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Autoconhecimento

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 20.09.2018

3 crenças que prejudicam a percepção da sua imagem corporal!

As pessoas começam a debater sobre nossos corpos desde muito cedo. Todo mundo tem aquele parente que desde que nos entendemos por gente comenta sobre nosso corpo, não importa sobre qual aspecto dele. Quem de nós não tem aquela tia que te mesmo só te vendo duas vezes por ano gosta de apontar possíveis “melhorias” que você poderia fazer? Poucas serão as mulheres privilegiadas que poderão dizer que não ouviram sugestões de mudanças sobre seus corpos. Tem de tudo. E existem diversas razões para que as pessoas comentem os corpos de seus familiares ou até mesmo amigos. Para alguns será por amor, para outros instinto de proteção, para terceiros pode ser um ataque no lugar que dói, mas não importa se a intenção é boa ou não, o resultado quase sempre é aprisionador, carregado de julgamentos e crenças que prejudicam a percepção da imagem corporal.

Comentários sobre nossa aparência acontecem a vida toda, nos mais variados contextos. Certamente não sou a única pessoa que já passou por isso. Eu, você, Cá e Jô, todo mundo já teve que lidar com essas questões. São tantas as crenças que nós escutamos diariamente que resolvi separar algumas das quais acredito que precisamos repensar. Se você está lutando com a sua imagem corporal, aqui estão três conceitos que você pode começar a reformular na sua cabeça:

1. Você precisa mudar algo para se sentir melhor consigo mesma!

Em algum momento da vida já achamos, convivemos ou até mesmo apenas cruzamos com alguém que tinha certeza absoluta que precisava mudar algo em si para se sentir bem com a sua própria imagem. Isso pode até ser uma verdade pra elas, mas não obrigatoriamente precisa ser pra você. Perder peso, mudar de cabelo, comprar um guarda-roupa totalmente novo e fazer todos os procedimentos estéticos que as revistas dizem que são efetivos é uma das febres da nossa geração. Todo mundo pode fazer o que quiser, mas podemos sempre optar por esse caminho de forma mais consciente, se questionando sobre os reais motivos e expectativas daquela decisão e entendendo que ela não vai solucionar todas as questões da sua vida.

Todas essas ferramentas podem te deixar mais dentro do padrão e fazer com que você se sinta mais confortável. Você, eu, ou qualquer pessoa podemos optar por isso, mas é ideal que a gente saiba que essa mudança não vai obrigatoriamente resolver todos os nossos problemas de autoestima. Atender o padrão pode trazer uma mudança da percepção de beleza, mas em geral não traz nem autoestima propriamente dita, nem mesmo felicidade. As vezes pode até ser uma armadilha, pois te dá uma alegria temporária até o próximo incomodo, quando mais uma vez você terá a oportunidade de lidar com suas questões como um todo. Aprender a amar a si mesmo exige mais (muito mais) do que apenas mudar sua aparência, tem a ver com se conhecer e desenvolver segurança por ser quem si é.

2. Autoconfiança significa se sentir bem consigo mesma para sempre!

Muita gente acha que a pessoa autoconfiante não terá problemas de autoestima, só que autoestima não é um diploma que uma vez que você conquistou, nunca mais perde. Até a mais autoconfiante das pessoas terá dias difíceis consigo mesma, pode ser no trabalho, no relacionamento e até mesmo com relação a sua aparência. Exigir um amor próprio duradouro e inabalável não deixa de ser mais uma ditadura de beleza. Todo mundo tem medo de algumas das escolhas que faz, não dá pra confiar no próprio taco sempre e está tudo bem. É tudo parte de um processo de desenvolvimento pessoal.

Entender que teremos dias melhores ou piores, situações em que ficamos confortáveis e situações em que ficamos desconfortáveis é parte do processo de se conhecer, podemos ser confiantes no geral e passarmos por inseguranças pontuais. Confiança nem sempre resolve, mas nos dá força para lidarmos com um desafio de uma forma melhor. Não ter a autoconfiança idealizada sempre pode ser uma forma de perceber as dificuldades e aprender com elas.

3. O que vemos no espelho não é precisamente quem somos!

A questão que pega quando falamos de imagem corporal não é uma ciência exata. A maneira como nós percebemos a nossa imagem não é exatamente como os outros nos veem, no entanto a maneira como a gente se sente com relação a gente é o que passamos pra frente. Se nós nos sentimos fracassadas, feias ou incompetentes muitas vezes essa é a mensagem que vamos transmitir.

Não somos precisamente o que nos vemos no espelho, talvez hoje a gente nem enxergue isso, mas no futuro as fotos irão contar que nosso cérebro nos passou a mensagem diferente da realidade e, no fim, o que importa é como nós nos sentimos sobre nós mesmas.

Parte de se sentir bem consigo mesmo é compreender que a imagem corporal é basicamente como nos vemos. Como os outros nos vêem é (ou deveria ser) irrelevante. Não há muito controle sobre isso e não podemos pautar nossa estima por nós mesmas no outro. Como a gente se sente conosco é que muda, o olhar amoroso e acolhedor para conosco ajuda nessa hora.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 18.09.2018

Eu não sou a minha profissão. E você?

Quando você conhece uma pessoa, o que costuma querer saber sobre ela? Se parar para relembrar suas “últimas primeiras conversas”, certamente, irá perceber que a pergunta “O que você faz?” apareceu entre os primeiros tópicos.

Mas por que isso é tão relevante para a gente? Será que a profissão de alguém nos diz realmente o que precisamos saber sobre quem está ali? Acredito que, dificilmente, ao comentarmos sobre um crush com uma amiga, iremos dizer: “o que mais gosto nele é o fato dele ser (insira aqui uma profissão qualquer)”.

Os últimos caras pelos quais me interessei me conquistaram por detalhes que sequer passam pelo que fazem profissionalmente. A música que ele colocou para tocar no carro e que, por coincidência, também é uma das minhas preferidas, as histórias de viagens que já fez, os destinos que sonha em visitar e que também estão no meu roteiro dos sonhos. As curiosidades que descobrimos brincando de “isso ou aquilo”, suas fraquezas, inseguranças e, até mesmo, defeitos. Seu filme e série preferidos, o que gosta de fazer nas horas vagas, suas especialidades culinárias, o nome do seu cachorro. Besteiras cotidianas – ou não – que revelam, pouco a pouco, sua personalidade e afinidades comigo.

Há tanto mais para desvendar sobre aquela pessoa ao seu lado – ou do outro lado de uma tela. Mas por quê nos prendemos ao clichê óbvio de querer saber o que ela faz em horário comercial, para ter a conta cheia no quinto dia útil?

É claro que nossa profissão revela um lado da nossa vida e, se fazes o que realmente desejou, fala também um pouco sobre a sua personalidade. Mas, por que, dar tamanha importância a isso?

ilustra: mari andrew tradução: artista - aquela que faz arte | escritora - aquela que escreve | dançarina: aquela que dança | cozinheira: aquela que cozinha | fotógrafa: aquela que tira fotos | cantora: aquela que canta

ilustra: mari andrew
tradução: artista – aquela que faz arte | escritora – aquela que escreve | dançarina: aquela que dança | cozinheira: aquela que cozinha | fotógrafa: aquela que tira fotos | cantora: aquela que canta

Fico me lembrando de quantas vezes perguntei a crianças o que elas gostariam de ser quando crescessem. SER. Um verbo que pode representar tanto e dá margem para infinitos adjetivos. Feliz. Segura. Viajada. Adulta. Mas que logo relacionamos à profissão.

Por mais que ame o que faço, não sou apenas uma jornalista. Isso é parte de mim, mas não me resume. Dizer que sou feminista, por exemplo, me define muito mais.

Se perguntarem o que faço, posso dizer que escrevo – e é verdade, como esse mesmo texto prova. Mas também poderia dizer que tenho um talento nato para dormir (me orgulho desse dom, dá licença!), que maratono séries quase compulsivamente, que sou expert na história da monarquia britânica, e tanto mais.

E você? O que responderá da próxima vez que perguntarem o que você faz? Vamos nos propor esse exercício? Afinal, nós somos muito além das nossas profissões.

PS: Gostaria de indicar o episódio “Você não é o seu trabalho”, do maravilhoso Podcast Mamilos. Ele propõe uma discussão mais profunda sobre esse tema e foi o que me inspirou a escrever esse texto. Vale muito a pena! <3

0 em Autoconhecimento no dia 12.09.2018

À “não lista” dos 30

Acredito que todo mundo, em algum momento da vida, já fez uma lista, ainda que imaginária, de coisas que gostaria de fazer até X anos. Não fugi à regra e, há alguns anos, junto com uma amiga, enumerei 30 coisas para realizar antes dos 30.

A dois meses de completar essa idade representativa, posso dizer que não fiz metade do que listei. E isso é algo ruim? Definitivamente não!

Posso não ter voado de balão na Capadócia (ainda!) e nem ter tirado carteira de condução (isso não quis de jeito algum, mesmo com todas as cobranças). Mas quantas coisas mais eu fiz e que sequer pensei em colocar em uma folha de papel porque jamais cheguei a sonhar com elas?

Eu, por exemplo, quando escrevi aquela lista, não poderia imaginar que estaria hoje elaborando esse texto da mesa da minha nova casa, em um novo país. Tampouco que aprenderia a aceitar e até amar as minhas fraquezas (nada como uma década de terapia também, devo confessar).

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O ser humano tem uma mania, algo ainda mais forte nessa nossa geração, de projetar cenários ideais. Isso, inevitavelmente, gera frustração e é um dos motivos da ansiedade que toma conta da nossa cabeça. Tudo bem não sermos os mais bem sucedidos do nosso círculo de amigos, tudo bem sequer saber o que fazer da vida, tudo bem também querer recomeçar sempre.

Realizar metas que nos propusemos a fazer é ótimo, não há como negar. No meu caso, foi emocionante – e divertido – fazer topless no Mediterrâneo, algo que havia deixado registrado naquela tal lista. Mas sabe o que é ainda melhor? Ser surpreendido pelo inesperado!

Nem sempre o caminho é fácil e admitir fraquezas e fracassos é ainda mais difícil. Mas se tem algo que os 30 trazem também é a coragem de poder lidar com isso. Já nos conhecemos melhor, há uma maior autoconfiança, e não temos aquela sede incontrolável – e muitas vezes inconsequente – dos 20 e poucos.

Em uma hora, devemos desacelerar para escolher o caminho mais seguro. Em outras, podemos nos arriscar naquela estrada que nunca antes percorremos. Em cada uma dessas andanças, a paisagem nunca será a mesma, nem mesmo as histórias ali vividas. Mas uma coisa elas sempre terão em comum: o fato de trazerem novas experiências para nós.

Se fosse criar uma nova lista de “Coisas a fazer durante os 30 e tals”, apenas um item faria parte dela: “me permitir”. Com isso, me abro para novas vivências, para descobrir uma nova eu, mantendo, claro, a minha essência.

Posso garantir que nunca estive mais segura de mim e, só por isso, os 30 já são incríveis! Que essa nova década seja mais do que bem-vinda, porque tem uma mulher aqui dentro de mim louca para vivenciá-la e aprender com ela!