3 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 30.01.2018

Deu match? Não, deu preguiça!

Sim, infelizmente. Logo eu, a libriana dos relacionamentos das mais variadas configurações, rainha do “se conhecendo” e entusiasta de ter crush bacana para trocar uma ideia, preciso dizer: em vários momentos do ano passado eu tentei mas deu preguiça, não match.

ilustra: marylou faure

ilustra: marylou faure

Me lembro que depois de sair de um relacionamento complicado – daqueles que a gente termina meio confusa – eu me descobri diferente, me parece que algo mudou pra sempre em mim. No início achei que era trauma, medo de me envolver e no fim, me dei conta que não era bem isso. Eu só estava cansada de jogar. Exausta de gente que fala muita coisa e faz pouco. De pessoa que diz que quer, mas prova que não quer nas atitudes. Uma chave virou e o jogo do nada acabou. Por um momento eu desisti do amor, mas também não precisava de tanto.

Na hora que vi que meu problema não eram os relacionamentos, mas sim as pessoas com quem eu me relacionava, algo andou. Perdi a vontade de tentar com quem não fazia muito esforço pra lutar. Passei a entender melhor que eu podia tudo – dormir com quem eu quisesse, experimentar novos relacionamentos ou mesmo ficar totalmente sozinha. Só criei uma regra pra mim: eu não me contentaria mais com pouco.  Minha lei feita por mim mesma vem dando certo pra mim.

Foi curioso notar que logo eu, sempre tão empolgada, virei a pessoa que brochava. Parece que agora só ganha a minha atenção história que tem algo a acrescentar. Se não vai somar, não vai fluir ou não vai ter esforço das duas partes, eu começo a desistir automaticamente. Toda aquela capacidade romântica de imaginar uma vida a dois toda fofa e idealizada foi dando lugar a um realismo menos colorido, mas mais leve e verdadeiro. Sabe aquela pessoa que quer, mas não quer o suficiente para fazer acontecer? Acho que nunca mais terei forças pra esse tipo de gente na minha vida. Cada dia mais gosto de pessoas seguras de quem são. Com coragem de ter atitude no meio de um mundo de gente paralisada por medos variados.

Em 2017 vi pela primeira vez minha vida de solteira com um gosto insosso, sem sal. Um pouco de superficialidade é ótimo para reunir referências e boas histórias, mas viver só isso cansa. Logo eu, a entusiasta dos vários dates, do sexo divertido e de falar o que penso sem medo, me vi num lugar chato. Sem encontros que somavam e sem vontade de encontrar pessoas que despertassem a vontade de quebrar o jejum que havia se estabelecido.

Em 2017 vi que, pelo menos para mim, parou de dar match, começou a dar preguiça.

Primeiro achei que era meu coração que estava quebrado, depois notei que na verdade um momento estranho em que eu estava atraindo uma galera sem atitude, que me inspirava uma postura mais inerte ainda. Precisei mergulhar para dentro e sair desse ciclo vicioso.

Antes bem resolvida sozinha do que mal acompanhada. Sinto que muitas mulheres a minha volta se cansam do formato de romance que está disponível no mercado justamente por causa dessa preguiça que surge. Vejo muita mulher buscando o autoconhecimento, dando um jeito na própria vida e encontrando companhias que viram peso de papel e quanto mais donas de si elas ficam, menos elas se mantém nessas relações bobas, vazias ou abusivas.

Parece que aos poucos perdemos a obrigação de estar com alguém para ter uma vida adulta digna. Aos poucos a sociedade nos permite ser feliz em voz alta, sozinha ou acompanhada, assim, sem a sensação de que um romance é a linha de chegada. Os romances que nos prejudicam começam a ser descartados sem medo, ninguém mais quer ficar com alguém só para não ficar só. 

De um momento para o outro a vida trouxe para mim exemplos do que era “ter atitude”. Assim, quem tinha algo de mágico para me dar ganhou destaque, afinal, no meio de tanta gente com um discurso tanto faz, quem tem certeza do que quer merece o reino todo pra si. 

Não desmerecendo todas as coisas boas que aplicativos de celular já me deram, vi por experiência própria que se pelo aplicativo está dando mais preguiça do que match, as vezes vale a pena voltar para os métodos tradicionais. Quem sabe não nos surpreendemos?

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3 Comentários

  • RESPONDER
    Renata
    30.01.2018 às 16:26

    Jô, que texto maravilhoso! Essa frase “Só criei uma regra pra mim: eu não me contentaria mais com pouco.” define totalmente minha fase atual! Bjos

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    Suyan
    31.01.2018 às 10:06

    Nossa, vc traduziu nesse texto tudo o que passei em 2016. A palavra era exatamente essa, Preguiça. Preguiça de gente que mto fala e pouco faz. Preguiça das pessoas fúteis e superficiais. Concordo com vc, antes sozinha e bem resolvida do que acompanhada. Bjos

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    Lígia
    05.02.2018 às 16:22

    Amei o texto, é bem isso o que eu penso! O mais difícil é fazer as pessoas a sua volta entender isso, deveria ter um manual de como tratar sua amiga solteira, o que mais sofro ultimamente é chegar em festas e a primeira coisa que as pessoas me perguntam e aí ninguém te interessou? Gente, a pessoa não pode ter o direito de curtir uma festa sem estar acompanhada de um date? Deixa a coisa fluir naturalmente, pressão e imposição não são legais. Bjos

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