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camilla estima

0 em Autoestima/ Saúde no dia 24.03.2017

Camilla Estima + Daiana Garbin batem um papo sobre dietas!

A nutricionista comportamental Camilla Estimacolunista do futilidades, bateu um papo com a Daiana Garbin, do canal no youtube Eu Vejo. Ela falou dos pontos abordados naquele texto que ela escreveu aqui, sobre a influência das blogueiras fitness.

Os vídeos tocam nos pontos que Camilla trouxe de maneira bem interessante e achamos que valia compartilhar com vocês aqui no blog:

 

Acho legal pararmos pra pensar sobre isso, todas nós!

O que vocês acharam?

Beijos

17 em Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 22.03.2017

Será que você me entendeu?

Nossa, volta e meia eu dou de cara com algum comentário ou mesmo elogio mascarando uma crítica velada de quem parece que não me entendeu. Uma coisa é não concordar ou não gostar, outra é não entender. Eu sei que meu discurso como um todo incomoda algumas pessoas, desce quadrado e pra alguns ele pode até ser agressivo. Quanto mais refém das verdades impostas da sociedade for a pessoa, mais a possibilidade de se desconstruir dói, eu sei disso, eu respeito isso. 

Nem por isso me torno dona da verdade universal, de forma alguma. Eu só sou dona da verdade do MEU CORPO. E nem todo dia é fácil ser dona da verdade do MEU corpo, porque muita gente parece ter algo a dizer sobre ELE, alguma dica pra dar para eu melhorar o MEU CORPO, com queixas que às vezes nem eu tenho. Curioso, não?

Essa semana uma pessoa conhecida começou a me dar dicas de perda de peso usando minha saúde, ou melhor uma questão hormonal, como desculpa. Querendo dizer que eu me sentiria mais bonita quando cuidasse do meu corpo “por saúde”. Será que eu sou a única pessoa louca que vê o quanto esse comentário é carregado de preconceito? No entanto eu fui fofa, vaselina e resolvi que não iria explicar para aquela pessoa que eu gosto DESSE CORPO. Não gosto da disfunção hormonal (que atenua na perda de peso, mas não resolve), mas gosto dessas curvas, dessa perna e desse peito. Posso querer mudar muitas coisas, com calma, mas isso não quer dizer que eu não posso gostar de mim durante o processo, seja lá qual for o meu processo ou momento. Eu me olho pelada no espelho e vejo uma mulher gostosa, por mais que eu não seja a maior entusiasta das minhas bochechas, mas isso é um problema meu, só meu.

Parecia impossível explicar para aquela pessoa que eu não preciso gostar do meu corpo quando ele for magro e desgostar dele quando ele não estiver tão magro assim. Parecia mais impossível ainda explicar que eu poderei mudar todo meu quadro de saúde gostando do meu corpo como ele é e mais complexo ainda provar que existem processos que são devagar e sempre. Nem só de dieta restritiva vive o emagrecimento, principalmente o saudável. Cada dia mais concordo com a linha de nutrição comportamental que a Camilla Estima segue e fala aqui no blog, cujo foco é mudar o comportamento alimentar, mais do que a alimentação em si. Não é um modismo, é um aprendizado. Mudando o comportamento com a comida, fazendo as pazes com ela, devagar e sempre. Sem rompantes, sem radicalismos e muitas vezes sem neuroses. O emagrecimento – se esse for o objetivo – pode demorar mais, mas essa linha para quem tem transtornos pode significar viver numa fase de paz constante com o próprio corpo.

Hoje eu não tomaria remédios para emagrecer, eu não faria nada que me levasse a ficar neurótica, paranóica e ansiosa com a minha alimentação. Para mim, que tenho um histórico de transtorno alimentar, sair dessa aflição é maravilhoso. É uma vitória, minha, do meu processo de terapia transpessoal.

É curioso como uma pequena parte das pessoas que veem o que eu posto, o que conto da minha história e da minha trajetória ainda vêm me dar conselhos – que eu não pedi – de como emagrecer, de qual grupo alimentar tirar, qual exercício ajuda ou como no fim do dia emagrecer é mesmo a chave da beleza e felicidade. Parece que ou a pessoa acha que eu to falando isso para aparecer ou ela não consegue conceber que eu estou MESMO tentando viver um processo INTERNO de me enxergar muito além dessas crenças limitantes que me fariam me sentir inferior a outras pessoas.

Eu acredito em sermos como quisermos e respeitarmos o outro como ele quiser ser. Acredito que magreza não é sinônimo de felicidade nem de saúde, qualquer pessoa que convivesse com a quantidade de gente magra que eu convivo que me conta de doenças psicológicas provenientes dessa pressão fit não faria essa associação tão rápida do corpo magro ao corpo saudável. Como eu sempre gosto de repetir, existe magro saudável, existe magro doente. Existe gordo saudável, existe gordo doente.

Na mesma proporção que anorexia nervosa e bulimia – doenças muito comuns mas que não enxergamos a olho nu – são doenças graves, a obesidade também é, só que essa todo mundo vê. Não existe doença melhor ou pior, então precisamos parar de rotular tudo muito rápido. Se os exames da pessoa estão bons, se o corpo dela está funcionando bem e se existe um equilíbrio da saúde física e mental, quem somos nós para julgar que alguém precisa ou não emagrecer? Existe um abismo entre ser obeso e ser fit. Ninguém precisa ser um OU outro, entre preto e branco tem muito cinza. Muita gente tem a estética da saúde física perfeita, mas ao ter que lidar com tanta pressão de atender o padrão imposto de beleza acaba no psiquiatra tratando depressão, crise de pânico, transtornos alimentares e afins. Nem tudo que parece é, principalmente na internet.

Quando eu tive meu corpo aparentemente mais saudável, em 2008, foi o ano em que eu tive meu quadro de saúde mais agravado. No meu menor peso eu sofria porque ainda via só o que não estava perfeito no meu corpo e tomava medicação para o quadro de depressão que desenvolvi e para tentar tratar a compulsão alimentar. Nunca tomei medicações tão pesadas, mas muita gente que não fazia ideia do que eu estava passando, dizia que eu ficava bem melhor magra.

Nunca diga pra alguém que você gosta que ela fica melhor magra. Pode parecer inofensivo, mas pode ser um gatilho muito perigoso dependendo do quadro. 

Eu hoje quero perder parte do meu sobrepeso para ter uma capacidade cardiorrespiratória boa para fazer minhas trilhas, para fazer minhas viagens e ter a longevidade que eu desejo. Analiso com meus médicos o histórico familiar e baseado nisso tomo as minhas decisões, que se aplicam só a mim. Quero fazer isso sem pagar um preço alto, mantendo minha saúde psicológica e minha sanidade mental, só quem já tomou uns remédios brabos de emagrecer sabe o quanto eles podem confundir nossas ideias e embaralhar os pensamentos.

Eu quero ter saúde equilibrada, física, mental e emocional. É isso que eu defendo nesse projeto do PAPO SOBRE AUTOESTIMA. Que a gente olhe a saúde como um todo, leve a sério o exercício não para ter um corpo fitness, mas para atender a recomendação da OMS de que façamos exercícios físicos para termos menos doenças e aliviarmos o estresse. Não para pagar a conta do brownie de ontem, essa coisa de compensação é um mecanismo muito perigoso, quase um gatilho para doenças nas quais muito pouca gente fala e que os profissionais especializados alertam.

A gente incentiva o exercício, a alimentação balanceada com vários grupos de alimentos e nutrientes, sem neurose ou paranóia. Sem culpa no dia que comermos aquele brigadeiro gostoso ou sem sofrimento no dia de comer um hambúrguer no Outback. Ninguém está incentivando uma alimentação vazia e rica em gordura ou cheia de muitas calorias na rotina, mas sim realmente fazendo as pazes com a comida. Cada um com seu nutricionista, cuidando do seu caso com os profissionais da área.

Como a Camilla diz: suco verde é ótimo, mas é só um suco. Ele não opera milagres. Na mesma linha um pedaço de bolo é só um pedaço de  bolo e sozinho ele não destrói a alimentação e o resultado de ninguém.

Aqui a gente incentiva um olhar individual sobre si mesmo, um olhar amoroso, acolhedor e sem comparações. Não adianta querer ter o corpo da Gisele quando seu biotipo é o oposto do dela. Não adianta buscar um padrão inatingível se você vê valor em curtir alguns prazeres que aquele perfil de estilo de vida não comporta. Não se comparar é um primeiro passo, cuidar do nosso próprio jardim é fundamental.

Minha vida mudou o dia que fiquei segura de quem eu sou. Foi ao longo de um processo intenso de terapia e espiritualidade. Nesse processo pude entender o quão incrível era ser a Joana, do jeitinho que ela é, com as curvas que ela tem e com muita coisa pra mudar e melhorar, mas podendo enxergar o que há de melhor nela HOJE, no aqui e agora. 

Hoje eu não me escondo atrás de alguém que não sou, não mascaro minhas fotos e nem fico procurando defeitos em mim ou no meu corpo. Eu encaro na terapia o que preciso melhorar, analiso e aprendo. O autoconhecimento foi a chave da minha segurança. A minha segurança me permitiu uma autoestima totalmente nova, essa por sua vez permitiu que eu fizesse as pazes com minhas curvas e minhas dobras. Eu comecei a ver beleza nesse corpo, que para alguns é curvilíneo e gostoso, para outros “gordo” e imperfeito, mas no fim do dia só importa o que eu realmente acho dele. 

E o que eu achar de mim, vai ser o que eu vou vibrar pro mundo. Quanto mais segura e confiante eu me sinto, mais sinto que as pessoas me veem segura e confiante, parece bobo, mas isso faz com que eu me sinta de bem comigo na grande maioria do tempo. Pra mim funciona muito. Não existe um único caminho, mas o que eu me proponho inclui não ser cruel e rígida demais comigo mesma. A ideia aqui é lançar um novo olhar sobre si, menos viciado.

Eu não sei se me fiz entender, mas um dia eu chego lá!

Beijos

8 em Autoestima/ Deu o Que Falar no dia 30.01.2017

Miss Canadá, você me representa

Ontem rolou o Miss Universo, e estava eu assistindo de boas quando vejo cruzar a minha TV a Miss Canadá, Siera Bearchell. Não vou negar que o corpo dela chamou a minha atenção de cara, peitos maiores do que as outras candidatas, curvas e um porte super atlético. Achei linda!

Qual não foi minha surpresa ao ver os comentaristas no intervalo debatendo sobre ela, mas de forma pejorativa! Um comentou que ela estava fora do padrão, e por isso, era feia. Também rolaram alguns comentários bem gordofóbicos dizendo que só pode usar cropped quem não tem uma gordurinha. Ah, e toda hora faziam questão de dizer que ela não tem corpo de miss. Um indivíduo, que não quero citar o nome, chegou a dizer que ela entrou por cotas. Eu fiquei em choque com tamanha grosseria. Cotas??

A Camilla Estima, nossa colunista nutricionista, levantou a questão no nosso grupo e todas as meninas estavam abismadas com a deselegância. Ela fez questão de lembrar como a comparação é tão ruim que faz com que uma mulher magra em um ambiente de corpos excessivamente magros se torne…gorda! O quão louco é isso??

Toda vez que me pego ouvindo que uma mulher do tipo físico da Siera é gorda, eu fico me perguntando seriamente o que a pessoa acha de mim. Aliás, se esse comentário é feito na minha frente, eu pergunto sem pudor e sempre ficam sem graça ao me responder “ah, mas você não é gorda..” Preferia que assumissem a régua que estão medindo logo de uma vez, mas isso dificilmente acontece. Pelo menos consigo pausar esse tipo de comentário e quem sabe faço a pessoa pensar sobre isso? Só acho muito triste eu confirmar em rede nacional e horário nobre que a régua continua sendo tão exclusiva (no sentido de excluir mesmo, não de ser algo único).

Os apresentadores não foram os únicos a deixarem claro que o corpo de Siera não estava dentro dos padrões para miss. Infelizmente ela tem ouvido isso há algum tempo nas redes sociais e também nas entrevistas para a imprensa, que fazem questão de frisar que ela é mais larga que as outras concorrentes. Tanto que recentemente Siera resolveu escrever em seu instagram sobre o assunto, e deu um banho de autoaceitação, virei fã!

Legenda: “Como você se sente sendo tão mais…..larga que as outras candidatas?” Um membro da mídia me fez essa pergunta em uma coletiva de imprensa. Eu fiquei quase sem palavras. Eu pensei “Como eu me sinto por ser eu mesma? Como eu me sinto por estar segura comigo mesma? Como eu me sinto por estar seguindo meu sonho de representar o Canadá no palco do Miss Universo? Como eu me sinto por ser um modelo para tantas meninas jovens que têm dificuldades de achar alguém que representem elas? Como eu me sinto por redefinir beleza?”- Minha resposta: Eu me sinto ótima. 

O Miss Universo existe desde 1952 e de lá pra cá, tem sido palco de diversas mudanças de padrões tanto de corpo quanto de cabelo e de moda. Vendo a Miss Canadá chegar até o top 9, eu fiquei pensando que talvez a gente esteja presenciando mais uma dessas mudanças, fiquei esperançosa de verdade. Até me deparar com comentários deselegantes de pessoas que estão ali falando sobre o concurso e de certa forma passando informação para os telespectadores.

Como assim a informação passada é de bullying, body shaming e desmerecimento por ela ser maior, mais larga ou mais curvilínea que as outras concorrentes? Se ela chegou ao ponto que chegou, estava claro que ela tinha corpo de miss e estava dentro dos padrões do concurso, não é mesmo? Por um momento fiquei achando tudo uma vergonha, um retrocesso.

Mas aí parei pra pensar melhor e resolvi olhar por um outro lado. Sei que é pedir muito de um Miss Universo ao desejar que ele traga discussões de empoderamento, amor próprio e autoaceitação, mas sabem que no fim das contas eu fiquei feliz? Feliz de ver uma mulher como a Siera ganhando voz e dando entrevistas contando como a vida dela mudou quando ela parou de tentar se adequar aos padrões. Feliz de ver muita gente questionando a emissora e criticando a postura preconceituosa dos apresentadores. Talvez, quem sabe, essa sementinha já esteja dando frutos?