3 em #paposobremulheres/ Comportamento no dia 10.03.2018

Papo sobre mulheres: Ih, Menopausei!

Nunca nem nos meus sonhos mais selvagens, eu poderia me imaginar chegando perto dela – da menopausa. Acho que todas nós, mulheres, ouvimos falar sobre o incômodo dessa fase, os calores terríveis e o quanto isso mexe com a nossa autoestima. Ok, sempre haverá aquela que dirá ter passado por esta fase sem nada disso. Sim, verdade. Mas, de fato, pra grande maioria, e, principalmente pra mim, não foi tão frugal assim.

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Lembro do dia em que eu recebi a minha “sentença”. Apesar da minha endocrinologista ser uma pessoa muito delicada e ter falado com muito jeito, no fundo foi como se uma parte de mim começasse a se desprender do meu corpo. A possibilidade de muito em breve não poder ter mais filhos, de perder a capacidade reprodutiva – apesar de ser um fato consumado a questão da maternidade na minha vida – ainda assim foi como se algo bem lá dentro de mim estivesse desaparecendo ou morrendo aos poucos. Esse ciclo da vida era uma espécie de validação da minha existência e do meu legado, principalmente do ponto de vista do feminino em mim.

E, diante de uma menopausa, parece que eles ganham uma dimensão ainda maior.

Voltando da consulta, eu obviamente procurei pelo meu marido pra contar a novidade que, no fundo, eu já desconfiava pelos meus sintomas recentes. Ele ouviu tudo com atenção, perguntou principalmente sobre a questão da reposição hormonal, e, pra ele, era isso. Não tinha muito mais pra ser perguntado, estava tudo certo. Honestamente, no meu íntimo eu esperava outra reação, porque pra mim, aquilo era um atestado de envelhecimento sumário. “Hey, eu estou envelhecendo, não poderei ter mais filhos, vou parar de menstruar, por favor fala alguma coisa nesse sentido, eu preciso ter certeza que isso não vai mudar nada em relação à gente”. Me senti totalmente vulnerável.

A verdade é que a palavra menopausa mexeu comigo e não com ele. Fui eu quem se sentiu fragilizada pela situação e no final das contas, sou eu que vou precisar aprender a lidar com ela, seja para o bem ou para o mal.

Apoio na verdade ele sempre me deu, mas como eu tinha uma crença negativa sobre o tema, eu senti medo, angústia e uma sensação de perda eminente, que nem eu sabia direito como seria, me apavorava só de imaginar.

E, foi a partir desse momento que eu resolvi não estigmatizar negativamente a menopausa, passei à desconstruí-lá dentro de mim. Me informei, pesquisei, tirei as minhas dúvidas e decidi sobre o passo a passo do meu tratamento.

Dos piores sintomas, certamente os calores não são os mais simpáticos deles, eu precisei de algumas adaptações da minha parte, mas no fundo eu aprendi a rir de mim mesma. Quando o calor vem, eu saio logo tirando a blusa, me abanando e avisando quem estiver por perto “Estou na menopausa”, em seguida peço para abrirem as janelas ou ligarem o ar-condicionado.

De tanto repetir isso como um espécie de mantra, o peso foi diminuindo. É como na terapia, quanto mais a gente fala, mais amenizamos a nossa dor e isso anda servindo perfeitamente pra mim.

Outro ponto que eu precisei ter paciência foi com a insônia. De repente dormir deixa de ser fácil, ainda mais no meu caso, que nunca tive problemas para isso na vida. Eu deitava, e, era como se o sono nunca tivesse existido dentro de mim. No dia seguinte só piorava, era um looping interminável. Já, sobre a irritabilidade, eu sentia como se eu estivesse numa TPM crônica. Ela não dava sinais de ir embora nunca, simplesmente era um estado permanente. Vocês podem imaginar o que isso significa, não é mesmo?! Tudo me tirava o bom humor, parecia que a minha pele ouriçava a cada situação de estresse ou contrariedade.

Sexo, um caso à parte, não existia vontade e nem o menor interesse. Me tornei uma assexuada de uma hora para outra. Se eu não fosse casada, acho que nunca mais transaria. Simples assim.

Então, eu juntei todos esses meus sintomas e resolvi trabalhar em cima deles, um a um. Pra a falta de libido e para os calores, tomei a decisão de fazer a reposição hormonal. Passo um gel pela manhã entre as pernas, e, é isso. O sexo voltou a ser prazeroso e voltou pro ritmo de sempre.

Pra insônia e irritabilidade, tomei dois remédios salvadores. Nada mais de perder a noite rolando na cama, e, nem ficando com raiva do mundo inteiro.

Dos 4 sintomas, apenas um ainda insiste em permanecer neste corpinho: os malditos calores. Claro, estão mais amenos, não acordo mais durante a noite encharcada de suor, mas ainda tem aqueles momentos de sair pra tomar um ar.

Agora, o principal nesta minha saga toda foi que a menopausa já não me assusta mais. Para os sintomas físicos, a minha médica endocrinologista vem me tratando e me orientando. Para a minha mente, eu venho trabalhando, seja na terapia, seja me envolvendo de peito aberto com essa questão. Fico sempre muito atenta aos meus sentimentos no momento e nada passa despercebido sobre eles.

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No final das contas, eu acabei achando algo de bom nela por incrível que pareça, olhei pra menopausa sob um outro ponto de vista, ele me fez ver a liberdade, sim, ela me libertou da obrigação de controlar a maternidade, vejam que contraditório em relação aos meus sentimentos no começo, no fundo era um apego maternal muito natural e justificado, hoje eu transformei ele em pura libertação.

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3 Comentários

  • RESPONDER
    Alessandra dos Santos
    12.03.2018 às 10:57

    Adorei o relato! Texto e assunto sensacionais e esclarecedores! Parabéns e Obrigada!

  • RESPONDER
    Má Romano
    12.03.2018 às 13:55

    Me vi em todos seus medos, e vou trabalhar prá encarar essa fase, que não tem como fugir mesmo. Obrigada!

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    Margareth Andrade
    12.03.2018 às 22:07

    Lu é pura luz! Qdo chegar minha vez, que não deve demorar, volto ao seu relato!

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