5 em Autoconhecimento/ Relacionamento no dia 30.05.2018

O privilégio de ser solteira por volta dos 30…

Hoje vou falar sobre algo que gostaria que alguém tivesse me dito 3 anos atrás: a maravilha que é ser solteira por volta dos 30 anos. Para algumas soará óbvio, afinal, uma mulher mais adulta, madura, independente e geralmente mais segura pode fazer bom uso de uma nova oportunidade de conhecer pessoas e de conhecer a si mesma. Infelizmente para muitas outras ainda é difícil enxergar dessa forma. Quanto mais frustrada a pessoa se sente por não ter conseguido atender a pressão de casar e ter filhos, mais difícil é enxergar o tamanho da benção que é ser solteira com essa idade.

Poder se conhecer ainda melhor na vida adulta é libertador. Não é fácil sair da zona de conforto, mas é literalmente um movimento empoderador.

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Pessoalmente acho quase matemático dizer que quanto mais nos conhecemos, mais podemos escolher melhor com quem queremos dividir as diferentes fases da nossa vida. 

Hoje tenho 31 anos de idade, solteira entre chegadas e partidas e com a sensação de que a vida me deu uma nova chance de recomeçar tudo aos 28. Há 3 anos eu tomei a decisão mais importante de toda minha vida adulta: terminar um namoro de 6 anos. Para muitos foi um pouco estranho. Eu sei que parecíamos felizes, mas a verdade é que apesar de termos vivido uma linda história, ela havia chegado ao fim e estávamos empurrando com a barriga, sem mais vontade de dar certo, preenchidos de distrações convenientes para não enxergar a verdade. 

Ficar solteira com essa idade foi muito vantajoso para mim, e apesar do medo inicial, logo entendi que meus medos eram todos meio infundados. E se eu descobrisse que ele era o amor da minha vida? Lutaria por ele com unhas e dentes. E se esse fosse o maior erro de todos? Eu repararia o erro, não dando voz a nenhum tipo de orgulho. E se eu não conhecesse ninguém legal? Eu sairia com pessoas chatas quando tivesse afim, tendo sempre minha boa companhia como opção. E se ficasse tarde para casar e ter filhos? Nunca é tarde pro amor, só que pra mim uma família precisa ser consequência de um amor, não causa pra ter alguém.

Em meio a várias incertezas, me dei meu maior presente: o benefício da dúvida. Agradeço todos os dias por ter feito isso. Claro que tiveram dias difíceis, frustrantes e cansativos num mundo onde tanta gente tem medo de se envolver, mas isso não foi nada comparado com a parte boa. Vivi algumas das melhores histórias que já escutei e, por elas, eu abriria mão de tudo novamente. Elas me permitiram chegar na atual versão de mim, da mais louca a mais improvável. Me vi inteligente, forte, incrível, linda e poderosa em algumas das muitas oportunidades que me dei, cada um desses momentos fez tudo vale a pena. 

Lembro que a época do término, lá em 2015, tirou semanas do meu sono. Literalmente eu deitava e não conseguia dormir. Sentia que estava agindo de forma leviana e sendo injusta com todo mundo que esperava que eu casasse, tivesse filhos e vivesse feliz para sempre. Por esse tal sonho idealizado eu seguia lutando numa relação que havia ficado pesada pra mim. A gente não era mais feliz, mas fingíamos que éramos. O pior é que não fingíamos pros outros, fingíamos para nós mesmos.

Nesse processo de autodescoberta pude viver o feminismo a meu favor. Um novo momento onde mulheres poderiam tomar decisões sem ter tanto medo do julgamento externo, onde elas poderiam se experimentar, viver sua sexualidade, seu corpo, suas rédeas, seu trabalho e se dar novas oportunidades sem considerar os antigos estereótipos do “lugar de mulher”, do “garota de família” ou do “essa é pra casar” que ouvi a infância inteira. Eu fui uma mulher livre pela primeira vez, usei minha autoestima a meu favor e me permiti surpreender.

Ser solteira sem essas prisões foi das coisas mais livres que eu já experimentei, aos poucos testando coisas novas e soltando velhas amarras, muitos desses temas viraram posts do blog. Pude explorar quem eu sou de verdade, pude descobrir novidades sobre mim que eu sequer conhecia.

Redescobri meu corpo, meu prazer e encontrei toda uma nova personalidade da versão cada dia mais incrível de mim mesma. Por isso repito, estar solteira aos 30 foi a coisa mais importante e libertadora que poderia ter me acontecido.

Abrir mão de um único padrão de futuro socialmente esperado também foi muito libertador. Sou muitas vezes a amiga que não casou e não teve filhos, mas sou tão mais do que isso. Realizei tantas outras coisas. Não tenho nada contra a ideia de juntar escovas de dente, desde que seja pelas razões que eu considero corretas, e não por ser o que esperam de mim.

Poder se conhecer e recomeçar é um ato de liberdade que, somado à maturidade, pode nos abrir caminhos que jamais sonhamos, para termos uma vida que sequer imaginamos dentro da nossa antiga bolha.

Na minha vida sinto que namorei pouco, fiquei muito e transei com menos pessoas do que gostaria, mas sem dúvida alguma pude viver algumas das melhores histórias ao me dar essa nova chance. Ganhei novas referências, aprendi com novas pessoas e cresci como ser humano. Num saldo geral foram 4 namoros que, juntos, somaram 8 anos e meio, 2 relacionamentos sérios sem nome e umas 2 ou 3 paixões loucas pra conta. Os aprendizados com isso tudo? Incontáveis. Tive uns dois términos dolorosos nessa conta, mas ambos me ensinaram muito, até mesmo a importância de não me desconectar de mim, não contaminar minha vibração, porque uma coisa é certa: sempre atraio a energia que estou emanando, na duvida prefiro ficar conectada numa frequência muito positiva.

Quase tudo que me trouxe até aqui aconteceu depois do fatídico maio de 2015. Até mesmo o que me ocorreu antes foi finalmente digerido e compreendido depois. Eu não mudaria nada, conheci pessoas incríveis, fiz viagens que jamais faria, amigas e amigos novos e me conheci ao viver as experiências mais inesperadas, que a conveniência jamais me proporcionaria.

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Eu tenho muito orgulho de tudo que vivi até hoje. Todos os aprendizados dos últimos 3 anos preencheram um vazio que eu tinha. Algumas histórias dariam um livro, mas o mais importante é garantir que eu ainda tenha muitas páginas em branco para seguir contando sobre minha vida.

Hoje, pra ficar estacionado na vaga que tem no meu coração, é preciso somar, me fazer feliz e sonhar alto comigo. Acolhendo todas as nuances, detalhes e singularidades dessa Joana. Ela tem como destino sonhos novos e como trilha sonora durante a jornada ela escolheu a felicidade.

fotógrafa: Adriana Carolina 

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5 Comentários

  • RESPONDER
    Andrea
    31.05.2018 às 20:15

    Aí Joana você não tem ideia da hora certa que tá postando isso aqui pra mim! Queria poder me abrir mais mas ainda volto aqui pra contar tudo! Feliz por ter descoberto seu blog, você e suas experiências! Obrigada!

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    Deize
    31.05.2018 às 22:31

    Infelizmente tenho passado por mta cobrança de ter filho! Graças a Deus que não pelos meus pais! Fiquei 8 anos num relacionamento, e aos 28 anos de idade o relacionamento acabou! Agora estou solteira, em janeiro faço 30 anos e mta gnt me fala JÁ TÁ NA HORA DE TER FILHO DEIZE, DEPOIS DOS 30 É GRAVIDEZ DE RISCO ETC! Eu queria tanto saber pq que pra mtas pessoas a mulher só é MULHER depois de ser Mãe?! Não me arrependo de não ter tido filho ainda pois já aproveitei mto a vida com viagens etc!

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    Renata Castro
    01.06.2018 às 15:45

    Jô, é sempre tão bom ler seus textos… senti tanta leveza nas suas palavras…

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    Luciana Targino
    18.06.2018 às 11:35

    Passei pelas mesmas dúvidas antes de acabar meu casamento, sem filhos, aos 34 anos. Conclusão: A MELHOR DECISÃO QUE TOMEI NA VIDA. Nem penso em ter filhos agora e existem muitas formas de ser mãe, caso eu queira. Conquistei uma LIBERDADE da qual nunca desfrutara, sempre amarrada em medos, convenções – que eu mesma criei. Sou outra, e sou bem melhor que antes, mesmo com TODAS as inseguranças que me rondam. Adorei o texto!

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    Jussara
    09.08.2018 às 14:00

    Minha nossa, eu estava aqui em uma angústia sem fim, tentando entender diversas coisas e me veio esse texto maravilhoso! Está aí muita coisa do que eu penso ao terminar um namoro de 7 anos, poder pensar em mim, me enxergar como mulher negra, me descobrir profissionalmente e poder realizar todos os sonhos que foram adiados. Recentemente, me falaram que eu estou sempre sorrindo, e eu respondi que quando a gente sorri para a vida a vida sorri pra gente, estou me dando essa grande oportunidade de sorrir e muito! Agora prestes a entrar nos 29 anos, me vejo renascendo, me abrindo para as novas oportunidades e sentimentos. Obrigada por esse texto que foi como um espelho para mim hoje, me fez enxergar e me deu uma perspectiva de como tudo pode ser bom, até mesmo os dias ruins!

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