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Autoestima

2 em Camilla Estima/ Comportamento/ Saúde no dia 15.05.2018

Poder comer de tudo não quer dizer permissividade na alimentação!

Quando trabalhamos o comportamento alimentar das pessoas, muitas dúvidas aparecem. “Mas eu vou poder comer qualquer coisa?” “ Mas é solto assim?” “Não tem hora pra comer nada?” “Não tem limite?”. Não é nada disso, gente.

A nutrição sempre foi muito baseada no que chamamos de “biológico” – apenas nutrir aquele corpo para o seu funcionamento perfeito. Claro que queremos nutrir as pessoas e nossa missão é essa, mas vai muito além disso. Quando trabalhamos, o comportamento entra em jogo além do que a pessoa come em termos de qualidade e quantidade, mas também a forma como ela come e também as motivações que a pessoa tem para isso. Trabalhando a recuperação dos sinais físicos de fome e saciedade e também dos motivos que levam as pessoas a comerem o que elas comem, chegamos à conclusão de que, muitas das vezes, comemos mais por emoções do que por estarmos com fome de verdade. Já falamos disso anteriormente aqui no Futi, dá uma olhadinha nesse post sobre fome no estômago ou na cabeça.

E como sempre falamos que dietas não funcionam, nós, nutricionistas não precisamos excluir alimentos comuns da vida das pessoas que não estão doentes. Sim, se você aí que está lendo esse texto não tem nenhum diagnóstico tipo diabetes, doenças cardiovasculares, doenças no fígado ou rins, e tantas outras em que há limitação de nutrientes ou grupos de alimentos, você não precisa restringir nada em termos de qualidade da alimentação.

Nós buscamos com nossos pacientes a autonomia alimentar.

Mas o que é isso? A autonomia alimentar faz com que você aprenda a ter consciência nas suas escolhas alimentares, entendendo as motivações, respeitando a fome física, emocional e percebendo a saciedade. A tomada de consciência é o fator determinante nessa equação, não para você cometer exageros na alimentação, mas sim para você compreender melhor como você come e a fazer escolhas equilibradas a partir daí. Levando em conta um propósito, o momento do dia, a motivação e tudo baseado na sua fome.

Dessa forma você toma para si o controle da alimentação com menos base em dietas da moda e mais consciência dos motivos pelos quais você come. A ideia é comer em paz, sem crenças socialmente difundidas, sem julgar o alimento, sem contar as calorias ou se viciar na composição nutricional. A ideia é não pensar em calorias que precisarão ser queimadas depois, é focar numa alimentação equilibrada para você.  E a autonomia é conquistada a partir de um processo.

Os equívocos e confusões começam quando falamos que tudo faz parte da alimentação e que podemos comer todos os tipos de grupos de alimentos. Esse é o pulo do gato para mudarmos nosso processo todo, mas ao mesmo tempo é a informação que mais assusta e causa confusão, por isso quisemos trazer esse post para o blog.

Tudo faz parte da alimentação, mas tudo pode ser feito com moderação, os alimentos combinam com as horas do dia, no caso as refeições. É o que chamamos da refeição com a cara da refeição.

Exemplo: o que seria um café da manhã normal, que os brasileiros comem? Dependendo da região do Brasil – pois nosso país é imenso – em um café da manhã costuma-se comer: café com leite e pão com manteiga, no norte e nordeste temos cuscuz, mandioca, carne seca; podemos incluir uma fruta ou um suco; um iogurte.

cafe-da-manha

Fonte: Guia alimentar para População Brasileira (2014)

Alguns alimentos não combinam muito essa hora, né? Tipo, arroz e feijão não tem cara de café da manhã, muito menos um brownie, uma bola de sorvete ou um pão de queijo. Que horas poderíamos comer um brownie ou uma bola de sorvete? Ah, combina com uma sobremesa. Show. Um pão de queijo combina com um lanche? Sim.

Continuando na linha de raciocínio, o que combina com um almoço e jantar tradicional brasileiro? A combinação deliciosa e perfeita do arroz com feijão, uma proteína, legumes e verduras cozidos ou uma salada. Uma sobremesa? Por que não! Pode ser um doce ou uma fruta.

almoco

Fonte: Guia alimentar para População Brasileira (2014)

Na mesma lógica que eu disse acima, um misto quente é almoço? Nem tanto. Um salgado é almoço? Tampouco. E jantar pipoca? Também não. Aproximar a alimentação das pessoas a esse modelo as faz entender que tudo cabe na alimentação quando direcionadas à esses momentos do dia. Que sim, posso comer um doce de sobremesa, mas que ele não deve substituir o meu jantar e nem por isso eu devo exagerar nas quantidades.

E qual a diferença disso para a permissividade alimentar? Na permissividade alimentar eu como qualquer coisa em qualquer momento, e o problema que acabo nisso deixando de comer diversos alimentos que fazem parte do meu dia. Se por exemplo eu tomar de café da manhã um pão de queijo e um mate, quantos grupos alimentares que fazem parte dessa refeição eu estou deixando de comer? Deixo de comer frutas, leite ou iogurte, como pouca fibra. Se eu peço delivery todos os dias, o quanto estou me distanciando do jantar brasileiro? O problema não é pedir uma pizza numa 4ª feira à noite e sim a pizza da 4ª feira que sobrou virar o almoço e o jantar de 5ª feira.

No modo operante da permissividade, você acaba comendo “qualquer coisa” e se desconecto dos alimentos, das refeições, da sua fome e da sua saciedade. A refeição fica sem cara de refeição e isso só faz com que venhamos a substituir a restrição por um exagero, e esse extremo também não funciona.

Temos que começar a nos perguntar: por que eu estou me permitindo comer qualquer coisa? Jantar pipoca eu não estou jantando qualquer coisa? A pipoca do cinema é qualquer coisa? Não! Ela tem o seu momento. Se substituímos alimentos e grupos alimentares importantes na rotina não estamos fazendo bom uso do poder comer de tudo, nem estamos tentando entender nosso comportamento alimentar, só estamos usando uma máxima importante para mascarar nossos exageros. Não é preciso cortar nada, mas tudo tem sua hora e lugar, além de sua quantidade. Estamos tão acostumados a terceirizar isso que deixamos de nos conscientizar da nossa responsabilidade.

Essa nova forma de pensar a respeito da nossa alimentação traz à tona algo que as pessoas não estão muito acostumadas e que a dieta atrapalha: você se responsabilizar pelo que vai comer baseado nos direcionamentos que trabalhamos. Por que as pessoas estão pouco se responsabilizando pelo que elas comem ou escolhem comer? Pois estão anos a fio “obedecendo” um papel, que fica grudado na geladeira e que permite ou não de você comer alguma coisa. Se eu só obedeço, eu não tenho a autonomia das minhas escolhas e não tomo decisões a respeito do que vou comer. Aceito e acato quais alimentos são para gerar culpa, por exemplo. Desconsiderando quais deles me dão prazer ou não, consequentemente quando os como perco o controle que a autonomia me ajudaria a ter, tanto sobre o alimento quanto sobre a forma como eu como.

Seguir só um papel não é “empoderamento” alimentar. Pense como isso te aprisiona? Portanto, temos que sair do modo operante de que só obedeço, não penso criticamente no que estou comendo e não conecto isso comigo mesma. Uma vez que a autonomia alimentar é conquistada, tanto a permissividade como as restrições impostas passam a não fazer mais sentido, e você se sente livre para comer de forma equilibrada. Pode até parecer um milagre impossível, mas vemos cada dia mais isso acontecer nos consultórios de especialistas do tema.

As fotos usadas nesse post são exemplos de pratos sugeridos pelo Guia Alimentar para a População Brasileira. Não, não é uma dieta ou cardápio tipo de revista que qualquer pessoa se adapta, temos sempre que trabalhar a individualidade das pessoas. Usei para ilustrar o que chamamos da “refeição com a cara da refeição” com alimentos do nosso dia a dia e cultura alimentar. Para saber mais sobre alimentação saudável, baseada na nossa cultura alimentar, sugiro a leitura do guia. Ele é a recomendação que o Ministério da Saúde desenvolveu para a população comer de forma saudável e ter saúde, baseado em comida de verdade e respeitando nossos laços culturais. Ele é fantástico.

Referências Bibliográficas:

Guia Alimentar para a População Brasileira, 2014.

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf

1 em Autoestima/ Colaboradores/ Destaque/ Moda no dia 10.05.2018

Roupa de mãe?

Eu mesma já usei muito esse termo. Lááááááááá nos anos 2000, numa época em que eu era praticamente uma adolescente que nem sonhava em ser mãe um dia (e que não sabia absolutamente nada de feminismo e empatia, ou melhor, que não sabia de nada e ponto) e eu achava que mães eram seres, hummmm, digamos, de outra categoria.

Mas daí a dizer que existe roupa de mãe é um abismo de diferença, não? E o que seria a tal roupa de mãe?

e segundo o Google, roupa de mãe precisa combinar com a da filha também, pelo jeito.

e segundo o Google, roupa de mãe precisa combinar com a da filha também, pelo jeito.

Pelo o que eu vejo, roupa de mãe é a roupa que não é sexy. Mas é feminina. Ou seja, é a roupa que mostra que ela é uma mulher não sensual. Digo isso pelas milhares de newsletters de marcas que eu recebi nos últimos dias sugerindo presentes para as mães: tons neutros (porém delicados), florais (nenhum em fundo escuro), sapatos baixos, de bico redondo, roupas folgadas e austeras. Ou seja, TUDO que grita “tão feminina e fofa que chega a ser infantilizada (pra não dizer envelhecida e beatificada, amém)”.

E ainda lembrei de outro exemplo: o que seria “mom jeans”? É aquela calça semi-bag que nossas mães usavam quando a gente era criança lá nos anos 80/90. É confortável? É! É sexy? Nem um pouco.

Não vamos esquecer que até outro dia – ok, uns 3 anos atrás – a gente achava beeeeem cafona. Na verdade, vamos combinar que quando olhamos fotos antigas de família, da primeira questão que surge é “Como a gente usava isso? Como vocês usavam isso?”. E vamos ser sinceras, desde que o mundo é mundo os filhos estão aí pra contrapor seus pais para depois perceberem que eles estavam certos ou, se não chegarem a essa conclusão especificamente, aprenderem a não julgar suas escolhas. 

Perguntinha reflexiva: por que a tal calça não foi batizada de 80’s jeans ou algo do tipo e tiveram de associar a bendita às nossas mães?

Perguntinha reflexiva: por que a tal calça não foi batizada de 80’s jeans ou algo do tipo e tiveram de associar a bendita às nossas mães?

Acham também que roupa de mãe é a roupa comum, básica do dia a dia. O famoso jeans (ou legging, ou calça de moletom – insira aqui a parte de baixo simples/básica que preferir) + camiseta. Digo isso com conhecimento de causa: sou consultora de estilo e mãe de dois. Minha sócia também. Quando estamos em algum evento ou falando com alguma pessoa que não sabe que temos filhos, e usando algum look mais ousado (isso é, mais colorido, com design mais diferentão, sei lá) e comentamos algo das crianças, ouvimos: “O QUÊÊÊÊ???? VOCÊS TEM FILHOS? NO PLURAL? NOSSA, NUNCA DIRIA”.

Eu já me incomodei mais quando esse tipo de coisa acontecia. Mas acabei descobrindo, a duras penas e muitas doses de autoconhecimento, que é importante para mim exercer o autocuidado. E uma das minhas formas de fazer isso é me sentir bem vestida, com looks que me representam (eu gosto de dizer que dentro de mim mora uma periguete, uma drag queen e uma preguiçosa. E que eu nunca sei quem vai acordar primeiro e dar o tom do dia, hahahaha!!!!!). Ou seja, eu não preciso ser uma coisa só, muito menos uma coisa que me disseram que eu tenho de ser só porque eu sou mãe. Aliás, sou ariana, né, mores? Só porque me disseram que eu tenho de ser algo é que eu não vou ser aquilo MEEEEESMO – só de raiva, hahahaha!!!!

Brilho, transparência, seja o que for, continuarei sendo mãe.

Brilho, transparência, seja o que for, continuarei sendo mãe.

Né?

Né?

Ah, e sabe a mom jeans que eu falei? Preciso comentar aqui um acontecimento curioso, já que desde que ela alcançou o status de “roupa das modas”, não se espera mais que mães usem – aiaiaiaiaiai, isso tá ficando complexo. Mas quer saber? Vou usar sim, muito jeans de mãe, muito brilho, muita camiseta, muita fenda, muito tudo o que eu quiser. Inclusive o moletom, se me der nas tampas. Ou seja, roupa de mãe é a roupa que ela quiser! E que todas aqui que são mães tenham um ótimo dia das mães, bem livre de padrões e maravilhoso! 

4 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Saúde no dia 08.05.2018

Seja seu auto suporte

Quando nascemos dependemos integralmente dos cuidados do outro. É o outro que vai ler (nem sempre corretamente) as minhas necessidades e tentar (ou não) atende-las. Nosso cérebro possui a capacidade de se transformar durante toda a vida, é o que chamamos de plasticidade neuronal, mas definitivamente os primeiros anos, justamente esses nos quais somos 100% dependentes, são o período crítico do desenvolvimento neurológico. O crescimento visível da nossa cabeça não é a toa: nosso cérebro está realmente crescendo. Em massa, em matérias, em estruturas.

Ele vai crescendo se adaptando ao meio. Vamos compreendendo o mundo, entendendo o que devemos fazer para sobreviver, que é o grande impulso de todas as espécies: sobreviver para reproduzir. E o que vamos aprendendo? Que dependemos do outro. E esse outro é livre, separado da gente, independente. Por que, então, esse outro nos atura e cuida de nós?

Porque nos ama.

Passamos, então, a desenvolver estratégias para sermos amados, aceitos e cuidados. É como se, percebendo que dependemos do cuidado alheio, instalássemos um software “convencer o outro de que eu tenho valor e fazê-lo cuidar de mim”. Existe um vídeo que mostra uma pesquisa realizada para investigar a reação dos bebês quando a mãe para de interagir amorosamente e só fica com uma “cara de paisagem”.

Já tão pequenos eles sentem o medo de não serem apreciados. Já é possível ver o funcionamento do software do qual falei acima.

Acontece, porém, que nós não dependemos dos cuidados alheios para sempre. Claro que, por sermos animais gregários, sempre vamos precisar de vínculos, de afetos, de relações. Mas a aprovação incondicional, a nutrição da sensação de valor próprio, o alimento da auto estima, o suprimento das próprias necessidades, tudo isso, ao longo da vida, vai passando a ser responsabilidade NOSSA, e de mais ninguém.

Nós precisamos migrar da necessidade de ter um outro nos dizendo de que precisamos a cada momento para a necessidade de identificar nossas próprias sensações e sentimentos para descobrir qual é a nossa necessidade genuína. Precisamos desenvolver recursos para não mais aguardar passivamente que o outro nos dê o que desejamos dele, e sim mobilizar nossas energias na direção de obter por nós mesmos aquilo que desejamos. Obviamente não estou dizendo que isso é fácil, só estou expondo a direção na qual é saudável que caminhemos.

É a partir do momento em que acolhemos nossos sentimentos, que acolhemos nossa carência, que aceitamos nossa condição humana de desamparo e nos damos conta de que podemos, sim, contar com a ajuda de outras pessoas para superar momentos difíceis, mas que nossa maior responsabilidade nessa vida é aprender a dar conta de cuidar de nós mesmos, que começamos a caminhar para uma vida mais autêntica. Para uma vida com angústia, sim, mas com a angústia necessária, inerente à existência, da qual não se pode fugir, e não a angústia infrutífera e sofrida que nos toma quando nos sentimos como bebês impotentes que não podem fazer nada além de sofrer enquanto esperam que alguém perceba e atenda suas necessidades.

Precisamos atualizar nosso cérebro com softwares mais modernos, que aproveitem toda a capacidade do nosso organismo maduro. Migrar do hétero suporte para o auto suporte. E o primeiro passo para começar a caminhada nessa direção é aceitar que É UM PROCESSO. A pressa e a cobrança para transformar seu cérebro de um dia pro outro são o caminho mais rápido para NÃO CONSEGUIR transformá-lo. É necessário aprender a acolher suas angústias para dar um passo de cada vez.