3 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Viagem no dia 02.11.2018

Não caia nessa armadilha, tá tudo bem não viajar nas férias.

Eu gosto muito de observar as pessoas. Mês passado vi muitas pessoas no meu trabalho entrando de férias e notei um certo comportamento. Quando alguém anuncia férias, sempre vem as perguntas: e aí, vai pra onde? Vai fazer o quê? Percebi que quem não vai viajar para um lugar exótico ou planeja um pulinho básico em Nova York, fala quase envergonhado que não vai viajar. Emendam logo em seguida em mil desculpas por isso.

Traçando um paralelo, vejo isso acontecer muito nas redes sociais. Pessoas que seguem influenciadores que vivem em lugares incríveis, comentando o quanto gostariam de viajar. Muitas vezes se sentindo derrotadas por não conseguir ter a mesma vida e conhecer os mesmos lugares.

Parece que viajar virou um grande ativo no mercado da felicidade.

Provavelmente isso tudo veio com os millennials e seu desejo de ganhar o mundo. Em vez de construir raízes sólidas como a geração anterior, que economizava para comprar um apartamento, muitas pessoas preferem gastar hoje com experiências. Ter histórias para contar.

viajar

As redes sociais dão mesmo a sensação de que todo mundo está vivendo uma vida mais interessante que a nossa. Obviamente todo mundo – até eu, talvez até mesmo você – prefere mostrar o drink após o trabalho do que a tarde de reuniões intermináveis que poderiam ter sido resolvidas em alguns emails. Prefere mostrar a foto sendo linda na praia do que na frente do computador com aquela luz de escritório. E ficamos nos sentindo mal porque parece que as pessoas viajam mais, são mais felizes, mais bem sucedidas, mais incríveis.

Bate mesmo aquela deprê de “poxa, e eu aqui me virando pra pagar os boletos”.

Se a gente se deixar levar por essas ideias e cair na armadilha da comparação, a autoestima vai lá pra baixo mesmo.

Tá tudo bem você não ter o que dizer numa rodinha onde todos estão falando de Paris e você mal foi ali em Arraial D’ajuda. Você não é menos descolado, moderno, rico, hipster ou o que seja porque não foi ao Brooklyn. Você apenas teve outras prioridades ou ainda não teve a oportunidade. Ainda.

Em compensação, você pode ter tido outras experiências de vida maiores e mais fantásticas sob outros aspectos. Cresceu, amadureceu, aprendeu outras coisas diferentes. Talvez mais práticas e menos culturais. Talvez menos bonitas. Mas que te prepararam para outras situações da mesma maneira. Eu sei, pode não ter sido tão divertido ou glamouroso, mas para a sua história de vida, foi importante. E isso deveria te fazer mais forte e preparada, inclusive para saber lidar com o fato de que está tudo bem não viajar.

A vida dá voltas, muito maiores que as voltas ao mundo.

Nesse caminho longo, cada um vai construindo a sua história de maneira única. Viajar nas férias (ou num feriado) foi apenas mais uma caixinha que criaram e tentam nos encaixar ali. Por mais prazeroso e divertido que seja, você não precisa estar nesse grupo.

Não se sinta mal se você for ficar vendo sessão da tarde durante as suas férias, ou se o maior passeio for até um bairro mais distante. Algumas pessoas gostariam de estar no seu lugar também, o que prova que cada caminho nessa vida realmente é único, e tudo é uma questão de perspectiva.

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3 Comentários

  • RESPONDER
    Daiana
    02.11.2018 às 12:13

    Nas minhas férias fui buscar meu filho na escola, coisa que eu nunca tinha feito por conta do meu trabalho

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    Maisa
    05.11.2018 às 12:00

    Menina você fala de Arraial como se fosse fácil ou barato viajar pra lá. kkkkkkkkkk Passar um verão no nordeste é o mesmo preço de ir à Paris. Claro que estou falando de viagens normais, nada de hotéis de luxo e restaurantes estrelados, quem vai a Arraial vai à Paris, tudo é uma questão de gostos. Bjos

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    Renata Castro
    05.11.2018 às 12:26

    Viajar nas férias é muito bom, mas, às vezes, ficar em casa descansando sem ter compromissos é muito bom também!

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