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Relacionamento

4 em Destaque/ Relacionamento no dia 23.10.2017

Flerte em tempos de redes sociais

“Sabe o Augusto? Ontem ele apareceu, curtiu uma foto minha na praia. Ele tá namorando, como assim fica curtindo foto minha?”

Foi com essa frase que eu me peguei de ouvido na conversa entre 4 mulheres que não pareciam ter muito mais de 20 anos enquanto desfrutava meu açaí em uma mesa do Bibi Sucos. Eu sei, é um péssimo hábito, também detesto. Mas aconteceu e quando eu me vi, estava absorta nas estratégias e supostas intenções atrás de likes e views nas redes sociais.

No caso, Augusto – fiquei sabendo um pouco depois – era um crush não concretizado. Logo depois, outra menina começou a falar da Larissa, aparentemente uma pessoa que ela não gostava, que não deixava de ver um stories. E ela adorava ser vista pelo desafeto velado, pude perceber. No fim, ainda consegui ouvir parte de uma aula que a terceira garota dava sobre estratégias para fazer o boy (que não consegui entender o nome) que ela tava afim começar a seguí-las nas redes sociais. Era um truque engenhoso que consistia seguir amigos em comum, tentar aparecer em fotos dessas pessoas e ser marcada para que o carinha visse o nome do seu instagram. Pena que meu açaí acabou e eu achei que ficaria muito evidente se eu continuasse ouvindo a conversa alheia sem mais nada pra fazer.

Saí de lá me sentindo uma dinossaura das redes sociais. Tirando a segunda história, de gostar de ser notada por alguém que você já não fala mais, eu não consegui me identificar com nenhuma outra. Quando comecei a namorar só existia ICQ, era o tempo do “oi quer tc” e o truque da vez era ficar online e offline do chat, para que o barulho de portinha que o ICQ fazia quando alguém entrava chamasse atenção o suficiente do crush a ponto de fazê-lo vir falar com a gente. Hoje quando eu curto uma foto de alguém, homem ou mulher, é porque eu realmente curti a foto.

Pensei no tal do Augusto. E se ele só curtiu a foto porque achou bonita? E se ele só estava sumido porque os algoritmos do Insta fizeram ela sumir pra ele? E se ele tá super feliz com a namorada, não pode mais curtir fotos de mulheres? A menina já foi criando possíveis intenções na cabeça dela sem ter noção se alguma é verdadeira. Ela, inclusive, quis inventar uma possível infidelidade só pelo fato dele ter curtido sua foto. Isso não é doido?

Só não achei mais doido que as estratégias. Acho que nem em Game of Thrones o povo é tão estrategista. Segue gente para ficar com um grau de separação entre ela e o alvo, arquiteta um plano de aparecer na foto desse alguém e ser marcada, planta bananeira, bota uma setinha de neon em cima da cabeça e mesmo assim, ainda corre o risco de não ser seguida pelo crush. Afinal, quem nunca se interessou por um carinha completamente desligado que não entendeu as deixas mesmo quando você abriu um outdoor que dizia “eu estou afim de você” na frente dele?

E aí me pergunto: qual o problema de seguir primeiro? É só um botão que você clica para começar a acompanhar as postagens da pessoa! Não querendo julgar, mas já julgando, se o orgulho de não ser a primeira a mostrar interesse é tão grande ainda nessa pré-fase de conquista, imagina quando tiver junto??

Nessas horas me pego lembrando de mim, aos 14 anos, reunindo toda a minha coragem para mandar uma mensagem para um menino dizendo que eu tava afim dele. Ou ficando amiga de amigos do garoto que eu fiquei (e pagando alguns micos pelo caminho) só para saber se poderia rolar algo novamente. Ou até mesmo pedindo para a amiga chegar junto de quem eu tava interessada para sondar se eu seria correspondida. Eu hein, a tecnologia chegou para facilitar nossa vida mas parece que a gente dá um jeito de complicar as coisas.

Será que se eu tivesse essas redes sociais à minha disposição lá nos anos 2000 eu seria confusa e cheia dos joguinhos como essas meninas? Nunca pensei que uma parada para um açaí fosse gerar tanta dúvida.

3 em Relacionamento no dia 09.10.2017

Sobre príncipes, reis e eu.

Outro dia me peguei pensando em como as minhas expectativas sobre um relacionamento eram megalomaníacas num passado não tão distante. Mas acho que desde que escrevi meu primeiro texto aqui, eu tenho sido menos exigente. Tenho sido mais aberta para pessoas com as quais eu antes não seria. Desde então acho que abri mão de algumas exigências bizarras na minha listinha imaginária do “cara perfeito”.

Bizarras porque preciso confessar que até cerca de 2015, eu tinha direitinho na minha cabeça o tipo de homem que eu queria que aparecesse na porta da minha casa com um buquê de flores. Alguém que parecesse o Jake Gyllenhaal seria perfeito, nota dez, tá de parabéns (fica aqui o elogio escancarado ao meu crush eterno – sim, eu amo o Leo Dicaprio, mas eu ficaria mesmo é com o Jake). Alguém tipo o Sam Claflin ou o Theo James não cairia nada mal também. Além disso, eu queria inúmeras qualidades. Minhas melhores amigas sabem que muitas vezes eu nem dava uma segunda chance para alguém porque os itens da minha listinha não estavam todos ticados.

E uma das melhores coisas que eu fiz na vida foi ver que todos os itens da lista não precisam estar ticados. Eu vi que eu podia conhecer gente muito legal e interessante sendo um pouco mais aberta, um pouco menos crítica, quem sabe até menos chata.

Eu vi que não preciso do príncipe encantado com todos os itens da minha longa lista (e talvez nem o queira mais). Eu descobri que quando é para ser, vai ser. Descobri que quando encaixa, encaixa por um motivo. Que amor é mais do que o que está em qualquer listinha de qualidades. Que amor é mais profundo que isso. E também mais complicado que isso.

Mais complicado porque eu talvez tenha deixado algo de lado – e agora vejo que não é o certo, independentemente do cara ser o próprio Jake Gyllenhaal: não precisa ser o príncipe encantado e dar check em todos os itens da lista, mas eu mereço alguém que me queira. Alguém que não tenha medo de fazer planos, de se jogar, de arriscar pelo nosso relacionamento.

Sempre pensei no rei da Inglaterra que abdicou do trono porque queria casar com uma americana divorciada. Em um antecessor dele que mudou a religião do país por amor a uma mulher. E não, não quero que ninguém abra mão de um sonho ou de algo como um reinado por mim. Eu só quero que alguém me coloque na luta do dia-a-dia junto. Alguém que lute comigo pelos meus sonhos e pelo meu reinado também. Alguém que esteja no mesmo barco, no mesmo degrau, lado a lado. Tem que ter equilíbrio. Tem que dar, tem que receber, tem que ter troca.

É vivendo – e caindo, infelizmente – que se aprende. Eu não tenho arrependimentos até agora. Eu acho que cresci muito como pessoa, como mulher nos últimos anos (e nos últimos meses, especialmente). Eu tenho mais certeza do que eu quero e do que eu não quero na pessoa que vai estar ao meu lado. E não baseada em uma listinha hipotética que eu fiz aleatoriamente pensando em astros Hollywoodianos, mas baseada na minha história, nos meus aprendizados e no que eu hoje vejo como realmente importante em um relacionamento a dois.

0 em Autoestima/ Comportamento/ Convidadas/ Destaque/ Mayara Oksman/ Relacionamento no dia 29.09.2017

Vamos dar as mãos ao invés de botar os pés para outra tropeçar?

Setembro sempre foi um dos meus meses prediletos do ano, porque sempre me remeteu à renovações. Não sei o motivo, não sei desde quando, só sei que é assim para mim. Em 2016, Setembro foi o mês em que eu aceitei uma nova proposta de trabalho, que a princípio já começaria com um mega desafio. Era deixar para trás o conhecido e entrar em um mundo completamente novo, com pessoas novas, rotina nova, tudo novo. E bom, não foi diferente em 2017.

As pessoas mais próximas (e quem prestou atenção em um dos posts no Instagram do Futi essa semana) já sabem que meu namoro acabou. E apesar de ter vontade de escrever milhares de linhas sobre isso, vou manter essa questão mais privada, até porque é recente, não sou de ferro e é difícil falar sobre tudo ainda.

Mas quero muito escrever sobre uma conversa que tive recentemente.Uma conversa com alguém que passou pelo que eu estou passando agora. Alguém que não me conhece pessoalmente, mas que sabe quem eu sou e vice-versa. Alguém que não precisava ter respondido o que eu perguntei. Alguém que não precisava ter respondido at all. Mas ela respondeu e gente… respondeu lindamente. E como foi importante para mim. Ela falou de dor, de como demora para passar, mas passa. Ela falou de decepção, de raiva, de tristeza. Ela falou de amor e de como as coisas podem e devem ser simples no amor. De como a gente cai, mas levanta ainda mais forte.

 

garotas apoiam garotas

Falei para ela como tinha sido importante ler tudo o que ela me escreveu, mas acho que ela não tem ideia do quão importante foi. Me deu fôlego, me deu força, me deu clareza. Ela me inspirou, me incentivou, disse que tudo vai ficar bem. Ela me deu um abraço com palavras. Me mostrou que meu instinto sempre esteve certo. E poxa, como eu quero e devo seguir mais o meu instinto! E quero que vocês sigam os instintos de vocês também. A gente não tira pensamentos do nada. A gente sabe. No fundo, bem no fundo, a gente sabe. A gente sabe o que nos faz bem e o que nos faz mal.

Essa conversa deixou meu mês especial. Deu continuidade ao meu pensamento de que em Setembro, tem renovação. Eu entro em Outubro, e para essa nova fase da minha vida, mais confiante, mais forte, mais poderosa. Cada experiência, boa ou ruim, faz parte de quem eu sou, fazem pedacinho por pedacinho de mim. Eu sou quem eu quero ser e eu não preciso de ninguém do meu lado para fazer com que a minha vida aconteça ou siga em frente. Eu sou minha prioridade e eu sou suficiente. Todas nós somos.

verdadeiras rainhas arrumas as coroas de outras rainhas

Queria conseguir agradecer ela de tantas formas, mas acho que a melhor delas é compartilhar um pouco do que eu aprendi com vocês, para que vocês também compartilhem com outras. Foi uma conversa entre, que me perdoem Cá e Jô pelos palavrões, duas mulheres foda. Dois mulherões da porra. Como todas as mulheres. Que a gente se abrace, se una, se ajude, se dê uma mãozinha ao invés de uma perna para a outra tropeçar. Que a gente se dê valor, que a gente não julgue sem saber.

Um beijo para todas vocês, mas, em especial, para ela.