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Autoconhecimento

0 em Autoconhecimento no dia 09.07.2018

Vamos falar sobre terapia? Perguntas e respostas para Claudia Quadros.

Recebemos diariamente propostas de psicólogas querendo escrever para o futi, adoraríamos trazer uma galera muito bacana pra completar nosso time, mas a verdade é que é muito delicado absorver profissionais que não conhecemos para falar no #paposobreautoestima. Terapia pode transformar uma vida, nós duas somos exemplos disso, mas na minha opinião pessoal não adianta achar que qualquer terapeuta vai ser bom, como em tudo na vida, é importante buscar recomendações e acertar o profissional que será bom para você. Por isso sempre traremos profissionais da nossa confiança pessoal pra falar por aqui. É importante acreditarmos no trabalho da pessoa para fazermos posts aqui no blog, como foi o caso da Cecília Dassi e hoje será o da Claudia Quadros.

Há umas duas semanas minha terapeuta respondeu algumas perguntas de seguidoras do instagram do @futilidades no stories. Essas perguntas geraram mais dúvidas e com elas resolvemos trazer esse assunto para o blog. Pedi pra Claudia responder algumas dessas dúvidas de forma bem simples e objetiva, pra ver que não existe certo e errado, mas é preciso ter informação para procurar ajuda profissional de forma acertada.

Infelizmente encontro muito preconceito leviano e sem sentido com quem faz terapia até mesmo no nosso canal de mensagem direta com as leitoras. Quando eu recomendo terapia para lidar com questões simples as pessoas se sentem ofendidas, como se eu estivesse dando a elas o diagnóstico de malucas e não é nada disso que acontece na prática. Quase todos os preconceitos com quem faz terapia são completamente equivocados e por isso resolvi mostrar que psicólogo não é um bicho de sete cabeças. É um profissional que faz faculdade, estuda e se especializa na linha que acredita para trabalhar com pessoas. Um profissional que está no mercado para cuidar da saúde emocional e psicológica como um todo. Afinal como sempre falamos saúde envolve mais do que uma imagem estereotipada do corpo físico, saúde mental e emocional são igualmente fundamentais para o indivíduo.

Vamos as perguntas que separei para o post de hoje?
Respostas são da minha terapeuta, Claudia Quadros:

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Reposta Claudia Quadros:

As principais linhas de terapia são: Psicanálise, Cognitivo Comportamental; Junguiana; Terapia Corporal; Transpessoal; Terapia focal.

Cada uma delas vai abordar de forma diferente as questões trazidas pelo paciente. Exceto a terapia corporal todas as outras usam a expressão verbal como forma de elaboração interna.

O melhor caminho sempre é escolher alguém que se tenha empatia, pois falar de si já é algo difícil. A diferença entre um psicólogo e um psiquiatra que faz terapia é a visão diferenciada de cada uma. O preconceito contra quem faz terapia me parece muito mais falta de informação do que critica. Reconhecer que procurar ajuda é mais saudável que tentar manter uma imagem daquilo que não está te fazendo feliz ou mesmo ficar passando por angústias sozinho.

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Reposta Claudia Quadros:

O diferencial dessa terapia é unir as ferramentas da terapia Transpessoal com uma visão espiritual da vida. Tentar manifestar a alma através da consciência de quem se é e onde está a felicidade interna.

 

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Resposta Claudia Quadros:

Para se diminuir a ansiedade é necessário mergulhar dentro de si mesma e buscar um ponto de equilíbrio. Descobrir o que te leva a reagir na vida e não conseguir seguir o fluxo do que o Universo está mostrando.

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Resposta Claudia Quadros:

A fibromialgia também é desencarnada pelo estresse emocional. Fazer psicoterapia poderá auxiliar na descoberta daquilo que pode desencadeia esse estresse é consequentemente o sintoma da dor. Acessar a essência divina possibilita a conexão com algo maior e a grandeza da alma. Meditação pode ajudar muito no processo da fibromialgia.


Vocês podem nos mandar dúvidas em qualquer canal. Nós podemos trazer profissionais pra falar aqui de acordo com as demandas de vocês. 

Quanto a mim, me pedem muito para escrever sobre como foi meu processo com a terapia, a mudança de linha e tudo mais, mas antes de eu fazer esse post acho que podemos começar a tirar dúvidas bem básicas e ao mesmo tempo importantes. Para quem não sabe eu fiz muitos anos de terapia com uma psicóloga que trabalhava com psicanálise (aka freudiana) e depois de um tempo me interessei por Jung (tem post do curso que fiz aqui). Minha terapeuta hoje usa a abordagem transpessoal, que combina mais comigo, mas mais do que a linha eu acredito na sintonia com o profissional. Quando os conceitos forem ficando mais claros vou tentar falar mais da minha experiência, já esbocei algo nesse post aqui, mas não falei de forma tão clara. 

Claudia é professora na Escola Trilha dos Lobos da qual já falei aqui. Você pode seguir ela no instagram na conta @claudiaquadrosoficial e acompanhar um pouco sobre suas postagens, viagens e dinâmicas. Vale a pena acompanhar, eu brinco que ela é o melhor investimento financeiro que eu faço atualmente.

Vocês podem e devem nos mandar suas dúvidas! Vamos adorar trazer mais conteúdos com ajuda de profissionais de confiança aqui para vocês.

Espero que esse post nos ajude a começar a trazer o assunto pra cá!

Beijos

1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 03.07.2018

“Não adianta falar para eu me amar”

“Não adianta falar para me amar porque não tem nada de fácil nisso”. Essa frase eu extraí de algum comentário que vi no grupo, mas essa não é uma reclamação de uma pessoa só. Muita gente fala isso. Quando dizemos que falamos sobre autoestima e amor próprio, quase sempre aparece a seguinte pergunta: mas como você começou a se amar? Sinto informar, mas a resposta é bem menos interessante do que a audiência imagina.

Eu sei que a cena idealizada que se tem em mente quando falamos sobre autoaceitação é aquela da mulher se olhando no espelho e abraçando sua própria imagem. É a ideia de que se a gente repetir muito que a gente se ama, um dia isso vira verdade. É o primeiro conselho que muita gente dá quando vemos alguém que se encontra presa aos próprios padrões e insatisfeita com isso. Ninguém faz por mal, eu sei, mas acaba passando a impressão de que é muito fácil, um passe de mágica. Como se olhar para si mesma novamente e tentar botar um olhar mais carinhoso em cima da gente fosse algo automático.

do insta: michele and peach

do insta @michel_e_b

Não é, nem automático, nem simples e muito menos intuitivo. Na maior parte do tempo nós somos nossas piores inimigas. Muitas de nós fomos ensinadas a nos cobrar muito desde muito pequenas, aprendemos com os adultos a buscar perfeição e a ter um olhar exageradamente rígido para nossos erros e defeitos. Nos tratamos de uma forma que nunca trataríamos uma amiga. Na verdade, se a gente for parar para analisar bem direitinho, tem coisa que não faríamos nem para uma inimiga. E, sinto informar, mas comportamentos tão cruéis que estão conosco há anos não mudam apenas tentando se convencer que se amar é preciso.

Não é à toa que falam que amor próprio é um ato de revolução. Porque isso não acontece apenas olhando para as suas qualidades e tudo aquilo que você gosta em si mesma e ignorando o restoEssa é a fase fácil, é aquela que vemos estampadas em camisetas e em imagens bonitinhas para compartilhar nas redes sociais. É aquela que faz sentido superficialmente, mas não se sustenta por muito tempo e não transforma as coisas profundamente. Essa etapa alimenta a mente, mas não revoluciona os vícios de comportamento ou transforma a maneira de você se perceber no mundo.

O bicho pega quando você vai para a fase 2, o verdadeiro autoconhecimentoA hora de olhar seus defeitos e achar algum acolhimento neles. É difícil estar completamente despida (e não estou falando apenas fisicamente) e encarar tudo aquilo que você se esforça para esconder ou ignorar. É complicado porque não é fácil distinguir se o que nos desagrada em nós mesmas é genuinamente nosso ou se foi algo que aprendemos a não gostar. É desgastante porque nossa crítica interior está preparada com todas as armas que ela adquiriu em uma vida de treinamento intensivo com a sociedade para nos convencer do contrário. Ela sabe nossos pontos fracos e não vai poupar esforços para dizer que não somos suficientes, que não somos talentosas, que não somos competentes, que não somos dignas de conquistar o amor próprio. 

Tentar botar algum carinho em tudo aquilo que nos desagrada ou que preferimos ignorar é parecido com engolir um remédio amargo. Vai dar vontade de não tomar, vai dar vontade de tapar o nariz, vontade de cuspir e continuar do jeito que estava. O gosto ruim fica por algum tempo, mas depois que a digestão está feita e o remédio começa a fazer efeito, as coisas ficam um pouco mais fáceis e passa a ser um caminho sem volta. Claro que muitas vezes você vai achar que voltou para a estaca zero, mas é só uma parte delicada do processo, seja porque você teve uma reação do padrão antigo no primeiro momento ou porque você descobriu que as feridas eram ainda mais profundas e precisarão de uma nova dose do remédio. A verdade é que algumas coisas vão se resolver de um lado e outras vão continuar mal resolvidas de outro, você vai duvidar que pode dar certo. É difícil mesmo e acho que nessa experiência a gente descobre que a verdadeira coragem é aquela que nos estimula a não desistir de nós mesmas.

A frase que diz que amar a si mesma é uma forma de resistência não poderia ser mais verdade. E eu diria mais: de resiliência e até mesmo rebeldia. Mas experimenta tentar de outro jeito, sem frases prontas, sem a ilusão de que é algo fácil e sem achar que vai chegar a algum lugar e ali permanecer. Abra mão da ideia de ser um exemplo de pessoa bem resolvida, não se compare ou se cobre demais, olhe para você como você é agora. Busque se conhecer no seu melhor e pior, encarando quem você é com segurança, te prometo que vai ser uma consequência muito natural mudar seu julgamento sobre você. Você vai ver como tudo pode mudar e a frase “se ame e se aceite” deixa de ser algo vazio e sem sentido. Experimenta, depois conta pra gente. :)

3 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 02.07.2018

Das cicatrizes – visíveis e invisíveis – que a vida faz…

Eu tinha uns 8 anos, mas lembro claramente como se fosse ontem. Recreio do colégio, dia quente e eu vestindo camiseta de uniforme e um shorts comprido (na altura do joelho mais ou menos), foi então que uma menina da mesma idade me disse: “você não usa shorts curto por causa das cicatrizes que tem na perna né?” Eu fiquei bem confusa com a pergunta, e só respondi um tímido “é”.

Até aquele dia, minhas cicatrizes nunca tinham sido uma questão para mim, problema nunca foram, mas questão passou a ser naquele dia. Como já contei aqui, sofri um acidente grave com 4 anos de idade e perdi os dois braços. O processo de recuperação exigiu várias cirurgias, que deixaram marcas em várias partes do meu corpo, mas a mais visível delas é a cicatriz da coxa direita.

Como os braços foram arrancados, o coto que sobrou ficou sem pele, isso exigiu uma cirurgia de enxerto, onde seria retirada uma lâmina de pele de alguma parte do meu corpo para cobrir os lugares que faltaram. A parte escolhida foi a coxa. Me lembro claramente dessa cirurgia também, foi a noite mais cruel no hospital. A coxa doía muito, estava frio e eu não podia me cobrir. Passado o pós-operatório, restaram cicatrizes, e eu entendi que elas mostravam uma ferida muito grande que havia sido curada, e só.

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Eu nunca tive vergonha delas, nem das cicatrizes da coxa, nem da perna, nem do colo, nem do queixo, sempre me orgulhei de contar a história por traz de cada uma delas, pois era a história da batalha que eu venci. Mas naquele dia, o comentário daquela garota me fez refletir…

E faz ainda mais hoje.

Queria ter dito a ela: “Não, eu não uso shorts curto na escola porque minha mãe acha que eu não devo usa-los por uma questão cultural. Eu não tenho problema nenhum em ter cicatrizes, e sempre que eu quero eu uso shorts, saia, vestidos sem me importar se elas vão aparecer ou não”. Aquele dia eu percebi que as pessoas acham normal alguém se privar de usar algo que queira por causa de algo fora do padrão, e que sinais e marcas são coisas que te diferem. Pensei nas pouquíssimas pessoas que me encorajaram a usar roupas sem mangas, sei também que muitas nunca questionaram somente por respeitar minha decisão, mas a  maioria sempre pareceu concordar com o fato de eu não querer mostrar o meu coto do braço, como se isso fosse o certo a fazer.

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Imagino que aquela criança pode ter perguntado à sua mãe em casa por que a menina sem braço da escola só usava shorts comprido, e ela deve ter respondido: “Você não tá vendo que ela tem cicatrizes na perna?”. Essa resposta tornou-se uma verdade em sua cabeça, daquele dia em diante qualquer marca deve ser escondida.

Essa mãe provavelmente respondeu isso porque não vê pessoas com cicatrizes na Tv, a única novela em que viu uma protagonista com uma marca no rosto foi Marissol no sbt, e a mesma vivia triste escondendo a marca com o cabelo sobre o rosto. No mais, cicatrizes são características de vilões, sinais na pele, manchas, e outras coisas mais não são atributos de personagens de destaque. Acontece que, viver deixa marcas, e nós precisamos aprender isso.

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Não estou aqui condenando os procedimentos estéticos que existem para amenizar a aparência de sinais, isso pode fazer parte do seu processo de autoaceitação, se julgar necessário. O problema é acreditar que só isso trará o amor próprio necessário para que você se aceite. 

Como eu consegui me enxergar bela e digna por traz de tantas marcas? Para mim, cicatrizes são sinais de feridas curadas, cada uma delas contam uma história de algo que venci, que curei, e isso para mim chega a ser poético. Se elas existem é porque se fecharam, cicatrizaram. A pergunta da menina lá atrás, nos meus 8 anos de idade também deixou uma cicatriz, essa não é tão visível quanto as outras, mas eu guardo aqui no meu coração, sem mágoas, afinal a ferida causada por sua falta de entendimento, por achar que eu não podia usar uma roupa que mostrasse ainda mais o quanto eu era diferente, também se curou e se tornou uma lição válida por toda a minha vida.