3 em Destaque/ maternidade no dia 22.05.2018

Quem foi que disse que filho segura casamento?

Quem nunca viu algum filme ou novela onde a mulher resolve engravidar para segurar o homem? Quem nunca ouviu falar no “golpe da barriga”, expressão que pode ser usada tanto para aquele cenário em que a mulher engravida de um cara rico quanto da mulher que se vê em um relacionamento que está perigando e engravida para ficar com o cara?

Vou tentar ignorar o enorme grau de machismo presente em todos esses pensamentos para focar em outra coisa: QUEM FOI QUE INVENTOU ESSA IDEIA?

Juro, adoraria que alguém me apresentasse a pessoa que criou essas teorias (posso dizer com 99% de certeza que foi um homem, né?), ou queria conversar com quem falou pela primeira vez que “filho une o casal” só para entender a teoria, porque até o momento, a prática e a vida real zero romantizada foi me dizendo outras coisas.

Aliás, foi conversando com outras mães que eu tive certeza que no dia a dia, o que acontece é justamente o contrário. Assim como a maternidade intensifica todos os nossos sentimentos e joga na nossa cara todas as nossas qualidades e defeitos (mas como somos seres humanos, acabamos focando nos defeitos e esquecendo das qualidades, claro), a chegada de um filho também faz isso tudo no casal.

familia

O que era bom pode ficar ainda melhor, mas o que incomodava mais ou menos também pode tomar proporções gigantescas. Soma a isso a falta de tempo para o casal que naturalmente acontece quando temos uma criança em casa e bota nessa conta uma pitadinha do machismo nosso de cada dia – que pode acontecer até mesmo com o boy mais desconstruidão – e da carga mental que é consideravelmente maior na mulher e pronto, temos uma receita pronta para um casal potencialmente desgastado. Isso porque nem estou botando na conta homens com o mesmo nível de maturidade das crianças e que acham que estão perdendo a atenção da mulher para os filhos.

Segundo uma pesquisa do Relationship Research Institute, cerca de 25% dos casamentos terminam em divórcio depois dos filhos. Então se as coisas podem desandar com um casal que desejou, esperou e realizou o sonho de ter um filho, imagina só se engravidar para segurar alguém vai funcionar?

Mas calma, não estou aqui para aterrorizar ninguém. Filho pode unir o casal, sim. Principalmente aquelas duas pessoas que estão igualmente dispostas a entenderem suas novas funções e seus novos papeis dentro desse novo relacionamento.

Se estamos aqui batalhando para desromantizar a maternidade, acho que vale apontar também que não precisamos sonhar com a ideia da família de margarina, todos felizes, ensolarados e de muito bom humor às 7 da manhã.

Me contem, como vocês lidaram com o casamento depois dos filhos?

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3 Comentários

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    Rafaela
    24.05.2018 às 15:25

    Olá Carla, segundo pesquisas 25% dos casamentos acaba em divórcio nos 3 primeiros anos do primeiro filho… ou seja, é osso! Muito companherismo para driblar a falta de tempo, disposição para sair, namorar, a paciência, enfim, muuito errada essa teoria de que filho segura casamento mesmo…Se os dois não forem conscientes, acaba que um joga nas costas do outro as responsabilidades com o filho e vira aquele caos…

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    Christy
    29.05.2018 às 9:03

    Pura verdade, Carla. Depois que me tornei mãe, passei a pensar que é mais fácil um casamento acabar depois de um filho do que se firmar, porque o desafio é grande. E não estou me referindo ao lugar comum de se pensar que é por falta de empenho do pai e sobrecarga da mãe. Para duas pessoas que se comprometem com a decisão de ter filho, a realidade, às vezes, se mostra bem cruel para os dois lados. Mesmo podendo contar integralmente com esse movimento lindo de desromantização da maternidade e também de intensa atuação do companheiro/marido, a peleja é contínua. Como se não bastassem todas as dificuldades inerentes à dura adaptação dos primeiros anos, ainda tem o fato de que existe, no fim das contas e para sempre, a missão de se criar um ser humano bom, responsável, feliz com o que é, etc., e aí vem mais uma gama de exigências para o casal, que precisa estar em sintonia, mesmo com todas as suas diferenças, sua bagagem cultural, a criação que teve em casa, as quais serão colocadas em jogo em momentos cruciais do crescimento do filho.

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      Carla Paredes
      29.05.2018 às 13:32

      Sim, falou tudo! <3

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