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Relacionamento

2 em Autoestima/ Convidadas/ Relacionamento no dia 03.05.2017

Não é questão de fraqueza, ou exagero

No dia 11 de abril, rolou um movimento nas redes sociais para falar sobre relacionamentos abusivos. A hashtag #EuViviUmRelacionamentoAbusivo esteve no facebook e no twitter, com relatos de mulheres das quais talvez você nunca tenha ouvido falar, mas provavelmente se identificou por conta da situação compartilhada. Aconteceu comigo. E, como em todas as outras vezes que algo assim surgiu, eu me encolhi e fingi que não fazia parte desse grupo.

ilustração: Harriet Lee-Merrion

Fingi porque escutei minha vida inteira que, como sou toda emoções e sentimentos, geralmente estou aumentando as coisas. Se todo mundo fala, deve ser verdade —abraço isso de um jeito que, em toda situação que vivo, perco um tempo tentando entender se estou aumentando ou se estou apenas sendo realista. Às vezes, essa linha fica meio turva e não consigo, sozinha, distinguir o que é o que.

Fingi que não fazia parte desse grupo porque nunca me deram um tapa ou um soco, nunca deixaram roxos. Já levantaram a mão para mim, sim, no meio de uma discussão acalorada — mas o tapa nunca veio, então não tem problema, não é? Vai ver a mão levantada foi só um reflexo, não quis dizer nada. Vai ver todas as coisas que ele me falou ao longo do tempo que passamos juntos foi uma brincadeira, no máximo estresse por causa do calor do momento. Vai ver estou tornando enorme uma coisa que é pequena. Vai ver é hora de parar.

Mas antes de deixar o assunto de lado mais uma vez, lembrei que uma vez escrevi sobre isso em um grupo de acolhimento feminino. Procurei o grupo, a minha mensagem e reli. Ela foi escrita em 2015, dois anos depois do término. Esperava encontrar frases que comprovassem que nunca tinha sido nada demais, que não foi isso que eu vivi. O que encontrei foi:

“Tava sobrecarregada em um zilhão de aspectos. Ele era um baita aspecto. No tempo que passamos juntos publiquei um livro, tive alguns sucessos profissionais, mas sabe quando nunca é ‘o momento certo’ para a outra pessoa? Uma amiga escritora me aconselhou a aceitar os leitores, para ser simpática e vender, e eu precisei ouvir dele: ‘aceita, espero que seja estuprada por um deles.’, porque ele considerava errado eu estar aceitando leitor no facebook. Chegou um momento que parecia que eu tinha que pedir aprovação dele (não ‘oi, posso fazer isso?’ mas pelo menos ser obrigada a comentar ‘oi, vou fazer isso’ porque se ele falasse ‘não’ era ‘não’ e pronto, era briga.). Em toda briga – toda – eu estava errada.”

E percebi que não aumentei nada. Admiti para mim mesma que todas as vezes que fui para a cama sem querer ir – porque senão eu ouvia que ele teria que achar isso em outra – deixou uma marca. Que todas as vezes que ele falava que eu tinha que ficar com ele, porque ninguém mais no mundo me aturaria, me fizeram crer que isso era real — e quantas, quantas vezes não repeti o discurso dele de que ele tinha mesmo aguentado tanta coisa, então era quase um santo?

Admiti que todas as vezes que o ouvi dizer que, se ele quisesse, ele me trairia e eu jamais ficaria sabendo, me deixou extremamente insegura e desconfiada. Que todas as vezes que ele fazia alguma coisa por mim e depois usava isso como chantagem para eu fazer exatamente o que ele queria, não era uma simples dinâmica de casal. Que ficar me fazendo rodar um shopping o procurando, enquanto ele ria e fazia piada de mim nas redes sociais, falando o quanto era bom apreciar a vingança, não era apenas justiça porque eu demorava para me arrumar.

Admiti que, todas as vezes que ele fingiu que ia pular do 11º andar da faculdade e me deixava tão tensa a ponto de ficar sentada no corredor com um medo surreal que não me permitia sequer me mover, não era uma brincadeira. Admiti que ter me afastado de todos os meus amigos para evitar confusão não foi normal. Assim como não era normal ouvir constantemente que meu peso determinava o quão bonita, desejável ou valorizada eu era ou deveria ser.

Admiti que não fui perfeita com ele e que isso nunca foi justificativa para tudo que ele fez, falou e como me fez sentir menor e desimportante. Que não é normal terminar um relacionamento e se sentir culpada, com nojo de si mesma. Nojo que durou anos.

“O problema é que, depois de tanto desgaste, não consigo confiar em ninguém. Em nenhum homem. Desde 2013, não namoro, não fico, não faço nada. Tenho vontade, mas sabe desespero? Desespero MESMO. Então, eu entro em desespero e desmarco todo e qualquer encontro. […] Só fico me sentindo ridícula. Sempre me pareceu que era meu exagero.”

E admitir tudo isso foi difícil, porque continuo minimizando tudo que aconteceu. Mas também foi o passo que faltava para eu finalmente deixar tudo isso no passado. Foi o ponto final, que eu sequer sabia que precisava, para entender que nada disso me faz mais fraca ou menor, como me falaram uma vez: “você não é quem eu achava que era. Não achei que você fosse o tipo de mulher que aceita esse tipo de relacionamento”.

Pedir ajuda faz parte. Ter isso na história não é vergonhoso. Mas é garantia de que dá para sair dessa e, com o tempo, com ajuda, reaprender a confiar — em si mesma, no outro. Reaprender a se entregar. E, eventualmente, quando você se sentir pronta, apostar as fichas em alguém que valha a pena.

0 em Relacionamento no dia 18.04.2017

O que uma garota como você faz aqui?

Essa frase – com algumas poucas variantes – costuma surgir no meu celular desde que eu comecei a saga de encontros provenientes de aplicativos. Como já contei pra vocês aqui, em 2015 eu me aventurei nessa história de deixar a internet dar um empurrãozinho na possibilidade de conhecer novas pessoas. De conversar, sair, ter bons encontros e, quem, sabe até mesmo fazer amigos através de um app, que inicialmente se propõe a ser um catálogo humano, mas ainda assim faz parte da maneira contemporânea de conhecer pessoas.

De lá para cá eu sai com poucas pessoas que conheci analogicamente, o que é bastante curioso inclusive. Quase todos os encontros analógicos foram bem bacanas, mas não posso tirar o mérito de alguns momentos memoráveis, incríveis ou simplesmente muito especiais terem acontecido proveniente de um “match” em um aplicativo.

Já vivi aquela euforia inicial de sair com um cara gato que conversei pouco, já vivi aquela fase que só saia com o cara depois que eu sabia toda sua história e hoje eu acredito que estou no meio do caminho, analisando cada situação separadamente. É curioso como o like é bacana, a foto é boa pra vermos se a pessoa nos atrai inicialmente, mas se a conversa não for boa simplesmente eu não consigo me pegar ansiosa, ter tesão ou mesmo me envolver com aquela pessoa. Eu sou movida a interessância, se eu não ficar interessada pelo todo, não importará quão linda é a capa do livro.

A grande questão é: em 2017 eu estou achando as pessoas bem menos interessantes do que em 2015. Existe um conjunto de fatores que me traz a isso. Já passou a euforia de ter milhões de dates e conhecer dezenas de pessoas diferentes em um ano. Eu colecionei minhas alegrias, frustrações e novas referências, é inevitável que elas entrem na minha bagagem.

Hoje estou com mais dificuldade de encontrar pessoas que me interessem em todos os sentidos da palavra interessar. Sempre tem uma questão e com o passar dos meses está ficando claro que o problema não está nos outros, está em mim e eu ainda não identifiquei o porquê de eu estar tão implicante, mas quando eu acho que eu posso estar sendo muito exigente vem um comentário ou outro que me lembra que não, certas coisas não vão combinar comigo.

Como por exemplo, uma perguntinha que me incomoda muito e eu já li muitas vezes: você parece tão legal, o que “uma garota como você” faz por aqui? 

Se eu não fosse inteligente, próspera ou aparentemente bem resolvida seria mais fácil de entender os motivos de eu estar num aplicativo? Só meninas que não têm boa conversa estão em apps? O que significa essa pergunta?

Poxa, eu lido com caras interessantes numa proporção menor do que com caras desinteressantes pro meu gosto pessoal, nem por isso estou ali rotulando que tipo de homem o cara é. Se o cara é um galinha assumido? Ótimo, não vou diminuir ele por ser franco. Se o cara procura o amor da vida dele? Okay, bacana que ele sabe o que quer. Se ele quer uma noite de sexo? Legal que ele está falando a verdade de forma objetiva e não fazendo um joguinho! Se ele está num relacionamento – sério – aberto? Que bom que ele me contou e eu pude explicar que não me interessa sair com ele.

Eu sou inteligente, interessante e bem legal, não vou entrar no mérito de beleza porque acredito que isso varia do gosto de cada um. Eu acredito que eu sou uma pessoa bem singular e me conhecer pode ser realmente bacana, mas por que eu não estaria num aplicativo?

É feio eu gostar de conhecer novos caras? É questionável eu gostar de fazer sexo? É um problema eu adorar ter vários crushes enquanto solteira?

Que mal há em ser eu mesma e gostar de tudo isso? Por que em 2017 ainda estamos falando de “garotas de famílias” e “periguetes”? A Joana de uns anos atrás ficaria chocada, mas entre não poder fazer o que eu quero e fazer o que eu quiser, eu preferiria levar o rótulo de uma mulher que vive muito do que de uma que não viveu.

Claro que aqui não estou defendendo que sejamos pessoas interesseiras, não sejamos humanos que querem dar golpes nas pessoas ou se interessem primeiro por conta bancárias. Independente do gênero das pessoas envolvidas.

Eu só acho que gostar de conhecer pessoas novas não me deprecia em nada como mulher. Eu nunca trai um namorado, sempre fui fiel à minha verdade e busquei ao máximo me dedicar as relações nas quais eu mergulhei de cabeça. Sempre me entreguei de corpo, alma e coração, mas se eu quiser dormir com um cara no primeiro encontro eu vou, se eu quiser sair com diferentes pessoas de um aplicativo eu vou e se isso me fizer perder o rótulo de “uma garota como você”, tudo bem.

Um cara inteligente devia estar preocupado no santo bater, em conversar com alguém que dá liga com ele e não em achar que aquela menina é “de família” ou não. Todos, de todos os gêneros, precisamos parar de depreciar as pessoas com rótulos.

Não viva num mundo ilusório de que uma garota que você considera “boazinha” nunca não dormiu com um cara de primeira, ou que uma “santinha” será sempre fiel, porque não é assim que as coisas funcionam na prática. Toda mulher é apenas uma mulher, única e singular, que pode ser interessante pra você e desinteressante pra outro. Então não vamos criar esteriótipos de que garotas bacanas não estão em aplicativos, porque toda garota pode ou não ser bacana.

Ah, mas Jô isso foi um elogio!

Não gente, passou o tempo que um cara elogiar meu jeitinho diminuindo outro “tipo” de mulher vai ser bacana pra mim.

Se o cara já está separando a mulher por tipos possivelmente eu já não vou gostar dos desdobramentos disso. Prefiro analisar caso a caso quais conversas, fotos e perfis me interessam, sem julgar o o filme por ser romance, sexo explícito ou comédia pelas palavras usadas no cartaz.

Uma garota como eu pode ser exatamente como uma garota como ela. 

Assim sendo, não façamos tipo, sejamos quem somos e deixemos as pessoas gostarem disso ou não. Não sejamos um rótulo.

9 em Comportamento/ crônicas/ Relacionamento no dia 11.04.2017

Emily, eu também não vi o meu abuso emocional

Emily é vítima, mas por muito do que ela disse e fez no programa não gostaria que ela ganhasse, apesar de achar que hoje ela já ganhou esse BBB. Infelizmente.

No entanto, queria aproveitar a situação pra dizer uma coisa: meu coração apertou horrores ao ver Emily “não entendendo” o que de fato estava acontecendo. Eu voltei no tempo. Toda pessoa que viveu um relacionamento de abuso emocional principalmente antes dos 20 sabe que dói tanto quanto levar um tapa, sem contar que o tapa pode chegar a acontecer.

O pior é que é verdade! A coisa é tão velada e insconsciente que você não vê! Eu mesma quase morri de desgosto quando meu relacionamento abusivo terminou, todo mundo via o que eu não via. Foi um favor aquele fim, mas eu não enxergava. Eu sofri como se fosse o fim, o meu fim, mas na verdade foi o meu começo.

Eu precisei de uns 6 meses para me recuperar, mas levaram ANOS pra eu ENTENDER tudo que havia acontecido, para eu compreender que emocionalmente eu havia sido destruída, que minha autoestima tinha sido dilacerada.

Eu não enxergava que a comparação com outras mulheres era uma forma de manipulação. Não me chocou o dia que ele falou por mim e contou pra todo mundo “o que tinha acontecido com a gente”. Ele mentiu, eu menti junto (por medo não sei do que). Eu cedi muita coisa porque “era assim que a menina antes de mim fazia”. Eu abri mão de pensar por mim pra não o perder, por medo. Eu achava normal ouvir que eu não era tão bonita, tão gostosa ou tão adequada quanto as outras garotas. Eu achava normal ser comparada a uma ex perfeita que fazia tudo que o cara queria. Era comum pra mim que se usasse da minha baixa autoestima pra me manipular. Eu achei normal dizer não pra uma viagem maravilhosa por medo de deixar ele sozinho, deixei de sair do país pela primeira vez. Tinha um padrão, eu fingia que não via. Eu não fazia terapia, eu escolhia o que contava pros outros e eu não enxergava, mas pior, eu não suspeitava! Até poucos anos atrás não sabia o que era o perigo do abuso emocional até que eu descobri vários esqueletos saindo do armário. Curioso como eu não lembro de várias coisas, mas minhas amigas de uns anos pra cá me contam histórias absurdas que meu cérebro recalcou. Hoje, quando falamos nisso, todas percebemos o que na época não fazia tanto sentido.

Eu era muito novinha, não tinha nenhuma segurança e nenhuma autoestima.

Recentemente uma grande amiga me revelou algo que esse cara me disse, na frente dela e foi como se eu tivesse ouvido aquele absurdo pela primeira vez; porque na época eu não entendi. Era um soco no estômago, destruidor. Falado em alto e bom som, na frente dos outros. Depois outra amiga de infância me lembrou uma outra história que eu esqueci e no fim, eu me sinto meio estranha de dizer que eu não via.

Um dia me perguntaram se eu apanhei dele. Eu enchi a boca pra falar que “em mim ele nunca encostou um dedo”. Eu não devia ter me preocupado em defender o cara. Talvez se eu tivesse levado um tapa eu tivesse entendido, talvez não. 

Eu não via da mesma forma que a Emily parece não ver. 

Eu acredito que ela não vê, mas que bom que viram por ela e que bom que tomaram uma atitude por ela.

O Brasil aprende hoje, na marra, que abuso não pode ser confundido com amor, com zelo ou carinho. O abuso precisa de intervenção, seja físico ou emocional.

“Se eu não quiser você, ninguém vai querer”.

É, meu caro Rodrigo, melhor que eu tivesse ficado sozinha do que levado comigo as cicatrizes que você deixou.

Eu achava normal ser punida – de diversas maneiras emocionais – por não me comportar da forma “certa”. Eu mudei tanta coisa em mim pra me adequar e eu não contava as coisas que me soavam estranhas pra ninguém, eu fingia pros outros – e principalmente pra mim – que tudo era normal.

Depois de um tempo eu levei o temido pé na bunda. Hoje vejo que foi graças ao bom Deus porque eu não sei o que aconteceria comigo se eu tivesse continuado naquela relação. Eu sofri muito sem entender que era um livramento. Eu hoje agradeço por todo aquele caos, por ele ter me deixado. Só não agradeço por ter deixado o abuso emocional funcionar como um vicio mesmo após o fim. Foram meses colada naquela situação que não acabava. Ele não me deixava ir, me confundia, mas não me queria. Ali meus pais começaram a ver, ali eles me ajudaram a ver. Foi assim até o dia que eu embarquei pra uma viagem longa, ele me pediu pra não ir, eu fui.

Lá eu conheci um cara, que em poucos dias mudou minha vida. Eu contei parte daquilo pra ele, aos prantos no nosso quarto de hotel na França. A janela estava aberta, era uma noite fria, estávamos deitados abraçados e eu chorei, meio sem sentido eu contei parte para ele. Sei que ele disse algo, o que eu não me lembro exatamente, mas o conceito me libertou. Naquele dia eu vi que eu merecia mais. Naquele dia eu comecei meu processo comigo.

Dali em diante eu cruzei com muita gente legal. Depois disso eu namorei muitos anos com um cara bem bacana, com quem eu tive uma relação mais tranquila, que respeitou todos os meus traumas e questões e nunca me fez muitas perguntas. Sou grata, com ele eu vi que existia coisa muito melhor no mundo, reestabeleci a fé nos relacionamentos.

Depois desses anos todos eu passei a ver rápido alguns sinais de abuso psicológico e disso eu CORRO! Quando eu começo a ver requintes de crueldade em alguma pessoa eu me apavoro. Corro rápido, afinal quando estamos dentro nós não vemos. Essa lição Rodrigo deixou na minha vida: quando estamos dentro nós temos muita dificuldade de ver. Precisamos confiar na nossa intuição.

Como Rodrigo existem vários. Tem Ricardos, Paulos, Gustavos… e Marcos. Tem muitos, assim como têm mulheres que fazem o mesmo. Existem seres humanos desequilibrados que abusam emocionalmente de outras pessoas.

Que o povo do twitter me perdoe, mas #forçaMarcos é triste.

Hoje o que realmente importa é que eu aprendi o meu valor e jamais me permiti viver ou permanecer em um relacionamento – amoroso – abusivo de novo.

Não foi só comigo, não foi só com a Emily, não é só com aquela sua amiga! É com muita gente, umas apanham, outras não podem usar batom vermelho ou são levadas a fazer sexo não consensual com seu parceiro. Umas mentem sobre o olho roxo, outras enganam a si mesmas por falta de amor próprio.

Físico ou emocional, não importa. Em 2017 abusos não passarão e nós criaremos mulheres que aprenderão a diferença entre ser amada e ser abusada. Porque acreditem, em muitos casos isso parece a mesma coisa. 

———————————– Esse texto pertence a tag de crônicas do blog ———————————–

Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação. Hoje a história contada é de outra pessoa, mas poderia ser de muitas pessoas mais.