1 em Autoestima/ Moda no dia 28.09.2018

Representatividade na moda importa, sim!

Dia desses me peguei com uma pauta sobre as tendências de moda para a primavera/verão 2019 para meu canal no youtube. Sempre gosto de falar sobre as novidades que virão de forma leve e descontraída, para desmistificar aquela regra chata sobre o que gorda pode ou não usar.

>>>>> Veja também: Gorda pode usar? Sim! Gorda pode tudo! <<<<<

Pois bem. Li bastante à respeito, separei várias e várias tendências que inclusive já encontramos nas lojas, escrevi o texto, o roteiro e fui atrás de imagens de looks para ilustrar. O primeiro site que entrei foi o Pinterest. Joguei na busca “Look de primavera”. Achei várias fotos de produções incríveis, uma mais plena do que a outra, porém com zero de representatividade. Não tinham fotos com meninas negras, não tinham fotos de gordas. Parecia que todos os looks estavam na mesma modelo: branca, alta, magra, cabelos lisos.

representatividade na moda importa sim 2

Fiquei bem irritada com isso e busquei por “looks de verão”. O resultado foi ainda mais assustador ao entender o que é o corpo que usa um look de verão. Não, não havia representatividade em lugar nenhum. Esqueci minha pauta e fui buscar mais palavras chave: “looks de trabalho”, “looks de moda praia”, “looks para neve”. Em nenhum desses e outros mil casos de buscas apareciam mulheres gordas ou negras no rolê. Saí do Pinterest e comecei a jogar as mesmas palavras chave em vários bancos de imagens gratuitos ou não. O resultado não foi diferente.

Indignada, corri pro whatsapp pra conversar com Jô, Cá e Maraisa que, como negra, pode falar com propriedade de causa o quanto a moda costuma excluir, como se negras e gordas não tivessem o direito de consumirem. Ou pior, como se não pudéssemos ser referência de moda em nenhum aspecto. Mara me pediu pra jogar no Google “mulher bonita”. Adivinhem só o que apareceu? Nada novo sob o sol.

representatividade na moda importa sim 3

To aqui contando isso tudo pra gerar em você, querida leitora do Futi, aquela reflexão sobre o quanto a representatividade na moda importa, sim. No meu caso, foi em busca de imagens para ilustrar uma matéria que eu estava fazendo. Mas e quando vamos à uma loja e o catálogo só mostra mulheres padrão usando os produtos. Nós nos vemos ali? Nos sentimos realmente representadas? Até mesmo nas passarelas de semana de moda, onde são colocadas as roupas em corpos magros e difíceis de serem atingidos e nos enfiam goela abaixo que aquela roupa deve, sim, ser consumida por nós, meras mortais.

Cada vez mais eu me vejo consciente do quanto a representatividade importa. Comecei a realmente selecionar marcas que usam mulheres reais em suas campanhas. Que valorizam todo tipo de cabelo e de corpo desde sempre, não só na hora do modismo pra ganhar o dinheiro da massa. Que possuem discurso genuíno e querem realmente passar uma imagem de liberdade e de respeito às nossas diferenças. Te convido pra fazer o mesmo. Reflita aí, no seu dia a dia, quais as marcas realmente te representam e que não te fazem se sentir tentando atingir um padrão inalcançável. Acredite, é libertador.

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1 Comentário

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    Andréia
    01.10.2018 às 10:07

    Amooo esses posts. Precisamos aprimorar a nossa capacidade de discernimento.A maioria de nós, ao pesquisarmos assuntos nesse mesmo contexto, reagimos de forma negativa achando que somos imperfeitas e que está tudo errado com a gente. Mas não, não é verdade. Com a gente está tudo ok, e o erro está nessas imposições de padrões descabidos que atormentam e prejudicam muito a autoestima de tantas mulheres.

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