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Autoestima

1 em Autoestima no dia 14.11.2017

Piquenique de Salvador com a Bio Extratus!

A Bio Extratus de Salvador organizou o maior bate papo sobre autoestima feito até aqui. O maior do Brasil – e pelo nosso histórico, por que não dizer do mundo? Afinal nosso piquenique rodou cidades como Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Nova York e Londres. Em um dado momento éramos mais de 60 mulheres reunidas no Parque da Cidade, entre histórias, sorrisos e algumas lágrimas de emoção nós vivemos uma tarde bastante transformadora.

Para quem não conhecia Salvador eu posso dizer que a cidade e as pessoas mexeram comigo de um jeito novo. Foi profundo, todo mundo ouviu muito, abriu o coração e fez com que eu me sentisse tão preenchida que nem sei dizer.

Um pouco de todo mundo que foi viver essa tarde de sábado comigo em Salvador. Vou ter muito o que agradecer à distribuidora local da Bio Extratus por ter abraçado o #picnicdopapo e levado o #paposobreautoestima pra mais esse embarque, que foi tantas vezes pedido.

Cada destino me proporciona um evento diferente. O motivo? Cada lugar tem um assunto reincidente. Em São Paulo foi a maternidade e os relacionamentos abusivos; Curitiba, a autoestima e o sexo; no Rio tivemos toda a questão do corpo e em BH um pouco de tudo isso, junto de umas histórias um pouco mais profundas. Salvador, por sua vez, me trouxe outros aprendizados e trocas.

Os namorados abusivos apareceram, homens que abusaram de mulheres também, mães que podaram filhas falando de seus corpos e cabelos também, mas foram as lições de empoderamento feminino, a luta por se expressar através dos cabelos cacheados e crespos e suas formas de lidar com o racismo que mais me surpreenderam.


Esse piquenique foi um retrato do Brasil em tantos níveis que eu só pude agradecer a confiança que cada uma depositou em dividir a sua história comigo e com o coletivo. Algumas eram de grandes conquistas, outras de episódios difíceis, onde a empatia foi acontecendo da maneira mais amorosa e acolhedora. Eram abraços e mãos dadas, ninguém ficou sozinha. Muitas se comoveram sem falar, outras choraram ao contar sua trajetória com autoestima, autoaceitação e luta pra ser quem se é.

Cada história recortada e colada ao lado da outra criou uma sensação de esperança, união e amizade de um jeito que eu fiquei arrepiada. Eu fiquei muito arrepiada umas 3 vezes, onde eu pensei comigo que precisava agradecer à Deus por ter a oportunidade de ouvir tantas coisas de tantas mulheres unidas. Independente de cor da pele, tipo de cabelo, extrato na conta bancária. Sem julgamento, a empatia não era uma teoria, naquela tarde ela era um exercício coletivo e eu só poderia agradecer pela troca.

Contei histórias que vi e vivi e percebi que a desconstrução e a troca vieram de todos os lados. Como se eu tivesse acrescentado algo pra elas e elas acrescentado algo pra mim. Algo me mudou ali. Eu nunca recebi tantas DMs num piquenique antes. Sempre recebo relatos bonitos, mas nunca vi nada parecido. Quanto mais mensagem chegava no nosso insta, mais eu (e a Carla, que acompanhou pelas redes sociais) se impressionava com a aceitação que as mulheres poderosas de Salvador tiveram com o papo.

No início eu achando que já éramos muitas, coitada, não sabia o que viria.

Esse foi o maior de todos e infelizmente não deu para todas falarem. Por mais que tenha respondido DMs de quem não falou, fiquei triste, queria que tivéssemos trocado todas juntas. A lição que ficou é que em Salvador tem muita mulher maravilhosa vivendo a desconstrução e querendo falar sobre isso. Saí de lá no escuro para ouvir as que quiseram terminar de falar. Ficamos enquanto foi seguro e todo mundo que me ajudou a executar essa aventura merece o agradecimento.

A Bio Extratus, que fez tudo isso possível, a distribuidora de Salvador que me levou e montou tudo com todo amor e ainda levou brindes. A @bikefestas, que ajudou a decorar o lugar e cada leitora e seguidora que foi, levou um lanche e sua história pra contar.

Aprendi que cabelos cacheados e crespos dos mais variados formatos e cores são uma bandeira de liberdade, amor próprio, identidade e luta das mulheres. Aprendi sobre a luta das mulheres negras e pude dividir com as meninas como reconheci meu privilégio branco nos últimos tempos. Vi que representatividade importa e muito. Agradeci por ter amigas e mulheres maravilhosas inspirando na internet.

Falei de Maraisa Fidelis, Nathalie Barros, Luiza Brasil e Nina Gabriella, ouvi o quanto essas meninas inspiram e vi o quanto existem mulheres sensacionais no papel de influenciadoras em Salvador. Voltei seguindo tanta gente incrível que me mostra e me ensina no meu feed que esse assunto renderia um post separado.

Obrigada por terem me ensinado tanto.

Obrigada pela confiança no PAPO SOBRE AUTOESTIMA.

Salvador, você foi profundamente inspiradora, no assunto de pele, cabelo, autoconhecimento e na luta das mulheres por uma sociedade mais justa e equilibrada.

Aos poucos eu vou digerindo tudo que aprendi ali, agradecendo também. 

Beijos

Fica aqui um agradecimento especial à BIO EXTRATUS que tornou possível essa experiência em Salvador. 

1 em Autoconhecimento/ Convidadas/ maternidade no dia 13.11.2017

Ser mãe é se perder no paraíso

Não, você não leu o título errado e não, eu não fiz a Magda no ditado popular (#entendedoresentenderao, rs, acho que quem tem menos de 30 anos vai ter de dar um Google pra entender essa piadinha).

A verdade é que a maternidade é um baita de um choque. Isso porque não sou daquelas que acredita que mães são seres superiores de sabedoria onipotente, mas só entendi o tamanho das renúncias e a tamanho da repercussão das nossas decisões quando me tornei responsável por outro ser humano – no caso, mini seres humanos que não são capazes (ainda) de comer, beber, andar, se divertir, se acalmar.

Fora isso, de uma hora pra outra você passa a ser a mãe do fulano ou da fulana. No meu caso, eu deixei de ser a Carol pra ser a mãe do Rafael (e depois da Marina). Ou seja, nada mais natural que a sua identidade, no meio desse turbilhão todo, se perca.

E aí, a mulher que não vivia sem fazer as unhas toda semana conta nos dedos de uma mão quantas vezes conseguiu tomar banho na última semana. E aquela que não perdia um episódio da sua série preferida não sabe dizer nem o nome do apresentador do Jornal Nacional (ainda é o William Bonner, né? Hahahahahaha!!!!).

Tudo isso porque essas coisas que faziam parte das suas prioridades no passado, foram lá pro final da lista. E você meio que se obriga a renascer, a encontrar um novo jeito de ser você no meio desse turbilhão todo. Afinal, dizem que é na crise que a gente cresce, certo?

Vejam bem: estou exagerando um pouco (ser mãe é maravilhoso, tá?), mas as mães que estão lendo isso vão me entender: é um pouco assim que a gente se sente, uma versão meio rascunhada da gente mesma quando dedicamos tanto tempo assim a outra pessoa que não nós mesmas.

Enfim, a verdade é que esse descompasso foi, pra mim, uma oportunidade de me reencontrar. De reencontrar minha nova identidade como mulher – e até de me aceitar melhor. Veja: meu corpo está longe do que um dia eu considerei ideal. E mesmo assim, hoje me acho muito mais bonita do que eu me achava há uns 5 anos, antes de engravidar pela primeira vez. Parece que eu descobri o que eu realmente mais gosto em mim e aprendi a trabalhar com esse jogo de equilíbrio fino.

Dizem que é nos momentos de limitações de recursos (grana e tempo, pra citar os mais valiosos no geral) que a nossa criatividade aflora. E parece que ter menos tempo (e menos grana, claaaaaro – ou alguém aí já ouviu alguém dizer que ficou mais rycah depois de ter filhos? hahahaha) pra mim me ajudou a focar no que realmente importava.

E no que isso resultou? Na minha melhor versão em 36 anos de existência sobre a terra, sem a menor sombra de dúvida!

Mas ó, vale lembrar que isso só aconteceu com muito autoconhecimento, muita reflexão, muita cara no chão… afinal, se é na crise que a gente cresce, crescer tem lá suas dores. E as suas delícias, claro! :-)

4 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 11.11.2017

Sobre um cara nada bacana e sexo de reconciliação

Estava no casamento da minha amiga e começou a tocar um funk que até então era desconhecido para mim. Lembro do exato momento que a rodinha de meninas onde eu me encontrava parou de dançar para comentar a música: “Nossa, que letra abusiva”, disse uma delas. Logo em seguida todas, inclusive eu, concordaram. Mesmo com muitos drinks na cabeça não tinha como ignorar mensagem tão perturbada.

O casamento acabou, a vida seguiu, eu tinha esquecido da música até semana passada, quando estava ouvindo o top 50 Brasil do Spotify e “Cara Bacana” começou a tocar. Eu, que já gosto de um funk, deixei a música rolando e eis que vem a letra:

“Foi difícil, pra você acreditar que eu sou um cara bacana.
E quando a gente briga é que vê que nós se ama.
Então esquece logo isso e vem com tudo aqui pra cama.

Amor
Sou esse cara que você está vendo
Sou problemático
Um pouco ciumento
Mas você sabe que eu sou foda na cama
Por isso que me ama”

confesso que me lembrou um pouco Olivia e Fitz, o casal/não casal mais desajustado da história da TV.

Eu sei que se eu for começar a problematizar letra de funk, eu vou entrar em um poço sem fundo. Como eu não quero isso, vou me ater à criticar apenas no título da canção, que poderia ser tudo menos “cara bacana”. Porque basta ler ou ouvir nem tão atentamente assim para vermos que esse cara é comum – infelizmente tem muitos dele por aí – mas é a antítese de um cara legal. Só que eu também não vim aqui para falar sobre esses caras e sim sobre sexo de reconciliação.

Eu sei que existe a teoria de que esse é o melhor sexo, e não seria diferente já que vemos isso em zilhões de filmes, novelas e seriados todo santo dia. Segundo os roteiristas e diretores, essa é a hora que a paixão, que já estava desgastada depois de tantos desentendimentos, volta a aparecer.

Eu já caí nessa fantasia – Olivia & Fitz em Scandal, Blair & Chuck em Gossip Girl, mais alguém? – e tenho certeza que todas vocês também. Pode ser tudo muito lindo e excitante no telão, mas vamos combinar? Atrás desse movimento de sexo como alternativa de fazer as pazes, pode estar uma motivação não tão boa para começar, como é o caso da música em questão.

Na vida real o nome desse relacionamento que é relatado ali é ABUSIVO. E antes que vocês achem que é só um funk tosco (com uma boa batida, terei que admitir), eu tenho certeza que todo mundo que está lendo conhece pelo menos um caso de amiga, prima, irmã ou mulher próxima que teve ou está tendo um rolo, um namoro ou até mesmo um casamento assim. Desses que vive na corda bamba, cheio de brigas, manipulações, controle excessivo e o sexo é o fio que está segurando uma relação completamente desequilibrada. É muito comum, e muitas vezes é difícil para quem está dentro entender que não é saudável.

NÃO É SAUDÁVEL.

Longe de mim generalizar, sei que vários casais depois que se resolvem na conversa celebram a paz com sexo mas muitas vezes, como na música, não há conversa, apenas um silenciamento. “Esquece logo isso e vem correndo aqui pra cama”. O sexo começa como consequência de algo ruim ou pendente, não como a celebração de um problema resolvido.

Relacionamentos com traços de abuso emocional acontecem de todos os lados, independente de gênero, e muitas vezes costumam acontecer com pessoas de baixa autoestima com relação à algum aspecto da vida. Quanto mais segura a pessoa está de si,mais ela consegue questionar o funcionamento do seu relacionamento e menos ela se torna manipulável em todos os aspectos, inclusive com o sexo.

Diferente do que MC G15 diz, prefiro acreditar que não é na briga, no ciúmes ou no controle que o amor acontece. Não é esquecendo o problema e correndo pra cama que a gente entende a motivação de um casal estar junto verdadeiramente. Sexo é maravilhoso, mas não pode sozinho ser motivo para namorar um cara babaca, que aliás, deveria ser o verdadeiro nome dessa música.