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Autoestima

1 em Autoestima/ Destaque/ Deu o Que Falar no dia 16.08.2018

Cadê a graça nisso?

Hoje fui marcada em um vídeo que foi compartilhado no perfil de uma influenciadora famosa de uma menina que deve ter seus 6, 7 anos chorando horrores porque estava com saudade das comidas preferidas. Não vou botar o vídeo aqui justamente porque não quero ajudá-lo a viralizar ainda mais, mas para quem ainda não viu, isso é basicamente tudo que vocês precisam saber sobre ele.

Sei lá quais são suas comidas preferidas, mas foi impossível não associar essa cena à um outro vídeo que viralizou pela internet há alguns meses. Nele, uma outra menina bem mais nova, também chorava copiosamente, dessa vez porque o “bucho” dela estava enorme. Em ambos os casos me dói demais ver duas meninas tão novas sendo expostas na internet em um contexto onde é engraçado sofrer pelo padrão.

descanse em paz, estereótipos e envergonhar as outras mulheres por causa de seus corpos.

descanse em paz, estereótipos e envergonhar as outras mulheres por causa de seus corpos.

Eu sei, se você riu de um desses videos é porque provavelmente você se identificou. Provavelmente você já olhou no espelho, para o seu próprio “bucho”, e teve vontade de gritar e chorar por ele não estar do jeito que você queria. Talvez você também já tenha se sentido a pessoa mais infeliz do mundo por estar em uma dieta restritiva, e tenha sentido vontade de chorar por saudade de comidas que foram proibidas. E com certeza você sabe que essas duas reações seriam consideradas exageradas vindas de uma mulher adulta. Porque o mundo que adoece mulheres por causa do padrão é o mesmo mundo que manda todo mundo engolir o choro, porque viver de dieta ou insatisfeita com a sua imagem não deveria ser considerado um sofrimento e sim incentivo para dedicação, foco, força e fé.

É uma tensão tão grande viver de dieta, de proibições e de insatisfação com a própria imagem que quando vemos uma reação exagerada (e totalmente verdadeira, a meu ver) que é socialmente aceitável, a gente acha graça. Mas no fim das contas é triste demais. É a gente rindo de crianças que tiveram seu sofrimento exposto na internet e encaixando-as no que a gente acredita que aconteceu.

Não temos noção do contexto do vídeo. Não sabemos se a comida preferida da menina é tomate e brocólis, não sabemos se ela não pode comer sua comida preferida porque descobriu que é alérgica, mas vemos o vídeo já imaginando que ela está falando de pizza e brigadeiro e que está de dieta, sem nem questionar se isso é apropriado para a sua idade. Não sabemos se o choro pelo bucho grande foi apenas um ataque específico da idade (Arthur dá uns ataques inexplicáveis tipo aqueles) ou se ela está reproduzindo algo que ela ouve em casa com frequência. Mas existe uma explicação para esses vídeos que viralizam serem sempre estrelados por meninas: porque a pressão para o corpo perfeito atinge a gente infinitas vezes mais do que meninos.

E cara, a gente fala tanto sobre sororidade por aqui que me irrita ver mulheres compartilhando esse tipo de conteúdo e achando graça dele. NÃO! Mil vezes NÃO! Dar espaço para uma menina que ainda é uma criança e que chora porque está de dieta ou odiando sua barriga é cruel com elas e com a gente também, que permanece presa nesse padrão e achando muito engraçado sofrer. E sofrer para o quê? Para chegar em um corpo que muitas vezes não vai se sustentar a longo prazo porque simplesmente estamos indo contra a nossa natureza?

Odeio ter que falar sobre isso mais uma vez, mas sei que vai ter gente lendo isso aqui e pensando que estou demonizando as dietas ou quem quer se encaixar no padrão. Não é isso, e mais uma vez repito que se a pessoa se sente bem vivendo de dieta ou fazendo milhares de exercícios para ter o corpo perfeito, que seja feliz! Não estou aqui para fazer ninguém se sentir mal por suas escolhas de vida, só quero focar que reproduzir uma menina chorando é um desserviço para todas as mulheres. É um desrespeito à criança e um desserviço à todas as mulheres que vão ver aquilo, rir e achar que tá tudo bem continuar se odiando e sofrendo.

Nunca esqueço quando a Camilla Estima me contou que muitas de suas pacientes que hoje procuram se curar de transtornos alimentos e procuram uma forma de comer com tranquilidade e sem culpa entraram nesse mundo de dietas e proibições por volta dos 8 anos. Mulheres que adoeceram porque acreditaram a vida inteira que atingir a magreza era a coisa mais importante do mundo. E por mais que deseje muito  que cada uma dessas meninas que viralizam na internet cresçam saudáveis de corpo e de mente, paralelamente, não consigo deixar de pensar que estamos aí, compartilhando as próximas pacientes da Camilla e que estarão lotando consultórios de psicólogos e psiquiatras em um futuro próximo.

E agora me contem…isso tudo é engraçado mesmo?

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 15.08.2018

Não vamos deixar as palavras martelarem na nossa cabeça

Todo mundo tem aquela pessoa que entra na nossa cabeça. Aquela que, por mais que a gente não queira, que a gente saiba que o que dizem não é verdade, que a gente tente não levar em consideração aquilo que falam, não conseguimos evitar que as palavras fiquem ecoando na nossa cabeça. Pode ser sua mãe, uma amiga, seu irmão. Tenho certeza que cada pessoa que está lendo esse texto agora está pensando em alguém em específico.

Querendo ou não, de alguma forma, a gente está sempre buscando validar nossas escolhas. Por mais certeza que a gente tenha delas, no fundo (as vezes nem tão no fundo assim), a gente quer ser aprovada por elas. E aí que mora o perigo, pois as nossas escolhas, justamente por serem nossas, muitas vezes vão de encontro ao que outras pessoas pensam e até sobre o que projetam sobre a gente. É nesse momento que vem o “por que você não faz uma dieta? Ia arrumar logo um namorado”, “você deveria sair desse emprego, você não tem tempo pra nada”, “Já pensou em reduzir os seios? Você ia ficar linda!”, entre tantas outras frases que são quase um clichê de tão repetidas em tantas situações diferentes. 

ilustra: mari andrew tradução: - "Uma coisa legal aconteceu comigo hoje!"  - "Bem, primeiro eu vou te parabenizar de forma meio hesitante, talvez eu te ofereça comentários ambiguos que momentariamente farão com que eu me sinta bem com o seu sucesso. Então eu te deixarei com uma frase como "boa sorte" que vai fazer você se questionar sobre a nossa interação o resto do dia.

ilustra: mari andrew
tradução: – “Uma coisa legal aconteceu comigo hoje!”
– “Bem, primeiro eu vou te parabenizar de forma meio hesitante, talvez eu te ofereça comentários ambiguos que momentariamente farão com que eu me sinta bem com o seu sucesso. Então eu te deixarei com uma frase como “boa sorte” que vai fazer você se questionar sobre a nossa interação o resto do dia.

Tenho certeza que muitas dessas sugestões não são feitas por maldade e sei que essas pessoas com certeza te amam e se preocupam com você. Querem a sua felicidade. O problema é que muitas não entendem que as palavras têm poder. E não entendem que uma frase dessas – que costuma dizer muito mais sobre quem falou do que quem ouviu –  pode desencadear um gatilho, se tornar razão de muitos problemas, inclusive abalos sérios na autoestima. É desse tipo de relação que nasce a sensação de nunca ser boa ou adequada o suficiente. É daí que aprendemos a perder um pouco da nossa capacidade de nos valorizar. E como fazemos para não deixar que a opinião alheia não nos abale? Sinto bater na mesma tecla que as meninas aqui, mas não tem outra saída: se conhecendo. 

Quando a gente se conhece e tem consciência de quem somos, ficamos firmes o bastante para conviver com essas pessoas que deixam a marca das suas palavras na gente. É quando entendemos o nosso valor que essas palavras deixam de ter poder sobre os nossos pensamentos. Quando aprendemos que existem limites que o outro não pode ultrapassar que achamos força para impor o limite do outro sobre a nossa vida. Basicamente, quando aprendemos de fato a reconhecer nosso valor e aceitamos quem somos é que vamos automaticamente entender o que merecemos. E ninguém merece que o julgamento do outro controle as nossas decisões e pensamentos.

Mais importante do que saber se posicionar para que não se metam além do que permitimos na nossa vida, é não deixarmos o que as pessoas dizem definirem quem somos ou como devemos nos sentir e agir. Não deixar que entrem na nossa cabeça e ali fiquem com suas ideias e conceitos que só nos magoam e fazem questionarmos nossas capacidades. Não é simples, mas à medida que o amor próprio vai crescendo, esse controle fica muito mais fácil.

3 em Autoconhecimento/ Mayara Oksman no dia 13.08.2018

O medo do novo!

Dona Joana bem sabe como eu atrasei a entrega desse texto. Eu sabia sobre o que eu queria falar, mas colocar em palavras deixa tudo sempre tão mais real que estava enrolando, enrolando, enrolando…

Pois bem, antes de efetivamente falar sobre meus medos iniciais (sim, vou falar de alguns deles), deixa eu explicar o status atual das coisas para ninguém se perder: vim com a minha mãe para a Itália para darmos entrada nos papéis da cidadania e depois disso combinamos de viajar por alguns lugares, terminando em Torino onde efetivamente está parte da nossa famiglia italiana. Quem me acompanha no Instagram viu que fizemos bastante coisa nos últimos 15 dias, curtindo muito praias maravilhosas e cidades maiores, lindas e apaixonantes como Firenze e Milano.

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Essas são as férias que eu não tirava há mais de um ano e meio. E por isso decidi curtir muito, comer muito, sentir tudo intensamente. Acho que isso eu fiz muito bem, aliás. Meu coração está batendo com mais energia e minha alma (meu mar, como gosto de chamar) está sorridente. Não deixei minha ansiedade bater, não pensei muito no que viria a seguir e fiz questão de deixar as coisas seguirem seu curso natural.

Ontem eu e minha mãe chegamos em Torino e isso significa que minhas férias e meu último laço com o que eu entendo como “segurança” estão chegando ao fim. Eu acho que sempre me virei muito bem na minha vida em geral, mas mesmo assim, ter a mãe do lado é ter parte de casa com você. E essa parte está indo embora.

E ta aí um dos desafios: o início do que eu chamo voar sozinha, andar de bike sem rodinha, se virar nos 30. Ou seja, vai começar o que eu efetivamente vim fazer na Europa: tentar recomeçar, arranjar um trabalho, aprender outra língua, longe de casa, longe da minha família, do Oscar e dos meus amigos.

Agora minha ficha caiu que eu pedi demissão mesmo. Que eu não vou pegar um avião, voltar para São Paulo e para o escritório. Que eu não vou recomeçar aquela rotina que eu tinha. Que de sábado não vou até a Vila Madalena fazer a unha com uma amiga. Que marcar um jantar com as meninas vai ser simplesmente impossível, assim como um “vamos lá na Zara rapidinho” e um “topa fazer nada junto”. Que eu não vou com o meu cachorro no Starbucks no domingo de manhã e que minha funça de tia vai ser exercida por Facetime e Whatsapp. Que a vida de todo mundo vai continuar lá em São Paulo enquanto a minha sabe-se lá o que vai ser e onde vai ser.

Entendam: eu já tinha pensado em tudo isso quando tomei minha decisão. Eu anotei tudo isso num caderninho, foi tudo muito consciente. Mas agora saiu do papel, é real, é palpável. Não ta chegando. Ta aqui, é agora. E isso, meus queridos, dá medo. Medo de não conseguir, medo de ter algum problema e não saber como resolver, medo de ninguém me ajudar se eu precisar, medo que alguém morra enquanto eu estiver longe, medo que meus amigos se afastem, medo que meus amigos me esqueçam, medo que meu cachorro me esqueça… medo, medos, de todos os tipos.

Racionalmente eu sei que está tudo bem e que vai ficar tudo bem. Que se alguém morrer, ia morrer comigo aqui ou em São Paulo. Que se meus amigos se afastarem, eu vou atrás deles para conversar. Que se eu tiver problemas, eu vou dar um jeito de resolver. Que se der tudo errado, eu simplesmente volto para o Brasil. Que tudo que é novo e desconhecido, assusta mesmo. Que ter medo é normal nessas horas.

Mas a gente não consegue ser 100% racional. É fácil falar e escrever, mas vai ser difícil na prática. E tudo bem, vamos seguindo em frente mesmo sendo difícil e enfrentando os medos dia após dia. E lidando com os problemas quando eles aparecerem e se aparecerem não é mesmo? Acho que vai ter que ser dessa forma. Segurando a ansiedade e indo com medo mesmo. Aliás, espero que vocês não tenham cansado da Mayara indo com medo mesmo, porque tenho a sensação de que esse meu lema é real oficial para 2018 e para sempre.