1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ crônicas/ Destaque no dia 28.09.2017

Te perdi porém me reencontrei

Quando tudo começou, eu te botei em um pedestal. Tudo culpa da minha admiração platônica que vinha de anos. Por muito tempo te acompanhei à distância, vendo tudo que era publicado em seu nome. Até que um belo dia uma amiga em comum nos apresentou e quando eu me vi, já estávamos batendo um papo aqui, outro ali. E o que eu só imaginava nos meus melhores sonhos aconteceu: eu conquistei sua atenção.

Te achava incrível, tinha a impressão que ser vista ao seu lado era símbolo de status e de respeito. Ser elogiada por você massageava meu ego e eu me sentia a pessoa mais incrível do mundo. Ter o seu aval era importante, te ter me endossando também. Até que eu descobri que eu podia te perder.

Não queria aceitar de primeira. Na verdade, quando meu cérebro registrou que seu histórico de relacionamentos nunca foi dos mais estáveis, eu tentei ignorar. Imagina, eu seria a pessoa que mudaria isso. Aliás, eu ERA a pessoa que te entendia tanto que me tornaria imprescindível.

ilustra: melody hansen

Só que aí eu fui mudando, tentando me adaptar à sua instabilidade para ver se eu me mantinha estável na sua vida. Começou com uma mudança de opinião aqui – imagina, eu já estava inclinada a achar isso mesmo – depois com um afastamento ali – claro que não, essa pessoa que eu me afastei já estava me dando bode à um tempo – e quando vi, estava presa em uma órbita que só funcionava se eu girasse em torno de você.

Ao contrário do que se imagina, não foi algo difícil de fazer. Não foi cansativo, não foi dolorido. Não sei se minha personalidade que era volúvel ou se os créditos devem ir todos à sua capacidade de seduzir quem você quer que te endeuse. Eu sabia que seu histórico era justamente esse, lembra? Eu só escolhia ignorar. Inclusive, a galáxia que você criou para desempenhar o papel de Sol não tinha apenas eu de planeta. Pelo menos mais umas 3 pessoas envolvidas por todo seu carisma e lábia estavam ali, girando ao seu redor. Foi aí que eu me desencantei.

Um belo dia me olhei no espelho e perguntei quem era aquela pessoa me olhando, que se afastou de pessoas tão legais sem motivos aparentes? Quem era aquela pessoa que mudou a forma de se vestir porque não queria ser alvo de chacota? Quem era aquela pessoa que se fechou porque achava que para agradar era melhor não emitir muitas opiniões? Quem era aquela??

Cheguei à conclusão que para não te perder, eu acabei perdendo a mim mesma. E quer saber? Hoje, 2 anos depois de tudo, vejo que ter te perdido, justamente o que eu tinha mais medo, foi essencial para eu me reencontrar (não que você mereça um ‘obrigado’ por alguma coisa).

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Carla Paredes

Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.

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1 Comentário

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    Renata Castro
    08.10.2017 às 10:50

    Texto maravilhoso!! Amei!!

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