0 em Autoestima/ Destaque/ maternidade no dia 03.04.2018

Você sabe reconhecer seu momento Super Mãe?

Semana passada eu estava sozinha com o Arthur, saindo do museu e tentando botar ele no carrinho para irmos embora. Ele claramente queria ficar e, por causa dessa incompatibilidade de vontades, ele abriu o berreiro. Em um primeiro momento meus nervos queriam botar ele à força no carrinho e sair estressada dali, mas quando me vi, eu estava respirando fundo, olhando no olho dele, mudando a pergunta, jogando o foco dele para outra coisa (acho que sugeri brincarmos de algo que só tinha aqui em casa, não vou lembrar), conseguindo convencê-lo a subir no carrinho sem escândalos e saindo do museu, ambos felizes e contentes.

Cheguei em casa me sentindo muito cheia dos super poderes, me senti a Super Nanny, me senti a Encantadora de Bebês (ok, ela não, porque ela é maluca). Mentira, me senti a Super Mãe mesmo.

Engraçado pensar que em 2 anos e 3 meses sendo mãe, eu consigo contar nos dedos de uma mão a quantidade de vezes que eu me senti assim. Que eu senti que eu estava por cima da situação, sabendo o que estava fazendo como mãe. Que eu me valorizei como mãe.

maternidade

Na maior parte do tempo é muito mais fácil cair na armadilha do cansaço mental (e físico) devido à quantidade de pratinhos que estamos rodando para manter tudo funcionando e só enxergamos a parte difícil. O grito abafado no banheiro quando comidas são jogadas pelo ar na hora do jantar. A vontade de sumir quando o castigo vira lugar de brincadeira. A pergunta de “meu Deus, o que eu fiz com a minha vida?” quando tudo o que você quer é fazer um xixi sem ter alguém puxando sua calcinha. E aí, terminamos o dia nos sentindo culpadas, péssimas mães, hipócritas porque estamos botando fotos bonitas no instagram enquanto queremos mesmo é jogar todos os pratinhos no chão e dane-se se eles quebrarem.

O fato de muitas vezes os maridos não reconhecerem todo esse esforço que fazemos também não ajuda nessa nossa busca de consciência dos momentos de Super Mãe. Só que nós temos esses momentos, se bobear, diariamente. E acho que a gente precisa focar mais nele, pela nossa sanidade, pela nossa valorização, para nos sentirmos um pouco mais nós mesmas. 

Hoje eu diria que meu momento foi justamente achar coragem para mudar o meu dia, ou melhor, meu humor do dia. Depois de uma sexta feira sem aulas, um fim de semana cansativo e uma segunda feira sem aulas novamente, minha programação para hoje era pegar um carro e ir dirigindo até a casa de uma amiga. Seria meu ponto alto do dia, afinal, estava louca para deixar nossos filhos brincando e botar o papo em dia, conversar com uma pessoa adulta em um ambiente seguro para crianças, tentar não ser consumida pelo dia a dia cansativo (e muitas vezes improdutivo em termos de trabalho) de ter uma criança em casa.

Acordei com muita neve, não tive coragem de dirigir nessas condições e apesar de ter cancelado muito certa da minha decisão, isso me frustrou. Fiquei até 3 da tarde de pijama, irritada com cada brinquedo jogado e cada demonstração de tédio que Arthur dava. Minha irritação de ter aberto mão dos meus planos era tanta que parecia que eu estava querendo puni-lo (e me punir também, né) por algo que não era culpa de ninguém – de São Pedro talvez. Mas como iria culpá-lo? Se eu tava com tédio, imagina ele!

Lá pelas 4:30 resolvi parar de focar nessa vibração meio tóxica que eu mesmo nos coloquei e troquei de roupa, troquei a roupa dele, peguei o capacete, o patinete e levei para respirarmos um pouco de ar fresco – e frio. Que alívio eu senti! Ele estava feliz e eu estava calma. Ele se divertiu, gastou energia, voltou pra casa calmo. E eu satisfeita. O dia terminou leve, por mais que eu só tenha conseguido começar a trabalhar as 9:40 da noite. Me senti a Super Mãe novamente.

Algo me diz que nós temos esse momento Super Mãe sempre, todos os dias, em alguma hora. Nem sempre vamos conseguir enxergá-lo em meio ao caos, mas seria bom se a gente fizesse esse exercício mais vezes. Pelo menos eu sei que tem me feito muito bem olhar meus esforços, por menores que eles possam parecer para quem está de fora, e pensar: “epa, eu consegui algo que não imaginava que conseguiria hoje!” 

E aí? O que você fez recentemente que te deixou com a sensação de dever cumprido?

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