0 em Looks/ Moda no dia 04.06.2018

MODA, vou olhar pra você com mais amor!

Tenho tentado ser mais assídua com os posts de look. As razões variam, muitas pessoas ainda pedem esse tipo de post por ser um conteúdo mais leve, ao mesmo tempo, me vejo sempre tentando inseri-los dentro do novo olhar mais amoroso e acolhedor do qual falamos no #paposobreautoestima. Tem a ver com se expressar, com estilo pessoal e com ser quem queremos ser, sem medo ou crenças limitantes. Só isso já seria o suficiente pra termos posts de look aqui pra sempre, né? Sinto que esse tipo de post traz um pouco do antigo futilidades de volta, mas ainda assim traz toda uma nova importância e uma motivação que vai muito além de inspirar looks que vocês possam reproduzir. Tenho tentado trazer a moda como ferramenta de autoconhecimento, não de objetos desejo pra consumir. 

A verdade é que me vejo tentando me achar constantemente no meu armário. To tentando usar meus looks pra comunicar minha personalidade e espero conseguir fazer isso com muito mais clareza. Estou me esforçando pra usar os looks como ferramenta de comunicar quem é a mais nova versão de Joana. Que nem um aplicativo que muda de cara quando tem um update, procuro sempre uma forma de comunicar que a versão que está ali evoluiu. Busco trazer informações pra quebrar os padrões antigos e abrir mão das crenças limitantes que aprisionavam a Joana versão blogueira de moda convencional. 

Quem de fato já é livre com a moda pode achar repetitivo, mas aí é só pular os posts que você não se identifica que está tudo certo. Seria uma arrogância sem tamanho achar que todo mundo gostaria de tudo que temos por aqui, né? Um blog de tantos assuntos não tem como ter a intenção de agradar a todo mundo. 

Nessa busca por usar a moda como forma de expressão de quem sou hoje, notei que quase todos os looks que monto com calma, cuidado e amor têm uma mensagem de libertação. Foi tanto tempo na auto-prisão da versão blogueira de moda que fazia parte da categoria de pessoa presa em dietas malucas, nunca se achando magra o suficiente para o cliente da categoria querer, sempre se comparando com a coleguinha do lado com o corpo mais magro e achando que para pertencer, eu precisaria ter bolsas de marca e peças caras. Era um ciclo vicioso que me afastava sempre mais de quem eu era, compartilhando essa sensação de inadequação, quase que ensinando que nunca somos suficientes sem perceber.

Um dia eu entendi que eu fiquei doente tentando me curvar a um sistema inflamado de egos e demandas doentias. Onde a parte principal da equação é se sentir melhor e mais poderosa que outras mulheres, quase uma sororidade às avessas. Se comparar já é perigoso, na moda então, eu diria que há um alto risco de se perder de si mesma. 

Em algum momento eu era magra e sequer percebia, igualmente não sabia que isso era sintoma de doença alguma, achava que era parte obrigatória da forma da moda funcionar. Eu era tida como inadequada e nunca suficiente, por mim e pelos outros. Eram menos 12 kg de peso e mais uma tonelada de infelicidade e hoje vejo que o problema começava comigo: eu me diminuía, consequentemente dava o aval para que os outros me diminuíssem. 

Quando eu comecei o processo de me libertar de tudo isso o inesperado aconteceu: a moda que era minha inimiga se tornou uma forma de expressão muito ousada e divertida. Os clientes de look do dia foram diminuindo, mas as marcas que acreditavam nesse olhar mais amoroso também foram se aproximando. A sensação de rejeição do mercado de moda deu lugar à uma sensação de pertencimento linda no universo de moda praia e lingerie. Enquanto eu não era suficiente para postar look do dia pra cliente gordofóbico, eu vivia tentando ser outra pessoa. Quando optei por ser eu, me tornei até modelo de campanha de lingerie. Definitivamente eu estava tentando pertencer ao lugar errado. 

look-joana-cannabrava-2

cropped Karamello

Claro que eu guardo memórias ruins dos tempos de rejeição e inadequação, mas isso não me define mais e tampouco define minha relação com meus looks. Hoje eu posso tudo pra vestir o que eu quiser e me colocar da forma mais confortável e dentro do meu estilo que eu quiser.

Que estilo é esse? Não sei ao certo, estou descobrindo, mas com certeza ele envolve conforto e liberdade. 

look-joana-cannabrava-5 look-joana-cannabrava-3

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look todo Karamello | link jaqueta bordada + link calça bordada

A meu ver, a gente se acostumou à ideia de que devemos emagrecer e mudar pra caber na roupa, pra vestir uma peça. Só que isso tá errado. Na verdade é a peça que precisa que nos vestir. Não devemos ser reféns de pessoas, que dirá de coisas, de roupas. Precisamos nos apropriar desse conceito empoderador de que somos donas de nós mesmas e entender que como consumidoras podemos escolher o que vestir e, quando não tivermos opção, podemos falar sobre isso.

Foi notando que apesar da moda ter mesmo muita gente que só quer excluir e segregar, eu vou olhar diferente. Vou tentar guardar meus traumas e implicâncias pra lá e me apropriar dessa alternativa de postar looks, dos mais ousados aos básicos, sem medo. Vou olhar com amor pra quem é do amor na moda e falar de quem luta pra vestir as mulheres que estão em busca de expressar a sua personalidade através de looks. 

Look-joana-cannabrava-4

Estou tentando deixar meu olhar super rígido e crítico com a moda pra lá, para isso não me limitar. Vou seguir aqui jogando holofote na parte boa, criativa e divertida da moda, para me conectar com a energia do novo que veio pra somar…

Fotos: Adriana Carolina

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