0 em Autoestima/ Saúde no dia 17.04.2018

Vale a leitura: Por que os 17 anos de silêncio de Mariah Carey me deixam de coração partido

Semana passada Mariah Carey veio à público falar sobre transtorno bipolar, doença que ela descobriu em 2001 e que até então ela preferiu manter em segredo.

Falamos sobre isso lá no nosso grupo do Facebook e entre os relatos, tivemos o da Ana, que disse: “a pessoas não entendem que é um problema psiquiátrico, acham que é uma questão de caráter, quando na verdade eu não tenho nenhum controle sobre a química do meu cérebro. Perdi TODAS as minhas amigas, meus pais me odeiam profundamente e tenho muita dificuldade em manter amizades e relacionamentos afetivos por medo de ser julgada e novamente abandonada.”.

Recebi alguns casos por e-mail e direct, de gente que tem acompanhamento médico, está medicada e controlada, e mesmo assim precisa esconder a doença para não ser prejudicada em entrevistas de empregos e até mesmo processos de adoção. Enquanto estava pensando como abordar esse texto aqui no blog de forma menos superficial, vi esse post no site da CNN e achei que precisava traduzí-lo.

Quem quiser saber mais do assunto e ajudar a desmistificá-lo, a Cecilia Dassi fez um vídeo ultra explicado sobre esse transtorno:

E deixo vocês também o post da CNN, escrito por Liz Lazzara:

“Agora que milhões de pessoas ao redor do mundo viram na revista People que Mariah Carey vive com transtorno bipolar, muitos estão olhando para trás e vendo certas situações em sua carreira sob uma nova ótica. Agora que ficaram sabendo que era foi diagnosticada em 2001, podem explicar seu comportamento surpreendente no TRL ou suas aparições públicas antes dela ser hospitalizada por “exaustão” – explicação padrão de RP tanto para reabilitação quanto para tratamentos para saúde mental.

Quando eu li que Mariah decidiu esperar 17 anos para falar do seu diagnóstico, eu me senti de coração partido, derrotada mais uma vez por uma sociedade que acredita que doenças mentais te tornam uma pessoa perigosa, difícil de conversar ou imprevisível. Em sua entrevista para a People, Mariah falou: “eu não queria carregar por aí o estigma da doença de uma vida inteira que poderia me definir e possivelmente acabar com a minha carreira”. Ela também disse que “até recentemente eu vivi em negação e isolamento e com um medo constante que alguém me expusesse”, um medo com fundamentos se considerarmos como seu irmão foi aberto sobre o assunto.

Você só precisa olhar o Twitter ou o Facebook para ver rapidamente como o estigma de viver com transtorno bipolar se espalha. Um post de 2016 dizendo “7 razões que Mariah Carey é a celebridade maluca mais legal de todos os tempos” e começa falando: “quem não ama quando celebridades ficam malucas? Não importa se é Britney ou Linday ou até mesmo Amanda Bynes, a gente só senta no sofá com a pipoca e assiste o espetáculo desenrolar. Porém, para mim não tem ninguém que é tão maluca quanto a Mariah.”

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E mesmo assim, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental, aproximadamente 2,8% de adultos americanos foram diagnosticados com transtorno bipolar ano passado. Essas milhões de pessoas talvez não tenham acesso à seguranças, à equipes de profissionais, cuidado médico da melhor qualidade ou até mesmo acesso básico para um tratamento psiquiátrico. Se Mariah Carey, uma estrela do pop com 28 anos de carreira e 14 discos, pode viver com medo desse estigma, temos um trabalho muito sério a fazer. 

Eu conheço bem essa dificuldade. No dia 2 de Abril de 2015, eu tomei uma decisão que mudou minha vida para sempre. Eu me inscrevi para receber um benefício provisório por invalidez. Eu não estava machucada, tampouco doente fisicamente. Eu tinha sido diagnosticada recentemente com transtorno bipolar II (que é diferente do bipolar I por causa da falta de episódios de psicose durante um episódio e menos momentos maníacos) e precisei tirar um tempo longe do trabalho para achar uma medicação que me ajudasse a ser uma funcionária produtiva novamente.

Nos meses que precederam aquele meu telefonema para o RH, eu fui de uma funcionária exemplar para uma das que menos performavam no meu departamento por causa dos sintomas da minha condição. Meu humor variava entre normal, depressão e hipomaníaca – um estado de espírito que eu poderia sentir qualquer coisa entre cheia de energia, empolgada, irritada, ultra ambiciosa ou impulsiva – e eu mal conseguia passar a semana de trabalho sem debater uma folga. Que bom que eu consegui tirar 5 meses longe do meu trabalho para achar uma medicação que funcionasse para mim e que me fizesse logo voltar a me sentir eu mesma novamente.

Eu estou esperançosa com o futuro de Mariah. De acordo com a People, ela decidiu falar sobre o assunto porque “Eu estou em um lugar muito bom agora, onde estou confortável discutindo minhas questões com transtorno bipolar tipo II. Estou na esperança que poderemos chegar um lugar onde as pessoas não precisem passar por esse tipo de problema sozinha. Pode ser incrivelmente solitário. E não precisa te definir e eu me recuso a aceitar que isso me defina ou me controle”.

Quando outras celebridades vêm à público falar sobre suas experiências com transtorno bipolar, muitas resolvem usar suas plataformas e virarem ativistas. Demi Lovato fundou a “Be Vocal: Speak Up for Mental Health” para encorajar a conversa aberta sobre saúde mental. Carrie Fisher falou e advogou a favor do “Dia do Orgulho Bipolar” e Patty Duke foi uma das primeiras celebridades a falar sobre sua doença escrevendo 2 livros: “Call Me Anna” e “A Brilliant Madness: Living with Manic-Depressive Illness”.

Eu gostaria de ver como Mariah vai participar nesse objetivo de apagar o estigma da doença mental. Aparentemente ela vai escrever uma biografia, assim como gravar seu 15o. álbum, e eu espero que que ambos falem sobre a saúde mental em sua vida, mas sempre tem mais a se fazer. Considerando sua ajuda para caridades, algo que vem de longa data, seria interessante ver organizações tais como a National Alliance on Mental Illness e tantas outras serem adicionados na sua lista de beneficiados.De qualquer forma, tem mais trabalho a fazer do lugares para mandar algum dinheiro.

Mariah poderia falar em várias conferências, tais como o Congresso Mundial de Saúde Mental e Bem Estar, o NATCON ou a Conferência de Saúde Mental NASPA. Os dois primeiros focam nos adultos, mas o objetivo do NASPA é focar na saúde mental de estudantes, uma escolha apropriada se considerarmos que os sintomas do transtorno bipolar começam no final da adolescência e começo da vida adulta. Como é difícil e caro para o público participar dessas conferências, ela poderia fazer um TED talk sobre suas experiências, algo que é de graça e online. Ela poderia organizar uma passeata ou algum evento local para arrecadar dinheiro para pesquisa e conscientização da doença. Ela poderia fazer algo tão simples quanto tuitar periodicamente sobre transtorno bipolar para os seus 21 milhões de seguidores.

O principal é que ela continue falando, dividindo, falando por todo mundo que não só fale abertamente do seu diagnóstico, mas também da experiência. Precisamos viver em um mundo onde procurar tratamento para doenças mentais não precise ser mascarado como “exaustão”. Precisamos viver em um mundo onde ninguém fica anos sem procurar tratamento por medo. Precisamos viver em um mundo onde dizer “eu vivo com transtorno bipolar” é tão fácil quanto dizer para alguém que você tem asma. O fato que Mariah Carey esperou 17 anos para falar sobre isso é a prova que precisamos de mudanças. E eu espero que ela continue sendo parte dessa mudança – para o bem de milhões de pessoas.”

Texto por Liz Lazzara para CNN. 

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