0 em Comportamento/ maternidade no dia 13.05.2018

Dia das mães não precisa ser dia da Mulher Maravilha

Essa semana pré Dia das Mães me desgasta um pouco. Não foi sempre assim, tá? Já teve época que eu via os anúncios voltados para essa data comemorativa e achava fofo, me emocionava. Hoje, em 2 minutos e meio de comerciais ou até mesmo abrindo meu e-mail, fico com vontade de jogar a televisão ou o computador pela janela.

Calma, gente, sei que parece mas eu não estou nem um pouco revoltada, foi só força de expressão. Mas é que quanto mais eu vivencio, converso, leio, troco e aprendo sobre maternidade, mais enxergo como o discurso em homenagem às mães – na maior parte das vezes ultra romantizado – me soa equivocado, por mais lindo e apelativo (no bom sentido) que seja.

A Bio Extratus pediu para que todas as embaixadoras fizessem um vídeo sobre mães naturalmente inspiradoras (quem quiser ver o meu, é só clicar) e confesso para vocês que enquanto pensava como abordaria esse assunto, por dois segundos quase decidi ir pelo caminho mais fácil. Ou seja, pelo caminho que a gente já ouviu tantas e tantas vezes que o discurso já sai praticamente automático. Resolvi mudar de ideia e saí perguntando para diversas pessoas, homens e mulheres, o que elas pensavam quando eu falava sobre mãe inspiradora.

BA-TA-TA.

Uma parte respondeu aquela imagem da mãe altruista, que se doou completamente, parou a vida para poder cuidar dos filhos. Outra trouxe a mãe equilibrista, que consegue dar conta de trabalho, rotina e ainda consegue estar sempre presente. A maior parte falou da própria mãe e deu exemplos de força e perseverança, como a mãe que educou os filhos sozinha pois o pai não era presente ou a mãe que trabalhava dois empregos para não deixar nada faltar.

Todas essas mães existem, eu sei. Mas achei curioso que em todos os casos a mãe foi alçada a um status quase de super mulher. E eu sei que esse é o objetivo de toda homenagem do Dia das Mães. Vocês precisam ver a quantidade de agradecimentos e reconhecimentos que já escrevi para a minha nessa data.

Só que depois que virei mãe eu descobri que esse papel de super heroína cansa, e cansa demais. Até porque muitas das coisas que os comerciais nos agradecem por termos feito, não foram feitas porque realmente viramos criaturas perfeitas, e sim porque era o que fazia sentido na hora. Era o caminho mais óbvio, mais sensato a se tomar – muitas vezes o único que tinha na época – não importa se muitas de nós largaram sonhos e desejos pelo meio do caminho.

Ou melhor, no fim das contas importa, porque por mais que a maioria nunca tenha se arrependido de suas escolhas, o que mais tem por aí é mãe sofrendo em silêncio por se sentir na dúvida se valia a pena ter aberto mão de suas coisas, e se sentindo culpada por isso. Mães que se culpam porque se acham hipócritas ao ouvirem esses agradecimentos por atitudes que vieram mais do cérebro do que do coração. Mães que não se identificam com todo esse heroísmo que sempre tentaram nos vender.

dia-das-maes

Calma, não estou dizendo que quero que comerciais de dia das mães acabem, ou que não quero mais comemorar esse dia. Quero celebrar minha mãe, sim. Mas não quero celebrar o épico, quero celebrar o aqui e agora, as atitudes diárias e que passam quase despercebidas por serem tão usuais mas que na verdade são escolhas feitas genuinamente do coração. Quero celebrá-la longe do pedestal que colocam todas as mães justamente para olhá-la diretamente nos olhos, de igual para igual, de mãe para mãe, agradecendo todas as suas qualidades como mãe que me tornaram quem eu sou hoje e acolhendo defeitos, os meus e os dela, que também nos trouxeram para onde estamos agora.

Feliz dia das mães para todas!  <3

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