermos num mundo que valoriza as pessoas pelo corpo e não pelo que elas são, a desconstrução vai demorar mais ainda pra acontecer.

papo-sobre-autoestima

E o que podemos fazer da nossa parte como amiga, mãe ou pessoa próxima?

Evite comentários tipo: “Amiga, vi essa dieta, vamos fazer?” / “Filha, acho bom começar uma dieta pois você tá engordando” / “Amor, deu uma engordadinha heim, você já não está mais com o corpo de quando te conheci”/ “Se você emagrecer vai render melhor nos treinos” – dietas restritivas costumam ser o primeiro gatilho para o desenvolvimento de um transtorno alimentar.

Não dê apelidos a ninguém que levem em consideração a forma física da outra pessoa. Comentários como esses e também “apelidos inocentes” são gatilhos para a pessoa se sentir insatisfeita com seu corpo, inadequada e muitas vezes começar estratégias nada saudáveis para modificar esse corpo que ela sentiu ser julgado.

Anorexia Nervosa não é frescura, modismo e muito menos estilo de vida.

E para você, que possa estar passando por algum processo como esse, procure ajuda especializada. É um caminho que pode assustar mas totalmente viável. Grande beijo <3