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Autoconhecimento

7 em Autoconhecimento/ Destaque/ maternidade no dia 16.10.2017

“Eu não sei lidar com crianças, como serei mãe?”

Esse é o tipo de questionamento que eu já ouvia muito antes de pensar em ter filhos. Quando chegava uma hora onde a conversa da roda tomava rumos sobre filhos e maternidade, se não era outra mulher fazendo essa pergunta, provavelmente era eu que fazia.

Sempre tive medo de pegar recém nascidos, nunca soube o que fazer quando uma criança começava a chorar, não sou boa de inventar brincadeiras, muito menos histórias, nunca sei o que falar para as mais velhas, de 5 anos pra cima, por exemplo. E o que mudou nessa habilidade depois que eu tive filho?

só para vocês entenderem, eu levo tanto jeito com crianças que eu só tenho essa foto, quando o Arthur estava com um pouco mais de 1 ano…

De coisa boa, eu diria que perdi o medo de que poderia deixar meu filho cair, ou não entender por quê ele tava chorando. Entendam bem, eu não perdi o medo de deixar crianças caírem, eu só perdi o medo com ele. E quanto ao choro, eu não virei uma especialista em tipos de prantos, só desvendava o quê era o quê por causa da rotina e por causa da tentativa e erro. Aprendi umas brincadeiras e umas musiquinhas, hoje tenho algum repertório porque sei cantar praticamente todas as músicas infantis (e não é porque eu decorei para ser mãe, é porque eu acabei absorvendo de tanto ouvir), sei o que é Patrulha Canina, Homem Aranha, Masha e o Urso e Princesa Sofia, mas minha conversa não passa de “você gosta de Patrulha Canina? Qual seu personagem preferido? Poxa, ele é um cachorro, que legal, né” Depois disso, grilos.

Aprendi que a partir de 1 ano e meio a maioria das crianças que eu convivo não têm paciência pra tatibitati e adoram quando a gente fala com elas sem aquela vozinha infantil. Tirando isso? Continuo a mesma pessoa sem jeito.

…e essa, que eu tava rindo, mas era de nervoso.

Mês passado fui pegar o bebê de 2 meses de uma amiga e não sabia mais como pegar sem que eu ficasse toda travada e em posições estranhas e incômodas só para não deixar o bebê desconfortável. Quando ele começou a chorar, confesso que bateu o mesmo desespero que eu sentia quando nem pensava em ter um filho. Poxa, eu sabia que a gente ia esquecendo as fases de bebê, mas não tinha ideia que seria tão rápido!

Fim de semana passado fui na festa do filho do meu primo e tinha uma área para as crianças brincarem. Arthur cismou com uma menina muito fofa, e toda hora ele ia para onde ela estava só para dar um abraço. Como ele não podia ficar sozinho lá, fui atrás, e quando me vi estava iniciando uma conversa com uma menina de 6 anos porque ela estava sendo um amor com ele. A conversa foi mais ou menos assim, sendo que ela puxou assunto (porque eu, naturalmente, nem sabia por onde começar):

– “Quantos anos ele tem?
– 1 ano e 9 meses.
– Eu tenho um irmão de 2 meses, eu adoro crianças.
– To vendo, você leva jeito! Qual seu nome?
– Giulia.
– E quantos anos você tem?
– 6.
– Ahh, que legal.” – mais grilos.

Ou seja, deu para ver que Giulia tem muito mais destreza para puxar papo com estranhos no alto de seus 6 anos do que eu com 31, né? Eu tenho problemas em iniciar conversas com adultos desconhecidos, imagina se não teria com menores de idade.

Não é preciso ter vocação para recreadora de festa, professora de maternal ou apresentadora de programa infantil para ter um filho. Aliás, a maternidade seria muito mais fácil se a maior dificuldade fosse saber ou não lidar com crianças. 

A coisa legal é que conviver com crianças pode ser cansativo, mas deixa a vida bem mais leve. Muitas vezes para iniciar um papo vale brincar junto, de massinha, de colorir, de pula pula. Vale ser um pouco boba e deixar as vergonhas que vamos adquirindo depois de adultas de lado. Diria que é menos sobre “levar jeito” e mais sobre “se deixar levar”.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ crônicas/ Destaque no dia 28.09.2017

Te perdi porém me reencontrei

Quando tudo começou, eu te botei em um pedestal. Tudo culpa da minha admiração platônica que vinha de anos. Por muito tempo te acompanhei à distância, vendo tudo que era publicado em seu nome. Até que um belo dia uma amiga em comum nos apresentou e quando eu me vi, já estávamos batendo um papo aqui, outro ali. E o que eu só imaginava nos meus melhores sonhos aconteceu: eu conquistei sua atenção.

Te achava incrível, tinha a impressão que ser vista ao seu lado era símbolo de status e de respeito. Ser elogiada por você massageava meu ego e eu me sentia a pessoa mais incrível do mundo. Ter o seu aval era importante, te ter me endossando também. Até que eu descobri que eu podia te perder.

Não queria aceitar de primeira. Na verdade, quando meu cérebro registrou que seu histórico de relacionamentos nunca foi dos mais estáveis, eu tentei ignorar. Imagina, eu seria a pessoa que mudaria isso. Aliás, eu ERA a pessoa que te entendia tanto que me tornaria imprescindível.

ilustra: melody hansen

Só que aí eu fui mudando, tentando me adaptar à sua instabilidade para ver se eu me mantinha estável na sua vida. Começou com uma mudança de opinião aqui – imagina, eu já estava inclinada a achar isso mesmo – depois com um afastamento ali – claro que não, essa pessoa que eu me afastei já estava me dando bode à um tempo – e quando vi, estava presa em uma órbita que só funcionava se eu girasse em torno de você.

Ao contrário do que se imagina, não foi algo difícil de fazer. Não foi cansativo, não foi dolorido. Não sei se minha personalidade que era volúvel ou se os créditos devem ir todos à sua capacidade de seduzir quem você quer que te endeuse. Eu sabia que seu histórico era justamente esse, lembra? Eu só escolhia ignorar. Inclusive, a galáxia que você criou para desempenhar o papel de Sol não tinha apenas eu de planeta. Pelo menos mais umas 3 pessoas envolvidas por todo seu carisma e lábia estavam ali, girando ao seu redor. Foi aí que eu me desencantei.

Um belo dia me olhei no espelho e perguntei quem era aquela pessoa me olhando, que se afastou de pessoas tão legais sem motivos aparentes? Quem era aquela pessoa que mudou a forma de se vestir porque não queria ser alvo de chacota? Quem era aquela pessoa que se fechou porque achava que para agradar era melhor não emitir muitas opiniões? Quem era aquela??

Cheguei à conclusão que para não te perder, eu acabei perdendo a mim mesma. E quer saber? Hoje, 2 anos depois de tudo, vejo que ter te perdido, justamente o que eu tinha mais medo, foi essencial para eu me reencontrar (não que você mereça um ‘obrigado’ por alguma coisa).

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Carla Paredes

Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.
3 em Autoconhecimento/ crônicas no dia 14.09.2017

Eu estou fazendo algumas mudanças na minha vida

Tem épocas na nossa vida que dá vontade de pegar tudo que está atravancando nosso dia a dia e jogar tudo pela janela, sem olhar pra trás, sem pensar duas vezes. Eu estou nessa fase. Estou de mudança.

Desapeguei de metade do meu armário. Roupas que não viram a luz do dia nesse último ano? Pra fora, sem dó nem piedade. Apaguei incontáveis arquivos inúteis do meu computador. Quanta coisa inútil a gente guarda nele, né? Print de boleto do mês, de depósito que foi pago há 3 anos, pasta lotada de referências de moda que eu nem lembro quando foi tendência, músicas que, se bobear, foram baixadas quando ainda existia Napster. Joguei fora cartinhas da infância. Pode ser que eu me arrependa disso depois, mas elas estavam ocupando um espaço valioso no meu armário nesse apartamento que já não cabe tanta coisa.

Terminada a limpa material, veio a pessoal. Comecei pelo celular.

Saí do grupo de whatsapp da academia, que só sabia falar de receita low carb, whey protein e de exercícios. Nem sei porque eu entrei nele, em primeiro lugar. Saí do grupo da família, que só sabia compartilhar fotos de Bom Dia e áudios alertando sobre o novo golpe na praça. Saí também daquele grupo de amigos que virou competição sobre quem está melhor na vida. Resultado? Pelo menos umas 200 mensagens inúteis e não direcionadas à mim que eu não vou mais ler.

Saí de um aplicativo e fui para outro: Facebook. 547 amigos e constatei que só conhecia realmente umas 300 – o que já é muito. Desfiz a amizade com essas pessoas aleatórias e aproveitei para deixar de ser amiga de tantas outras. Aquele menino que estudou comigo na 3a. série do ensino fundamental e eu nunca mais falei? Rodou. O boy lixo que manda “oi, sumida” e depois some novamente? Tchau. A menina que era amiga na faculdade mas depois desapareceu e nunca mais deu notícias? Beijo, não me liga. Aproveitei também o recurso “deixar de seguir”. Vocês sabem, tem umas pessoas que não tem como desfazer amizade mesmo – mas não sou obrigada a receber o conteúdo na minha timeline. :)

No instagram, a limpa foi bem mais radical. Dei unfollow desde a menina que me fazia achar que eu não era determinada por odiar acordar de madrugada para malhar até aquela pessoa que eu só segui porque seria mal educado não segui-la de volta.

Chega. Agora que estou mais leve, estou definitivamente de mudança, indo para um lugar onde só fica quem (e o que) importa e acrescenta, quem eu quero genuinamente bem e que eu sei que é recíproco. Estou mudando, e se você não ouviu falar mais de mim, provavelmente é porque você faz parte da mudança que ficou pra trás. 

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Carla Paredes

Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.