5 em Sem categoria no dia 05.06.2018

A mãe que não está sozinha

Estar em um lugar com seu filho ao mesmo tempo que você está rodeada de gente sem filhos, é um verdadeiro desafio. Socializar com uma criança que precisa de supervisão constante em um lugar pequeno e ambiente controlado é fácil, só que ninguém te prepara para o desafio que é estar em um lugar onde a diversão dos adultos não é a mesma que a das crianças.

A primeira vez que isso aconteceu comigo, eu tive vários sentimentos. De início fiquei feliz de vê-lo brincando com outras crianças, com outros brinquedos, se divertindo. Só que não demorou muito para eu querer voltar para a mesa, sentar e comer alguma coisa sem precisar ficar naquele ambiente onde a música da Galinha Pintadinha quase estourava meus tímpanos. E tirá-lo dali para irmos juntos para a mesa se tornou uma tarefa impossível, afinal, que criança em sã consciência iria querer sair da brincadeira para sentar numa mesa cheia de adultos, não é mesmo?

Resumindo: para ele, a noite foi maravilhosa. Para mim, foi um saco. Nunca imaginei que queria tanto socializar até entender que essa opção não existia.

A segunda vez foi até um pouco mais fácil, mas não menos maçante. Estava em um aniversário do amigo do meu marido, em um ambiente enorme e com muitos outros atrativos que não a mesa dos adultos. O lugar, inclusive, foi escolhido com cuidado pensando nos amigos com crianças. O único negócio é que foi pensado por alguém sem filhos que não imaginava que nessas situações existe esse isolamento natural de um dos pais, que fica com o cargo de correr atrás da criança. Nessa situação seria eu, afinal, queria que meu marido aproveitasse o aniversário do amigo dele.

Eu estava preparada para isso, e achei que o fato de não conhecer muito bem os outros convidados me faria sentir menos sozinha, mas não foi isso que aconteceu. Como únicos pais de crianças dessa faixa etária na mesa, não demorou muito para eu me ver ali, no meio da área onde a criançada brincava, parada perto do Arthur e tomando cuidado para ele não jogar as pedrinhas do chão para o alto e atingir outras pessoas e separando eventuais brigas por compartilhamento de brinquedos. Olhava para outras mesas e literalmente invejava cada pessoa que estava na sua roda de amigos, conversando despreocupada sobre qualquer amenidade, comendo e bebendo à vontade. Ao redor, outras mães com as mesmas caras de que preferiam estar em qualquer outro lugar do mundo do que ali.

Eu jurava que não seria a mãe que evitava certos programas, eu jurava que estava sabendo equilibrar muito bem meus mundos, eu jurava que estava tirando tudo de letra. Mas toda vez que tenho um programa desses eu entendo toda mulher que diz que se afastou de amigos sem filhos. Eu entendo a amiga que prefere mal sair de casa só para evitar a função de não ter vida social em um lugar cheio de vida social. Porque para a maior parte das mães esse tipo de programa é difícil, entediante e solitário, e para os amigos é preciso ter uma dose extra de empatia para perceber que a amiga sozinha ali no parquinho do restaurante pode fazer um bom uso da sua companhia, por mais que o lugar não seja tão confortável quanto a mesa da galera.

mae-que-nao-esta-sozinha

Lembro de uma frase em um post da Ju Ali que me impactou. Ela dizia que se sentia amada quando seus amigos brincavam com seus filhos. Eu também, mas digo mais, me sinto muito amada quando vejo alguém disposta a pegar na minha mão nessa caminhada tantas vezes solitária chamada maternidade. Então, fiz esse texto para você, amiga sem filhos (poderia ser amigo sem filhos para o marido também, mas vou focar no feminino por esse blog ter 98% do público feminino).

Se você estiver em um lugar e notar uma amiga com filhos sozinha cuidando das crianças enquanto todo mundo está conversando, bebendo e comendo, vai lá. Leva algo para comer, para beber, mas principalmente, leva um papo qualquer, só para tirá-la por alguns minutos da função, distrair a cabeça. Você pode ter certeza que essa vai ser a melhor coisa que você irá fazer por sua amiga.

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5 Comentários

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    Mari
    05.06.2018 às 19:29

    Caramba, que texto interessante. Eu ainda não tenho filhos e faço isso com minha irmã que tem (brincar c meus sobrinhos em festas, ver se ela precisa de algo). Eu só não sabia o impacto disso e como é importante. Fiquei feliz :) Obrigada por compartilhar :)

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    Tamy
    06.06.2018 às 10:56

    Nossa, tão verdade… já cheguei ao ponto de ir na casa de amigos super próximos, com filhos inclusive, mas que estavam em suas funções de receber as pessoas, e comer ali, sozinha, sem ng pra conversar… fico pensando que se eu me visse lá, iria conversar, mesmo que fosse sobre qq coisa… tive pena de mim mesma, coisa feia de admitir, mas foi isso mesmo…

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    Grasi
    06.06.2018 às 20:50

    Eu sou a amiga sem filhos, não tenho muita paciência com criança mas com as dos amigos até tenho e inclusive ela me amam sempre que posso dou aquela ajuda p dar uma folga p mãe ou às vezes faço as vezes da amiga ao lado da mãe no parquinho, cama elástica, e playgrounds e imagino mesmo que essa missão de estar sempre atento a uma crianças pode ser difícil e solitária. #amigasparticipativas

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    LAILA
    07.06.2018 às 0:12

    Interessante demais esse texto… Tenho muitas amigas com filhos pequenos… Foi bom pra porcentagem que cada uma vive a maternidade de uma forma muito única… Tenho uma amiga que se afastou completamente e sempre foi difícil me inserir nos seus programas… Como não sou mãe ficava apenas me questionando… Por tenho outra amiga que permite que a gente vivencie a rotina da criança… Que permite que a gente pegue a criança no colo enquanto ela come… Entendo o que você está falando, mas é muito importante olhar e ver se a amiga que é mães Tb deixa a outra pessoa ajudar, sabendo que essa pessoa fará o melhor possível, sem necessariamente cuidar do jeito que a mãe cuida… Respeito muito as mães, falo apenas do meu lugar de mulher sem filhos… Espero ter contribuído…

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    Aline
    23.06.2018 às 1:17

    Adorei o texto, porque sou a amiga sem filhos e nem sempre tenho essa percepção de que alguém está excluída da festa por estar com os filhos no playground. Obrigada pelo toque!
    Gostaria de ver mais textos assim, sobre deixar mais próximo o relacionamento entre amigas com e sem filhos, pois não sei bem lidar com as amigas com filhos. Notei que acabo me afastando dessas amigas, o que é injusto com elas e comigo também.

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