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Autoestima

0 em Autoconhecimento/ Destaque no dia 14.11.2018

Em um processo de transformação, o caminho importa mais do que o fim.

Acho que todo mundo já passou por aquele momento de transformação em que a chave vira e vários aspectos da nossa vida que estavam meio turvos passam a ficar claros. Pode ser um relacionamento que você ainda não tinha percebido que estava empurrando com a barriga. Um trabalho que era seu trabalho dos sonhos e agora não é mais. Ou até mesmo sobre a maneira que nos enxergamos.

>>>>>> Veja também: quando o basta vem de dentro <<<<<<

O caso é que as pessoas que estão de fora ficam com a impressão de que esse tipo de clareza de pensamento vem assim, de repente. E justamente por não estarem na nossa pele, acham que o processo é fácil e esperam que o mesmo aconteça com elas.

É claro que ter essa expectativa só leva à frustração. Todo mundo que passou por um processo de transformação sabe que nenhuma realização na vida das pessoas acontece de um dia para o outro. Muito menos as mudanças de pensamento! Há quem passe uma vida inteira tentando mudar uma forma de pensar e ainda assim, tem quem não consiga!

E eu entendo que esse caminho pode não ser muito fácil. Geralmente não é. Normalmente ele exige muita paciência e, eu não sei você, mas esse é um dos meus pontos fracos. Ele também exige que a gente aprenda a olhar nosso processo de forma mais amorosa. E esse normalmente é uma das etapas mais difíceis, porque a gente tem a mania de ser nossa pior inimiga.

foto: Robin Benzrihem

foto: Robin Benzrihem

Mas ainda assim, persista. O começo pode parecer angustiante porque você percebe que tem algo que te incomoda, mas ainda não entende o que é. Depois que fica claro o que está te incomodando, você começa a procurar as respostas. Converse com alguém, comece uma terapia, leia a respeito, tente achar alguma coisa que te traga paz. Mas o que posso dizer pela minha experiência é: não se cobre uma resposta.

Ela vai aparecer na medida que você for pensando a respeito, mas não de forma obcecada. Todas as respostas que eu procurava só vieram quando eu finalmente deixei as coisas seguirem seu próprio caminho dentro de mim. No ritmo delas, não no ritmo da minha ansiedade.

Porque no meio dessa busca por respostas existe um infinito de coisas que você pode viver. E aí, você pode até mesmo perceber que elas podem ser até mais importantes que a própria resposta que você procura. E enquanto você vai vivendo essa experiência no seu tempo, cada passo vai se tornando importante. É aí que você percebe que não se trata sobre o fim, mas sobre o caminho. Por mais clichê que isso possa parecer. 

0 em Autoestima/ Comportamento/ entretenimento no dia 13.11.2018

Aparência e talento não estão interligados. Ou melhor, não deveriam estar.

Você já foi assistir “Nasce uma Estrela?” Caso a resposta seja não, então preciso avisar antes de você começar a ler esse texto que ele contém alguns spoilers do filme. Se você já assistiu, vamos conversar sobre uma parte do filme?

Para quem não assistiu mas não se importa em ler sobre o filme, ele é sobre uma história de amor entre o Jack (Bradley Cooper), rock star super famoso, e Ally (Lady Gaga), uma cantora iniciante cheia de talento. Jack se encanta por Ally de primeira, quando a vê interpretando uma versão de La Vie en Rose em um bar de drag queens. A noite se estende e ele passa a conhecer um pouco mais de sua história e de sua música, depois disso ele passa a convidá-la para diversas participações em seus shows. É uma história de parceria musical, amor, cumplicidade e dor. O filme é lindo e super emocionante. Mas esse texto não tem a pretensão de ser um review do filme. Quero mesmo é falar da tal cena que me chamou a atenção logo no começo, quando eles se conheceram.

Logo no início, assim que eles se conhecem, Jack fica curioso sobre a carreira artística de Ally. É aí que ela diz que já havia mostrado o seu trabalho a diversas gravadoras e que eles até gostaram dela, disseram que ela tinha talento, mas que ela não estouraria por conta de sua aparência, mais especificamente o seu nariz. Jack na hora revidou a crítica das gravadoras elogiando sua beleza e seu nariz. O nariz vira, inclusive, uma piada carinhosa entre eles e aparece em diversos momentos importantes do filme. 

aparencia

Você pode achar que essa história de não ter feito sucesso por causa de um nariz é balela. Que foi posta ali no filme só para trazer um elemento que os telespectadores possam se identificar. Mas a verdade é que isso existe, muito mais do que a gente imagina. Saí do filme imaginando o tanto de gente talentosa que deve existir por aí que pode perder a chance de brilhar e encantar as pessoas com o seu talento por causa de sua aparência física…Quantos produtores, empresários, casting, gravadoras devem cortar pessoas por isso? 

Nem precisei fazer muito esforço para lembrar de exemplos que foram notícia. Ou vocês não lembram da Susan Boyle? Que ao entrar no palco de um show de talentos inglês foi vista pelos jurados com um certo olhar de deboche? Que ao falar que tinha 47 anos recebeu um olhar de “o que essa mulher está fazendo aqui” de Simon Cowell? E que durante sua apresentação fez toda a plateia – e os jurados – chorarem? Todo mundo ali naquele auditório duvidou de seu talento unicamente por causa de sua aparência. Talvez, se ela não tivesse se apresentado em um auditório com milhões de pessoas assistindo, ela nunca conseguisse um contrato.

Aparência não tem nada a ver com talento. Nem mesmo nas modelos de passarela ou de capa de revista. Não se esqueçam que nem Gisele Bundchen escapou disso. “Eu me lembro de algumas pessoas me dizendo que meu nariz era grande demais ou meus olhos pequenos demais, que eu nunca poderia estampar a capa de uma revista. Não foi fácil ouvir esse tipo de crítica aos 14 anos. Isso fez com que eu me sentisse insegura.” 

Voltando ao filme, Ally claramente acreditou que seu nariz era um problema de verdade. Que ele eclipsava seu talento. Seu pai, por exemplo, passou o filme dizendo que não virou Frank Sinatra por causa de sua aparência. Se não fosse Jack mostrando para Ally que isso era uma crença infundada, talvez nada acontecesse em sua vida. E aí eu penso: quantas pessoas super talentosas acham imediatamente que aparência e talento estão interligados?

1 em Autoestima/ Deu o Que Falar no dia 08.11.2018

Demi Lovato, desculpa. De novo.

Ontem só deu ela nas notícias de fofoca: Demi Lovato, que acabou de sair da reabilitação. Se você não é muito ligada em celebridades, eu explico rapidinho. No final de julho desse ano a cantora teve uma overdose em sua casa, onde foi encontrada inconsciente. Depois de ter conseguido sobreviver, foi internada em uma clínica de reabilitação, de onde saiu recentemente.


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Essa não foi a primeira vez que Demi teve problemas. Ela já lida com o vício há muitos anos sem esconder isso do seu público. Inclusive, um pouco antes de ser internada, na sua última apresentação no Rock in Rio Lisboa, ela lançou Sober, uma música que fala justamente sobre recaídas.

Mas então, o que me impressionou nessa história toda? O fato de que, quando alguns sites mostraram a foto de Demi, a maioria dos comentários era relacionado ao peso dela. “Nossa que bolota”, “caramba, ela tá muito gorda”, “olha a Demi gorda” são algumas das coisas que podemos ler em todas as fotos postadas por veículos de imprensa.

Assim como Demi é muito aberta em relação aos seus vícios, ela também é sobre suas questões com imagem corporal. Inclusive, já disse muitas vezes que o julgamento da pessoas foi um dos principais fatores que a fizeram recorrer às drogas. E cá estamos, nesse ciclo sem fim, onde a maioria das pessoas fizeram justamente o que? Voltaram a julgar a imagem dela.

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Eu já fui essa pessoa. Aquela que diante de uma foto de alguém – especialmente famosa – olha, antes de qualquer coisa, para a imagem. Se está gorda ou magra. Pouco importava se a paisagem era linda, se o figurino era maravilhoso ou se ela parecia feliz, a primeira coisa que eu reparava era o quanto a pessoa estava magra ou não. E putz, como eu perdia com isso.

Primeiro porque estava reduzir uma pessoa apenas a sua aparência. Em um mundo de qualidades, colocar “magra” como a primeira delas – sendo que isso nem mesmo é uma qualidade – é ser alguém muito pequeno. No próprio caso da Demi, ela canta muito bem, dança, compõe, toca piano…e está sendo reduzia apenas ao formato do seu corpo naquele momento.

Segundo porque olha o significado disso tudo: ela está viva! Ela sobreviveu a uma das coisas que devem ser, de fato, um dos maiores níveis de sofrimento de uma alma, uma overdose. Se drogar para querer fugir da realidade de ser julgada.

>>>>>> Veja também: Demi Lovato, a bulimia e o vício nas drogas <<<<<<

E não se enganem, não precisamos chegar a nenhum extremo para vermos exemplos claros de pessoas que fogem da realidade para evitarem os julgamentos. Não precisa ser apenas em um contexto triste e extremo como esse. Querem exemplos?

A amiga que sempre recusa os convites de ir à praia ou em viagens em grupo por ter vergonha do corpo. A colega de trabalho que tem medo de pisar na academia porque não considera que é um ambiente que vai acolhê-la. Poderia dar mais mil exemplos, porque infelizmente o que não falta é gente fugindo de programas e criando cápsulas protetoras por causa do medo de serem julgadas. E se você é famosa então, a cobrança para estar sempre perfeita é infinitamente maior.

É triste perceber que Demi passou por mais uma crise e infelizmente, nada mudou de lá para cá.

é por isso que a empatia é item fundamental. Ela separa as pessoas entre meras julgadoras arrogantes e quem de fato se importa com o outro e se coloca no seu lugar. É por isso que a gente bate sempre na mesma tecla. Por mais que pareça repetitivo, é necessário. Enquanto houver comentários como esses, temos que levar a mensagem da empatia.