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Relacionamento

0 em Autoconhecimento/ Mayara Oksman/ Relacionamento no dia 05.06.2018

Sobre segundas chances

Há algum tempo tive uma conversa com amigas sobre segunda chance e fui super enfática ao dizer que era a favor e que eu era uma pessoa de segundas chances. Fiquei com aquilo na cabeça, matutando por uns dias e aí uma ficha caiu de leve: “eu sou mesmo uma pessoa de segundas chances? Ou eu sou uma pessoa de segundas chances para os outros, mas nem sempre para mim mesma?”.

Vou explicar melhor: quando alguém faz algo que eu não gosto ou não concordo ou fico chateada, costumo sempre dar uma segunda chance. Dei muitas segundas chances para o meu ex-namorado (uma hora deixaram de ser segunda chance e passaram a ser cegueira, mas tudo bem, já falei disso aqui e trabalhei isso na terapia). Dou segundas chances para pessoas que, sem querer, acabam errando comigo. Seja traindo um pouco minha confiança, seja simplesmente sumindo da minha vida e voltando do nada. Colegas de trabalho, amigos, conhecidos, não importa.

Eu sou uma pessoa que acredita que o outro pode mudar minimamente ao ter uma segunda chance. E se isso está certo ou não e se a pessoa merece isso eu realmente só vou descobrir depois, não tem jeito. Mas a questão aqui é outra: eu acho que não me dou (ou não me dava) segundas chances suficientes.

Sempre fui mais crítica, mais dura comigo. É ferro e fogo, vai ou racha. E por quê? De onde eu tirei que todo mundo poderia ter uma segunda chance e eu não? Por que eu acharia que “tudo bem” o que os outros fazem, mas não “tudo bem” o que eu faço? Acho que é a pressão interna. Acho que é aquele sentimento louco, que eu nutro sozinha de que se eu preciso de segunda chance é porque errei e eu não posso errar, que eu tenho que ser perfeita e me adequar ao que está acontecendo esteja eu feliz ou não.

Fiz uma autocrítica e concluí que do ano passado para cá, eu me dei sim segundas chances. Talvez não tantas quanto eu merecia, mas as que ocorreram foram muito importantes. Eu me dei uma segunda chance como mulher. No sentido amplo de mulher. Seja meu lado pessoal e profissional. Não preciso entrar em detalhes: quem me acompanha por aqui e leu os últimos textos vai entender do que eu estou falando. Não foi um ano fácil, mas eu não desisti de mim e acho que isso é o que mais importa. Se autoconhecer, se reinventar se for preciso, se perdoar. Gente, se eu mesma não me olhasse, se eu mesma não me perdoasse, quem mais ia fazer isso?

Eu prometi no final de 2017 que esse ano seria o ano dos desafios e do vai com medo mesmo. Pois bem, estamos no começo de junho e acho que fiz muitas coisas com medo. Inclusive uma grande segunda chance, que vou contando aos poucos para vocês. Esse último ano me mostrou que eu precisava mudar algumas coisas na minha vida e ir atrás de alguns sonhos. Vou tentar fazer isso e to indo com medo mesmo.

mayara

Não tenham medo das segundas chances. Se elas vão sempre ser positivas? Não sei, gente. Isso só o tempo vai dizer! Mas acho que é melhor se arrepender de ter tentado do que simplesmente ficar parada no lugar imaginando como seria, aquele tão famoso “e se”?

Se o arrependimento vai bater eu não sei, mas só a possibilidade de se deixar tentar fazer algo diferente já me faz acreditar que todo mundo merece uma segunda chance, inclusive e principalmente eu mesma.

5 em Autoconhecimento/ Relacionamento no dia 30.05.2018

O privilégio de ser solteira por volta dos 30…

Hoje vou falar sobre algo que gostaria que alguém tivesse me dito 3 anos atrás: a maravilha que é ser solteira por volta dos 30 anos. Para algumas soará óbvio, afinal, uma mulher mais adulta, madura, independente e geralmente mais segura pode fazer bom uso de uma nova oportunidade de conhecer pessoas e de conhecer a si mesma. Infelizmente para muitas outras ainda é difícil enxergar dessa forma. Quanto mais frustrada a pessoa se sente por não ter conseguido atender a pressão de casar e ter filhos, mais difícil é enxergar o tamanho da benção que é ser solteira com essa idade.

Poder se conhecer ainda melhor na vida adulta é libertador. Não é fácil sair da zona de conforto, mas é literalmente um movimento empoderador.

joana-cannabrava

Pessoalmente acho quase matemático dizer que quanto mais nos conhecemos, mais podemos escolher melhor com quem queremos dividir as diferentes fases da nossa vida. 

Hoje tenho 31 anos de idade, solteira entre chegadas e partidas e com a sensação de que a vida me deu uma nova chance de recomeçar tudo aos 28. Há 3 anos eu tomei a decisão mais importante de toda minha vida adulta: terminar um namoro de 6 anos. Para muitos foi um pouco estranho. Eu sei que parecíamos felizes, mas a verdade é que apesar de termos vivido uma linda história, ela havia chegado ao fim e estávamos empurrando com a barriga, sem mais vontade de dar certo, preenchidos de distrações convenientes para não enxergar a verdade. 

Ficar solteira com essa idade foi muito vantajoso para mim, e apesar do medo inicial, logo entendi que meus medos eram todos meio infundados. E se eu descobrisse que ele era o amor da minha vida? Lutaria por ele com unhas e dentes. E se esse fosse o maior erro de todos? Eu repararia o erro, não dando voz a nenhum tipo de orgulho. E se eu não conhecesse ninguém legal? Eu sairia com pessoas chatas quando tivesse afim, tendo sempre minha boa companhia como opção. E se ficasse tarde para casar e ter filhos? Nunca é tarde pro amor, só que pra mim uma família precisa ser consequência de um amor, não causa pra ter alguém.

Em meio a várias incertezas, me dei meu maior presente: o benefício da dúvida. Agradeço todos os dias por ter feito isso. Claro que tiveram dias difíceis, frustrantes e cansativos num mundo onde tanta gente tem medo de se envolver, mas isso não foi nada comparado com a parte boa. Vivi algumas das melhores histórias que já escutei e, por elas, eu abriria mão de tudo novamente. Elas me permitiram chegar na atual versão de mim, da mais louca a mais improvável. Me vi inteligente, forte, incrível, linda e poderosa em algumas das muitas oportunidades que me dei, cada um desses momentos fez tudo vale a pena. 

Lembro que a época do término, lá em 2015, tirou semanas do meu sono. Literalmente eu deitava e não conseguia dormir. Sentia que estava agindo de forma leviana e sendo injusta com todo mundo que esperava que eu casasse, tivesse filhos e vivesse feliz para sempre. Por esse tal sonho idealizado eu seguia lutando numa relação que havia ficado pesada pra mim. A gente não era mais feliz, mas fingíamos que éramos. O pior é que não fingíamos pros outros, fingíamos para nós mesmos.

Nesse processo de autodescoberta pude viver o feminismo a meu favor. Um novo momento onde mulheres poderiam tomar decisões sem ter tanto medo do julgamento externo, onde elas poderiam se experimentar, viver sua sexualidade, seu corpo, suas rédeas, seu trabalho e se dar novas oportunidades sem considerar os antigos estereótipos do “lugar de mulher”, do “garota de família” ou do “essa é pra casar” que ouvi a infância inteira. Eu fui uma mulher livre pela primeira vez, usei minha autoestima a meu favor e me permiti surpreender.

Ser solteira sem essas prisões foi das coisas mais livres que eu já experimentei, aos poucos testando coisas novas e soltando velhas amarras, muitos desses temas viraram posts do blog. Pude explorar quem eu sou de verdade, pude descobrir novidades sobre mim que eu sequer conhecia.

Redescobri meu corpo, meu prazer e encontrei toda uma nova personalidade da versão cada dia mais incrível de mim mesma. Por isso repito, estar solteira aos 30 foi a coisa mais importante e libertadora que poderia ter me acontecido.

Abrir mão de um único padrão de futuro socialmente esperado também foi muito libertador. Sou muitas vezes a amiga que não casou e não teve filhos, mas sou tão mais do que isso. Realizei tantas outras coisas. Não tenho nada contra a ideia de juntar escovas de dente, desde que seja pelas razões que eu considero corretas, e não por ser o que esperam de mim.

Poder se conhecer e recomeçar é um ato de liberdade que, somado à maturidade, pode nos abrir caminhos que jamais sonhamos, para termos uma vida que sequer imaginamos dentro da nossa antiga bolha.

Na minha vida sinto que namorei pouco, fiquei muito e transei com menos pessoas do que gostaria, mas sem dúvida alguma pude viver algumas das melhores histórias ao me dar essa nova chance. Ganhei novas referências, aprendi com novas pessoas e cresci como ser humano. Num saldo geral foram 4 namoros que, juntos, somaram 8 anos e meio, 2 relacionamentos sérios sem nome e umas 2 ou 3 paixões loucas pra conta. Os aprendizados com isso tudo? Incontáveis. Tive uns dois términos dolorosos nessa conta, mas ambos me ensinaram muito, até mesmo a importância de não me desconectar de mim, não contaminar minha vibração, porque uma coisa é certa: sempre atraio a energia que estou emanando, na duvida prefiro ficar conectada numa frequência muito positiva.

Quase tudo que me trouxe até aqui aconteceu depois do fatídico maio de 2015. Até mesmo o que me ocorreu antes foi finalmente digerido e compreendido depois. Eu não mudaria nada, conheci pessoas incríveis, fiz viagens que jamais faria, amigas e amigos novos e me conheci ao viver as experiências mais inesperadas, que a conveniência jamais me proporcionaria.

joana-cannabrava-2

Eu tenho muito orgulho de tudo que vivi até hoje. Todos os aprendizados dos últimos 3 anos preencheram um vazio que eu tinha. Algumas histórias dariam um livro, mas o mais importante é garantir que eu ainda tenha muitas páginas em branco para seguir contando sobre minha vida.

Hoje, pra ficar estacionado na vaga que tem no meu coração, é preciso somar, me fazer feliz e sonhar alto comigo. Acolhendo todas as nuances, detalhes e singularidades dessa Joana. Ela tem como destino sonhos novos e como trilha sonora durante a jornada ela escolheu a felicidade.

fotógrafa: Adriana Carolina 

9 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Relacionamento no dia 24.05.2018

Pra mim, nem amor segura relacionamento!

Essa semana a Carla questionou aqui a crença comumente repetida de que filho segura casamento. De tudo que eu já vi nesses 31 anos de experiências errantes, tanto minhas, como à minha volta, só tenho cada dia mais certeza de que: tanto filho quanto amor não seguram casamento, namoro longo ou noivados vitalícios. Talvez o sonho da família seja motivo para muita gente tentar, mas pra mim não define sozinho quem vai conseguir.

Complicado assumir publicamente que o amor sozinho não segura um relacionamento, mas vou tentar me fazer entender… O amor pra mim é tudo, mas a felicidade precisa andar de mãos dadas com ele em boa parte do tempo. Se amor for peso, tristeza, concessão e ausência, não haverá quantidade dele que seja suficiente. Se houver amor  mas não houver parceria, dificilmente os momentos felizes irão se sobrepor aos tristes.

O amor é ponto de partida, gasolina, força, motor de arranque, importantíssimo, base de tudo, mas não é o suficiente sozinho. É imprescindível ter amor, mas sozinho ele não faz muito mais do que nos fazer ficar. Pra mim não existe uma palavra que sozinha seja a solução de relacionamentos longos, mas conheço 4 que juntas fazem toda a diferença do mundo: vontade de dar certo. Só que nessa solução tem uma pegadinha que muita gente não percebe. Essa vontade precisa ser vivida de ambas as partes, quando só uma parte faz força por dois, o desgaste é quase inevitável, independente do desfecho ser positivo ou não.

casal

ilustração: @agathesorlet 

Se não houver parceria, fica difícil ter vontade. Pra mim, muitos fins têm muito mais a ver com falta de vontade de dar certo do que falta de amor. Alguns anos e histórias depois vejo claramente quantas vezes a falta de vontade se sobrepôs à falta de amor nos meus relacionamentos, dos mais longos aos mais curtos.

Já vi muito amor sem vontade ruir – eu fui só mais um desses – mas também já vi muito casal com vontade construir amor sólido e cheio de parceria. Pessoalmente, brinco que paixão a gente não constrói, a gente só sente. Já o amor, esse eu vejo ser construído das maneiras mais lindas e diferentes todos os dias. Em forma de famílias, escolhas, sonhos ou caminhos inusitados, nunca de forma idealizada, mas muitas vezes de forma admirável.

Eu namorei 6 anos e abrir mão do sonho de casar, construir uma família e viver com ele até ficar velhinha doeu mais do que ver o fim de nós dois e o fim de uma vontade que a sociedade plantou em mim e eu, buscando viver conforme as regras do jogo, plantei junto, reguei e colhi sozinha o que tinha ali, não o que sonhei pra mim. O amor não faltou, ele se transformou, e acho que isso só aconteceu porque durante nossa trajetória faltou vontade de dar certo, de realizar e fazer acontecer. Sentimento não faltou, mas comprometimento e parceria sim. Nunca acreditei que o amor acabou, mas no meio do caminho ele deixou de ser prioridade. Hoje eu agradeço e fico aliviada, poucas coisas são mais relevantes pra mim do que o privilégio de conhecer pessoas estando mais madura, me conhecendo mais, estando mais inteira sem estar procurando metades.

O autoconhecimento é a chave de muitas portas e durante esse processo eu me dei conta que toda dor que eu senti e todo sono que perdi não era sobre nós dois, mas sim sobre o fim. Parte de mim sentia dor por ter fracassado na arte de casar e ter filhos antes dos 30, parte de mim estava frustrada por ter dedicado tantos anos da minha vida a algo que “não deu certo”, mas logo percebi que tudo isso havia sido o maior aprendizado pra mim. Deu certo sim, muito certo, aprendi muito e encerrei um ciclo na hora certa. Depois dali iríamos nos ferir até alguém criar coragem de sair, ainda bem que eu fiz isso logo que percebi.

Minha análise pode ser auto referente para alguns, mas quanto mais gente eu conheço, mais história eu ouço e mais amadurecimentos acompanho, me pego sem dúvidas sobre toda a amostragem que me cerca: muitos fins ainda têm amor, muitas tentativas ainda têm amor, mas poucos são os que tem vontade de dar certo por amor, seja amor pelo outro ou amor próprio. 

Muitos tentam achar vontade no sonho da família idealizada, mas isso é uma ilusão construída para criarmos uma persona cada dia mais bonita para os outros. Muitos tem medo do julgamento e tentam fazer dar certo da boca pra fora, sem buscar forças internas para encontrar essa vontade, mas poucos são os que se conectam consigo para se conhecer e lutar por si mesmo, por vontade de ser feliz com aquela outra pessoa. As vezes a vontade é uma chance, as vezes nem mais ela salva, porque se o amor não for reconstruído também não haverá vontade que sozinha dê certo.

Meus pais são casados há mais de 30 anos, ao certo eles tiveram muitas fases ruins e outras boas, mas uma coisa fica muito clara pra mim: muito mais do que amor, eles têm uma parceria muito forte. Talvez eles tenham ficado juntos porque tinham filhos em algum momento, talvez eles tenham se descuidado um do outro em alguma fase, mas no fim do dia eles se escolhem antes de escolherem qualquer outra coisa no mundo. Isso pra mim é vontade de dar certo, vejo claramente que eles são a maior preocupação um do outro.
A meu ver a grande questão é: saber a hora certa. Ou de abraçar essa vontade com unhas e dentes para tentar de coração aberto por amor. Ou saber a hora de desistir, porque talvez ali nunca vai haver vontade que vá ser suficiente para conseguir…

Se o egoísmo for maior do que a vontade de ser feliz com a outra pessoa, não haverá amor que seja o suficiente.