0 em Comportamento/ maternidade no dia 25.06.2018

O primeiro e o último dia

Lembro como se fosse hoje o primeiro dia do Arthur no day care. Era meu aniversário e eu fui para a escolinha tremendo da cabeça aos pés. Sou uma pessoa ansiosa por natureza e nas semanas anteriores tinha ouvido tantas histórias à respeito da adaptação dessa primeira semana que estava muito tensa com o que viria pela frente. Ouvi histórias de crianças que não quiseram aceitar a separação e choraram o dia inteiro, mães que não conseguiram sair da sala porque não estavam tão preparadas quanto pensavam que estavam, enfim…o que me aguardava?

No fim das contas, ganhei o melhor presente de aniversário. Arthur já estava completamente à vontade depois de 1 hora lá, e em algum momento, achei que a minha presença estava atrapalhando mais do que ajudando. A professora me incentivou a ir embora e eu saí me sentindo muito estranha, um misto de “eu quero fazer isso mas não sei se deveria”.

primeiro-dia

Não vou negar que meu primeiro sentimento foi de alívio. Por um monte de coisas. Alívio pela adaptação ter sido muito mais fácil do que as minhas melhores expectativas, alívio porque as professoras eram muito mais legais do que eu tinha imaginado (afinal, botei ele lá pela indicação de uma amiga), alívio porque não foi difícil. E alívio porque finalmente eu teria algumas horinhas para mim. E foi esse último alívio que me fez sentir muito inadequada.

Eu sei que meu background de 1 ano tentando equilibrar pratinhos entre cuidar de um bebê + cuidar de mim + home office foi cansativo, então o alívio de saber que eu poderia ir para qualquer lugar e fazer qualquer coisa sem depender da disponibilidade do marido ou de babysitter foi enorme. Só que não ter tido dificuldade em aceitar a independência do filho, ou não ter sentido aquela nostalgia de não ter mais um bebê em casa me fez achar que eu era uma mãe pior por um breve momento.  Sair daquela escola me sentindo leve sabendo que tantas outras mães não tinham conseguido fazer o mesmo me fez sentir muito inadequada aos meus próprios olhos.

O ato de comparar-se faz com que tenhamos um olhar mais rígido e menos carinhoso conosco, e esse foi um os meus maiores exemplos recentes. Cada maternidade é única, então por que eu estava tentando me diminuir por não ter tido nenhuma das mesmas reações que tinha ouvido?

E sabem o mais engraçado? Depois descobri que a tal sensação de alívio existia em todas as mães, inclusive na minha! Enquanto isso, lá estava eu, sendo minha pior inimiga.

Sexta feira foi o último dia dessa escolinha, que fechou. Enquanto me despedia das professoras que foram tão importantes nesse ano que passamos ali, daquelas salas de aula, dos armários onde colocava as coisas do Arthur, percebi como eu estava orgulhosa e grata com aquele lugar. Um lugar onde o Arthur evoluiu tanto em tão pouco tempo, aprendeu tantas coisas que eu nunca conseguiria ensiná-lo, mas também um lugar que permitiu que eu me reencontrasse das mais diversas formas. Não só me dando tempo para cuidar de mim, mas a cada elogio e observação que eu tinha de uma das professoras da turma dele, eu também fui aprendendo a enxergar e valorizar a minha maternidade.

ultimo-dia

E eu, crente que botá-lo na escolinha só teria benefícios para ele, me percebi saindo de lá uma Carla completamente diferente da Carla que entrou pela primeira vez. Ainda bem. :)

Gostou? Você pode gostar também desses!

Sem Comentários

Deixe uma resposta