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Autoconhecimento

2 em Autoconhecimento/ Deu o Que Falar no dia 10.01.2018

Que eu envelheça e nunca estagne

Um dos argumentos que eu mais ouço quando converso de assuntos polêmicos com gente mais velha é “ah, você vai ver como a sua opinião vai mudar”, com todo aquele jeito que diz sem dizer de forma conspiratória “e você vai pensar igual a mim”.

Sei que eu sou nova, tenho muita estrada pela frente e que, assim como mudei de opinião e até mesmo de discurso desde que comecei minha vida adulta até agora, pode ser que daqui a uns 10 anos eu olhe para quem eu sou hoje e pense como eu era boba e tinha ideias equivocadas.

Mas morro de medo de virar uma dessas senhoras como uma colunista que está dando o que falar hoje, que toda vez que leio algo dela tenho a impressão que ela acha que a idade é o escudo perfeito para justificar sua falta de vontade de acompanhar discussões atuais.

ilustra: yasmin gateau

ilustra: yasmin gateau

Veja bem, não sou uma pessoa que quer que todo mundo concorde com o que eu penso, tampouco me descabelo (salvo algumas exceções) quando vejo alguém com opiniões que eu discordo veementemente. Se eu acho que a pessoa está aberta a ouvir meu lado sem considerar um ataque pessoal, eu entro na conversa. Senão, mudo de assunto, me afasto, deixo pra lá. Gastar energia para tentar conversar com alguém que só quer debater se a sua opinião for a certa no final? Não, obrigada.

Também não acho que todo mundo tem que ser desconstruídão, apesar de achar que desconstruir atitudes e pensamentos que antes não eram problematizados é importante. É muito fácil dizer que “o mundo tá chato”, “no meu tempo não tinha isso” do que tentar entender o motivo de todas essas conversas estarem acontecendo.

Só não sei se concordo com quem usa a idade como justificativa para permanecer com pensamentos arcaicos. Geralmente quando isso acontece, percebo um tom de arrogância, como se idade e sabedoria estivessem interligados. “Eu sou mais velha, eu sei mais do  que você”. Eu concordo e discordo dessa frase, porque me pego pensando que praticar a empatia e reconhecer que a opinião pode ser mudada a medida que o mundo evolui e mais informações vão chegando me parece ser um exercício diário, sem idade definida e sem data para expirar.

Recentemente eu tenho parado muito para refletir na questão da idade e do envelhecer, e percebi que as biografias e documentários que mais me inspiram são aquelas de pessoas que souberam evoluir, que tiveram a humildade de entender o outro lado e reavaliar seu posicionamento, eventualmente admitindo seus equívocos. É assim que a gente cresce, e nunca é tarde para crescer mais um pouquinho.

Quero sim, chegar aos 70 com a cabeça de 30, mas Deus me livre permanecer 40 anos com as mesmas opiniões! Cabeça de 30 para mim é ter interesse, vontade de aprender, buscar conhecimento, aprender a ser cada vez mais flexível, reconhecer privilégios, praticar empatia (de verdade, não aquela que só tá no textão da internet). Acho que só gostaria de chegar aos 70 menos ansiosa, afinal, essa característica minha não é boa em nenhuma idade.

Sei que sou nova, e por causa disso eu realmente queria saber das mulheres mais velhas que leem o Futi o que elas acham sobre esse assunto. Mas só sei que eu espero que daqui a alguns anos eu olhe pra trás e veja que eu até poderia ser boba, mas pelo menos eu não permaneci no mesmo lugar.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 05.01.2018

Em 2018 não se compare tanto!

Fiquei muito na dúvida de como chamaria esse texto, queria que fosse: Nem tudo é o que parece (e está tudo bem)! Independente do título, esse texto fala daquela sensação ruim de inveja que as pessoas sentem ao se comparar com outras pessoas, sejam amigos, vizinhos ou quem seguimos na rede social. Quase sempre essa comparação é uma estratégia não consciente (e falha) de se interessar mais pelo que é do outro do que com o que é nosso. 

Nessa hora pode parecer que nossas férias em uma pousada que não é à beira da praia são menos perfeitas, nosso corpo fora do padrão musa fitness não é o mais adequado e nossa família cheia de problemas, menos harmoniosa. Só que não é bem assim.

ilustra: Agathe Sorlet

ilustra: Agathe Sorlet

A grama do vizinho parece sempre mais verde, mas porque não sabemos das dores, lutas e dificuldades daquela pessoa, daquela família. Todo mundo que está vivo tem questões para vencer, uns mais do que outros, mas saúde, dificuldade no relacionamento familiar, problemas no relacionamento, questões com a imagem e outras coisas atingem a todas as pessoas. Independente da conta bancária.

O que faz algumas dessas pessoas terem uma vida genuinamente bacana (não perfeita) é a forma como a pessoa leva as coisas, não a cor do cartão de crédito ou um abdômen definido como pode parecer.

Quando alimentamos padrões idealizados de perfeição e começamos a nos diminuir focando nossa energia no externo passamos a criar ilusões que não ajudam com que olhemos pra nossa vida com amor. No fim, nós ou a musa do seu instagram, queremos a mesma coisa: amar e ser amada, ser acolhidas por quem amamos como somos e ser feliz com as pessoas que amamos. Todo mundo encontra os amigos, ri, paquera e leva a vida comum. Existem coisas maravilhosas naquelas pessoas que você nunca vai saber e existem coisas ruins, que elas também têm todo direito de guardar.

Parece que sem perceber, estamos tentando alcançar uma felicidade idealizada proveniente da vida da outra pessoa, que apenas parece mais perfeita do que a nossa.

Claro que não estou falando isso para nos tornarmos conformistas, muito pelo contrário. Já falei sobre isso algumas vezes, mas volto a repetir: quanto mais eu olho pra minhas qualidades e meus defeitos, mais me conheço e mais fácil fica achar o que realmente me faz feliz, independente de comparações.

Muitas vezes é mais fácil diminuir a outra pessoa porque ela está caminhando pra frente e nós estamos aqui,  parados. Não que a pessoa não possa ser equivocada, mas nossa energia precisa estar focada no que pode nos levar pra onde queremos ir e não na trajetória do outro.

Entenderam o motivo de eu ter dito que essa estratégia de comparação é falha? Se focamos naquilo que sonhamos pra nossa vida, sem tentar atender obrigatoriamente a um padrão do outro, passamos a conquistar mais no trabalho, na família, no amor, na saúde e até no corpo. Se o parâmetros somos nós e a versão da gente que mais gostamos, o fardo fica menos pesado.

Espero que em 2018 a gente se compare menos. Foque mais nos nossos sonhos, nosso trabalho, nosso corpo, nossa alma, nossa menta, nossa família e nosso amor. Perfeito não existe, até a pessoa que você considera perfeita, considera outra pessoa perfeita que não ela. Então que isso nos traga senso crítico para reavaliar o que tomamos como verdade.

Na dúvida, vamos olhar outras pessoas para nos inspirar, nos trazer novas referências de moda, viagens ou trabalhos, mas que isso não dite um padrão impossível de atingir, satisfazer e manter pra nossa vida. Que a gente cuide do nosso jardim para que ele seja o melhor que ele pode ser, não para que ele seja igual a todos os outros do condomínio.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Reflexões no dia 28.12.2017

Qual a sua palavra de 2017?

Outro dia vi um post da Lua Fonseca (mulher incrível que indiquei nesse post) dizendo que a palavra de 2017 dela foi fortaleza. E fez um texto lindo explicando o motivo dessa escolha. E eu fiquei pensando qual seria a minha.

Depois de pensar e concluí que não poderia ser outra além de resiliência.

Definição psicológica: a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades.

Na verdade, parei para prestar atenção nessa palavra há pouco tempo, depois que uma amiga fez uma tatuagem com essa palavra. Depois de alguns anos enfrentando alguns obstáculos complicados, esse foi o ano que ela começou a se reerguer e brilhar novamente. Foi o ano que finalmente voltei a ver brilho nos seus olhos, e quando ela mostrou essa palavra e eu entendi seu significado, achei que não poderia ter palavra mais perfeita para defini-la.

Só que depois vi que essa palavra se aplicava à mim também. Que, como eu contei um pouco naquele texto do cair e levantar, meu ano foi cheio de percalços que eu ultrapassei – e ainda estou ultrapassando. E isso é resiliência.

Acho que entrei em alguns surtos, sim. Penso nos ataques de choro que eu tive, nas vezes que eu achei que só gritando e me descabelando (coisa que eu nunca tinha feito até esse ano) eu conseguiria ser ouvida, nos momentos que eu me senti tão emocionalmente exausta que não sabia onde arranjar mais forças. Mas até eles foram úteis, pois me fizeram sair da minha zona de conforto e enxergar situações que eu preferia não ver e aceitar fatos que eu preferia fingir que não existiam. Isso também é resiliência.

frase-resiliencia

Foi um ano que eu entendi que eu precisava de mim. De me entender, de saber o que eu queria, de saber quem era a Carla e do que ela precisava. E isso me trouxe alguns obstáculos. Pela primeira vez me olhei no espelho e não soube quem era aquela mulher que estava olhando de volta. Demorou e digo que ainda estou no processo, mas em algum momento eu resolvi abraçar a imagem que estava vendo refletida. Estamos nos conhecendo novamente. Bati de frente com muita gente que sempre preferi baixar a cabeça porque não aguentava mais me sentir tão nula. Foi um ano que me senti confusa e ao mesmo tempo tão segura. E foi também o ano que mais procurei meios para me reerguer. Novamente, isso é resiliência.

Doeu, sim. Porque dói pra caramba sair de um lugar tão confortável para enfrentar um mundo onde algumas verdades machucam antes de libertarem. Mas elas libertam. E acho que se deparar com seus monstros e preferir sentar para conversar com eles ao invés de varrê-los para debaixo da cama também é uma atitude resiliente.

Foi o ano que eu me descobri mais forte do que eu jurava que era, mas ao mesmo tempo, essa fortaleza veio junto com uma resistência que me impediu de me adaptar com facilidade. Talvez isso não seja tão resiliente, mas resiliência também não é um caminho sem volta, onde você descobre a fórmula mágica e segue uma vida maravilhosa.

Resiliência é cair e levantar, cair e andar engatinhando, cair, rastejar e então levantar novamente. É não desistir de tentar, e isso, minhas amigas, é algo que nem existe no meu vocabulário. :)