1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 20.08.2018

3 motivos que comprovam que a comparação é a maior inimiga da autoestima!

Sempre que nos perguntam qual é o maior inimigo do desenvolvimento de uma boa autoestima nós falamos juntas: a comparação.

Parece um pouco estranho dizer que o maior problema para conquistar uma boa autoestima é esse, nós sabemos que parece um pouco desconexo do tema, mas acredite, não é. Comparar-se tem absolutamente tudo a ver com a relação que podemos ter com a gente mesma. Como já falamos aqui, a chave para uma verdadeira autoestima não é se jogar em todos os procedimentos estéticos e ser refém dos padrões de beleza, conquistar uma autoestima verdadeira tem menos a ver com a nossa aparência e mais a ver com a nossa segurança de sermos quem somos. Assim sendo, batemos sempre na mesma tecla: para ter uma boa autoestima (real e não ilusória) precisamos nos conhecer.

Parece simples, né? No entanto em muitos casos é preciso de um bom tempo nesse processo para chegar em um ponto onde realmente bancamos ser quem somos, perdendo o medo do julgamento, acolhendo nossas vulnerabilidades e fragilidades, dizendo pra gente mesma que está tudo bem não ser perfeita ou não dar conta de tudo. Se olhar com mais amor e mais acolhimento costuma ficar alguns passos à frente da tomada de consciência, então, primeiro começamos a desconstruir e reconstruir as crenças à nossa volta, para só depois passarmos a repensar quais crenças tidas como “verdades” na sociedade são de fato verdadeiras pra cada um de nós como indivíduo.

Ter a coragem de ser imperfeita está totalmente ligada à nossa auto percepção, e  para criar estima por quem somos verdadeiramente precisamos aprender a nos cobrar menos, nos olhar com menos rigidez e nos comparar menos, para assim valorizar quem nossos, nossas conquistas e nossos contextos, independente do tamanho deles com relação aos das outras pessoas. Então, hoje vim aqui para fazer algo que quase nunca faço por aqui: um post com 3 motivos que me fazem ter certeza da toxicidade da comparação exagerada.

seja você, não eles. ilustra: ban.do

seja você, não eles.
ilustra: ban.do

1. Perder tempo se distraindo com a vida do outro enquanto poderia estar cuidando da sua.

O primeiro risco grande que a comparação nos traz é o mais simples de compreender: quanto mais tempo passamos nos preocupando com o outro, suas conquistas e sua trajetória, menos tempo estamos colocando energia no que nós estamos de fato queremos produzir. Nós só podemos colher o que plantamos, então se passamos muito tempo distraídos acompanhando a plantação do vizinho, deixaremos de ter uma boa colheita por estar gastando energia sendo seguidor ou comentarista da vida alheia. Tanto a super análise da vida do outro quanto a fofoca nos tomam tempo que poderíamos estar gastando conosco. Procurar ter um olhar mais consciente sobre onde colocamos a nossa energia é um primeiro passo para não cair nas armadilhas quase inconscientes da comparação.

“Poxa, meninas…se é tão óbvio por que estamos tão acostumadas a perder nosso tempo nos comparando ou criticando os outros?” Essa resposta já não é tão simples. Muitas vezes fazemos isso por um padrão que nos foi ensinado desde novinhos, o que começou com as notas do colégio pode chegar a uma comparação salarial, quando na verdade em muitos casos notas ou salários são respostas a um processo que inclusive deveria ser meritocrático, onde quem se dedica mais, recebe mais. De uma forma geral, olhando meu próprio recorte, ao invés de sermos ensinados a nos dedicar mais, somos estimuladas a depreciar quem foi melhor que a gente. Aprendemos em casa a nos comparar e até mesmo a desprestigiar quem está conquistando mais.

Comumente achamos que o sucesso da outra pessoa nos leva ao fracasso, mas em geral não poderia existir ilusão maior do que essa. Muitas vezes o que nos leva ao fracasso é o tempo que perdemos focadas em depreciar o sucesso da outra pessoa, um gasto enorme de energia e horas falando mal de quem de fato pode estar fazendo alguma coisa. Ainda que você não concorde com a forma, você pode deixar de perder tempo com isso e cuidar de você, buscar se conhecer, melhorar e se desenvolver, afinal o sucesso e o fracasso do outro só tem ligação com o seu na sua cabeça! 

Importante: Não estou aqui demonizando a  inveja, porque isso todo mundo tem, estou falando de quem fica preso a uma forma comparativa de ver a vida. Quando tudo seu é em relação ao outro, quando a pessoa está tão presa na projeção que faz do outro que esquece de si mesma.

2. O que falamos do outro diz mais sobre nós do que sobre o outro!

Essa frase resume tantas coisas que abordamos, que ao invés de #paposobreautoestima deveríamos estampar isso em todo lugar. As vezes, se olhar com mais amor é muito difícil porque nós temos medo do outro nos julgar com a mesma rigidez com que o julgamos. O medo que temos de sermos julgadas é proporcional ao quanto nós costumávamos julgar. Só que todo processo de flexibilizar o olhar para desenvolver uma verdadeira estima por si mesma passa também na esfera do seu olhar para o mundo, não só para você. Quando eu flexibilizo o julgamento com o outro, fica mais fácil fazer isso comigo. Se perco menos tempo julgando o outro posso estar dando um primeiro passo para me tornar mais ponderada comigo também. Ao tirar a rigidez  contida no meu olhar em busca da perfeição as coisas começam a parecer menos assustadoras, passamos a entender que não precisamos ser perfeitas pra sermos acolhidas ou nos sentirmos pertencendo a alguma tribo.

É dolorido se dar conta que até nossa autocrítica exagerada tem a ver com o outro, afinal somos tão juízes da vida alheia que precisamos nos cobrar uma perfeição que sequer existe, com medo de que nos julguem como nós julgamos. Fomos criadas para sermos inseguras com relação ao medo do julgamento, a falta de aprovação nos assombra como se fosse possível sermos unânimes, mais uma ilusão pra conta.

Muitas vezes falamos muito do outro porque é mais fácil se esconder atrás da máscara de juiz. Falar do outro e procurar defeitos no que ele faz nos leva a criar um padrão tão elevado de resultado que acabamos achando que ficar parado é melhor. Muitas vezes criticamos os movimentos do outro para mascarar nossa inércia, nosso medo de fazer e ser julgada caso não dê certo. Assim, falar do outro faz com que eu me sinta confortável em ficar parada, desmerece quem se mexe e acaba sendo uma postura comodista e confortável.

3. Cuidado com o raio romantizador da vida alheia!

Agora vem um ponto que consegue ser pior do que perder tempo com uma vida que não é nossa. Aliás, consegue ser mais ilusório do que não notar o quanto julgamos o outro para mascarar nosso próprio medo de fazer acontecer ou de sermos julgadas. O terceiro ponto consegue ser tão grave por se pautar em uma mentira.

Idealizamos a vida da outra pessoa e buscamos uma história que inventamos como se fosse verdade. Batalhamos uma vida igual a da outra pessoa com unhas e dentes, baseadas em nenhuma evidência prática de que ali há perfeição. É mais uma projeção que nós colocamos em cima do outro e, de novo, diz mais sobre nós que estamos invejando ou nos inspirando do que sobre a vida da pessoa mesmo. Podemos fazer isso com pessoas próximas que conhecemos ou com perfis que seguimos no instagram, é um processo que se dá perto ou longe.

Passamos a crer em um perfil de perfeição que sequer é humano. Buscamos com força, foco e fé partes do corpo que sequer são naturais. Desejamos contas bancárias que sequer sabemos que existe. Inventamos pra nós mesmas uma história sobre terceiros e passamos a nos comparar com um roteiro que nós mesmas criamos para a outra pessoa. Retiramos desse recorte imaginário qualquer possibilidade da pessoa não falar com a mãe, do marido estar com outra, de alguém na família estar doente ou daquele relacionamento estar no fim. Colocamos palavras imaginárias na boca das entrelinhas das legendas em forma de julgamentos levianos.

A vida idealizada da outra pessoa não contém suas dores reais, seus aprendizados verdadeiros, suas questões emocionais da infância ou suas maiores lutas, contém apenas a parte que escolhemos para acreditar ser verdade. Colocamos um filtro totalmente tendencioso e romântico e pronto, tomamos como verdade. Romantizamos a vida da outra pessoa como se fosse um clássico de princesa da Disney, quando racionalmente nós sabemos que isso não existe.

Dizem que a felicidade não está no destino, mas sim na jornada. A autoestima também. Criar apreço por si mesma não é se achar bonita, é aproveitar o processo de se conhecer para se transformar. Para buscarmos a felicidade genuína e sustentável precisamos ser quem somos de verdade, não quem projetamos que devemos ser. Para a sensação de plenitude ser sustentável dentro de nós, e não um pico de anestesia, precisamos focar mais nos nossos processos do que no dos outros. Felicidade tem a ver com a qualidade das relações humanas, se nos compararmos menos será mais fácil melhorar isso.

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1 Comentário

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    Amanda Gomes
    23.08.2018 às 12:47

    Texto mais que necessário!
    A grama do vizinho é sempre tão verde né? Com o boom das redes sociais, fica cada vez mais dificil não se comparar com as outras pessoas. Temos que nos manter alertas e sempre vigiando, para não cair nessa armadilha da comparação.

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