4 em Autoestima/ Comportamento/ Destaque no dia 20.02.2018

Problematizei teste do Facebook

Nem acredito que cheguei em um dia que estaria problematizando um teste de Facebook. Sabe, esses que todo mundo faz e compartilha, rindo de si mesma e que parecem tão inofensivos? Pois é, problematizei porque resolvi fazer também, como tantos outros que já fiz e não compartilhei porque eu quase nunca compartilho mesmo. Adoro fazer todos, inclusive ignoro solenemente a história de que ao aceitar fazer o teste, dou um monte de informações minhas para esses sites de graça.

Talvez esse teste esteja rolando agora na sua timeline também. Na minha, por exemplo, toda hora alguém diferente compartilha seu resultado de como seria seu rosto se você fosse uma artista de Hollywood. Resolvi clicar e brincar, afinal, por que não?

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Escolhi uma foto, cliquei em começar e esperei o resultado. Quando saiu, lá estava eu, muito parecida com a foto que eu postei no meu perfil, mas levemente diferente. A boca estava maior, os dentes mais brancos, o rosto mais simétrico, o maxilar mais definido, a maquiagem mais bem definida. Me achei tão mais bonita! Mas sei lá, essa foto que eu escolhi não é a que eu me acho mais bonita, vou escolher outra só para ver.

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Dessa vez as mudanças foram bem mais discretas, mesmo assim não foram poucas. A maquiagem melhorada, o rosto novamente mais magro, o nariz levemente arrebitado e a boca mais definida. Boto as fotos uma do lado da outra e penso no impulso: “putz, mas eu podia ser assim, né?”

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Como eu devo ter um pézinho no masoquismo, lá fui eu escolher a última. Peguei uma que eu realmente gosto do conjunto da obra, a luz tava bonita, maquiagem no lugar e eu me achei realmente bonita. Cliquei e esperei o resultado. Quando me vi, lá estava eu, com aquela maquiagem natural do tipo “acordei assim”, novamente com o maxilar mais definido, boca mais definida e um nariz retinho, perfeitamente esculpido, que me fez ficar na dúvida sobre o que eu acho do meu próprio nariz – sendo que eu nunca vi problemas no nariz que eu tenho agora! Ao contrário, eu amo ele!

Todas as fotos que eu escolhi estavam no meu perfil, e acho que como 99% da população, eu escolhi aquelas fotos justamente porque achei que estavam mostrando a minha imagem de forma mais favorável. Mesmo assim, preciso ser sincera aqui, eu caí direitinho no objetivo do teste e me achei muito mais bonita no resultado alterado no que nas fotos que eu já achava bonitas. O que quer dizer que de certa forma, aqui estou eu, presa em padrões que nem sabia que me ainda me afetavam.

Por um segundo questionei meu amor próprio e tudo que vemos discutindo aqui. Caramba, se eu me achei mais bonita com o nariz empinado, com o rosto mais magro, com os dentes mais brancos, será que eu devo fazer algo para mudar? Será que preciso marcar o dentista para começar amanhã o clareamento? Ligar para o meu pai e perguntar se da próxima vez que for para o Brasil, podemos cogitar dar uma ajeitada no nariz? Será que preciso emagrecer para afinar o rosto (porque o corpo não apareceu na foto, então ele não foi afetado)?

E foi aí que eu voltei pro mundo real e problematizei. Caramba, esse joguinho de bobo não tem NADA. Ao contrário, ele é mais um jeito da gente se olhar e se sentir insatisfeita. E o pior, as mudanças são tão sutis que por um segundo, a gente acha que a solução para ter o rosto de uma estrela de cinema está em pequenos procedimentos, fácil de fazer, rapidinho. Só que não.

Não é assim, até porque pode ter certeza que mesmo se você fizesse tudo para ter o rosto que viu no resultado do teste, tirasse uma foto e refizesse a brincadeira, o algoritmo padronizado iria achar mais defeitos e ia mudar mais coisas em você. Ou seja, o teste nada mais é do que a versão tecnológica do tal padrão mutável e sempre inalcançável que vivemos no nosso dia a dia.

E aí? Ainda acha que todo teste do Facebook é inofensivo?

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4 Comentários

  • RESPONDER
    Jéssica
    19.02.2018 às 16:16

    Cá, um tempo atrás surgiu o questionamento a respeito dos filtros do snapchat – que ao “melhorar” a aparência, clareavam a pele das pessoas, lembro de ver alguns exemplos de mulheres negras que ficavam pálidas e até com o nariz mais fino nos filtros mais populares (como aquele da coroa de flores do Coachella). Li seu texto pensando também na história tão pesada que a Evelyn Regly compartilhou com a gente ontem e como de maneira nenhuma um procedimento estético – especialmente um que envolve cirurgia – deve ser visto com banalidade. Entre a imagem de beleza perfeita que nunca alcançaremos porque nem existe e a falsa facilidade de acesso para consegui-la, é um processo bem complexo e que exige muito auto-conhecimento separar o que realmente nos incomoda e merece uma intervenção do que só precisa de mais amor próprio.

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    Jessica
    21.02.2018 às 11:26

    Assim como a Jéssica acima, tive um questionamento parecido com o seu sobre os filtros do story e snapchat.
    Toda vez que ia gravar um vídeo por lá, automaticamente buscava algum filtro que me deixasse mais bonita. Já havia questionada a mim mesma se aquilo não era um tipo de “enganação”, querer ser o que não é, querer estar sempre um pouco melhor. Mas logo percebi que quase todo mundo usava, vira e mexe via algumas mulheres que considero um grande exemplo, que expõe as fraquezas, que não parecem tentar ser perfeitas e via que também usavam os filtros. Pensei: “Bom, acho que isso não é nada demais mesmo.” A câmera as vezes mostra mais imperfeições que o espelho, então seria quase como se o filtro nos deixasse mais reais.
    Mas a verdade é que aquilo era uma desculpa minha comigo mesma para não me sentir mal. A verdade é que se a gente se gosta na vida real, por que essa necessidade de filtro aqui e ali toda hora? A internet nos cobra um padrão quase inatingível, e, mesmo quando acho que não estou sendo afetada, vêm alguma dessas ferramentas e me mostram que eu ainda preciso trabalhar muito a autoestima para realmente não ser afetada. E segue a busca por esse amor próprio e maturidade haha
    Beijos

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    Juliana
    21.02.2018 às 21:53

    Pra mim nada que venha do Facebook, Instagram e afins seja inofensivo… rsrs

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    Denise Ribeiro
    11.03.2018 às 23:10

    Carlinha, desencana, mal se notam diferenças entre as fotos. Conclusão: você é linda do jeitinho que é.
    E sim, esses testes atrapalham muito nossa autoestima. Gostei muito do post. Beijos

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