1 em #paposobremulheres/ Comportamento/ Juliana Ali/ maternidade no dia 15.03.2018

Papo sobre mulheres: Maternidade X Amizade

Um tempo atrás fui convidada para um casamento na praia. Para uma mãe de dois filhos pequenos (um com TEA*, ainda por cima), esse não costuma ser um programa muito agradável. A gente já sabe: as crianças brigam na estrada, chega lá você já está exausta, durante a festa eles ficam pendurados no nosso cangote, não dá pra fazer nada direito, nem conversar, beber e nem pensar, depois ficam com sono e começam a fazer manha, enfim, é um fuá. Mas fui, porque quem estava casando era uma amiga muito querida.

Nesse dia estava cercada de amigos. Mas foi uma moça que conheço superficialmente (mas que sempre me pareceu uma pessoa incrível), amiga de um amigo, que me observou ali, tentando controlar dois pequenos, e disse: “Você quer que eu brinque com seus filhos para você descansar um pouco? Eu teria o maior prazer em fazer isso.” Uma menina jovem, que não é mãe. Não vive a maternidade, não sente o que eu sinto. E já me disse, em outros momentos, que nunca quer ser mãe. Meus amores, apresento-lhes a empatia.

Quando ela falou aquilo, tive vontade de chorar. Pelo amparo que aquelas palavras, que tão raramente ouvi antes, me fizeram sentir. Queria responder: “Querida, posso arrancar a roupa do corpo e te dar? Posso ajoelhar no chão e dizer, aos gritos, o quanto você é especial? O que POSSO FAZER POR VOCÊ?”. Minha gratidão não tinha fim. Eu ali, solitária na minha maternidade, encontrei uma amiga. Recusei a oferta, no entanto. “Imagina, tá tudo bem, tô de boas, tô acostumada rs”. Queria que ela curtisse a festa, era o que eu podia dar de volta ali, naquela hora, imediatamente. Mas nunca vou esquecer aquele momento.

Tem uma micro fábula que diz assim: “O macaco passeava pela floresta e viu um peixe dentro do rio. Pensando que o peixe se afogava, retirou-o da água, acreditando que salvava sua vida. O peixe morreu. Como é importante entender o mundo do outro!”.

Não é fácil entender o mundo do outro. Quando você vive no mesmo mundo, a relação costuma fluir que é uma beleza. Mas e quando tudo muda?

Você é mãe? Perdeu amigas quando teve filhos? Elas só falam de balada e macho? Ficam virando o olho porque as crianças estão sempre com você e atrapalham os papos? Que saco, né.

E você, que não é mãe? Perdeu amigas depois que ELAS tiveram filhos? Elas ficaram meio chatas? Só falam das crianças? Não tem mais tempo para você? Nunca dá para se encontrar? Que saco, né.

Sou mãe. Tenho poucas amigas. Por incrível que pareça, as “mães” e “não mães” estão mais ou menos em igual número. Minhas amigas que tem filhos vivem no mesmo mundo que eu, suave, dividimos as mesmas alegrias e tristezas.

As que não tem filhos são pessoas empáticas e deliciosas. Não fazem a menor ideia do que eu passo. Sabem disso. Entendem que meu tempo é limitado. Tem uma, em particular, que quando vem me visitar ainda passa um tempão divertindo as crianças para eu respirar um pouco. E adora. E as crianças adoram. Ver uma amiga se divertindo com meus filhos ME FAZ sentir amada. Eles são parte de mim. Bixo, quando uma mulher dessas vem conversar de macho e balada comigo, ouço por horas com todo o prazer. Dar e receber, saca? Ela me dá amor, eu dou amor pra ela.

Esse é o segredo de manter a amizade com mulheres que amamos quando, de repente, a vida faz com que passemos a viver em “planetas diferentes”.

Cuidem das suas amigas. Entendam o mundo do outro. Presença física não é amor. Compreensão, empatia, troca, ah… Isso é amor. A única amizade que vale a pena.

*TEA: Transtorno do Espectro Austista

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1 Comentário

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    Milena
    15.03.2018 às 15:08

    Tão amoroso tentar se colocar no lugar do outro, né…empatia é tudo! Uma atitude tão simples que faz toda a diferença na vida <3

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