8 em Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 12.04.2018

A academia não precisa ser um drama

Essa semana algo curioso aconteceu: Carol, minha outra melhor amiga, me mandou um convite para malhar 1 mês gratuitamente na academia dela, com ela, desses convites que aparecem assim, quase que de mão dada. O convite não veio com nenhuma conotação gordofóbica ou ideia implícita que eu precisava mudar alguma coisa em mim (até porque taí algo que eu nunca esperaria da Carol rs).

Eu já estava reclamando do meu neo-sedentarismo há algum tempo, então ela quis tentar me ajudar a enfrentar essas minhas questões que eu tinha com o clima cheio de comparações, cobranças e julgamentos que eu sentia ao frequentar esse ambiente.

A verdade é que a academia não é exatamente perto da minha casa, mas esse é o menor dos meus problemas em busca de enfrentar de frente meu pavor daquele clima meio opressor de academia da modinha eu vesti a camisa.

Joana-na-academia

Quem sempre me viu malhando com o Arthur Alegre deve estar se perguntando: como assim? Você sempre malhou de boa! Sim, mas eu e meu personal, ao ar livre, longe dos olhares e julgamentos de uma academia onde se esperam corpos iguais, perfeitos e dando vida ao estereótipo do culto ao corpo perfeito da mulher carioca. No último ano minha agenda me deu um nó, nisso meu horário com o Arthur se perdeu e enquanto tentamos solucionar isso, resolvi viver essa experiência que é entrar numa academia bem legal e completa, cheia de aulas, por pelo menos um mês.

Eu vivi isso e gostei em 2008-2009, quando malhei na finada Estação do Corpo.  Infelizmente hoje enxergo que meu transtorno alimentar me fez usar tantas aulas e experiências legais como mecanismo de compensação pra minha bulimia, algo que eu só fui entender depois. Duas aulas de spinning pra compensar um episódio de compulsão de uma menina que era magra e não sabia. Foi uma temporada de muito remédio, médico e exercício, mas muito pouca compreensão.

Depois disso, a única forma sadia de fazer exercício que eu encontrei foi com o Arthur. Longe do ambiente das academias, longe das compensações e com enfoque no bem estar, como ele sempre falou. Se eu consegui me exercitar bem até o ano de 2016 foi mérito dele também, que ao ajustar o raciocínio, me tirou daquela forma viciada de ver a atividade física como uma eterna compensação da compulsão.

Em 2017 meu tratamento do transtorno alimentar ganhou uma nova forma e com isso eu resolvi dar um passo para trás na atividade física e equilibrar os pratinhos que eu conseguia: uma super agenda de trabalho, a terapia, a terapia corporal que durou dois meses e a nutricionista comportamental (que vira nossas crenças do avesso e, por fim, mostra uma paz com o comer que eu nem sabia que existia). Não dei conta de me movimentar como gostaria, assim o sedentarismo chegou e minhas trilhas caíram muito de quantidade e qualidade.

Em 2018 eu tive um problema no corpo que não teve nenhuma explicação médica e, com isso, resolvi que era hora de voltar a exercitar esse esqueleto, que está saudável, mas pode ficar mais fortalecido e focado numa longevidade ativa. A ideia é melhorar meus rendimentos nas trilhas, na dança que sonho em fazer, buscando muita disposição e longevidade. Sem exageros, obviamente.

Se eu já vivi e senti uma não sonhada paz com a comida, quero fazer o mesmo com o exercício! Seja dançando, lutando, caminhando ou qualquer outra coisa que me dê prazer!

Agora deixa eu reservar um capítulo especial para contar do drama da academia: 

Eu sempre preferi fazer exercícios com o Arthur porque ir pra academia era algo complicado pra mim. Sabe aquela sensação de inadequação, de se sentir uma forasteira? Senti isso a vida toda nesse tipo de ambiente. Era como se uma falsa crença tomasse conta de mim, como se fosse preciso ter um tipo de corpo perfeitamente dentro padrão de beleza para frequentar um lugar com tanta gente definida. Hoje eu entendo que, por mais que o lugar seja de fato opressor, eu não quero mais vestir a carapuça da oprimida. Quero ir focada em mim, evitando me comparar e me contaminar com tanto julgamento de quem tem ou busca um corpo perfeito pra poder ser livre. Eu quero escolher não me intimidar, esse vai ser o meu exercício.

Pretendo usar esses sentimentos estranhos e o possível medo do julgamento como ferramenta de análise e autoconhecimento. Eu me sinto tão melhor com meu corpo em tantos lugares antes impensados, não vai ser isso que me fará revisitar a inadequação. Ambientes intimidadores vão sempre existir, mas ao invés de me curvar a eles, quero entender o que eu ainda preciso tirar de lição. Me sinto na academia como me sinto em grandes eventos de moda, como se nunca fosse o bastante pra pertencer ou fazer parte daquilo. Só que isso é meu, não é exclusivamente do ambiente, é sobre eu “tomar pra mim” uma opinião externa que eu sequer acredito ser verdade no meu coração.

Outra dificuldade é abstrair a culpa e compensação em todas as conversas no entorno. Sim, as pessoas irão falar sobre um comer sofrido e sem paz, mas isso é sobre elas. Elas vão comentar que ainda não têm a barriga trincada pra usar top, mesmo tendo uma barriga super dentro do padrão 10 vezes menor que a minha, mas isso é a prisão delas. Elas irão se limitar ou questionar o outro, mas até isso é sobre elas.

E temos que levar em conta que a academia também não é feita só de musculação, esteira e spinning, o que me deixou com vontade de testar tudo. Dança, yoga, lutas e pilates. Ultimamente minha cabeça anda precisando mais disso do que o resto do meu corpo.

Na academia tem todas essas opções e eu vou aproveitar essa experiência pra ver se vou me adaptar a essa nova jornada, de uma forma internamente saudável. Senão, também estou louca para voltar para o Arthur e nossos exercícios ao ar livre. Só sei que, dessa vez, estou em busca de seguir o conselho dos profissionais que cuidam de mim:

Descubra uma atividade que te dá prazer, pois só isso será sustentável no longo prazo.

E essa é uma das minhas metas de 2018, encontrar algum esporte, aula ou atividade física que me dê prazer genuíno, que me ajude a conectar verdadeiramente com meu corpo.

Agora um outro drama, o de dissociar o exercício da comida:

Se tem uma coisa que eu sei que precisarei ficar atenta é não cair nas velhas armadilhas que eu me colocava com a crença de que o exercício é sobre compensar excessos na academia.  Nessa arapuca eu não quero cair novamente, e de tudo que falei aqui, esse será meu maior desafio. Que o ato de malhar não me tire do lugar de paz que encontrei com a alimentação, porque eu viver sem nenhum tipo de crise de transtorno alimentar me deu uma paz e uma saúde que eu jamais tive.

“Se exercitar não é sobre compensar a comida, por mais que seja uma ótima ferramenta de perda de peso. Acredito que estimular o corpo a gastar energia é uma das boas maneiras de aliviar os estresse, dormir bem, adquirir consciência corporal, relaxar a mente e até trabalhar emoções. É um enorme ato de autocuidado, mas quando associamos isso a uma forma de compensar o que comemos, vira um mecanismo arriscado.” Foi o que eu disse no meu texto desse mês na Glamour. Disse, repito e assino embaixo novamente.

Não tenho a menor ideia de como vai ser a experiência de estar dentro de uma academia, mas vou tentar ao máximo tirar o melhor dessa experiência. 

Me mandem as melhores vibrações, vou agradecer.

Beijos

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8 Comentários

  • RESPONDER
    Aline
    12.04.2018 às 11:31

    Olá, Joana!

    Primeiramente, boas vibrações nessa empreitada. Me identifiquei muito com seu texto, voltei a malhar recentemente também, e estou tentando mudar meu olhar sobre a atividade física, sempre fui meio preguiçosa. Mas, depois que fiz trinta anos, meu corpo deu uma mudada e tenho tido dificuldade para me aceitar. Faço terapia, e tenho buscado canais que discutam autoestima para me inspirar. Já percebi que a atividade física tem que te dar primeiramente prazer e depois vemos o que acontece… Boa sorte para nós nessa jornada!

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    Milena
    12.04.2018 às 11:35

    Estou mandando fortes e boas vibrações pra você, Joana! =D
    Eu tenho o mesmo sentimento de não pertencimento em relação a academia como você citou no texto…hoje faço pilates (por ter problemas nos 2 joelhos), que, embora não goste muito, me traz um pouco mais de satisfação do que a academia, mas encontrei na dança de salão a minha salvação, fora o imenso prazer de fazer algo que amo <3
    Torço pra que você encontre isso também!

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    Laura
    12.04.2018 às 23:51

    Jô, também não tenho o corpo no “padrão” imposto pelo culto à magreza, engordei bastante no último ano e hoje posso te dizer que a academia é um dos lugares que me sinto bem. (Acho inclusive que faço na mesmíssima que a sua!) A verdade é que na academia ninguém tá ligando para a gente. Tá todo mundo lá em busca dos seus objetivos, mesmo a galera magra e definida. O povo da maromba tá muito apaixonado por si no espelho, a galera que vai pra confraternizar tá ali fazendo amizade, os corredores tão correndo, as moças malhadas estão preocupadas em fazer valer seus agachamentos. Ninguém tá olhando para a gente, te juro. No máximo, tão achando seu tênis legal ou te achando bonita. Acredito piamente nisso. Então se vc for pra academia e começar a se sentir oprimida, lembra que ali tá cheio de amigas que também tiveram um dia lotado de trabalho / família / vida e foram cuidar de si, não dos outros. Boas vibrações para você nessa tentativa! Espero que dê tudo certo.

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    Thaila Carolina
    13.04.2018 às 11:12

    Joana, te desejo muita sorte, pois não é nada fácil sairmos de nossas cavernas para enfrentar o que está la fora. Mas quando temos essa coragem , mesmo que com um pouquinho de medo, encontramos muito mais… beiju

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      Joana
      13.04.2018 às 11:18

      Com certeza, ainda que eu de fato descubra que não gosto de academia isso nao vai ser motivo pra ficar parada. Tem o ar livre pro funcional e muita aula bacana pra pensar em fazer. :)

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    Thais
    13.04.2018 às 13:12

    Joana, muita boa sorte e paz nessa nova caminhada! Espero que você goste e lhe dê muito prazer.
    Sempre detestei academia e também nunca achei que pertencia ao lugar, então nunca consegui passar mais de 3 meses malhando :( Mas precisava me mexer, por questão de bem estar e também emagrecimento. Fiz um ano de natação e me encontrei pela primeira vez fazendo alguma atividade física que me dava prazer e tirava o stress do dia a dia, e tudo que me desmotivava na academia não era sequer pensado quando eu ia nadar, fazia chuva ou sol. Hoje estou há 10 meses fazendo muay thai e simplesmente amo! Às vezes dá preguiça, mas penso no quanto gosto do lugar, dos mestres, das pessoas que estão lá, de quanto é bom aprender todo dia uma coisa nova e evoluir cada dia mais e todo desânimo vai embora. Então aprendi que se fizer uma atividade que gosto, essa atividade para de ser uma martírio e passa a me dar prazer, o que não me faz desistir na primeira oportunidade. E convenhamos, que a vida é muita preciosa e passa muito rápido para perder tempo fazendo algo que detesta né?! ;)

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