2 em Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 05.09.2017

Book do dia: A História de quem foge e de quem fica, de Elena Ferrante

Depois de a Amiga Genial, a História do Novo Sobrenome, acabei de terminar A História de Quem Foge e de Quem Fica e estou bem no comecinho do 4o. título, A História da Menina Perdida. A sinopse desse 3o. livro é:

“No terceiro volume da série napolitana, Lenu e Lila partem para os embates da vida adulta. Numa sequência angustiante e sem espaço para a inocência de outrora, Elena Ferrante coloca o leitor no meio do turbilhão que se forma das amizades, das relações sociais e dos interesses individuais. História de quem foge e de quem fica é uma obra de arte a respeito do amor, da maternidade, da busca por justiça social e de como é transgressor ser mulher em um mundo comandado pelos homens.”

Antes de falar qualquer outra coisa, preciso tirar uma coisa do meu peito: eu tenho um ódio desmedido de Lenu. Por mais que eu ame a consciência e honestidade que Elena Ferrante imprime nessa personagem e narradora, cada capítulo que passa eu a acho cada vez mais arrogante, egoísta e, acima de tudo, insegura.

Eu sei que Lila também não é flor que se cheire, aliás, acho que a autora foi brilhante em criar duas personagens principais cheias de qualidades e defeitos que nos impossibilita de escolher uma preferida.

Mas Lenu é complicada, a menina que vai crescendo ela se compara e se diminui constantemente, além de parecer precisar da aprovação das duas pessoas mais prejudiciais que já apareceram na sua vida para praticamente tudo. E essas atitudes me dão uma raiva sem igual. Claro, todos os créditos vão para a autora, afinal, se a identificação não rolasse, os sentimentos dificilmente seriam tão viscerais.

Esse 3o. livro me fez gostar um pouco mais de Lenu apenas por um motivo: a maternidade relatada. Eu adorei ver mais um livro desromantizando a maternidade, mostrando uma mãe realista e cheia de sentimentos ambíguos, que se frustra, que nem sempre sabe o que fazer. As dificuldades, a solidão, a vontade de se redescobrir e os eventuais momentos de inércia estão todos lá. Importante de escrever sobre, de ler e até mesmo de se debater.

Com a maternidade, o livro também ganha um viés feminista bem interessante. A mulher que começa a ganhar mais que o homem, os coletivos femininos e feministas, a entrada da pílula anticoncepcional, a maternidade, as tentativas de combater o machismo.

Essa frase que eu grifei, inclusive, está ecoando na minha cabeça até agora:

Não se enganem, Lenu continua com a autoestima no pé, presa à seu bairro de infância por mais que ela tente escapar dessa realidade e eu acho impressionante como, mesmo passando boa parte do livro sem falar com Lila, todas as suas atitudes tomam como base o que a amiga acharia. Insegura até dizer chega e com um final que tem tudo para dar muito errado apesar de eu alimentar aquela vontade que dê certo (não contarei, óbvio rs).

Mas para quem, que como eu, achava que a história de Lenu e Lila se resumiria à complexidade da amizade feminina, Elena Ferrante está me dando belas surpresas. E eu mal posso esperar para saber como essa série vai terminar. :)

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Jéssica Nascimento
    05.09.2017 às 12:21

    Carla, acho que esse texto aqui é bem legal para ajudar a refletir sobre a parte que você grifou: https://medium.com/@secoelho/para-mulheres-que-tinham-potencial-d2d46c21c9af

    =)

    • RESPONDER
      Carla Paredes
      05.09.2017 às 18:13

      Que texto!!

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