1 em #paposobremulheres/ Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento no dia 31.03.2018

Papo Sobre Mulheres: eu sinto, eu vivo

Eu sinto vergonha. Eu sinto orgulho. Eu sinto cobrança. Eu sinto pressão. Eu sinto liberdade. Eu sinto que estou dormindo pouco. Eu sinto ansiedade. Eu sinto. Mas sinto sozinha… E talvez seja por isso que pouquíssimas pessoas sabem de tudo isso. Depois desse texto, todo mundo vai descobrir que eu não sou aquela fortaleza toda e confesso que já me sinto vulnerável por isso. É sério. Sabe aquela frase “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”? Ela me define e me acalenta, porque já foi oficializado que a gente sabe que também somos dores. Não posso reclamar, não me entendam mal. Mas também não posso ignorar. Dizem que a aceitação é o primeiro passo, então me sinto no dever de repassar esse diagnóstico que me dei para que você se permita se auto avaliar e se auto perceber. Mas primeiro feche todas as abas para não se perder.

Se você ainda não entendeu nada do que estou falando, desculpa. Eu também estou tentando sacar o que se passa aqui. É um misto de coisas estranhas que deixam o coração bater mais rápido, misturado com uma agonia, com pitadas de procrastinação e nuances de picos de disposição, além das unhas no chão. O que será que está acontecendo? Logo eu, uma menina mulher tão competente, tão determinada, tão segura, tão carismática, tão certa de si, tão líder, tão proativa, tão desenvolta, tão bem articulada, tão falante, tão extrovertida, (tão modesta?), tão bem amparada pelos pais, tão cheia de privilégios… Logo eu, tão humana, tão falha, tão auto sabotadora, tão gente como a gente, tão cheia de dúvidas, tão boba com medos inúteis, tão cheia de vida pela frente, tão sorridente.

ju-gravano-3

Me perdoem a falta de fontes, mas juro que ouvi dizer que ciclos da vida se encerram e começam de 5 em 5 anos. Quero muito que isso seja verdade pois estou no auge dos meus 25 e tudo parece meio incerto. Imagino que seja normal, né? Mas aí me lembro da Anitta, milionária – e da minha idade, das blogueiras de moda super bem sucedidas – da minha idade, das amigas com pós e mestrados – da minha idade, da amiga que se lançou para uma vida do zero em outro país sem olhar pra trás (da minha idade, claro), da outra amiga com a primeira casinha (sim, da minha idade). Veja bem: é importante esclarecer que aqui não tem nenhuma pitada de inveja e sim de admiração e infelizmente, comparação. Nenhuma vida é perfeita, ninguém está 100% satisfeita o tempo todo com o momento presente… Mas sabendo disso, por que ainda nos cobramos tanto? Por que a pressa? Por que a cobrança? Por que a boicotagem? Por que a falta de fé? Quando foi que paramos de focar em tudo que foi construído até aqui para dar mais importância a tudo que ainda não alcançamos?

Deixa eu contextualizar vocês e começar do começo – mesmo já percebendo que era para estar concluindo alguma coisa (será mesmo que vou conseguir terminar esse texto com alguma conclusão?) e me despedindo de vocês. Meu nome é Júlia Gravano, me descobri adulta há pouco tempo (admita que aconteceu assim com você também, quando viu já tava lá sendo dona da tua vida sem nem saber o que realmente queria dela, cheia dos boletos pra pagar e sem saber o porquê da vontade de chorar), sou escorpiana (êta, intensidade…) com ascendente em áries (entenderam o motivo da agitação?), sou uma mulher negra, empreendedora e ainda não sei o que preencher na opção “Profissão” nas fichas de cadastro. Isso porque mesmo tendo plena convicção do valor do meu trabalho, ainda caio na limitação da definição. Comecei como modelo bem criança, aos 13 já fazia parte da 3ª agência de modelos e aos 16 me vi forçada a decidir o que queria para a vida toda, no pré vestibular. Acontece que eu estava fazendo teatro (ganhando prêmios e fazendo selfie com Tony Ramos!) e minha mãe teve que ir na escola para garantir que estava ciente e apoiava minhas esporádicas ausências por conta dos ensaios, testes e afins. Chegou o enem, as provas e prometi a mim mesma que caso não passasse na faculdade pública, faria Design de Moda. Assim foi, ainda bem. Me formei como técnica de Design de Moda e Coordenação de Estilo, mas queria mais. Eu sabia que o mercado era competitivo demais para me absorver somente com um nível técnico. Comecei a faculdade de Design de Moda em 2012.2 e ainda não terminei. Durante todos esses anos, me especializei e trabalhei todos os dias na minha área com um intervalo apenas de 6 meses parada. Nesse meio tempo, fiz cursos das mais variadas vertentes de moda e trabalhei em grandes empresas, onde pegava 4 ônibus saindo de Niterói para Irajá às 8h, depois chegava na faculdade às 18h e voltava pra casa às 23h. Foi assim que consegui comprar meu primeiro carro. Há 3 meses optei por vende-lo, quase 4 anos depois para dar início a um novo e louco projeto – ainda secreto. Ah! Ainda inventei de criar uma marca e eu mesma desenvolvi o próprio E-Commerce. O tempo foi passando, as pessoas foram elogiando os sites que fazia, fui me aperfeiçoando e hoje o que era plano b para ganhar dinheiro mais rápido para aplicar na marca, acabou virando o plano A e mudando completamente a minha vida – para melhor.

ju-gravano-1

Meu pensamento ao longo de todos esses anos era estudar, me capacitar, me destacar, ter um bom currículo e competir de igual para igual para barrar todas as indicações e privilégios de pessoas que certamente tomariam meu lugar numa área cheia de egos e marcas famosas nas etiquetas das roupas. Sempre topei qualquer parada, inclusive trabalhar na Barra até às 20h para ainda voltar para Niterói, sem tempo para almoçar e chorar a cada vez que via o ônibus da empresa saindo meio minuto antes que eu chegasse para pegar. Sempre soube que esse sacrifício me levaria a algum lugar, um dia. Já experimentaram fazer uma retrospectiva da vida de vocês? É olhando para trás que conseguimos enxergar onde estamos hoje, ainda que insistamos em achar que não chegamos a lugar nenhum. Quanta ingratidão pensar assim! A Júlia que ia para a extinta Colori Estampas estagiar para aprender e receber ajuda de custo de passagem jamais imaginaria que realizaria o sonho de conhecer Nova York tão rápido e tão nova, furando a fila que tinha minha mãe na frente, com esse desejo latente desde antes da minha idade. Agarrei a oportunidade! Jamais imaginei que meu hobby viraria um trabalho e que não viveria exclusivamente da moda. Aquela Júlia jamais se permitiria abraçar uma chance que não fosse a que ela e as pessoas achavam que tinha que ser. Aquela Júlia jamais poderia acreditar que o fluir da vida a levaria à caminhos onde seria uma das 100 estudantes selecionadas para participar do South American Business Forum, sendo uma das 6 brasileiras diante de milhares de inscrições de jovens líderes de todo o mundo.

Essa Júlia hoje é Embaixadora Wix (plataforma que começou a usar há 5 anos, lembram do E-Commerce?) no Rio de Janeiro e em Niterói, e em pouco mais de um ano já ajudou mais de 500 pessoas a criarem seus próprios sites, já fechou mais de 20 contratos de criação de website, se profissionalizou em Consultoria de Imagem e Estilo e ajuda as pessoas a terem uma imagem mais assertiva através das roupas e através do seu posicionamento na Internet por meio de um site profissional e de qualidade. Também já fez mais de 15 palestras e workshops sobre esses temas de 2017 pra cá, mas segue empacada na monografia e está longe de tirar todos os projetos da gaveta e ainda relutando para dar um novo formato à marca, que provavelmente não existirá mais como no formato atual. É difícil assumir que um ciclo se acabou, né? Ainda mais quando a preocupação não é só com os próximos passos mas também e principalmente com a pergunta: “Como explicar isso para as pessoas? Como admitir que fracassei?”. Mas aí lembrei que esse “fracasso” me levou ao sucesso que tenho hoje e se você ainda não percebeu isso na sua vida, apenas aguarde. Você vai entender isso mais tarde.

ju-gravano-2

Tudo isso poderia ser somente um simples desabafo numa ida à psicóloga mas toda essa retrospectiva me ajudou a lembrar do quanto evoluí, cresci e aprendi. E que é ok desabar, se questionar, se perder, se testar. Não permita que a ansiedade, a comparação, o capitalismo, a vida no Instagram e os desafios do dia a dia te estagnem.

Esse texto é um abraço pra você que vive se cobrando, se sabotando, se julgando, se duvidando: você sabe que, por mais que ainda não tenha chegado lá, a história que vem traçando tem capítulos tão lindos… Tão intensos, tão cheios de verdade. Lá na frente você vai ver que era feliz e nem sabia. E essa é a ideia: se sempre pensarmos assim, sempre vamos reconhecer que sempre fomos felizes! Há tempo pra tudo, tem espaço pra todo mundo e não é a gente que traça o roteiro da vida – ainda bem. As surpresas no caminho e a visão lá de cima do avião nos faz perceber que somos uns bobos em achar que temos controle sobre a vida. Se deixe surpreender. Agarre as oportunidades. Não tenha medo ou vá com medo mesmo. Contrarie o sistema, a sociedade, as estatísticas, os padrões. Comece de novo, se permita sonhar alto, bem alto mesmo!

Mentalize seu futuro, marque médicos (!!!!!), agradeça por tudo que tem vivido, se abra para o novo, seja impulsiva, mude de ideia, mude de país, ou então faça uma coisa de cada vez, por favor feche as abas do seu navegador, vire noites, mas não façam que nem eu e durma mais de 5h por dia, mexa seu corpo, não se cobre tanto, se programe para viajar, ou então viaje com dinheiro à conta (mas tenha sempre um plano b), se mime, se anime, não se subestime, comece do zero, opte por não fazer nada de vez em quando mas quando retomar o fluxo, vá devagar, pode chorar, maneira nos áudios longos, fale bastante, siga seu ritmo, engula sapos mas não deixe nada entalado, pare de procrastinar. Otimize seu tempo, engole o orgulho, salve tudo na nuvem, não desista agora e repita esse mantra pra sempre, seja grato, administre suas fraquezas, aceita que dói menos.

Em outras épocas, ninguém saberia desse texto exceto eu e o Word e hoje, olha só, me rendi à imperfeição e a reconhecer a humanidade em cada fragilidade. Parabéns, Júlia! Quanta maturidade! =)

Gostou? Você pode gostar também desses!

1 Comentário

  • RESPONDER
    Barbara
    06.04.2018 às 11:24

    Que texto foda! Taí Julia, Pode anotar mais um dos seus talentos.

  • Deixe uma resposta