9 em Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 30.10.2017

Outubro Rosa: Erika Galhardi

Abril de 2017. Mês normal, nada de especial. Apenas mês dos meus exames anuais. OK. Tudo agendado e lá vou eu.

Há quase 10 anos faço meus exames de imagem com a mesma médica (uma boa dica que dou à vocês, fica mais fácil de acompanhar os laudos). Viramos amigas pessoais, claro. Como podia ser diferente? Falo pelos cotovelos. 

Fui chamada. Coloquei aquele roupão horrível. Todas nós, mulheres, nos esbarrando na saleta de espera. Uma é chamada para a mamografia, outra para o ultrassom. Ninguém se fala. Chato isso, né? Afinal são exames de rotina, todas nós temos que fazer. E porque não fazê-lo parecer mais prazeiroso?

Entrei. Fiz os meus. A auxiliar fala “temos que repetir a mamografia”. Eu super ok, afinal minha médica é minha amiga, só pediu para repetir porque sei lá, ela me adora. Hahaha!

Acabei. E vem ela “apareceu um nódulo que não aparecia nos outros exames. Vamos fazer uma ressonância”. Ok? Claro que não, pirei na hora. Fiz mil perguntas mas ela me acalmou.

Ressonância marcada. Ela quis me acompanhar. Nem desconfiei, afinal somos amigas.

Acabou o exame e ela me pede pra esperar um pouquinho lá fora enquanto agradecia a equipe. Estava relaxada, mexendo no celular, e a observo, de canto de olho se aproximar. Parei e acompanhei cada passo dela em minha direção. Acho que foram uns 15 segundos mas pra mim foi uma câmera lenta sem fim. Entendi. Comecei a chorar. Ela me deu muito carinho mas tinha que ter o último exame a fazer: biópsia.

Fiz na certeza que daria maligno. Falta de fé? Não. Me preparando para o que viria pela frente.

E deu. Meu chão abriu. Minha barriga doía. Gritei, soquei a parede, andei em círculos por “horas” e só falava “ estou com câncer de mama, não acredito. Não tenho histórico, me cuido pra caramba…”Mas em nenhum momento questionei por quê, nenhum.

Respirei fundo, avisei à família. E foi aqui que tudo mudou dentro de mim. Senti uma força gigantesca, afinal eu tinha que dar apoio aos que iriam me apoiar. Não me julguem, sou assim. 

Cirurgia marcada, com 2 opções de data: 8/5 ou 15/5. Escolhi 8/5 e não foi à toa. Era meu aniversário, 49 anos. O médico insistiu para que eu fizesse dia 15 mas eu estava firme. Deus me deu uma nova chance de viver. Dia 8 renascerei!

A cirurgia foi um sucesso. Fiz o esvaziamento das mamas, coloquei próteses, não tive comprometimento dos gânglios e nem perdi meus bicos do seio. Fazer quimio ou rádio estavam praticamente fora de cogitação. Maravilha? Sensacional.

Depois de 15 dias chego para o meu médico e peço uma notícia boa. Recebo uma boa e um ruim. A boa? A cirurgia foi efetiva, deu tudo certo. A ruim, precisaria fazer quimio. Não acreditei, claro que não. Eu fazer quimio? Não.

Lembro-me de dizer “posso chorar?”. E foi assim. Foi a 2a e última vez que chorei. Respirei o mais fundo que eu consegui e falei “vamos lá”.

E começou aí a nova Erika. Olhei para mim mesma diante do espelho, e me disse “você não vai cair. Algo Deus quer de você”. Sou muito religiosa, mulher de fé, cantora católica… 

Começou a quimio. Dia difícil. Tudo novo. Medo de todas as reações que eu poderia vir a ter. Não tive. Oi? Isso é normal? Não sei mas nada tive. 

O cabelo começou a cair. Acho que essa parte, para a mulher, é a pior. Claro que significa a cura, mas não é fácil. E caiu muito. Mais uma decisão: raspar. Era muito mais doloroso ver meu travesseiro cheio de cabelo, o chão, o box. Para que adiar um sofrimento? Raspei. Me senti melhor.

Vamos aos lenços, então. Porque peruca eu já tinha certeza que não usaria. Lenços lindos comprados, não me adaptei. Incomodava, escorregava, sentia calor. Desisti.

Qual a opção? Assumir a carequice. E, para minha surpresa maior, fiquei linda! Nunca imaginaria isso. Aliás, acho que quase nenhuma mulher se imagina linda careca.

Então veio a ideia: que tal eu fazer stories do meu dia-a-dia? Que tal mostrar para as pessoas que podemos estar carecas, em tratamento de quimioterapia e não perder a vaidade, o bom humor, a esperança? E assim fiz. Comecei a virar a câmera do celular para mim e a fazer os vídeos. Nada elaborado, não. Só eu mesma.

Os dias foram passando, os vídeos aumentando e as respostas das seguidoras também. Vi que o retorno era positivo, muito positivo. Conversar com pessoas que me davam força e segurar as mãos de quem passou ou está passando o mesmo que eu me deu forças.

A quimo não me derrubou. Sou uma exceção? Não sei. Minha vida praticamente não mudou nada, apenas ficou mais lenta. Continuei malhando, fazendo massagem, cantando. Apenas sinto um cansaço muito grande, em poucos dias, e só.

A superação é pessoal, claro. Cada um tem o seu tempo, a sua hora de respirar e dar a volta por cima. Cada um tem sua hora de dizer “é isso que eu tenho e vou aprender a lidar com isso”. Foi o que fiz. Tenho outra opção no momento? Posso fugir do tratamento? Não. E qual a melhor maneira de passar por isso? Tirando o melhor de mim, fazendo com que meus dias sejam os mais normais possíveis. Afinal, é uma fase e toda fase passa. Isso mesmo, toda fase passa, tem princípio, meio e fim. Meu fim será dia 27/11, a última quimio.

Qual a lição que posso passar para vocês com tudo isso? Que só nós podemos dar direção às nossas vidas, que as coisas podem ser difícies, quase impossíveis aos nossos olhos, mas Deus nos impulsiona. Ele nos faz capaz. NUNCA DESISTAM. Somos vencedoras.

E que nesse mês do Outubro Rosa todas nós tenhamos a consciência de fazer o auto-exame e continuar fazendo exames de forma rotineira. Nem precisa ser em Outubro, temos o resto todo do ano pra isso! O câncer de mama tem cura, ainda mais sendo descoberto à tempo.

Eu sou Erika Galhardi, tive câncer de mama esse ano e estou CURADA.

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9 Comentários

  • RESPONDER
    Paola Scott
    30.10.2017 às 12:36

    Minha amiga querida de tantos anos e tantas histórias, vc é uma vencedora! Te admiro muiiiiito!! Amei ver sua história aqui! Mil bjs, love u

    • RESPONDER
      Erika Galhardi
      31.10.2017 às 13:44

      Paola, vc é uma inspiração pra mim. Love!

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    Tatiana
    30.10.2017 às 13:52

    Erika que sorte a minha poder te chamar de amiga. Você é iluminada! beijos beijos beijos!

    • RESPONDER
      Erika Galhardi
      31.10.2017 às 13:48

      Tati, vc é demais AMIGA!

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    Mônica
    30.10.2017 às 14:40

    Lindo depoimento. Impossível não se emocionar. Tive câncer tb, mas o meu não foi de mama e sim um linfoma. Me identifiquei com tudo que você disse e digo com muito orgulho que hoje estou totalmente curada tb. Como vc disse, é só uma fase e toda fase, felizmente, passa. Depende apenas de nós a significância que iremos dar a esse momento. Eu, assim como vc, optei por encarar esse momento da melhor forma possível. Hoje, acredito ser uma pessoa melhor. Ficam aqui as minhas palavras de força para todas as pessoas que estejam passando por momentos como esse. Todo dia eu comemoro por estar aqui, viva e feliz, mas dezembro de 2018 será especial: farei 10 anos de curada.
    Um forte abraço a todos que estejam passando por esse momento!!
    E um beijo pra todas que fazem este blog que tanto adoro.

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      Erika Galhardi
      31.10.2017 às 13:50

      Somos vitoriosas, guerreiras. Deus sabe disso desde o nosso início. Conte comigo. Bjs

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    Carol R
    30.10.2017 às 23:11

    Querida
    Já falei inúmeras vezes com você sobre o quanto você me inspira e me faz acreditar na vida nas pequenas coisas, nos pequenos gestos e nos grandes milagres que a cada dia se revelam em diversos formatos e só que tem fé e é merecedora como você que sabe.
    Mas, Deus é tão bom que ele de vez em quando deixa pessoas lindas e corajosas cruzarem nosso caminho para nos trazer esse testemunho.
    Obrigada querida, sempre te admirei e um dia quero poder agradecer pessoalmente toda essa sua alegria e energia contagiante.
    Bjos e estamos longe , mas perto sempre.
    Carlinha e Jo amei esse post. Você estão arrasando nesse busca das mulheres pela sua autoestima

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    Erika Galhardi
    31.10.2017 às 13:50

    Não demora e esse encontro sai. Já está escrito ❤️

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    Andreza Cancellieri
    31.10.2017 às 23:29

    Érika parabenizo vc pelo lindo gesto de amor de compartilhar com tantas pessoas sentimentos tão intimos… Deus é contigo! Grande abraço e que Maria te conduza sempre!

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