2 em Autoestima/ Convidadas/ Saúde no dia 02.09.2017

Como o poledance mudou minha autoestima

Eu sempre gostei de dançar mas nunca tive muito saco para academia convencional, com musculação e aparelhos. Não à toa, a época que eu passava mais horas na academia era quando eu emendava várias aulas coreográficas diferentes. Depois disso,quando tinha horas suficientes dos meus dias para dedicar a isso, fui bolsista de escola de dança onde explorei várias modalidades como dança de salão, stiletto e ballet fitness. Amei todas, mas depois que academia onde eu fazia ballet fitness perto de casa fechou, me vi órfã de novo e sentindo falta de uma atividade que fosse lúdica, eficiente, encaixasse nos meus horários e no meu caminho. Considerei dar mais uma chance para academias, mas desanimava quando via a grade de horários e percebia que as aulas que mais me atraíam não encaixavam com meus horários. Até que um dia, num post patrocinado do instagram, apareceu um anúncio de aula experimental grátis numa academia de Poledance. Tinha turmas à noite, era no meio do caminho do trabalho para casa e eu sempre achei lindo, então marquei minha aula inicial e fui, sem saber muito bem o que esperar.

No dia da aula inicial, cheguei cedo para ver a turma do horário anterior. A superação já começa no traje: meninas com os mais diversos biotipos executavam os exercícios só de shortinho bem curto e top, botando tudo para jogo mesmo. As roupas, a professora explicou, atrapalham muito na hora de subir. Além de força, é preciso ter atrito entre a pele e a barra.

 

Depois do aquecimento e já mais acostumada com as roupas escassas, hora de tentar subir no pole e lá vem o momento superação – parte 2. É bem mais complicado do que parece quando a gente vê aquelas coreografias lindas e etéreas pela internet. Subir não é tão fácil nas primeiras aulas, mas abstrair o medo de cair e pegar confiança para conseguir executar os movimentos é bem mais difícil. Não é fácil sustentar o próprio peso lá em cima, que dirá fazer isso sendo graciosa sem aquela cara de desespero. Além de exigir muita força, que você vai construindo com o tempo, aguentar a dor das travas é um desafio à parte. O atrito da pele com a barra, que é o que sustenta a gente lá em cima, maltrata. A pele fica assada, dolorida e você tem que se acostumar a conviver com os hematomas nos lugares mais ingratos. Tem que insistir e persistir mesmo. Mas com o tempo você cria resistência, consegue abstrair a dor e ganha confiança para ir se soltando cada vez mais. E nesse processo a sua consciência corporal evolui, o controle aumenta e a autoestima também. Em pouco tempo senti uma diferença enorme de ganho de força nos braços, que normalmente não é o que as mulheres priorizam nas séries de musculação de academia. Mas também tem muito trabalho abdominal, pernas, bumbum e ganho de flexibilidade.

Mas uma coisa que me surpreendeu no pole que nunca tinha sentido em outras atividades desse jeito é a construção de uma relação de cooperação mútua e confiança com as outras alunas, independente de terem afinidades fora dali. Em outras aulas você pode conhecer pessoas, fazer amizades e até levar para a vida, mas isso não necessariamente tem a ver com a atividade em si. Na aula de pole temos uma regra segundo a qual só executamos movimentos de cabeça para baixo se tiver uma outra pessoa junto para dar assistência, mesmo que a aluna já tenha dominado aquele movimento. Porque se alguma coisa der errado, tem sempre alguém ali para, literalmente, te segurar se você cair. E isso acaba acontecendo de um jeito muito orgânico e natural. A professora se divide para dar atenção para todas, mas quando a turma está cheia, você pode observar um movimento das próprias alunas se ajudando mutuamente, se amparando, dando força uma para a outra  e frases como “conseguiu, tá linda!” não são incomuns.

Depois da dor, do medo e da vergonha iniciais, o poledance é apaixonante. Conseguir executar aqueles movimentos lindos na barra giratória, fazer uma sequência inteira sem – quase – desabar, perceber seu corpo se transformando com uma atividade em que você nem sente tempo passar e se sentir poderosa lá em cima não têm preço. Com seis meses de aula, já levei mais duas amigas para o poledance e encorajo todas a experimentar uma aula que é puro empoderamento.

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Renata Castro
    04.09.2017 às 17:47

    Nossa, quando eu estiver com mais tempo, com certeza vou experimentar! Adoro fazer coisas novas!
    Sempre fui louca pra fazer e com o seu relato fiquei com mais vontade ainda!

    Bjo

  • RESPONDER
    Samantha Araújo
    06.09.2017 às 19:01

    Uma dos melhores textos que já lina respeito do pole. Vc descreveu com absoluta precisão os sentimentos envolvidos qndo iniciamos essa atividade maravilhoso! Pole é amor sincero, amor verdadeiro! 😊

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