1 em Destaque/ Moda no dia 10.11.2017

(meio) look da Cá e uma vontade de valorizar o Brasil

Não nego que sempre fui super americanizada. Quando falamos sobre filmes, músicas, séries, então, nem se fala. Mas moda americana nunca foi muito o meu forte, nem quando eu ia para Orlando e tirava dias inteiros só para compras. No fim das contas gastava boa parte do meu dinheiro na Zara, que nem americana é.

Uma das muitas romantizações que eu tinha sobre NY antes de morar aqui era justamente o quesito fashion. Depois de uma vida com referências como Sex and the City, Gossip Girl, Diabo Veste Prada entre tantos outros que agora não me lembro, eu jurava que ficaria na berlinda com tantas opções de lojas incríveis à minha disposição. Imaginem, em menos de 10 minutos eu chego na Forever 21, na H&M, na Topshop, e em meia hora posso dar uma voltinha na Saks, Macy’s, Bloomingdale’s. Caramba!

Pois é, continuei na Zara. E por causa da proximidade com a minha casa, acabei incluindo no meu armário algumas peças da J. Crew e outras tantas da Madewell. A verdade é que eu tenho pouquíssima paciência quando me vejo tão cheia de opções, e como eu passei esse tempo todo com o Arthur em casa, eu também não tinha muito tempo para conseguir ver as coisas com calma.

Só que eu tenho notado um comportamento meu bem diferente, algo que eu nunca tive antes mas acho que faz todo sentindo estar acontecendo: passei a valorizar muito marcas brasileiras com peças cheias de personalidade, algo que nunca tinha despertado tanto meu interesse.

Maior prova disso? Virei farmete. Mentira, não virei, mas nessa minha ida ao Brasil me peguei super interessada em algumas peças da marca, que nunca foi das minhas preferidas. Apesar de já ter entrado na coleção de alto verão, consegui comprar algumas coisas bem quentinhas para dar uma animada nesse inverno e fiquei super feliz de trazê-las.

Eu ainda não parei para analisar o motivo desse interesse de forma mais profunda, mas a única coisa que posso dizer é que sei o exato momento que eu passei a ter vontade de voltar os holofotes para criações brasileiras. Estava no meio do inverno no começo desse ano e resolvi botar a minha bota bordada da Cavage, uma peça super diferente e cheia de personalidade. Nesse dia umas 3 pessoas chegaram em mim para elogiar essas botas e saber de onde eram, e eu senti um orgulho tão grande de dizer que eram do Brasil que não cabia em mim.

É claro que muitas marcas brasileiras são totalmente baseadas no que acontece aqui em Nova York, Londres, Milão e Paris, as capitais fashion do mundo. No entanto que é super comum vermos equipes de estilo e donas de marca vindo para cá para fazer pesquisa de tendências (que muitas vezes se traduzem em tirar foto e comprar coisas só para copiar). Dessas, eu fui pegando um bode gigante.

Mas tem várias outras, como percebi nessa vez com o caso da Farm, que hoje eu percebo que conseguem manter uma identidade brasileira bem forte, muitas vezes sem ser caricata. Ou então que têm um trabalho super único que eu provavelmente não vou achar por aqui, como a Cavage, marca de sapatos com um trabalho impecável e todo baseado em conforto e estilo que nós usamos à tanto tempo. Também a Adriana Meira, que fez as nossas saídas de praia para a pool party e tem um trabalho de estampa/colagem com tecidos super especial e único, muitas vezes trazendo referências do sertão do Nordeste, lugar onde ela nasceu.

Hoje eu citaria tantas outras que eu como Isolda, Adriana Barra, PS Love Stripes, Isaac Silva, Merci with Love, Maria Dolores, Nannacay, Marcela B, Prosa. Ainda tem mais, mas provavelmente devo ter esquecido alguns nomes.

Eu só demorei tanto para apreciar realmente esse tipo de trabalho porque geralmente ele custa caro. E não encontra fácil em qualquer lugar. São tipo tesourinhos mesmo, que vamos escavando e achando por aí. Leva tempo, identificação, deslocamento, interesse, as vezes um pouco de paciência, coisa que nunca tive. Aí eu via os preços, desanimava e ia aproveitar a praticidade e a disponibilidade da Zara, que por mais que tenha muita coisa linda e supra nossos desejos imediatos de roupas da moda, nem de longe terá a personalidade de marcas com DNA próprio, cujo carinho você vê em toda parte do processo.

Ainda não sei no que isso vai mudar no meu estilo ou nos meus looks, mas só sei que hoje meu objetivo é encher a boca cheia de orgulho e dizer: “isso? É do Brasil” :)

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1 Comentário

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    Juliana
    12.11.2017 às 1:31

    Chocada que tu conseguiu achar uma modelagem G real oficial na Farm Carla! Hehe
    Visto o mesmo manequim que tu e um dos motivos que desisti da Farm foi isso: o G deles é um M que nem passa das costas.
    Mas legal! As minhas esperanças voltaram e eu vou dar uma olhada nas roupas da Farm.
    Bjs!

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