0 em Book do dia/ Comportamento no dia 03.09.2018

Book do dia: Fome, de Roxane Gay

Sabe livro que vira febre e, do nada, tá todo mundo falando dele e dizendo como ele é incrível e que precisa ser lido? Pois é, esses são meus preferidos. E “Fome” é basicamente a Nanette dos livros, principalmente no nosso meio, onde falamos e ouvimos muito sobre autoestima e, consequentemente, questões corporais e transtornos alimentares.

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Para quem nunca ouviu falar desse livro, a sinopse:

Nesta autobiografia escrita com sinceridade impressionante, a autora best-seller Roxane Gay fala sobre como, após sofrer um abuso sexual aos doze anos, passou a utilizar seu próprio corpo como um esconderijo contra os seus piores medos. Ao comer compulsivamente para afastar os olhares alheios, por anos Roxane guardou sua história apenas para si. Até conceber este livro. Esta não é uma narrativa bem-sucedida de perda de peso. E este também não é um livro que Roxane gostaria de escrever. Entretanto, é uma história que precisa ser contada, e ela o faz com seu estilo contundente e impetuoso, ainda que dotado de um humor mordaz, características que a tornaram uma das vozes mais marcantes de sua geração. “Fome” é um relato ousado, doloroso e arrebatador.”

Fiquem com esse final: “relato ousado, doloroso e arrebatador”. Porque é exatamente isso que ficou para mim quando eu li a última linha e fechei o livro. Não poderia ter sido definido de melhor forma.

Na verdade, eu acho que não tava preparada para tanta sinceridade. Por diversos momentos eu me vi remexendo na cadeira, desconfortável, incomodada por toda sua clareza – e também pela falta de enfeites usados para contar sua história.

A percepção que Roxane tem sobre sua relação com seu corpo e com a sociedade é quase assustadora de tão consciente, por isso a gente consegue entender a ousadia que frequentemente é associada à esse título. Como Roxane ousou falar sobre seu corpo dessa forma? Como ela ousou se mostrar tão vulnerável? Como ela ousou falar sobre as dificuldades reais encontradas em uma pessoa com o grau de obesidade que ela tem?

Aliás, preciso falar sobre essa última pergunta, porque ela foi crucial para eu ter amado tanto o livro. Enquanto eu virava as páginas e acompanhava seu relato visceral, me caiu uma ficha muito chocante. Ali, enquanto Roxane mostrava cada detalhe de si mesma (Tour do corpo? É esse livro!), pude perceber que eu ainda tenho resquícios gordofóbicos quando se trata de alguém tão fora dos padrões que não tem número do IMC ou em loja para encaixá-la.

Fiquei chocada ao descobrir que eu, em diversos momentos, pensava com meus botões que ela precisava emagrecer. Porque a ideia de viver sem se encaixar em nenhum tipo de padrão, na minha cabeça de pessoa que nunca precisou se preocupar com isso, soa muito angustiante. Desesperadora, talvez.

Até que eu entendi que Fome não é um livro feito para a gente dar opiniões. Ele, de fato, como a sinopse falou, é uma história que precisa ser lida – e não retrucada. Só ler, absorver e, acima de tudo, ter empatia. Uma pessoa que está ali, tão vulnerável, não precisa de julgamentos.

Fome não é um livro bonito, inspirador, que vai salvar sua vida ao te apresentar uma resposta infalível ou te ensinar a como se amar mais. Ao contrário, ele é recheado de gatilhos e de verdades dolorosas demais. Ele não te dá respostas mas te dá muito material para pensar e refletir. É o tipo de livro que cada pessoa vai ser tocada de uma forma de acordo com suas vivências, e essa foi a minha.

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