2 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 30.10.2018

Em um relacionamento, quero ser uma laranja inteira

Outro dia revi um episódio aleatório de Scandal (alô, fãs de OPA) e me deparei com uma cena cheia de emoção. Ali, Olivia diz: “I don’t want normal and easy and simple. I want painful, difficult, devastating, life-changing, extraordinary love”. Traduzindo: eu não quero normal e fácil e simples. Eu quero um amor dolorido, difícil, devastador, que mude a minha vida, que seja extraordinário.

Lembro que quando ouvi isso pela primeira vez pensei que a Olivia era um mulherão da porra e que eu queria a mesma coisa para mim! Pois bem, alguns anos depois continuo achando ela um mulherão da porra e vários aspectos. Mas discordo e muito do que ela falou. Eu estou bem longe de querer um amor difícil, devastador e que me faça sofrer.

E aí numa análise de tudo que ela mencionou, fiquei me perguntando algumas coisas. Podemos ter vários amores extraordinários? Ou desses extraordinários só existe um na vida e só se a gente for muito sortuda?

Será que se há esse amor extraordinário mesmo, ele pode ser simples e fácil? Ou amores extraordinários sempre têm um preço?

E se a gente tivesse que escolher entre um amor extraordinário e um amor simples? O que a gente escolheria? A gente tem essa consciência? De que está num amor extraordinário ou num amor simples? E tem essa balança invisível na cabeça para ponderar um ou outro?

Não, eu não tenho as respostas para isso (ainda?). Talvez eu nem devesse ter muitas respostas. Talvez eu só precise ir pensando e ponderando e vivendo. Mas conversando sobre isso com uma amiga, ouvi algo que já havia me questionado antes, só que nunca de uma forma tão clara. Ela me disse que preferia “amar alguém 80% e ser feliz do que amar 100% e ser infeliz ou sofrer ou estar num relacionamento tóxico”.

Olha, também acho que prefiro viver um amor simples se o amor extraordinário trouxer muitas pedras no caminho. Algumas precisam existir, não sejamos sonhadoras nesse tanto. Mas muitas? Não, acho que eu estou fora desse caminho, viu.

ilustra: Giulia Tomai

ilustra: Giulia Tomai

O problema foi me conscientizar, mesmo que minimamente disso. Vejam, eu cresci com a ilusão de que amor DEVERIA ser extraordinário. Que TINHA que ser um conto de fadas e que minha metade da laranja ESTAVA perdida nesse mundão tão grande.

Pois bem, do alto dos meus 29 anos, depois de achar que estava no topo do mundo, cair, me construir, desconstruir e continuar nesse processo, venho dizer para vocês duas coisas: contos de fadas não existem de verdade e ninguém é a metade da laranja de ninguém.

Bom, conto de fadas não existe porque não existe e ponto final. Ninguém é feliz 100% todos os dias da vida e apesar da minha pouca experiência em relacionamentos, sei que essa estatística é ainda menor entre duas pessoas.

Dá para um casal ser feliz para caramba? Ô se dá! Tenho exemplos lindos disso na minha vida! Mas esses mesmos exemplos são também os exemplos de que nada é perfeito e que a vida a dois nem sempre é linda.

E tudo bem! Tudo bem não ser tudo lindo e simples. Mas vocês entendem a diferença entre nem tudo ser lindo e simples para dolorido e devastador? Amigas, quem aguentaria dolorido e devastador por muito tempo? Isso é amor? Na real, serião, é? Eu prefiro acreditar que não.

A outra coisa que mencionei é que hoje, depois de muita terapia (não se enganem, eu não to aqui filosofando da boca para fora) eu vejo que cada ser humano é uma laranja inteira. Essa história de metade da laranja faz com que a gente sempre esteja buscando aquela utopia amorosa que mencionei aqui em cima.

E aí vem decepção, vem a ideia de que se aquele não era a metade da minha laranja, o próximo vai ser. E gente, podemos ficar nessa busca a vida inteira!

Então não seria melhor colocar na nossa cabeça de que somos laranjas inteiras e as pessoas que convivem com a gente são complementos? Complementos que podem deixar a laranja melhor, mais doce, mais risonha, mais boba, mais alegrinha?

Eu sou uma laranja em construção, mas com a consciência de que sou suficientemente feliz sozinha, especialmente quando falo de relacionamentos amorosos.

Eu aprendi e continuo aprendendo que eu não posso deixar nenhum homem ser minha metade. Ele tem que ser minha abundância, meu a mais. Tem que agregar, não suprimir ou tirar ou ser metade de quem eu sou. Não sei se expliquei direito, mas essa é a minha opinião sobre laranjas, ok?

Enfim, falei demais. Quero mesmo é saber das laranjas, quero saber dos tais amores extraordinários e se vocês têm qualquer opinião sobre as perguntas que fiz lá no começo do texto. E de uma laranja para outra: amor simples ou amor extraordinário, seja como for, o importante é a gente amar e se deixar ser amado de volta.

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Mayara Tuelher
    31.10.2018 às 7:42

    Obrigada por esse texto!
    Estou vivendo algo simples, e estranhando por ser totalmente novo, mas levando em frente porque pensei que “de repente é assim que tem que ser!”.
    E suas palavras, de certa forma, me ajudaram a confirmar isso…

  • RESPONDER
    Fernanda
    31.10.2018 às 12:50

    Concordo muito com o texto. Para mim, amor de verdade é leve, é gostoso, é fácil de entender. Quando é amor mesmo, você não precisa ficar se explicando muito, não precisa arrumar mil teorias e todas essas fantasias que colocaram em nossas cabeças, porque você e o seu parceiro vão se entender e se aceitar mutuamente do jeitinho que cada um é. E isso é uma coisa muito, muito maravilhosa! Na minha opinião, se é complicado, se não traz paz, se exige muita explicação e se não vem de forma natural, não consigo entender como amor. Adorei o texto!

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