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Saúde

4 em Autoestima/ Saúde no dia 14.12.2017

Polêmica de verão: O tal do biquíni branco

Estava eu escrevendo o texto Projeto verão, não obrigada!” e procurando imagens para ilustrar o post me deparei com um “padrão” ao colocar na busca os termos “projeto verão” ou “corpo de verão”. A maioria das imagens aparecia uma modelo bastante magra, em uma praia paradisíaca e vestindo: um biquíni branco. Aquele fato curioso me chamou a atenção e então fiz uma reunião de pauta aqui do blog para avaliar a interpretação que fiz disso.

Eu já havia escutado alguns clichês como: biquíni branco é coisa de gente magra, só magra pode usar essa cor de biquini e até que biquíni branco engorda. De cara as meninas acharam que não havia essa ligação. O argumento da Carla era até bom, ela acreditava que o exagero de biquinis brancos no google poderia ser referente à fotos de banco de imagens, já que o branco é a cor mais fácil para modificar digitalmente. Só que alguns dias depois a Carla me mandou uma mensagem: “acho que você estava certa”. Ela tinha acabado de ver um post no instagram com uma hashtag “correndo de biquíni branco”. Foi aí que começou a nossa saga para entendermos melhor isso.

Para usar biquini branco então tem que ser Angel da Victoria’s Secret?

Fiz um post no grupo do Futi no Faceboook (Papo sobre autoestima) para ouvir mais sobre o assunto pois queria saber o que elas achavam a respeito do tal “biquíni branco” x  “o corpo”. Pronto!  Choveram mensagens. O mesmo aconteceu no meu instagram de trabalho – acho que foi o post que mais me rendeu mensagens diretas em todo esse tempo.

Muitas responderam não usar biquini branco. Os motivos?

branco engorda| mas biquini tem calorias? Aqui vale a mesma lógica do mito que “preto emagrece”.

biquíni branco é só pra magras | existe essa lei? Calma que piora…

biquíni branco só para “super magras” | Ih! Ficou mais rígido ainda, mas calma que piora mais…

biquíni branco só “super magras e saradas, estilo musas fitness” | Eu disse que piorava! :(

biquíni branco é para “outra categoria de ser humano” | isso quer dizer que em breve teremos um novo padrão de corpo perfeito, o alienígena?

– biquíni branco fica transparente e por isso não uso | por esse motivo até faz algum sentido

– biquíni branco era vulgar | aqui o assunto nem é gordofobia, é machismo mesmo!

– biquíni branco exalta as celulites | nunca tinha ouvido algo desse tipo e até agora não achei sentido.

– biquíni branco só pra gente bronzeada, fico que nem um palmito | Até o bronzeado é um padrão?

– “percebo em revistas de projeto verão e moda que biquíni branco é para corpos lindos”

Muitas extrapolaram para roupa branca em geral:

– “não casei na igreja para não ter que usar vestido branco”. Confesso que essa resposta me embrulhou o estômago e uma vontade imediata de dar um abraço carinhoso naquela moça.

– “o professor da academia, durante a aula, disse que temos que malhar muito para sustentar um macacão branco”

Piorou muito, não foi? Sempre ouvimos das crenças mais enraizadas às maiores bizarrices. Para o meu espanto completo, existe o “projeto biquíni branco” e “projeto biquíni branco de lacinho”.  Confesso que esses dois foram novidades para mim. Já não basta o “projeto verão” estar tão “normalizado”, ainda tem variações mais duras ainda! Um pra usar o biquíni branco e outro para usar o modelo de lacinho! Está claro que existe também o estigma de que só magra usa biquíni de lacinho. 

Que ideias podemos levantar à respeito dos comentários que recebi?

  • Existe um julgamento exacerbado sobre o próprio corpo.
  • Muitas têm a sensação de “não merecimento”. Como se elas não merecessem usar o biquíni branco ou sequer poderiam ir à praia (sendo honesta com vocês, escrever isso me entristece demais. É triste num grau.)
  • Muitos exemplos de pouca auto confiança com o próprio corpo.
  • Conceitos pré determinados de roupa que “engorda” ou “emagrece” (mesmo não entendendo nada de moda, entendo o conceito do “engorda e emagrece” mas acho beeeeem julgador. Gerando novas crenças que limitam.)
  • Aparentemente há uma regra de tom de pele que não sustenta a roupa (mais limitações)
  • Invalidação do corpo para ir à praia.
  • Limitação social que a roupa de praia traz para a vida das mulheres (e qualquer roupa, né).

se seu sonho é esse, por que não usar?

QUALQUER MULHER está apta para usar qualquer biquíni na praia. PRECISAMOS JUNTAS dissociar o julgamento do corpo à roupa e quebrar a crença limitante que isso gera. Roupas de banho simplesmente paralisam as pessoas. Isso é uma forma de prisão que acontece todo verão por conta de fatores como:

  • capas de revista de dietas com famosas de biquínis: comparação imediata da figura da capa com você mesma
  • julgamento do vendedor – esse também foi um comentário que apareceu – no ato da compra
  • medo dos olhares de terceiros na praia\
  • desconforto com a peça de roupa
  • desconforto com seu corpo
  • “magras” usam cortininha ou lacinho, “gordas” usam modelos plus size

Preciso confessar que escrever esse texto me entristece demais, ao mesmo tempo me deixa bastante irritada com os padrões de moda e corpo que geraram essas CRENÇAS na cabeça das mulheres. São apenas afirmações repetidas que viraram verdade para muitas de nós.

O que eu tenho a dizer a todas vocês é: o verão, o sol, o mar, a praia, a cachoeira, a piscina, o biquíni branco ou preto ou estampado, o maiô, o que quer que seja….é para TODAS!!!!!

E se você me permite mais um conselho:.ao ver uma mulher “fora do padrão” usando biquíni, qualquer modelo que seja, ao invés de apontar o dedo e julgá-la, que tal mudar a chave e deixar o julgamento de lado e entender que:  todo mundo tem esse direito, todo mundo tem um corpo de verão e não deve ser julgado por ele.

Liberte-se! E seja feliz!

4 em Autoestima/ Camilla Estima/ Convidadas/ Saúde no dia 29.11.2017

Projeto Verão – não, obrigada!

Não adianta, basta as temperaturas começarem a subir e a ansiedade das pessoas acompanha essa escalada em busca de um “corpo para o verão”. Começam a pipocar os “projetos” para a temporada mais quente do ano, ou seja, uma cruzada para uma modificação rápida do corpo, como que um passe de mágica, correndo contra o relógio para ter o tal corpo perfeito para exibir na praia.

Coloquei na busca do Google “corpo de verão” para ilustrar o post e as fotos que aparecem são essas:

Sempre o mesmo formato de corpo, em uma praia paradisíaca, um biquíni branco e uma modelo “sem cabeça”. Fiquei pensando o por que do biquíni branco.

A presença da fita métrica é constante nas imagens. Profissionais de saúde e educação física usam esse instrumento para realizar medidas corporais. O problema desse tipo de imagem é que a medida da fita métrica mal interpretada vira mais um número que gera insatisfação corporal.

o biquíni virou um inimigo para você ter que “encará-lo”?

A necessidade de ter um corpo aceito nos padrões atuais parece ser o passaporte ou uma condição para ir à praia livremente, sem culpa e julgamentos alheios. Se você não tem o “corpo do verão” parece que não tem direito de usufruir das atividades típicas dessa estação.

A quantidade de mulheres que já reproduziram tal discurso – “imagina que eu vou à praia no verão” – em grupos de amigas, nas redes sociais, no meu consultório é incontável. Elas simplesmente não se acham merecedoras de aproveitarem o sol, a praia, piscina ou cachoeira por um autojulgamento de que seus corpos não estão adequados para isso. E esse julgamento vem de onde? Além do óbvio – do padrão de beleza pautado na magreza excessiva – vem exatamente dessas fotos que ilustrei acima. I-M-P-O-S-S-Í-V-E-L olhar para uma foto dessas e não se comparar imediatamente ou enaltecer alguma “imperfeição” que você afirma ter.

Agora vamos conversar sobre o quão problemático está o mundo que te manda fazer um projeto para aproveitar o verão e qual o PROBLEMA de se colocar em um “projeto” desses:

– eles são pautados em dietas extremamente restritivas. Já falamos por aqui do problema das dietas restritivas: dietas são imposições externas para comportamentos internos, pautadas em uma restrição calórica completamente exagerada e bem difícil de ser seguida. E como a maioria das pessoas simplesmente não consegue segui-las por muito tempo, acha que o problema é com elas e não com o método.

– atividade física em excesso e que não faz parte – especialmente quanto à frequência – da rotina natural das pessoas.

– palavras julgadoras envolvidas nesse processo “força, foco e fé”, “falta de força de vontade”, “só não faz quem não quer”. Recentemente consegui listar com meus alunos apenas 52 motivos que fazem as pessoas comerem o que elas comem. Sim, você não leu errado….C-I-N-Q-U-E-N-TA-E-D-O-I-S motivos, já falamos deles também por aqui. As pessoas realmente não têm força de vontade para mudar sua alimentação e sua relação com a comida ou é tudo muito mais profundo do que a gente realmente imagina?

Isso tudo gera MUITA INSATISFAÇÃO e sentimento de fracasso nas mulheres, gerando ansiedade e relação descontrolada com a comida.

Por fim, amo essa imagem para sempre.

Agora me diga, quais são os seus projetos reais para o verão:

– planejar uma viagem bacana
– conhecer uma praia ou cachoeira que você nunca foi
– aproveitar o sol com proteção
– encontrar seus amigos
– apreciar o pôr do sol
– participar de eventos ao ar livre
– curtir o reveillon e o carnaval

Bom verão para todas nós…..e que seja com liberdade e em paz com a gente mesma!

2 em Camilla Estima/ Comportamento/ Convidadas/ Saúde no dia 08.11.2017

Você sente mais fome no estômago….ou na cabeça?

Vou começar o meu texto com duas perguntas, que podem parecer bestas….

1) Você conhece a sua fome?
2) Você sabe a hora que deve parar de comer?

Mas Camilla, como assim “conheço a minha fome”? Claro que sei.

Será mesmo? Então pare e pense se você conhece mesmo a sua fome…..e em qual parte do seu corpo você a sente? E em qual momento você a sente? Não precisa escolher só uma opção.

a) Na cabeça
b) No estômago
c) No peito
d) Roendo as unhas
e) Ansiosa estudando para uma prova no final do período da faculdade
f) Entediada no domingo às 6 da tarde
g) Quando você abre a geladeira pra pensar
h) Quando está trabalhando até mais tarde e precisa se manter acordada
i) Quando terminou o namoro
j) Antes de uma reunião importante
k) Na TPM

Agora vamos para a segunda pergunta:

2) Você sabe a hora que deve parar de comer?

Mas como assim hora de parar de comer? Normalmente eu paro de comer quando estou satisfeita (satisfeita mesmo ou cheia?) ou quando pisquei o olho e vi que acabou a comida que do prato enquanto eu estava vendo a minha série favorita ou então quando a pipoca magicamente acabou e o filme ainda nem tinha começado!

E naqueles restaurantes que você paga um preço fixo – buffet ou rodízio – e pode comer o quanto quiser -você sabe a hora que deve parar?

Agora vamos ao gabarito das perguntas acima:

Se na pergunta 1 você respondeu que quando está com fome você sente no seu estômago, é um bom sinal. Mas agora, como adoro uma pegadinha, a fome que você sente está 100% do tempo no estômago? Acho que não, né. As letras C até K, você marcou alguma?

Calma, se você não marcou “estômago ” e sim todas as outras, tá tudo bem!

Por que estamos falando isso? A gente fala muito aqui no futi sobre respeitar seu corpo, honrá-lo, aceitá-lo como ele é e fazer o melhor dele. Respeito, essa é a palavra. Para melhorar a relação com o corpo é inevitável que haja uma melhor relação com a comida.

Na linha da nutrição baseada no comportamento, nosso foco é melhorar a relação com o corpo e com a comida usando alguns pilares: o reconhecimento dos sinais de fome física e da saciedade e também entender os motivos que levam você a comer o que você come.

A fome e a saciedade são dois sinais que nascem com a gente mas que se perdem na infância e adolescência por diferentes motivos. Na infância um bebê sabe direitinho a hora que ele tem fome e quando precisa parar de comer. Simples assim. Há um comando interno – que chamamos de autorregulação energética – que avisa que a energia está baixa (que nem a luz do painel do seu carro acende quando a gasolina está na reserva), envia um sinal para o centro da fome no cérebro, e aí o alerta vem. E quando “o tanque foi completo” mais um sinal é enviado, mas agora no centro da saciedade, avisando que está na hora de parar.

O que então desregula? Quando a criança já passou de um corpo de bebê para um corpo de criança ele já não sente mais tanta fome, e junto a isso outras coisas passam a a dar prazer à ele que não apenas o alimento, pois agora ele caminha! Só que a família desavisada disso, o que faz? Com a preocupação de “meu filho parou de comer”, engata em um pensamento de “vamos encher essa criança de comida!” e aí começa uma desregulação.  Junte isso com algumas crenças de que “não pode deixar comida no prato”, “não vai sair da mesa se não comer tudo”, “tem gente passando fome, você não pode desperdiçar comida” – lascou-se. Tem que comer o prato feito por um adulto, na quantidade de comida que um adulto avaliou que seja suficiente, mas para a fome de uma criança. Parece louco, né…..mas é a realidade, acho que desde que o mundo é mundo.

Na adolescência há novamente uma alta demanda de energia e nutrientes – afinal de contas precisamos transformar um corpo de criança em um corpo de adulto – e volta novamente aquela fome de leão. Mas aí, aliado a diversas crenças construídas socialmente como “fulana engordou assim que virou mocinha”, muitos adolescentes, por conta própria ou até estimulados pela sua família, saem à procura de algo para frear isso. E então começa a roda viva das dietas e em casos mais extremos (mas infelizmente bem comuns) são levados a profissionais de saúde que indiscriminadamente prescrevem remédios para inibir o apetite. (Alguém ai se identificou?). Agora, imagina só frear a fome para a construção de um corpo saudável por conta de um achismo de que o corpo engordou? Esse corpo precisa mudar!

Remédios inibidores de apetite desorganizam completamente o centro da fome e da saciedade. O corpo já não sabe mais que horas está com fome, está satisfeito, fica uma sinfonia de sensações completamente misturadas.

E então você hoje, adulta(o), que provavelmente já passou por algum desses processos aí, sabe me dizer se conhece a sua fome? E a hora de parar de comer?

Pra embolar ainda mais o meio de campo nós temos as emoções. Sim, nós nos diferenciamos do resto da cadeia alimentar por conta das emoções e da racionalidade. Me diga, quais são os motivos que levam você a comer o que você come? Outro dia dei aula sobre isso e junto com a turma chegamos a 52 motivos, e acho que ainda faltou muita coisa.

Feliz, triste, entediado, depois de um dia difícil como recompensa, se sentindo só, sentindo um vazio interno que precisa ser preenchido, uma ida à um rodízio que precisa fazer valer o quanto pagou, uma ida à um evento com mesa de coffee break (sendo que você nem estava com fome, mas a comida estava ali), porque foi em um lugar cuja comida era de graça, passou por uma praça de alimentação do shopping e viu uma promoção, na fila da farmácia e pegou umas balinhas expostas, parada no sinal de trânsito e o menino colocou um amendoim no retrovisor. Ufa……ainda falta um monte de coisas! Mas já deu pra entender, né.

Agora respira…..pois você não está sozinha. E não se desespere. Perceber a hora que você está com fome de verdade ou se algum dos motivos acima te fez comer mesmo sem fome, já é um bom passo para entender isso tudo e melhorar a sua relação com a comida.

E depois disso tudo que eu escrevi, alguma dieta ou receita mágica ou lista de alimentos permitidos ou proibidos já te fizeram pensar em metade das coisas que falei acima? Acho que não, né..