0 em #paposobremulheres/ Comportamento/ Mayara Oksman no dia 13.03.2018

Papo sobre mulheres: às mulheres que me reergueram

Tentei pensar em um texto mais focado, em passar uma mensagem legal, em tentar colocar em palavras como eu amo ser mulher mesmo nos momentos mais difíceis. Falei com as amigas, tentei entender por que a gente se junta e o assunto tende a ser sempre o mesmo, me perguntei de novo por que nós mulheres passamos por perrengues tão parecidos (e bom, acho que já falei num texto anterior, mas a resposta é porque temos peitos, bunda e vagina, ok? Ok!). Tentei ler mais sobre essas duas últimas questões para trazer algo mais educativo para vocês hoje, mas acho que vai rolar um #fail porque eu sou dessas que não consegue planejar o que vai falar mesmo, não adianta. Todos os meus textos pro Futi são meio assim: eu decido falar sobre alguma coisa e em 15 minutos tá lá pronto. Chamo isso de vomit word e fãs de Mean Girls bem que entenderão.

Então, apesar de querer fazer algo mais especial esse mês, tive um bloqueio, não consegui. Por isso sentei na frente do computador agora e decidi vir falar com vocês sem muita pretensão, sem saber muito sobre o que… só falar.

Esse mês tem nosso dia. Esse mês tem meu dia. Faço 29 anos no final de março. E bom, acho que na real o que eu queria compartilhar com vocês é o que eu vivi, vivo e viverei sendo mulher e o que eu pretendo mudar sendo mulher.

Ia dizer que meu aprendizado como mulher mesmo não começou desde que eu nasci, mas poxa, que erro. Porque desde que eu me conheço por gente sou menina do laço, menina de rosa, menina princesa, menina que sonhava em casar com o príncipe encantado. E olha que isso não veio muito de mamãe não, viu. Acho que veio mais da família como um todo, da sociedade, dos filmes, das novelas, das músicas, dos meninos. Sempre me perguntavam quantos filhos eu queria ter quando crescesse. Ou quais as qualidades em um homem eu procurava. Acho que só fui me tocar disso tudo e em como isso me incomodava em 2014, 2015. O ápice mesmo foi em 2015, na época em que eu escrevi o “Ser solteira não é defeito” aqui para o Futi. Foi quando eu pensei putaqueopariu, sério mesmo que o importante na vida é arranjar macho? Eu fico no pause enquanto eu não achar alguém para chamar de meu?

Gente, foi uma revolução na minha vida, de verdade. Foi quando eu comecei a aprender sobre feminismo, foi quando eu comecei a falar sobre feminismo para outras pessoas. Foi quando eu me senti empoderada, foi quando eu vi que tudo bem ser xyz, tudo bem querer ser o contrário do que estão mandando eu ser. Aos 26 anos eu me vi livre pela primeira vez. Eu escrevi uns textos aqui pro Futi que olha, fiquei bem orgulhosa, vou dizer. E muito do que escrevi foram apenas desabafos sobre coisas que estavam entaladas há muito, muito tempo na minha garganta. 

Aí veio 2016 e 2017. Veio muito do que falei aqui nos últimos textos. Veio meu primeiro amor, veio alegria, veio saudade, veio decepção, veio dor e também abuso. A ficha de que era abuso demorou para cair e quando caiu, eu fiquei em choque. Eu, linda, inteligente, toda espertona falando sobre feminismo… como assim eu fui manipulada? Oi? Vocês tão de brincadeira com a minha cara, né? Como eu fui cair nisso? Migas, deixa eu contar uma coisa. Acontece. Acontece comigo, aconteceu com algumas muitas amigas. Acontece com atrizes de cinema, com esportistas, com políticas, com grandes executivas, com princesas de verdade. E o motivo? Somos todas mulheres, simples assim.

Mais fortes juntas | ilustra: Sundae Studios

Mais fortes juntas | ilustra: Sundae Studios

Mas só estou falando disso porque adivinhem quem me ajudou a sair do buraco? Dou uma chance para vocês. Sim, mulheres. Mamãe, irmãs, amigas de longa data, amigas novas, colegas de trabalho, desconhecidas, terapeuta. Meu pai, meu irmão, meus amigos, nenhum deles entende. Tentaram ajudar de alguma forma, mas nenhum deles passou por isso. Nenhum deles sabe o que é ser mulher. Nenhum deles tem os ouvidos de uma mulher. Nenhum deles compartilha comigo, com a gente, o que é ser mulher.

Se eu pretendo mudar isso? Fazer com que eles calcem nossos sapatos? Não, isso é impossível. Sentir nossas dores só nós sentimos, nem médico ajuda a fazer passar! Nós sentimos, como e porque somos mulheres. E olha, acho que a gente pode falar mais sobre isso, sem papas na língua. Acho que a gente pode tentar fazer eles entenderem que nós só passamos por algumas coisas por causa deles. Porque assim, se eu tenho medo de usar uma saia mais curta na rua, não é por medo das mulheres. Se eu tomo cuidado quando ando por uma rua escura, não é por medo das mulheres. Então acho que a gente tem que ter paciência e ensinar. Compartilhar com eles também. Tentar educar e reeducar quantas vezes forem necessárias.

E acho mais! Acho que precisamos sempre estender a mão quando uma mulher precisar, sem julgamentos. Acho que precisamos entender, ouvir, dar colo e ombro. Porque né, pior do que receber comentários machistas de homem é receber esses comentários de mulheres. Saibam amar a si mesmas, saibam amar as próximas, as que vocês conhecem, as que vocês não conhecem. Saibam entender, ouvir, compreender, ter compaixão, paciência. O mundo é lindão e fica ainda melhor com nós, juntas, nele.   

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