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Autoconhecimento

11 em Autoconhecimento no dia 20.07.2017

Um lugar chamado Belo Horizonte… Para morar?

Poucos lugares mexem comigo como essa tal capital mineira chamada Belo Horizonte. Diria que o nome da cidade é 100% literal, a vista do horizonte é mesmo bela quando nas montanhas. Sem contar o céu azul, o verde das árvores, o jeito das pessoas, os homens que ajudam com caixas pesadas, as mulheres que são lindas e sorridentes. O sotaque maravilhoso do “tá boa?”, do “Nuh”, do “uaiiii” e do “ocê”. Um lugar de gente bonita, badala sertaneja e abertura pra poesia da sofrência. Uma cidade de restaurantes sensacionais, de mercados gostosos e amizades sinceras quando falamos especificamente da minha vida.

Eu sou uma apaixonada por Belo Horizonte.

Belo Horizonte – Julho de 2017

Se um dia eu fizer minhas malas, pegar uma carona e for embora pra lá, não se espantem. Logo eu, que como namorei muito tempo sempre achei que sairia pra casar e morar com o cara com quem vivi por tantos anos. Ou que escolhi meu apartamento do futuro no mesmo bairro que moro hoje, a apenas algumas quadras do prédio que vivo hoje. Depois o namoro acabou, a crise chegou e administrar meu trabalho, minhas finanças e qualidade de vida ficou mais complicado. Me peguei naquela situação em que eu posso gastar mais em terapias, cursos e processos de autoconhecimento por não ter um aluguel pra pagar, um mercado pra fazer ou um condomínio que não pode ficar deixado de lado. Fui ganhando essa independência parcial, mas sem me preocupar com meu teto.

Fato é que nos últimos tempos eu tenho tido vontade de ter um lugar para chamar de meu, de morar sozinha. Apesar de amar morar com minha mãe, de sermos boas companheiras e termos um acolhimento uma na outra, sinto que minha hora vem chegando e eu preciso organizar meus custos, sonhos e planos. Morar sozinha nunca foi um sonho, até porque eu já faço tudo sozinha de segunda a sexta, então acho que pode ser um tanto quanto solitário.

Eu diria que estou pedindo à Deus duas opções: ou a amiga perfeita pra dividir um apartamento comigo ou que eu ache algo muito dentro do que eu sonho em achar – pra eu ter certeza e a segurança de que eu vou encarar essa experiência de não ter ninguém com quem conversar fisicamente 24 horas por dia, durante 5 dias por semana. O fim de semana não me preocupa em nada.

Já estava analisando todas as opções na minha rua, no meu bairro e arredores, quando dei de cara com uma garrafa de vinho em Nova Lima que me fez pensar: Por que não vir pra cá? A única razão aparente seria: não queria ficar tão longe da minha mãe. O que apesar de muito honesto, não é uma razão tão sensata, afinal, ela é minha mãe e eu vou continuar amando ela pra sempre (e vice versa). A distância de 5 horas de ônibus (que nunca fiz) ou de 45 minutos de avião (fiz diversas vezes) me faz crer que lá seria um lugar mágico.

São tantas amigas, é um frio gostoso, um céu azul e um amor em forma de vento fresco que bate no rosto. Eu não sei mais de nada, não sei se vou ou se fico. Se mudo pro primeiro lugar que atender minhas necessidades, se pesquiso com amor, se espero fechar mais algum contrato para fazer acontecer ou se largo mão de alguns dos meus processos de autoconhecimento para alugar um espaço.

Eu fui embora, mas eu volto. Não sei se volto para morar ou visitar as pessoas queridas, mas a certeza que sempre estarei aí. :)

Não sei se vou pra um lugar chamado Belo Horizonte pra morar com alguma das amigas que amo ou se embarco na possibilidade de viver essa experiência de solidão tão complexa que deve ser trabalhar e morar em casa 100% sozinha. Fato é que todo mundo que diz que eu deveria considerar isso trabalha fora, não tenho por perto um exemplo de alguém que fique absolutamente só todo o tempo.

Esse texto não tem pé nem cabeça, nem muito começo, meio ou fim, mas foi só uma dessas minhas epifanias de autoconhecimento que divido com vocês. Porque nessa fase de desconstrução eu tenho tido vontade de experimentar novos processos e caminhos pra minha jornada. Agora chegou a hora de pensar na próxima morada, que já não é a “minha casa do futuro” num futuro tão distante.

Se vai ser no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte, não sei. Se vai ser sozinha ou com uma amiga também não. Só sei que na hora que eu verificar que devo fazer esse movimento, vou viver cada sensação por completo, me possibilitando absolutamente todas os aprendizados que essa experiência pode me trazer. Uma certeza eu tenho: serão muitos.

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Convidadas/ Destaque no dia 19.07.2017

Negras em capas de revista, sim!

Mês passado quando vi estas capas pelo Instagram, fiquei louca. Louca num grau “TENHO QUE COMPRAR AS TRÊS REVISTAS! EU PRECISO DELAS EM CASA!” E olha que sou bem contra falar que alguém PRECISA de algo; mas eu realmente precisava tocar e guardar estas edições. TRÊS revistas em um mesmo mês estampam mulheres negras em suas capas. Vocês conseguem imaginar o que isso significa?

Talvez não. Sei que existem pessoas que não ligam, que podem achar exagero a minha felicidade exacerbada, o meu post para falar do assunto. Entretanto, para quem passou a adolescência e boa parte da vida adulta SEM SE VER REPRESENTADA em capas, isso sim é um avanço absurdo. É felicidade, é lavar a alma, é perceber que vale a pena bater nesta tecla e falar aos quatro ventos que está errado em diversos níveis não colocar negros em campanhas, propagandas, capas…..

Quero dizer que minha mãe sempre assinou a revista Claudia (quando digo sempre é algo de aaaaaanos); e eu conto nos dedos de uma mão quantas vezes uma mulher negra esteve na capa. Sim, por mais de quinze anos eu posso contar quantas mulheres negras estamparam a capa da Claudia. A maioria da população no Brasil é negra, cadê o sentido nisso? Cadê eu me enxergar em capas, em propagandas, em toda e qualquer posição? Eu POSSO chegar em qualquer lugar que desejar, por que não querem me mostrar isso?

Mas em junho comprei revistas que eu não costumo ler: Elle, L’Officiel e Vogue. Comprei por ter mulheres negras, comprei porque revistas com negras na capa vendem menos, já falei sobre isso neste post do Instagram que fiz quando a musa Gaby Amarantos foi capa da Boa Forma. Comprei e comprarei novamente porque isso tem que mudar, porque se nós não fizermos nada para mudar continuará do mesmo jeito.

Depois desta compra outra surpresa: A MARAVILHOSA ELZA SOARES NA CAPA DA ROLLING STONES! Sim, ainda no mês de junho! O que fiz? Comprei também porque isso só fortalece. Ah, e li todas as revistas, viu? Hahahaha É pra ler também! =D

Já passou do tempo das empresas, editoras, do MUNDO se tocar que negro consome, sabia? SIM, vejam só! As pessoas negras consomem, ocupam mesmos espaços que as brancas (admito, em minoria por conta da nossa história de escravidão, dívida da sociedade, o fato de afastar negros do centro juntando-os nas periferias…), porém a geração que está aqui e agora não quer mais calar. Eu sou uma das pessoas que não tem um pingo de vontade de calar. Sou negra, consumo, quero me ver representada e se não me vejo não compro. Seja uma marca de roupas, uma revista, maquiagem (sim, tem marcas que eu não falo por não ver negras em propaganda), restaurantes, lojas de departamento e por aí vai…

Só para ilustrar: Esses dias vi o comercial de um novo carro. O homem branco dirigia e passava por vários lugares com diversas pessoas e NENHUMA delas era negra. PERAÍ: Negro não é seu público? Negro não pode comprar o seu carro? É isso? “Ai, Maraisa você está exagerando!” Não, não estou. Repito que para um país onde MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO É NEGRA, o mínimo que se espera é ver esta representatividade em TODOS os ambientes. Mas não…. para a marca lá eu não posso comprar o novo SUV. Okay, não compro esse, escolherei outro carro.

Eu, Maraisa Fidelis, vivi para ver isso. Vivi para ver QUATRO mulheres negras estampando capas em UM MESMO MÊS. Capas de revistas de moda e música. MODA:  justo um meio cheio de egos e preconceitos, um meio difícil de trabalhar onde você é facilmente substituível. Vi isso em revistas tipicamente elitistas que sempre colocaram brancas na capa. VINTE E OITO ANOS para ver na banca uma ao lado da outra e quase chorar de felicidade. É este o mundo em que quero viver! É este o mundo que quero mostrar para meus filhos, é este o mundo que desejo ajudar a construir. REPRESENTATIVIDADE IMPORTA, CARAMBA!

Ah! Vale ressaltar que a L’Officiel colocou Nayara Oliveira na capa mas no recheio vi uma foto bem pequena dela e só. Sinceramente, não entendi e não fiquei feliz. Já Vogue e Elle sambaram  lindamente com Joan Smalls e a MARAVILHOSA angel da VS Maria Borges respectivamente.

Não sou uma pessoa “das modas”. Me interesso porém entendo pouco. Mas se as revistas continuarem assim, se eu me vir representada, continuarei comprando, prestigiando e apoiando aquilo que enche meu coração de alegria e outro sentimento que não sei explicar, talvez orgulho, paz, ou aquele suspiro de “finalmente vejo esta luz no fim do túnel”.

Eis que vira o mês, julho começa e olha a maravilha que eu vejo nas bancas pessoas lindas do meu Brasil:

AAAAAAHHH! Posso gritar? Lucy Ramos, Tais Araújo e o perfil de um homem negro em diferentes revistas. Máxima, Marie Claire, Você S/A estampando negros no mês seguinte! Meu coração se enche de amor, esperança e o sorriso fica bobo no rosto. Comprei as três e espero que nós, negras e negros, continuemos nos vendo representados todos os meios. Afinal, nós estamos aqui, né? Então também estaremos lá.

0 em Autoconhecimento/ Destaque/ Looks/ Moda no dia 18.07.2017

Look da Cá: cintura alta, um ombro só, mule e a “Carla pós Nova York”

Recebi esse look ainda das fotos “mãe perfeita do instagram“que eu fiz com a Adriana Carolina aqui em Nova York e senti muita vontade de postar. Não só porque as fotos estão lindas, mas esse é o típico look que eu chamaria de Carla pós NY.

Sim, porque nesse 1 ano que estou aqui, diria que existe uma Carla antes e depois de NY, e a Carla pós NY paga a língua quase todo santo dia.

Acho engraçado, já que a cidade não era desconhecida para mim, já vim tantas vezes que perdi as contas mas nunca, NUNCA, tinha experimentado a sensação da liberdade de poder vestir o que tiver afim. Acho que como turista a gente não presta tanta atenção nisso, né?

Mas morando a coisa muda de figura, para muito melhor nesse sentido. É difícil ficar indiferente quando você está lá, se limitando porque não quer usar cropped por ter gordurinhas pulando, mas cruza com várias meninas com todos os tipos de corpos usando a tal peça que você não ousava se permitir. Ou torcer o nariz para um sapato mas vê-lo sendo usado na prática com os mais diferentes tipos de looks e ver que o bichinho dá um samba bem bacana.

E nesse look, eu diria que a única coisa que eu já estava acostumada a usar no Brasil era um ombro só, e mesmo assim eu só tenho uma peça além dessa blusa, um vestido.

Blusa PS love Stripes | Calça Madewell | Mule J.Crew

O jeans cintura alta foi fácil de se acostumar, apesar do medo de destacar os peitos, a verdade é que depois do Arthur eu fiquei bem insegura com a minha barriga, que hoje é mais ou menos 85% do que era antes, e acabei adotando a cintura alta e os hot pants.

Mules, porém, me pegaram de surpresa. Saí do Brasil ano passado com a ideia de que era moda passageira, que eu ia deixar passar batido, que não fazia sentido gastar dinheiro nesse tipo de peça. Mas aí eu saí na rua e vi uma pessoa usando, entrava no prédio e cruzava com outro, entrava nas lojas e vários modelos e ideias de como usar pulavam em cima de mim. Bem, não resisti, né?

Comprei esse, um azul marinho que achei que combinaria com boa parte do meu armário, e desde então ele tem sido meu sapato do conforto. E para quem tem essa curiosidade (nunca ouvi tanto essa pergunta), pelo menos esse meu não sai do pé com toda essa facilidade.

Vendo essas fotos lindas eu vou além do momento gostoso. Eu fico morrendo de orgulho de me ver abrindo a cabeça para novidades e, por mais que eu ainda tenha um longo caminho a percorrer para chegar no grau de liberdade da galera que eu vejo aqui, não deixa de ser um incentivo para continuar tentando e não me limitando.