1 em #paposobremulheres/ Comportamento/ Sem categoria no dia 19.03.2018

Papo Sobre Mulheres: o que é ser mulher, negra e bailarina clássica? Muito difícil.

Muito difícil, porém não impossível. Parece que todo dia é uma luta e uma amostra de que você faz parte deste mundo. Parece que as pessoas sempre esperam algo de você, outras vezes parece que elas te julgam ou acham que você não pertence aos lugares que são seus de direito, como de qualquer outra mulher. 

Mas vou contar um pouco da minha história.

Eu sou do Rio de Janeiro e moro em Nova York há 10 anos. Descobri o ballet aos 8 anos de idade, em um projeto social chamado “Dançando para não Dançar” na comunidade da Mangueira. E foi esse projeto que meu deu a oportunidade de ter sido introduzida ao mundo da dança.

Em 2007 enviei um video audição para a companhia de ballet Dance Theatre of Harlem e fui aceita! Em 2008 tve a oportunidade de ter o meu primeiro trabalho profissional na companhia, que foi fundada por Arthur Micthell, o primeiro bailarino principal negro no New York City Ballet. Dance Theatre of Harlem é conhecido por ser uma companhia multiracial com bailarinos do mundo todo, eu era super nova e nem sabia o que meu futuro me preparava! 

Hoje em dia sou a primeira bailarina da companhia e já trabalhei com artistas que nem nos meus melhores sonhos pensei que pudesse conhecer: Aretha Franklin, Alicia Keys, Ashley Everett. E meu trabalho não ficou apenas no ballet. Desde que vim para cá, fiz campanha Global para Activia, aonde o filme contando a minha historia ganhou varias prêmios incluindo um Leão de Prata no festival de Cannes. Entre outras campanhas no meu currículo, estão marcas como Muscle Milk, Sally Hansen, Creme of Nature, Degree, Dark and Lovely e por aí vai.  No ano de 2017, eu fui a primeira bailarina negra brasileira a ser capa da Pointe Magazine, que é um das revistas de dança mais renomadas no mundo inteiro

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E adivinhem como eu estava na capa? Com meu cabelo solto. Pois é, afro e com muito orgulho. Tive a transição do meu cabelo natural em 2011 e não foi fácil, me senti meio perdida, assim como meu cabelo mesmo, nem liso nem cacheado – mas foi um das melhores decisões que tive, esta mudança me completou e empoderou! 

Falando assim, parece até que tem sido fácil. Mas não é, nunca foi. Principalmente quando você é uma bailarina clássica morando fora de seu próprio pais. Foi preciso muito trabalho duro para criar essas oportunidades.

Hoje olho minha trajetória e todas as decisões que tomei e me sinto vitoriosa por ter expandido minha carreira no mundo da dança. Mas o que me deixa mas feliz nisso tudo é que a cada dia eu inspiro uma criança ou uma mulher, mostro que é possível e que representatividade é realmente importante! 

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Foi pensando nisso que em outubro de 2017 eu e a minha partner Helya Mohammadian criamos a plataforma EmpowHer New Yorkonde faço questão de trazer diferentes mulheres, com diferentes carreiras e estilos de vida para dividir suas experiências e perspectivas profissionais com outras mulheres. É importante para a nossa geração ver que é possível e ter exemplos de superação e empoderamento. Minha história me mostrou isso, e me orgulho muito dela, mas sei que ela não é a única. Cada mulher que participa é especial e pode mudar muitas vidas apenas contando suas histórias. 

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1 Comentário

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    Júlia Gravano
    28.03.2018 às 2:30

    Ingrid, que história maravilhosa! São pessoas como você que me inspiram e me alimentam a cada vez mais ocupar espaços, aproveitar as oportunidades e cruzar fronteiras – e barreiras. Representatividade não só importa, como é extremamente necessária para que mais mulheres se enxerguem como capazes e com total possibilidade de avançar e prosperar. Obrigada e parabéns!

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