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Autoconhecimento

13 em Autoconhecimento/ Comportamento no dia 18.04.2018

Há pouco tomei consciência do meu privilégio branco. Você conhece o seu?

Quanto mais eu converso com as pessoas, mais eu vejo dois extremos: pessoas preocupadas com a representatividade da mulher negra no combate ao racismo e pessoas que acham que não existe “tanto” racismo no Brasil, que isso tudo tá um pouco exagerado. Claro, sem falar na turma que é racista de forma consciente e assumida, mas essa galera graças a Deus não está no meu convívio diário, hoje isso seria um problema pra mim. 

Nessa situação me peguei numa crise. Como fazer um post para ajudar a turma que não tem consciência do privilégio branco a entender os problemas de preconceito racial que enfrentamos na sociedade? Esse não é um post para roubar o lugar de fala de ninguém, esse é um post meu, de branca pra branca, pra gente falar sobre os motivos pelos quais eu, que ainda estou engatinhando no assunto, acho que são fundamentais para propor uma desconstrução que nos ajude a enxergar a importância dessa luta por representatividade que as mulheres negras estão fazendo.

A nossa cultura é nova se comparada ao resto do mundo, ela também é viva e por isso acredito sim que devemos buscar entender os motivos pelos quais devemos retirar expressões e conceitos racistas da nossa rotina.

Joana, como você entendeu que você tinha esse privilégio branco?

No dia em que li um comentário numa foto de Maraisa Fidelis, do blog Beleza Interior. Questionaram a Mara se a bolsa Gucci dela era original. Pode parecer idiota ou elitista pra você, mas pra mim não foi. Eu, naquele dia, enxerguei que em anos de blog nunca haviam feito tal pergunta pra mim. Nunca questionaram uma bolsa minha ou da Carla, que assim como as da Mara, são originais. Nunca tivemos que dar satisfação sobre isso para ninguém.

maraisa-fidelis

Quando fui indignada falar com Maraisa, ela me disse outra coisa que pesou: “Joana, já te perguntaram se você fez faculdade?” Nunca! Pronto, quando eu vi Mara já estava enfiada na minha vida e na minha casa, fazendo a família inteira repensar. Explicou pra minha mãe que o termo mulata não era bacana, afinal vem da história em que negros tinham seu preço equiparado ao das mulas no mercado da escravidão. Depois explicou com cuidado que o uso da palavra denegrir é complicado porque significa rebaixar essa pessoa a um negro, como se fosse uma raça inferior. Mudar não é simples, mas estamos aqui pra aprender, não é mesmo?

Uma vez uma amiga que trabalhou numa grande revista me contou que poucas capas eram de mulheres negras porque elas vendem menos. Nossa, mas como que a gente aumenta a representatividade pra fazer vender mais e ajustar esses padrões excludentes de beleza, então? Bancando a ideia. Graças à desconstrução diária que estamos vivendo, as revistas estão começando a semear essa plantinha, mas precisa de mais. Mais representatividade. Nosso papel? É comprar a revista, endossar, dar lugar de fala.

@taisdeverdade posta muitas capas de mulheres negras! Sempre!

@taisdeverdade posta muitas capas de mulheres negras! Sempre!

Uma vez um amigo me disse que não achava a mulher negra bonita, por questão de gosto, não por racismo. Eu apenas estranhava esse argumento, afinal, como vou discutir com uma pessoa sobre sua preferência, algo tão pessoal? Até entender que até o nosso gosto, algo que acreditamos ser genuinamente nosso e sem interferências externas, é reflexo da nossa cultura e do que somos ensinados. O padrão de beleza está mudando e nós estamos lutando para isso, mas não podemos esquecer que por muitos anos ele foi totalmente eurocêntrico, pessoas loiras, magras e do olho claro. No Brasil isso é um pouco mais flexível, mas ainda falamos de mulheres brancas e magras, e que muitas vezes pintam o cabelo. Infelizmente acredito que não é questão de gosto quando esse é o público de maior rejeição dos aplicativos de encontro NO MUNDO, segundo uma palestra recente do SXSW. As mulheres negras são as com menos crushs ou matches e isso não é uma coincidência. É questão de pré conceito, de conceito tão enraizado que a gente sequer enxerga de forma verdadeira. Seria questão de gosto se todas as belezas tivessem o mesmo peso, o que não é verdade.

Só que só piora. No #picnicdopapo em Salvador, algo de cortar o coração aconteceu. Na cidade mais negra fora da África, as quase 60 mulheres que foram, me contaram por horas sobre como usam o cabelo como forma de empoderamento, como o feminismo tem ajudado, mas algo que foi repetido diversas vezes acabou comigo. Nunca, em nenhuma outra cidade, eu ouvi relatos de estupro e abuso sexual nessa dinâmica, e todas elas eram negras. Pode soar coincidência, mulheres brancas também são estupradas, mas antes de me chamar de exagerada, procure as estatísticas. Ou melhor, nem procure, eu vou te dar uma delas. O Dossiê Mulher 2015, do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, aponta que 56,8% das vítimas dos estupros registrados no Estado em 2014 eram negrasE 62,2% dos homicídios de mulheres vitimaram pretas (19,3%) e pardas (42,9%). Naquele dia eu descobri que por ser branca tenho menos chance de sofrer um estupro ou uma violência.

Outro momento que me marcou foi o assassinato de Marielle Franco. Quanto vale a vida de uma mulher negra? Nem mesmo uma advertência. Enquanto Marcelo Freixo, que está no maior patamar do privilégio, já sofreu inúmeras ameaças de morte, Marielle foi morta sem nem ter chance de se proteger. Não vou entrar em lados políticos porque extremos não me representam, no entanto independente disso, a vida de Marielle importou pra mim. 46.000 pessoas votaram nela para que ela as representasse. Num país onde as mulheres ocupam 14% do espaço na política, sendo que 4% desses 14 são mulheres negras.

Ilustraçao Camila Rosa

Ilustraçao Camila Rosa

Nesse post, o que eu quero é dizer que não precisamos ter vergonha de enxergarmos atitudes racistas que já tivemos, ou que ainda temos e deixamos passar por ser algo tão enraizado na nossa cultura. Precisamos é ter vergonha de não querer mudar de opinião, de não querer enxergar nossos privilégios e o que podemos fazer com ele. Precisamos mostrar que quando mulheres negras falam sobre questões que parecem improváveis para mulheres brancas, isso não é vitimismo. Precisamos sempre questionar os motivos de pessoas brancas receberem mais empatia quando falam sobre racismo. E lembrar sempre que não existe racismo ao contrário ou racismo reverso, mesmo que você tenha sofrido bullying por ser branco como a neve. É diferente, isso não diminuiu suas chances. Não importa o quanto você ache desagradável ser questionada sobre os seus privilégios, lembre-se disso. Pode ter desconforto, mas não tem preconceito.

Insta da Maraisa Fidelis : @ blzinterior

Insta da Maraisa Fidelis : @ blzinterior

Pra mim muitas coisas precisam acontecer, mas a representatividade é um caminho que eu tenho visto começar aos poucos mudar o mundo. Mulheres negras PRECISAM se enxergar como representadas, não to aqui nem falando isso com a ideia de apenas aumentar o padrão de beleza não. A coisa é tão séria que esse me parece um problema muito menor, precisamos fazer isso para que as nossas vidas e importâncias tenham o mesmo peso, porque infelizmente hoje no alto do meu privilégio de ser branca, nascida numa família de classe média e comunicadora/ ouvinte, eu acho que estamos muito distantes disso.

Texto Glamour Brasil, vale a pena!

Cabelo crespo: será que é mesmo sua opinião ou questão de gosto? por Maraisa Fidelis.

Também no blog:

Leia também esse texto da Ca aqui no blog sobre o seriado CARA GENTE BRANCA.

Livros que todas nós podemos ler:

Na minha pele: livro do qual Carla falou aqui, do Lazaro Ramos. 

Lugar de fala: de uma das pessoas que mais gostamos de acompanhar pra aprender, a Djamila Ribeiro.

Vídeos que eu acho fundamentais que a gente assista:

Um vídeo sobre isso, com a palavra a sensacional Djamila Ribeiro.

Achei esse video da Mari Xavier uma aula do racismo que não vemos, por isso trouxe ele pra cá! Acredito que todo mundo deveria ver.

 

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 11.04.2018

A mudança do blog, a bulimia, a crítica à liberdade, o grupo e a tão falada autoestima!

Você diz que acompanha meu trabalho, que quer ir num encontro do papo, me manda mensagens fofas, então…
Hoje vou te pedir uma coisa: assista esse vídeo. Você não vai “perder” esses minutos, isso eu posso prometer. Está redondo, está perfeito.

Obrigada Mari maravilhosa!

Se inscrevam no canal Mundo Gordelícia, a jornada da busca pelo amor próprio lá ressoa com muito do que acreditamos.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 02.04.2018

Faça bom uso do privilégio magro, não seja apenas militante de sofá!

Traduzido livremente por Carla Paredes que  me mostrou esse texto do instagram @dothehotpants. Postamos o mesmo no nosso instagram @futilidades, mas não achamos que era o suficiente. Sentimos que precisávamos falar sobre isso em todos os lugares. 

@futilidades

Se alguma imagem equivale a mil palavras, é essa da campanha da @nunude_official.
Com privilégio vem a responsabilidade. Especificamente o privilégio magro, não é apenas sobre apoiar as gordas e as mulheres curvilíneas online.

É sobre discutir a gordofobia com amigos que estão sacaneando o corpo de alguém. É chamar atenção dos familiares quando estão discutindo o corpo de alguém na mesa de jantar. É perguntar por que não tem uma parte plus size na sua loja favorita. É pedir para a sua academia retirar qualquer sinal gordofóbico que está do lado do seu aparelho preferido (no nosso caso, diria que seria alertar os professores a não serem gordofóbicos e nem achar que todo mundo só está ali com o único intuito de emagrecer). É conversar com o recursos humanos do seu trabalho quando brincadeiras sobre perda de peso começar a acontecer no seu trabalho. É usar seu privilégio para falar em espaços e situações que não são seguras (ou confortáveis) para certos tipos de corpos.

Muitas seguidoras têm ansiedade ou têm transtornos alimentares e falar com pessoas pode ser aterrorizante. Mas tem formas menos confrontadoras para lidar com o sistema opressor também!

Um seriado só escalou atores magros? Mande um tweet para os produtores! Algum aplicativo que você usa só mostra fotos de pessoas magras? Mande um e-mail para os desenvolvedores! O metrô que você usa permite anúncios gordofóbicos? Comece uma petição para combater isso! Você tem um dinheiro extra sobrando? Apoie financeiramente causas e organizações que estão trabalhando duro para criar ambientes seguros para todos os tipos de corpos.

Vamos fazer com que as ideias que pregamos online sejam postas em prática no mundo real também. Vamos fazer com que mulheres de todos os tipos de corpos saibam que quem tem privilégios está realmente lutando por elas. Vamos realmente apoiar outras mulheres.

Você pode seguir todos os perfis do mundo, e isso irá te ajudar a aceitar e ver todos os tipos de corpos como bonitos, mas para fazer uma mudança sistêmica a gente precisa mudar e questionar o status quo do mundo real também.

Deixo aqui meu desabafo também:

Ontem eu e Carla resolvemos que traríamos esse texto do instagram traduzido para o blog, mas não foi o bastante. Precisei colocar no instgaram também, afinal essa imagem causa mesmo uma reflexão, mais do que mil palavras juntas. Fiquei com vontade de fazer um shooting assim para o #paposobreautoestima, mulheres incentivando e impulsionando mulheres, levando em conta privilégios variados. Fazer bom uso de seus privilégios, dar lugar de fala, praticar empatia e buscar ajudar no processo de desconstrução do mundo a nossa volta deveria ser uma tarefa de todas nós. 

Eu entendi meu privilégio branco convivendo com minha amiga Maraísa Fidelis (do blog @blzinterior), desde que essa ficha caiu eu tento ao máximo desconstruir racismos enraizados, já fiz isso num date, já fiz isso em família, já fiz isso em piquenique e não quero flores por isso não. Sempre que conseguimos trazemos uma mulher negra pra falar de sua história aqui e tento ao máximo divulgar o tema, livros e perfis que podem ajudar nesse processo tão exaustivo que é lutar contra o racismo. É tarefa de todos. É o certo a ser feito. Eu não quero e não vou ser ativista apenas de rede social. Eu quero falar em todos os lugares e fazer o máximo que eu puder para mudar as coisas, o mesmo se estende a outras questões, umas mais outras menos sensíveis pra mim, mas todas importantes e relevantes pro #paposobreautoestima.

Na geração do “feminismo lacreany” é muito fácil nos transformarmos em ativistas de sofá que consideram que o seu papel na luta é fazer um textão viralizado no facebook, isso precisa sair da rede social e se espalhar. Precisa entrar na nossa casa, na casa de quem amamos, precisa ao menos causar uma reflexão sobre o assunto. Outro perfil comum é aquela que acha linda a desconstrução, comenta, coloca emoji, mas uma hora depois tá ensinando um comportamento alimentar que é um super gatilho para um episódio de compulsão alimentar, anorexia ou bulimia na sua rede social. Se valendo da inconsciencia para fazer apenas o que dá vontade. Precisamos avisar a essas pessoas que elas estão fazendo um desserviço. Ouço muita gente questionar blogueiras por comportamentos que Camilla Estima sinalizou nesse post, agora quantas pararam e escreveram uma DM pra essa blogueira? Quantas enviaram um link como esse que explica o problema? Precisamos agir, no meu ponto de vista com o máximo de amorosidade que conseguirmos, pra não afastar a outra pessoa, mas trazer pra perto. Mostrar que estamos todo dia usando a palavra gorda da forma errada, como eu escrevi nesse texto para a Glamour Brasil. Deixando claro que não podemos viver fazendo gatilhos de transtorno alimentar só porque acreditamos piamente que a saúde é uma justificativa plausível para gordofobia ou uma pressão estética pesada, pra isso tem esse texto aqui da Paola.

Precisamos mostrar para nossos familiares que pode existir uma nova maneira de pensar, precisamos sinalizar que eles podem ser como quiserem, mas nem por isso podem oprimir de forma preconceituosa as mulheres com corpos diferentes do que eles julgam bonitos ou corretos. Precisamos lembrar que magreza não é sinônimo de saúde quando levamos em conta o transtorno alimentar e que o índice de meninas com esses problemas é enorme NO MUNDO TODO. Aos poucos precisamos ensinar que é um risco muito grande a saúde mental das pessoas ficar comentando o corpo do outro, outro texto importante que rolou aqui. 

Está na moda falar da desconstrução do padrão estético imposto, mas precisamos falar sobre isso não por um modismo, mas porque ACREDITAMOS GENUINAMENTE que iremos criar mulheres mais livres em uma sociedade mais desconstruídas. Com a beleza sendo um valor tão exigido da mulher fica pesado buscar isso a qualquer custo, com apenas uma forma tida como correta. Como se apenas uma forma de beleza fosse socialmente reconhecida. Precisamos falar sobre se conhecer, se sentir segura, sobre desenvolver estima por si mesma e não se engane, essa pressão adoece mulheres DENTRO e FORA desse padrão. Sem contar que muitas vezes a que você considera perfeita só sabe enumerar defeitos nela, se comparando com outras. Então é uma luta por todas, pelas gordas que sofrem preconceitos inimagináveis e precisam de nós, mas também por também por toda mulher que você conhece e ama, que muitas vezes vemos vivendo uma experiência totalmente depreciativa com seus próprios corpos, sendo prisioneiras de uma crença que escolhemos acreditar porque nos foi ensinado.

Precisamos todas juntas lutar contra isso e endossar perfis bacanas nas redes sociais não é o melhor que podemos fazer, é só o começo.

Precisamos nos informar e aos poucos abraçar a desconstrução, não se engane, ela é para todas.

 

Textos importantes para você ler e se questionar:

E a gente achava que eram só as blogueiras fitness ::: Camila Estima PHD em nutrição, especializada em comportamento alimentar.

Mas elas estão apenas compartilhando um estilo de vida……..será mesmo? ::: Camila Estima PHD em nutrição, especializada em comportamento alimentar.

Preocupação com saúde vs. gordofobia ::::: Nutricionista especializada em Comportamento alimentar, dona da página @naosouexposicao.

Pare de dizer que você se sente gorda: gordura não é sentimento. :::: Joana Cannabrava (eu mesma) para Glamour Brasil.

O peso dos outros. ::::: Camila Estima PHD em nutrição, especializada em comportamento alimentar.