4 em Autoestima no dia 06.09.2017

Imagina se eu tivesse um pai cirurgião plástico…

É engraçado, mas toda vez que eu menciono o fato do meu pai ser um cirurgião plástico para uma mulher, a maior parte das vezes a conversa segue ou com a pergunta “e aí? já fez muita coisa?” ou com a frase “nossa, se eu tivesse um pai cirurgião plástico…”. Eu sei que muita gente fala isso da boca pra fora, e nem quero ser a problematizadora de uma pergunta que claramente é para puxar papo, mas eu sempre acho engraçado.

Na verdade a palavra nem é “engraçado” e sim curioso, porque muita gente imagina que por eu ter um cirurgião plástico ao meu alcance eu poderia estar de 6 em 6 meses em uma mesa de cirurgia ou no consultório dele tirando uma gordura aqui, aplicando um botox ali, colocando um silicone acolá.

Quando essas perguntas acontecem, imediatamente me vem três coisas na cabeça:

  1. Será que falam isso para quem tem pais de outras áreas da medicina, tipo cardiologista, neurologista ou angiologista?
  2. Espero mesmo que essa pessoa esteja falando só da boca pra fora, porque não seria legal ver em si mesma tantos defeitos a ponto de achar um sonho ter alguém que possa modificar cada coisa que não gosta à sua disposição.
  3. Será que eu sou uma ET ou tenho uma “autoestima da porra” por não querer estar toda hora mudando algo em mim?

Já falei nesse post, inclusive, que a redução de seios com uma retirada de gordurinhas teimosas na cintura foram fatores decisivos para minha autoestima.

Eu com 19 anos (um ano antes de fazer a redução) entregando um prêmio pra ele <3

Eram questões que me incomodavam desde muito nova e que por algum tempo realmente prejudicaram a forma que eu lidava com o meu corpo (principalmente por causa dos seios grandes) e por mais que eu tivesse o incentivo do meu pai, eu tentei evitar ao máximo a cirurgia antes de perceber que ela poderia ser de grande ajuda. Eu não odiava meu corpo, mas eu sabia que eu tinha o potencial de amá-lo ainda mais se eu mudasse aquilo que me inibia e me deixava desconfortável.

10 anos se passaram e eu não vou mentir que talvez fizesse uma ou outra intervenção novamente. Adoraria dar um jeito na minha barriga, que não voltou ao que era depois que tive o Arthur. Com a gravidez também ganhei uns culotes que eu não lembro que existiam. Morar nos EUA pode ser complicado para a balança e a impressão que tenho (porque faz tempo que eu não me peso, minhas referências são as minhas roupas) é que acabei acumulando umas gordurinhas mais salientes nas costas que eu não curto muito. Estou com 31 anos e as rugas na testa começam a aparecer e dizem que é bom botar Botox nessa época para prevenir que elas fiquem mais profundas. Ou seja, eu vejo muitas coisas em mim que poderiam ser mudadas. Por quê, então, eu não vou imediatamente para a mesa de cirurgia e “aproveito que tenho um pai cirurgião”?

Primeiro porque eu tenho um pai que, por mais treinado que esteja para ver quais melhorias podem ser feitas em um corpo e tenha me incentivado quando eu mostrei interesse no assunto, nunca alimentou minhas inseguranças com o corpo.

Segundo porque esses detalhes que eu vejo em mim simplesmente não afetam tanto a minha autoestima. Com as roupas que eu uso, inclusive biquinis, a barriga, os culotes ou até mesmo as gordurinhas não me incomodam. As rugas realmente não me chamam tanta atenção (só quando to naqueles dias que eu olho no espelho e só vejo defeitos). Se um dia começarem a afetar e eu sentir que me sentirei mais confortável com esses procedimentos, quem sabe eu pense no assunto e até siga em frente, mas farei sabendo que os motivos vão além de me aproveitar da expertise do meu pai, simplesmente porque ela está à minha disposição.

Ah, e não, eu não estarei sendo contraditória ao #papososobreautoestima.

Como filha de um cirurgião, toda hora cruzo com pacientes e ex-pacientes que não economizam em elogios ao meu pai (#orgulho), dizendo como ele – literalmente – operou milagres em suas autoestimas. Ele operou milagre na minha também. Aliás, diria que plástica e autoestima andam de mãos dadas – quando feitas pelas razões certas. Facilidade, disponibilidade, preencher vazios ou condicionar felicidade para depois que fizer o procedimento não são os motivos mais adequados.

E o que mais importa nisso tudo é que o amor e orgulho que eu sinto por ele realmente independem da profissão que ele escolheu seguir.

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4 Comentários

  • RESPONDER
    Gabriela Andrade
    07.09.2017 às 11:36

    Eu tenho muuuuita vontade de fazer uma redução nas mamas, mas não tenho pressa… sei que um dia vou fazer, e que o dia está cada vez mais perto… acho bacana da cirurgia quando é assim… sei que quero, sou bem resolvida com o tamanho dos peitos, apesar de não amar. Quero antes descartar uma futura segunda gestação… Estou com 35, com certeza estrearei os 40 de micropeitos! Sempre ouvi que deveria operar o nariz, que é um tanto quanto adunco, nele eu não vejo necessidade de mexer, e nem vou… a não ser que com a idade piore e passe a me incomodar….

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    Marcela
    07.09.2017 às 14:56

    Meu pai também é cirurgião plástico (aliás, é amigo do seu!) e sempre me fazem a mesma pergunta! “Ué, mas como até hoje você Não pôs silicone, com seu pai ‘à disposição’?” Mas só quem é filha de um sabe que ‘à disposição’ não existe e que cobranças assim não levam a nada né?
    Beijo!

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      Carla Paredes
      10.09.2017 às 22:50

      Que coincidência! Eu tava comentando isso em outra rede social, acho engraçado que eu não conheço praticamente nenhuma filha de cirurgião plástico que se enquadre no estereótipo da louca por plásticas!

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    Gabriela Ribeiro Souza
    08.09.2017 às 14:41

    Eu acho super válido esses questionamentos sobre o que nos levam a fazer certos procedimentos. Eu “levantei” os seios. Na verdade apenas tentei. Foram dois procedimentos, e tive um pós operatório péssimo em ambos, acabou ficando pior do que era antes. São três dedos de cicatriz em cada uma das mamas. Hoje em dias as cicatrizes já não me incomodam, mas na época fiquei arrasada. Queria poder usar blusas frente única, tomara-que-caia, blusinhas sem sutiã, como minhas amigas, mas não podia pq tinha os seios caídos. Parecia que só vestindo aquelas roupas seria aceita… Hoje vejo que faltou um pouco de empoderamento na época, de me sentir bem como era. Vejo fotos hoje em dia e me pergunto como eu podia me sentir tão mal…

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