3 em Comportamento/ Destaque/ entretenimento/ maternidade no dia 29.01.2018

Jane the Virgin e a maternidade desromantizada

Não sei por quê demorei tanto tempo para começar Jane The Virgin. Acho que estava com algumas séries engatilhadas e sem mais espaço para me viciar em outras coisas, então fui postergando, postergando, postergando, até que comecei a ver há umas duas semanas. Eu sabia que ia me viciar, afinal, ela tem todas as características que eu sei que amo em uma série, mas não sabia que seria por um motivo que ainda não tinha cruzado por aí.

Óbvio que eu fui imediatamente cativada por Jane, achei sensacional a sátira com as novelas mexicanas, amo o narrador que se mete no meio da história, acho o momento extremamente oportuno e fico feliz que ela está fazendo sucesso mesmo em tempos de era Trump (ufa). Só que eu não sabia que eu poderia ficar mais fã da série depois que Jane teve seu filho. 

Toda a fantasia e exagero que ronda os personagens em Jane the Virgin não acontecem quando a série trata de maternidade. E é aí que a série fica mais genial ainda, pois ela acha um equilíbrio entre a fantasia e a realidade que deixa tudo mais interessante. Eu não precisei me identificar com nenhum personagem para gostar de assistir cada episódio, mas a partir do momento que eu me identifiquei de verdade, tudo ficou um pouco mais especial.

Em poucos capítulos da segunda temporada somos expostas a situações que toda mãe já viveu. Leite manchando a roupa? Temos. Ela toda suja de papinha enquanto tenta fazer tudo ao mesmo tempo? Também temos. Aliás, ela toda suja porque passou dias sem conseguir nem tomar banho? Temos, claro. Escrevendo um texto no celular porque não tinha como pegar o computador? Temos – e eu, blogueira, me identifiquei bastante. hahaha Eu poderia citar várias outras situações corriqueiras, mas a melhor parte acontece quando a série aborda em pontos mais profundos. Posso começar os spoilers aqui, apesar de estar prestando atenção para focar apenas na maternidade?

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Você está prestes a deixar a maternidade sequestrar seus objetivos

Por exemplo, quando ela vive a dualidade que toda mãe passa quando se vê entre a vontade de não deixar a maternidade mudar muita coisa e a ficha que cai ao vermos que tudo muda. Acho que até as mães mais bem preparadas passam por isso, mesmo que em menor intensidade. Inclusive, achei sensacional a forma que ilustraram essa questão, onde ela tenta fazer algo com a certeza que vai ser como se o bebê nem estivesse ali – mas obviamente ele está.

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Outra coisa legal que eu vi ser abordada foi a relação com as amigas sem filhos. Em um primeiro momento pode ser que role um estranhamento pela mudança radical de prioridades, as vezes a separação realmente acontece, mas é maravilhoso quando achamos o equilíbrio disso tudo. Eu amo minhas amigas mães, mas valorizo demais as amigas que ainda não chegaram nessa fase pois é com elas que eu me lembro um pouco da Carla antiga, e isso me faz muito bem.

A culpa é quase um personagem à parte depois que o filho de Jane nasce. Ela se culpa por pensar em focar na oportunidade de estudos, se culpa porque teve que abandonar o peito, se culpa porque ele teve que usar capacete, se culpa de tudo basicamente. E atire a primeira pedra a mãe que nunca sentiu culpa na vida. Acho que essa pessoa, inclusive, nem existe. 

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A relação com a mãe muda, da mesma forma que mostra como a relação de sua mãe com sua avó mudou. Eu achei tão importante ver isso sendo abordado de forma tão clara, porque isso de fato acontece. Talvez não de forma tão romântica porque não é toda família que é tão próxima quanto a de Jane, mas a verdade é que muitas coisas que reclamávamos ou que não entendíamos acabam fazendo sentido quando viramos mães, e essa troca de experiências pode ser enriquecedora na relação.

Aliás, uma coisa está sempre presente é a importância da rede de apoio. Mãe, avó, pai e até mesmo babá. Saber que temos pessoas que irão aliviar nossa barra quando ela fica pesada é essencial para a sanidade. E amo ver que isso fica muito claro.

Eu sei que Jane the Virgin faz sucesso com todos os públicos, mas quem assistiu a série e teve filhos depois disso (ou ainda está grávida), eu sugiro rever a segunda temporada com outros olhos. Ou começar a ver Jane the Virgin sabendo filtrar essa parte de realidade que eles conseguem retratar ao falar de maternidade. Porque ali está muitas questões que, se bem digeridas, podem deixar tudo um pouco mais leve.

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3 Comentários

  • RESPONDER
    Nicole
    30.01.2018 às 15:55

    Cara, eu AMO demais essa série! Ainda não tenho filhos, mas como pretendo, analiso muito essa parte de maternidade. E acho lindo a maneira como tratam! O parto (que nem sempre vai ser como você espera), o recém-nascido.. me parece muito mais real. ♥

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    Viviane Cipriano
    31.01.2018 às 11:06

    Não tenho filhos, mas também acho o máximo como jane the virgin trata da maternidade. Spoiler alert: até com a maternidade da Petra. Mas não só a maternidade JTV fala sobre muitas outras coisas de uma forma mais pé no chão, ainda que com tenha uns toques surreais, como imigração, coparenting, educação infantil, etc! é muito amor por essa série!

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      Carla Paredes
      31.01.2018 às 12:15

      Nossa, Vivi, eu to na fase que a Petra acabou de ter filho, também to amando ver a depressão pós parto abordada da forma que está sendo abordada. E é verdade, eu quis focar na maternidade, mas amo como eles tratam desses assuntos mais sérios de forma mais leve. Daria para fazer milhões de textões sobre essa série!

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