7 em Destaque/ Relacionamento no dia 12.06.2018

Eu quero mais que um dia dos namorados

Dizem que canceriano é romântico, mas eu sempre digo que sou meio fajuta. Uma dessas provas é que eu não tenho a mínima paciência para Dia dos Namorados. Poderia dizer que a culpa é do meu relacionamento – que já passou por 15 datas dessas – mas a verdade é que eu sempre tive preguiça.

Poderia dizer que a culpa é dos restaurantes – sempre lotados, reservas esgotadas, com menu fechado e preços salgados. Mas não é, porque poucas vezes vi vantagem em jantar no dia 12 se a gente poderia jantar no dia 11 ou 13 e ter mais opções no cardápio, menos fila e menos stress. Para minha sorte, meus únicos dois namorados na vida compartilhavam dessa ideia.

No quesito presente, já tive dias de luta e dias de glória. Os dias de luta eu poderia facilmente encaixar o dia que me empenhei e gastei toda minha criatividade (que acho que não recuperei até hoje) fazendo uma caixa de presentes com coisas personalizadas e ganhei uma -brusinha-, que nem era do meu tamanho. Ou o dia que eu estava crente que iria receber de presente um anel de noivado e recebi….um jogo de toalhas (ok, a justificativa foi fofa, ele queria que eu tivesse minhas coisas na casa nova). Mas também tive meus dias de glória, como o dia que comemoramos em um hotel maravilhoso ou quando fui surpreendida por uma joia em um jantar de Dia dos Namorados que nada tinha de romântico, tanto que até levei a Joana para ir junto (acho que esse foi o dia de luta dele, né? rs).

Hoje eu diria que minha ideia perfeita para comemorar esse dia é ficar largada no sofá, os dois vendo filme e saboreando uma tacinha de vinho depois de botar o Arthur na cama (e meu presente é ele botar para dormir enquanto eu continuarei linda e largada no sofá). Pode parecer um presente trivial para se pedir em uma noite aparentemente comemorativa, mas confesso para vocês que hoje em dia não me passa na cabeça viver algo mais romântico que isso. Hmm, se bem que dormir de conchinha também é o ápice do meu romantismo, ainda mais se eu for a parte de fora da concha….

do maravilhoso instagram da @mayavorderstrasse

do maravilhoso instagram da @mayavorderstrasse – tradução: eu estou tão empolgada para o dia dos namorados. Mal posso esperar para discutir sobre o que vamos comer e depois desmaiar no sofá enquanto discutimos o que vamos ver na Netflix. 

Não quero Dia dos Namorados para postar no instagram, não. Não quero juras públicas de amor, nem fazer, nem receber. Do nosso amor, a gente é que sabe. Conhecem essa frase? Cada vez mais sinto menos vontade de expor o nosso relacionamento por aí, até porque ocupar o lugar de casal perfeito (coisa que é comum de se achar quando dizemos que estamos juntos há 15 anos) cansa. Não somos, nem temos essa intenção de ser. Se as nossas imperfeições se complementarem, isso já é mais do que o suficiente.

Meu conceito atual de romantismo é conseguir valorizar as concessões e os esforços feitos, celebrar o companheirismo dos momentos mais complicados aos mais bobos e, principalmente, valorizar a beleza que é viver um amor onde ambas as partes tentam diariamente manter a essência do namoro, mesmo que o cenário recente englobe casamento e filhos.

Nem sempre é fácil. Tem dias que a rotina nos engole e leva a melhor. Tem dias que nós conseguimos resgatar sentimentos que achávamos que tinham ficado para trás. Tem dias que morar junto cansa – com filho, então, cansa 15 vezes mais – e tem dias que tudo que queremos é comemorar mais um ano de relacionamento. E esse é o nosso Dia dos Namorados.

Nesse dia não tem discussão de quem vai arrumar a casa ou quem vai botar o filho para dormir, não tem cansaço mental depois de um dia de trabalho intenso, só tem a vontade de lembrar que independente do estado civil ou da aliança no dedo, a vontade de ser eterno namorado ainda está ali. Não precisa de presente, de jantar em restaurante, não precisa impressionar. Talvez um sexo mais especial e com mais atenção, apesar de eu ser da teoria que quando o clima é esse, o sexo melhor flui naturalmente. E posso falar? Melhor assim. Sem data, sem pressão, sem aquele sentimento de obrigação de mostrar uma vida perfeita, apenas aproveitando o que está acontecendo aqui e agora. Mesmo que o aqui e agora seja dois adultos babando no sofá com um filme visto pela metade. 

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7 Comentários

  • RESPONDER
    Carla
    12.06.2018 às 13:26

    P E R F E I T O!

  • RESPONDER
    Manuela
    12.06.2018 às 13:59

    Simplesmente perfeito! Me identifiquei em cada palabra. Tem tanto Casal que a gente sabe que não estão bem mais que no dia dos namorados escrevem textão e pior, as vezes o marido nem face ou Instagram tem 🙄. Por tanto palmas 👏🏻 Para este texto maravilhoso!

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    MARIA CLAUDIA GIAMATEI GIOLO
    12.06.2018 às 15:55

    Puxa vida! Pensei que era só eu que pensava assim.. e meu marido também compartilha da mesma opinião! Mais vale uma ajuda com os filhos do que um presente comercial, um jantar preparado em casa do que um restaurante chique, lotado e caro. Parabéns pelo texto, acertou em cheio!

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      Carla
      13.06.2018 às 11:32

      Olha, ontem foi ótimo. Vimos filme bobo, comemos, bebemos vinho e nem dormimos no meio do filme! hahaha

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    Tici
    12.06.2018 às 19:25

    Que delícia de texto!
    Também não estou mais na fase de precisar de declarações públicas, então a frase ˜Do nosso amor, a gente é que sabe” caiu muito bem.

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