3 em Saúde no dia 03.07.2018

Precisamos falar sobre depressão…

Conexão. Eu gosto muito de me conectar com pessoas, lugares, sentimentos. Essa semana tive uma experiência de conexão gigantesca. Conhecer pessoas, se abrir com el@s e ser inspiradas por el@s é talvez um dos maiores presentes de sermos humanos.

Quando tive que escolher o tema da minha monografia para me formar em Comunicação Social, eu sabia que queria falar sobre algo que tocasse as pessoas, só que mais do que isso, que me tocasse. Foi aí que surgiu a ideia de falar sobre a representação da depressão e do suicídio no audiovisual. No meu caso, analisei a série 13 Reasons Why.

Hoje, porém, não venho falar sobre a série; mas sim sobre a doença e todos os estigmas que a cercam. A cada ano, cerca de 800 mil pessoas escolhem tirar a própria vida, os números de jovens entre 15 e 29 anos e mulheres são os maiores. No Brasil, os dados chegam a ser alarmantes, o nosso país tem a maior taxa de depressivos da América Latina – e a terceira maior do mundo – um estudo da Universidade de Campinas estima que a cada 100 mil brasileiros, 17 já pensaram em suicídio. A OMS, porém, diz que 90% dos casos poderiam ter sido evitados. E é sobre isso que eu quero falar.

Evitados? Como assim? Existe uma falsa ideia de quem fala, não faz. Muitas pessoas acreditam que quem diz que vai se matar, não faz efetivamente. Isso é uma falácia. O suicídio é, antes de qualquer coisa, um pedido de ajuda. No início do ano, na cidade de São Paulo, veio a público 3 casos de suicídios de jovens num intervalo de 15 dias – dois na mesma escola. No entanto, o nosso olhar acerca do outro não mudou. Nós, como sociedade, apedrejamos muito mais do que acolhemos nossos semelhantes.

depressao

Depressão não é fraqueza. É uma doença. Da mesma forma que o diabético precisa tomar insulina para viver, o portador de depressão – ou qualquer outra doença psiquiátrica – precisa de tratamento. Seja ele psiquiátrico e/ou psicológico. O estigma, o tabu e o preconceito, porém, dificultam as pessoas de pedirem ajuda e os que estão ao redor de aceitar que eles precisem.

Segundo pesquisa realizada nos EUA, os transtornos de humor – sendo a depressão o mais comum – são responsáveis por 30% dos casos de suicídio no mundo, seguidos por abuso de substâncias, esquizofrenia e transtornos de personalidade. Venho, portanto, fazer um apelo aos familiares e amigos: olhem para as pessoas que amam, perguntem se está tudo bem, compartilhem suas histórias, ofereçam ajuda. Ajuda especializada, procurem profissionais de saúde mental.

Procurar ajuda é o primeiro passo para uma recuperação. E ela é muito possível, ela é gigantesca. Falar para a pessoa que está doente que el@ precisa levantar da cama, precisa comer, que o mundo não gira em torno del@ ou que existem problemas muito piores como a fome na África não ajudam. Essas pessoas sabem de tudo isso, mas não conseguem reagir. El@s perderam o prazer nas coisas que mais se interessavam, atividades comuns do dia a dia como tomar café da manhã, ou até tomar um banho ou escovar os dentes podem ser um sacrifício muito grande. El@s se sentem impotentes, não veem motivos para fazerem o que costumavam fazer, se sentem incapazes, e muitas vezes, culpad@s por não conseguirem reagir normalmente à situações corriqueiras. Nesses casos, quem está em volta tem que oferecer suporte, amor e procurar ajuda.

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Depressão tem cura, suicídio é um caso de saúde pública. Precisamos estar atentos aos sinais, e eles são milhões. Estar alí, oferecer suporte, uma palavra amiga, um abraço, sem julgamento, sem apedrejamento, ou juízo de valor. Ajude quem você ama simplesmente porque você o ama, mesmo que el@ não tenha pedido ajuda.

Ps.: pessoas de todo o mundo tem feito a tatuagem do ponto e vírgula, o símbolo da luta pela cura da depressão. Eu fiz a minha há duas semanas atrás e convidei minha mãe a fazer comigo. Vamos começar um movimento gigantesco de conscientização também?

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3 Comentários

  • RESPONDER
    Barbara
    03.07.2018 às 22:10

    Olá! Ótimo o texto. Sempre leio mt sobre isso de nao estigmatizar e de prestar atenção aos sinais.
    Sobre a parte da estigma acho q ja trabalho bem.
    Agora sobre ler os sinais, pra mim ainda é mt difícil.
    Tenho uma amiga que eu acredito que tenha depressão. Não é grave a ponto de nao tomar banho e tal, mas afeta a vida dela, pois hj ela nao faz mais as coisas que ela tinha prazer. Nao tem mais vontade de sair e basicamente foca só no trabalho.
    Gostaria de ajudar de alguma forma, mas nao sei como. Ela nao me da mt abertura, diz que nao quer sair e pronto. O que me resta é incentivar que ela vá à psicologa e que se force a sair.
    Mas nao sei se poderia fazer mais e o que mais.
    Então deixo essa sugestão, abordar de forma mais prática e direta que sinais podemos procurar. E que ações podemos tomar quando percebermos q um amigo ou parente possa estar sofrendo de depressão (talvez trazer a opinião e experiência de quem passa/passou por depressão).
    Um beeeeijo.

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    Laura
    04.07.2018 às 11:38

    Oi meninas,
    Tema muito importante! Gostaria também que vocês abordassem como lidar com uma pessoa deprimida do ponto de vista dos parentes e amigos também. É extremamente difícil, ninguém sabe exatamente o que pode ajudar ou pode até atrapalhar, e não vejo muita divulgação sobre como a depressão afeta todos ao redor do doente, de maneiras inclusive muito cruéis.

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    Jetro Menezes
    04.07.2018 às 15:13

    Recebi esta mensagem da minha companheira. Sou psicanalista e tenho alguns pacientes nesse estado. O melhor “remédio” é buscar ajuda de profissional. Se for necessário remédio, não evite, tome! Também, não deixe de procurar uma terapia, seja com psicólogos ou psicanalistas. Se alguém aqui tiver alguma pessoa com esse sintoma, procure conhecer a a doença e peça ajuda rapidamente.
    Parabéns pela matéria.

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